sábado, 14 de setembro de 2013

Você conhece a lenda urbana sobre a suposta morte de Paul McCartney? Fato ou farsa?

A suposta morte de Paul McCartney, também muito conhecida em inglês como “Paul is dead” – “Paul está morto” – consiste, basicamente, em boatos e teorias conspiratórias de que Paul McCartney, ex-integrante dos Beatles, teria morrido em um acidente em 1966 e sido substituído por um sósia. A história acabou se tornando uma espécie de folclore vivo no Reino Unido e muitos fãs dos Beatles creem nesta história.


Fatos a serem considerados...
Em 1966, logo após o lançamento do álbum “Revolver”, os Beatles pararam de excursionar em virtude da dificuldade de tocar ao vivo os arranjos cada vez mais complexos e inusitados de suas músicas. Este fato, aliado a um acidente de carro sem maiores consequências sofrido por Paul McCartney, deu origem ao surgimento algum tempo depois do maior e mais duradouro boato de todos os tempos: o de que Paul McCartney havia morrido e sido substituído por um sósia.

O boato inicia-se afirmando que Paul realmente morreu no dia 09 de novembro de 1966, após colidir num cruzamento; segundo dizem, a notícia chegou a ser veiculada numa emissora de rádio, mas tudo teria sido “abafado”. A batida foi tão forte que chegou a desfigurá-lo, matando-o instantaneamente. Foi por isso que o empresário divulgou que os Beatles não fariam mais apresentações ao vivo.

Curiosamente, Paul realmente tinha um sósia quase perfeito de origem anglo-escocesa, que inclusive, teria sido dublê de Paul durante as filmagens de “A Hard Day’s Night” (1964) e “Help!” (1965). Logo, o tal sósia foi convocado – seu nome seria Willian Campbell (outras fontes citam que o nome do sósia seria Billy Shears, personagem que seria “apresentado” ao mundo, de forma velada, em “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”), já que os Beatles tinham contrato milionário com a Capitol Records.

Centenas de matérias em jornais, especulações de fãs e mesmo livros foram surgindo sustentando a versão da morte de Paul. As pessoas que acreditavam nisto se basearam em centenas de pistas que supostamente haviam sido deixadas de propósito pelos outros Beatles nas letras das músicas, nas capas dos discos e nos filmes posteriores da banda.

Logicamente, os Beatles sempre negaram qualquer envolvimento ou colaboração com os boatos. As “pistas”, porém, contribuíram durante algum tempo para melhorar a divulgação e aumentar as vendas dos discos da banda. Segundo a teoria, estas “pistas” teriam sido feitas por John Lennon que, indignado com a farsa, decidiu espalhar a notícia da morte de Paul. Entre estas pistas, a talvez mais famosa esteja presente na música “Strawberry fields forever”, onde Lennon, ao final, diz “I buried Paul” (“Eu enterrei Paul”). Anos mais tarde, Lennon revelou que na realidade a frase era “Cranberry sauce”, o nome de um molho usado para temperar aves.


A história da suposta morte de McCartney...
Como dito, Paul teria morrido em um acidente de carro às 5h da manhã de uma quarta-feira, dia 09 de novembro de 1966. Sofreu esmagamento craniano e/ou foi decapitado ao colidir com outro veículo por não ter observado o sinal do cruzamento fechar, conforme teria sido contado posteriormente na música “A day in the life”: “he blew his mind out in a car... he didn’t notice that the lights had changed” (“Ele arrebentou a cabeça num carro... não percebeu que o sinal havia mudado”). No acidente, seu rosto teria sido desfigurado e ele teria perdido seus dentes, o que inviabilizou a identificação do corpo (não existia, na época, exames de DNA para identificação). Desta forma, os outros Beatles teriam resolvido substituí-lo por um sósia já conhecido da banda.

De fato, Paul sofreu um acidente de moto que lhe valeu um corte no lábio superior e um dente quebrado. Nada muito grave além disso. Isto pode ser observado no vídeo de “Paperback writer e rain”, onde Paul aparece com uma parte do dente quebrado e com os lábios inchados. Quanto a letra de “A day in the life”, Lennon a compôs após ler a notícia da morte da jovem socialite Tara Browne, herdeira da cervejaria Guinness, de 21 anos, morta em 18 de dezembro de 1966. John estava tocando piano em sua casa quando leu a notícia da morte no jornal. Browne estava dirigindo no seu Lotus Elan através da South Kensington em alta velocidade (alguns relatos sugerem cerca de 170 km/h). Ela não conseguiu ver a luz do sinal de trânsito e prosseguiu através da esquina da Redcliffe Square com a Redcliffe Gardens, colidindo com um caminhão estacionado e morreu no dia seguinte.

