sábado, 5 de outubro de 2013

Algumas considerações sobre o Satanismo: você realmente conhece essa crença?!

Muitos são os boatos, muitos são os fatos. Entretanto, quando falamos de Satanismo, muitos indivíduos são param para raciocinar sobre essa seita que seria a antítese das religiões monoteístas – Islamismo, Cristianismo e Judaísmo. O post de hoje traz alguns tópicos apontando os principais fatos sociais, econômicos, históricos e teológicos desta corrente que, para quem não sabe, cresce com grande rapidez em algumas partes do mundo.


1. É importante ressaltarmos que o satanismo é totalmente diferente das demais seitas tidas como ocultistas pelas correntes teológicas cristãs, como a wicca, as religiões afro-brasileiras, as religiões caribenhas de origens africanas, por exemplo. O satanismo pregaria não somente a adoração a Satã como divindade, mas também muitos procedimentos inversos daqueles que o monoteísmo prega na Torá, na Bíblia e no Alcorão;

2. Muitos jovens rebeldes (rebeldes sem causa) dizem-se satanistas para promoverem a chamada “contracultura”. Entretanto, verdadeiros satanistas raramente se dizem como tal publicamente pelo receio de preconceito social e econômico, como demissão de empreso, exclusão da sociedade etc. – algo que nos lembra os tempos medievais quando na caça às bruxas;

3. De acordo com a Sociedade Satanista Britânica, esse fator de muitos jovens afirmarem o credo a Satã, pouquíssimos conhecem sua teologia e seus preceitos básicos e intermediários, e nunca os mais avançados. De acordo com a própria Sociedade, na Grã-Bretanha havia somente 157 satanistas inscritos na sociedade em 2008, o que faz com que as estatísticas ponham o número a ínfimos 500 fiéis;

4. O número de satanistas no mundo cresce, mas não em proporções geométricas. Entretanto, alguns leitores podem alegar que grandes empresários estariam a “serviço de Satã” realizando pactos. Isso é uma fantasia infantil da visão do mundo contemporâneo. De acordo com a antropologia, é preciso saber separar o credo Satanista das práticas capitalistas – tais como: hedonismo, individualismo, materialismo etc.;

5. No Brasil não há números oficiais nem uma sociedade organizada conforme ocorre na Grã-Bretanha e em outros países – tais como Estados Unidos, Austrália e França –, entretanto alguns teólogos acreditam que o número de satanistas no país também seja extremamente pequeno, não chegando aos 700 praticantes. É fato apontar que, de um modo geral, em todo o planeta, de acordo com os teólogos que estudam o fenômeno, os verdadeiros praticantes do culto a Lúcifer sejam, em sua maioria, homens com nível universitário e renda superior aos 10 mil dólares mensais, portanto não são pessoas “ignorantes” e sem conhecimento do mundo, pelo contrário. Por isso muitas pessoas crédulas associam as grandes empresas capitalistas e suas práticas ao Satanismo como os boatos de que seus empreendedores “fizeram pacto”;


6. De um modo geral, o Satanismo tem como característica comum não somente a veneração a Satanás, mas também a figuras rebeldes e libertárias do processo historiográfico da nossa sociedade. Para eles, o importante é não crer no conformismo;

7. Para os seguidores do Satanismo, não vivemos em uma sociedade monoteísta, mas um embate de duas forças muito poderosas, portanto dois deuses: Javé e Satã. Para eles, uns decidiram ser servos de Javé e outros de Satã. Uma frase clássica do movimento é: “Uns decidiram ser martelo, e outros decidiram ser bigorna; queremos sair da posição de bigorna”;

8. Para as religiões monoteístas, Satã é uma figura representada como um “anjo caído”, que teve inveja das obras de Deus e se tornou seu competidor, fazendo o Homem sair dos caminhos “divinos” e propondo que ele destrua, roube e mate. Já para os satanistas, Satã seria um deus tão forte como Javé mas que não prega o conformismo, mas sim a luta em busca dos ideais humanísticos e individualistas;