Para a escolha do substituto teria sido foi feito um concurso nacional de sósias e o vencedor, William Campbell ou Billy Shears, após vencer o concurso, teria feito algumas operações plásticas para aumentar sua semelhança com o Beatle morto e poder substituí-lo. A única falha no novo Beatle teria sido uma cicatriz em seu lábio superior que não pôde ser removida e aparece nas fotos de Paul (o falso Paul) desde então. Esta cicatriz, na realidade, existiu e foi decorrente do acidente de moto sofrido por Paul, já anteriormente citado.


Com o sósia colocado no lugar do verdadeiro Beatle, os demais integrantes da banda e seus produtores teriam começado a divulgar várias pistas para que os fãs pudessem descobrir que o verdadeiro Paul havia morrido. A maioria das pistas relatadas exige bastante senso crítico.

A não ser que o corpo tivesse sido totalmente carbonizado (acarretando, inclusive, na destruição da arcada dentária), não há possibilidade de não se executar a identificação. Não há registro de ocorrência policial ou relato de autópsia noticiando o “acontecimento”. Não houve uma única testemunha de um acidente tão grave. Uma figura tão popular e sempre presente como Paul McCartney, seu sumiço certamente seria notado pela imprensa. Na época, nada foi noticiado. E mesmo após 1966, Paul compôs diversas canções tão criativas quanto as anteriores à suposta “morte”, tanto com sua carreira com os Beatles quanto em sua carreira solo e com os Wings.

O início da boataria...
A suposta morte de Paul McCartney foi primeiramente noticiada em 12 de outubro de 1969 em uma rádio de Detroit, nos Estados Unidos, pelo DJ Russ Gibb. Ele havia recebido um telefonema de um ouvinte o instruindo para algumas pistas em músicas e capas de discos que indicavam a suposta morte. Russ Gibb neste dia leu a lista das pistas no ar e também improvisou algumas mais.

Para seu espanto, os jornais locais levaram a sério esta brincadeira e publicaram a lista. No final do mês de outubro os boatos tinham se espalhado de tal forma nos Estados Unidos que obrigaram Paul McCartney, em férias na Escócia, a vir a público em uma entrevista para a revista “Life” desmentir os boatos sobre a sua morte. A partir daí, vários livros foram escritos e, cada vez mais, novos “fatos” foram sendo “encontrados” e adicionados à lista de indícios sobre a sua morte.

Lista de “pistas” nos discos dos Beatles...
1. Álbum “Rubber soul”


- Os Beatles, na foto da capa, olham para baixo como se observassem uma sepultura;
- A fotografia da capa teria sido distorcida para que não se notasse que Paul havia sido substituído;
- A letra de “Girl” diz “that a man must break his back to earn his day of leisure will she still believe it when he's dead”, uma citação à morte, o que se tornaria comum a partir daqui;
- A letra de “I'm looking through you” diz: “You don't look different but you have changed, I'm looking through you, you’re not the same... you don’t sound different... you were above me but not today, the only difference is you’re down there”. (“Você não parece diferente, mas você mudou, eu olho através de você, você não é mais o mesmo” se refere obviamente a Paul ter sido substituído por um sósia e não ser mais a mesma pessoa. “A única diferença é você estar embaixo” se refere ao fato de o verdadeiro Paul estar em uma sepultura);
- A letra de “In my life” diz: “Some are dead and some are living” (“Alguns estão mortos e alguns estão vivos”, uma referência aos Beatles não estarem mais juntos).

2. Álbum “Revolver”


- Na gravura da capa há uma mão aberta sobre a cabeça de Paul. Uma mão aberta sobre a cabeça é uma maneira de abençoar as pessoas que morrem. Isto se repetiria posteriormente, conforme veremos;
- Ao invés de uma foto dos Beatles, pela primeira vez foi feito um desenho para evitar que o sósia fosse desmascarado pela foto;
- A música “Taxman” seria, na realidade, sobre um taxidermista, pessoa responsável por empalhar animais mortos e fazer parecer que eles ainda estão vivos. Na letra há referências ao acidente de Paul (“If you drive a car”, “se você dirige um carro”) e ao fato de Paul estar morto (“if you get too cold”, “se você ficar frio”). A melhor pista é “my advice to those who die, taxman”, ou seja “meu conselho para aqueles que morrem, um taxidermista” (para que o morto continue parecendo vivo);
- Em “Eleanor Rigby”, Father McKenzie seria, na realidade, Father McCartney, note a semelhança entre os nomes. Na letra consta “Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave”, ou seja, “Padre McKenzie (Paul McCartney) limpando a sujeira de suas mãos após sair (voltar) do túmulo”;
- Na letra de “She said she said”: “She said I know what it's like to be dead” ou “Ela disse ‘eu sei como é estar morta’”;
- Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. Na letra consta: “you’re a new and better man” ou “você é um homem novo e melhor” se referindo ao novo Paul. “He does everything he can, Dr. Robert” ou “Dr. Robert faz tudo o que pode fazer” se refere ao fato de Dr. Robert ter feito todo o possível para tentar salvar Paul.