9. Particularmente após o movimento do Iluminismo na França, algumas obras, como “Paraíso perdido”, foram tomadas pelos românticos e descritas como ilustradoras do Satanás bíblico como uma alegoria, representando crise de fé, individualismo, livre-arbítrio, sabedoria e iluminação. Essas obras demonstrando Satanás como um personagem heróico são poucas, mas existem; George Bernard Shaw, William Blake e Mark Twain (em “Letters from the Earth”) incluíram tais caracterizações nos seus trabalhos bem antes de satanistas religiosos começarem a escrever;

10. De acordo com os historiadores, teólgos e antropólogos, Satã começou a ganhar novos significados fora do monoteísmo religioso após algumas obras iluministas, pré-Revolução Francesa, quando os homens passaram a refletir os problemas da sociedade humana fora da observância religiosa (característica do período medieval), como o crescimento do capitalismo e das indústrias, a economia, o individualismo, as diferenças sociais, o socialismo etc.;


11. Em hebraico, o termo Satã quer dizer “adversário, opositor, aquele que trama contra o outro”. Esse termo originou-se no Judaísmo e passou também para os vocabulários teológicos do Cristianismo e do Islamismo. O termo “satanismo” foi utilizado pelas religiões abraâmicas para designar práticas religiosas que consideravam estar em oposição direta a Javé;

12. O satanismo La Vey é uma filosofia (não é considerado uma religião por muitos seguidores) fundada em 1966 por Anton Szandor La Vey. Seus ensinamentos são baseados no individualismo, hedonismo e na moralidade “olho por olho”, como a Lei de Talião. Diferente dos satanistas teístas, satanistas de La Vey são ateístas que consideram Satanás como um símbolo da natureza inerente do Homem;

13. De acordo com os teólogos, o satanismo de LaVey é um pequeno grupo religioso que não é relacionado a nenhuma outra fé, e cujos membros sentem-se livres para satisfazer suas vontades responsavelmente, exibir simpatia aos seus amigos e atacar seus inimigos;

14. Já no satanismo religioso suas crenças foram detalhadas pela primeira vez na Bíblia Satânica e é supervisionado pela Igreja de Satã. O satanismo simbólico é a observação e prática de filosofias e rituais satânicos. Nessa interpretação do satanismo, o satanista não venera Satanás no sentido teísta, mas é um adversário a todos os credos e religiões espirituais;

15. Desta maneira, podemos apontar que dentro do próprio Satanismo há uma oposição de forças filosóficas. Para o primeiro, há uma filosofia que deve ser a da resposta para os mesmos atos que recebemos – “olho por olho, dente por dente”, em dissonância com o ensinamento de Cristo que propunha “virar o outro lado do rosto”. Já o outro Satanismo propõe ser uma fé antifé, iconoclasta de todas as religiões espirituais que possam existir, crítica delas e, muitas vezes, incômoda para os fiéis daquelas que são atacadas (assim, a Igreja Satã é contra não somente as igrejas monoteístas, mas contra qualquer outro credo que faça comunicação com o “mundo além” – hinduísmo, xintoísmo, confucionismo, umbanda, candomblé, santeria, animismo, vodu, sikh etc.);


16. Embora possa parecer um pouco improvável, alguns historiadores afirmam que o culto satânico tenha sido bastante popular nos século 16 e 17 em algumas cortes europeias, mesmo com toda a fiscalização da Igreja no período da Inquisição. A França, naqueles tempos, tinha um mercado de satanismo lucrativo, existindo como se fosse uma máfia, que tinha integrantes até nas mais altas rodas sociais de Paris. Essa máfia, todavia, foi desarticulada pelas autoridades da cidade, em grande parte graças a Gabriel Nicolas de La Reynie;

17. La Reynie começou a desconfiar que existia uma rede alternativa de Satanismo em Paris após prender Louis de Vanens, um notório satanista. Ele ficou meses atrás de uma pista da existência do tal grupo, mas nunca conseguiu provar nada. Todavia, um dia ele conseguiu prender uma conhecida cartomante, Catherine Deshayes, mais conhecida com “La Voisin”. Com ela ele encontrou não apenas artigos que cartomantes normalmente usam, mas também objetos pretensamente usados em rituais de magia negra, como sangue, terra de cemitério, sêmen, entre outras coisas. Quando foi indagada de suas atividades, “La Voisin” revelou que, além de poções de amor, ela havia feito diversos abortos para mulheres da mais alta roda parisiense, sendo que foram supostamente encontrados diversos fetos e bebês enterrados em seu quintal;

18. Entre vários de seus cúmplices denunciados, um notório foi Étienne Guibourg, que, segundo ela, era um integrante da Igreja de Satã, a qual praticava todo tipo de magia e atividades relacionadas com o Satanismo. Umas das clientes de “La Voisin” e do próprio Guibourg era Francisca Atenas, conhecida como Madame de Montespan, uma das favoritas do então Rei Luís 16, que supostamente estava desesperada para se tornar esposa dele e tornar-se rainha da França;

19. Os primeiros rituais para Montespan, segundo “La Voisin”, não envolveram sacrifícios de crianças, mas sim de pequenos animais, e certos rituais mágicos. Sobre a influência da cartomante, Montespan fazia poções e as colocava na comida do rei, com testículos de animais e afins. Todavia, segundo conta, as intenções de Montespan foram mudando, e os rituais, que eram de amor, foram mudando para ódio, e os rituais foram se tornando cada vez mais macabros, com a intenção de matar o rei, embora não tenha havido sucesso;

20. Logo depois de o grupo ser descoberto por La Reine, diversas pessoas foram presas, inclusive Montespan, tendo sido inocentada e passando o resto de sua vida no interior do país. Devido ao fato de o Satanismo Original ser uma doutrina filosófica que pregava a liberdade individual do ser humano, dentre outras ideias, contrariava fortemente os dogmas e princípios morais da Igreja. Esta, desde então, passou a perseguir os adeptos de tal doutrina e a acusá-los de heresias como adoração ao demônio e prática de orgias sexuais;



21. É muito importante destacar que, atualmente, há várias vertentes do Satanismo, seja como religião, ou seja como filosofia de vida. As duas principais são a vertente filosófica, que se limita a cumprir a doutrina de acordo com certos valores puramente filosóficos, e a vertente religiosa, que teve o seu surgimento alguns anos depois que a Igreja acusou os satanistas originais de adoração ao diabo;

22. De acordo com a Sociedade Satanista Britânica, certos grupos posteriores pensam que tal acusação dita anteriormente se tratasse de uma verdade absoluta, e devido a uma certa falta de informação e instrução, tais grupos passaram, desde então, a pôr em prática os rituais que pensavam constituir as práticas do Satanismo, surge então o chamado Satanismo Moderno, com fundamentos puramente religiosos;

23. Um dos pensamentos mais errôneos sobre o Satanismo é acreditar no uso de fetos e/ou humanos já formados em rituais macabros, para invocação da vida, ou da morte, ou de quaisquer outras entidades. No século XX vários serial-killers usaram equivocadamente o nome do Satanismo para justificar suas atrocidades, sendo que eles não tinham qualquer ligação com os verdadeiros satanistas;

24. Curiosamente, nas legislações da Irlanda e de Israel é proibido que as pessoas façam cultos satânicos, podendo ser condenadas à multa ou prisão, dependendo da forma do culto.


Este é um post bastante polêmico que envolve uma seita que é bastante falada, mas pouco conhecida verdadeiramente pelas pessoas. Muito do que se discute sobre o Satanismo está embasado no discurso bíblico-monoteísta e se confunde com as práticas do mundo contemporâneo – individualismo, enriquecimento repentino, humanismo etc. O Satanismo, por estar inserido no movimento de contracultura da massa, acabou entrando em um ramo de erros das pessoas, que o declamavam sem conhecê-lo; na verdade, de arcodo com a Sociedade Satanista Britânica, cerca de somente  12 britânicos são satanistas que fazem culto a Satã, ao contrário do que a maior parte das pessoas supõem.