3. Álbum “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”


- A capa é, na realidade, o desenho de uma sepultura (a de Paul) com todas aquelas pessoas olhando (note os arranjos de flores típicos de um funeral).
- Um dos arranjos de flores forma o desenho de um baixo Hofner, semelhante ao que Paul tocava, inclusive virado para a direita, visto Paul ser canhoto. Isto provaria que é Paul o cadáver que acabou de ser sepultado. O baixo tem apenas três cordas ao invés de quatro, uma referência aos Beatles sem o seu quarto companheiro.
- Outro arranjo onde aparentemente está escrito Beatles na realidade deve ser lido como “Be at Leso” ou “Fique em Leso”. Paul teria sido enterrado na Ilha de Leso.
- Sobre a cabeça de Paul há novamente uma mão aberta que o abençoa.
- Abaixo do nome “Beatles” aparece uma descrição feita com flores amarelas onde se lê: “Paul D”. “D” era uma gíria inglesa da época para referir-se a “dead”, “morto”.
- Uma boneca da gravura da capa segura um carro de brinquedo. O carro seria do mesmo modelo do em que Paul haveria morrido. Note que o interior do carro é vermelho em referência ao sangue
decorrente do desastre.
- Embaixo do “T” de Beatles na capa há uma pequena estatueta de Shiva, deus hindu da morte. A estátua aponta para Paul.
- Na foto da contracapa, todos os Beatles olham para a frente, com exceção de Paul.
- Em uma foto do encarte Paul tem no braço uma insígnia onde está escrito “OPD” que seria a sigla para “Officially Pronounced Dead” ou “Oficialmente Considerado Morto”.
- Na foto da bateria, se você colocar um espelho horizontalmente cortando a frase “Lonely hearts” e olhar a combinação da parte de cima das letras com o reflexo surge a frase “One he die”, referindo-se à morte de um dos Beatles.
- Outra versão diz que a frase da bateria deve ser lida como “I One IX He ^ Die”. O significado surge de simples conexões “I One” é Onze (11), “IX” é nove em romanos. Finalmente “He” e a seta que surge entre esta e “Die” aponta diretamente para McCartney em sua ponta superior e para o suposto túmulo em sua ponta inferior. Conclusão no mês 11 (novembro), dia 9, ele (Paul) morreu. Daí surgem controvérsias: na leitura americana, trata-se do mês 11 e do dia 9, mas na inglesa entende-se Setembro (9), dia 11. Mas já que Paul teria sofrido o acidente em uma quarta, bastou verificar e atestar que 9 de novembro de 1966 era uma quarta-feira.
- Em “Good morning, good morning”, “Nothing to do to save his life” ou “Nada pode ser feito para salvar sua vida”. “People running around it’s 5 o’clock”, ou “Pessoas andando em volta às 5 da manhã” (a hora do suposto acidente de Paul).
- Este fato é extremamente interessante: na contracapa do álbum, na foto dos Beatles, além do famoso detalhe que mostra Paul virado de costas para a câmera, pode-se notar George Harrison apontando o dedo indicador direito exatamente para a frase de “She’s leaving home”, que diz “Wednesday morning at five o’clock as the day”. Dia da semana e hora da suposta morte do Beatle.

4. Álbum “Magical mystery tour”


- Se você olhar a capa do disco em um espelho, as estrelas onde está escrito “Beatles” formam um número de telefone. Quando se ligava para este número, na época em que o disco foi lançado, ouvia-se a mensagem “You’re getting closer” (“Você está chegando perto”). Na realidade, tratava-se de uma menina bem humorada que havia aderido à brincadeira sobre a morte de Paul.
- No livro que vinha junto com o disco, em sua versão original, havia uma foto dos Beatles, cada um com uma rosa na lapela. Todos tinham rosas vermelhas, a não ser Paul, que usava uma rosa preta.
- Ainda no livro, em todas as fotos Paul está descalço (os mortos são enterrados descalços).
- Na foto central do encarte, na pele de resposta da bateria de Ringo está escrito “Love 3 Beatles”, lembrando que os Beatles agora são apenas 3.
- No desenho dos Beatles, presente no interior do álbum, Paul aparece com o gorro cobrindo parcialmente seu rosto, além de estar com os olhos fechados. É curioso também que a poeira de estrelas que os rodeia forma uma espécie de auréola sobre a cabeça de McCartney.
- Ouvindo “I am the walrus” surge a mensagem “Oh untimely death”, ou “Oh morte prematura”. A frase aparece sem a necessidade de inversão da música junta com muitas outras ao final da música, incluindo: “Bury my body” e “What, is he dead?”. Estas frases fazem parte de uma execução via rádio da peça “King Lear” de Shakespeare. Lennon as utilizou na edição com propósito desconhecido; talvez a razão possa ser encontrada se forem verificadas as palavras postas anteriormente em “Paperback writer”, que diz: “It’s based on a novel by a man named Lear”.
- Ao final de “All you need is love”, você pode ouvir John dizendo algo semelhante a “Yes! He is dead!”. O que Lennon realmente fala é “She loves you, yeah, yeah”, referindo-se à tradicional canção da primeira fase dos Fab Four.
-“Magical mystery tour” seria a jornada a que todos os fãs de Paul iriam percorrer para decifrar o enigma de sua morte.

5. Álbum “White Album”


- Em “I’m so tired”, ao ouvir o trecho final da música ao inverso, surge claramente a voz de John Lennon dizendo “Paul is dead man, miss him miss him”.
- A música “Revolution #9” seria sobre a morte de McCartney (o sobrenome tem 9 letras). “My fingers are broken and so is my hair” ou “meus dedos estão quebrados e meu cabelo também”. Ao ouvir o verso “number nine” ao contrário, surge a mensagem “turn me on dead man”. Ainda ao contrário, podem-se ouvir outras pistas, incluindo “Let me out!”. Seria McCartney gritando para sair de seu automóvel?
- Nas fotos colocadas em várias partes do álbum duplo há algumas curiosidades. Paul em uma banheira, com a cabeça para fora da água dando uma impressão assustadora de decapitação. Paul entrando em um trem ou em um ônibus e duas mãos “fantasmagóricas” prontas para levá-lo para o “outro lado” podem ser vistas atrás dele. Nas fotos em close dos 4 integrantes a de Paul revela a cicatriz da cirurgia plástica de Willian “Billy Shears” Campbell para aperfeiçoar sua semelhança com Paul. Mas obviamente a cicatriz faz parte do pequeno acidente de moto que Paul sofrera, cicatriz responsável também pelo bigode em Sgt. Pepper.

6. Álbum “Yellow submarine”


- Na capa aparece novamente uma mão aberta sobre a cabeça de Paul.
- O submarino na capa se assemelha a um caixão enterrado sobre a montanha.

7. Álbum “Abbey Road”


- Na capa com os Beatles atravessando a rua, Paul está com o passo trocado em relação aos outros, é o único fumando e está descalço (os mortos são enterrados descalços), além de estar com os olhos fechados.
- Lennon, de branco, representaria Deus ou Jesus Cristo; Ringo, o agente funerário; Paul, o cadáver e George, o coveiro.
- O cigarro que Paul segura está na mão direita. O Paul “verdadeiro” era canhoto, e estaria com o cigarro na outra mão.
- Um fusca branco estacionado na rua tem a placa 28IF, um lembrete de que Paul teria 28 anos SE (if) estivesse vivo. O Fusca na Inglaterra é chamado de “Beetle”.
- Na letra de “Come together”, “One and one and one is three” ou “Um mais um mais um são três”, referência aos três Beatles restantes.
- Na contracapa, ao lado direito da palavra Beatles, uma imagem feita de luzes e sombras aparece. Trata-se de uma caveira, claramente, com dois olhos e boca.

Na realidade, são muito interessantes as pistas referentes à suposta morte de Paul McCartney. Como foi dito anteriormente, se o acidente realmente tivesse ocorrido, os fãs curiosos e jornalistas já teriam descoberto através de testemunhas, registros policiais, registros de resgate etc. Nesse meio tempo, muitos especuladores ganharam dinheiro e mídia dizendo que havia novidades; tanto ao ponto de McCartney ser uma espécie de “folclore vivo” na Grã-Bretanha.

De acordo com os mais fervorosos fãs dos Beatles de todo o mundo, John Lennon, muito brincalhão, decidiu entrar na onda da boataria e espalhar pelos seus discos tais supostas “pistas” que deixavam tantas pessoas intrigadas. Isso divertia muito os integrantes da banda, bem como a gravadora e os empresários, que jogavam cada vez mais na mídia os álbuns novos dos rapazes-fenômeno da música. De modo geral, podemos afirmar que se trata de uma boataria, uma lenda urbana, quase um golpe de marketing.