terça-feira, 10 de setembro de 2013

O incidente de Varginha ou o ET de Varginha: o caso ufológico mais conhecido do Brasil...

O incidente de Varginha ou ET de Varginha é como ficou conhecido pela imprensa brasileira uma possível aparição de objetos voadores não identificados (neste caso, naves espaciais, ou discos voadores de uma civilização extraterrestre) e a captura de criaturas extraterrestres de alto nível de civilização pelas autoridades brasileiras no dia 20 de janeiro de 1996, na cidade de Varginha, sul de Minas Gerais. Segundo uma testemunha, as autoridades brasileiras já sabiam antecipadamente através da NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) que um Ovni iria invadir o espaço aéreo brasileiro (nove dias antes do incidente de Varginha) e que sobrevoaria a região do sudeste de Minas Gerais. Os programas de televisão foram montados com base nas entrevistas locais pelos jornalistas e não apresentaram provas físicas. A transmissão pelos programas de televisão fez a cidade de Varginha famosa, como a “Terra do ET”, e vem trazendo um número elevado de turistas interessados em ufologia.


À época, os programas de televisão e a mídia impressa trataram do assunto com extremo sensacionalismo, o que atrapalhou a investigação de grupos de ufologia, como a MUFON. As testemunhas davam relatos controversos enquanto, por causa da aparição na mídia, pessoas inventavam avistamentos, o que atrapalhava cada vez mais a investigação.

Originalmente, as irmãs Liliane e Valquíria Silva, além da amiga de ambas, Kátia Xavier, alegaram que ao passarem por um terreno baldio, viram uma das tais criaturas, que teria pele marrom, viscosa, olhos enormes de cor vermelha e três protuberâncias – como chifres – na parte superior da cabeça, que era bastante volumosa, além de um forte odor fétido semelhante a amônia. As três garotas, visivelmente abaladas emocionalmente, reafirmaram este relato diversas vezes, chegando a mãe das duas irmãs a afirmar, algum tempo depois, ter a sua família sido submetida a uma tentativa de suborno de um agente que não se identificou, para que não mais levassem a história adiante.

A mídia informou que várias testemunhas afirmam que no mesmo dia em que as três meninas teriam visto a tal criatura, também notaram uma movimentação anormal de patrulhas da polícia, veículos do Exército e do Corpo de Bombeiros pela cidade. Um casal de testemunhas que também não tinham qualquer tipo de ligação com as primeiras também afirmaram terem visto um Ovni esfumaçado, e uma testemunha afirmou ter presenciado até a queda de um disco voador e a seus destroços sendo recolhidos por militares, em outros locais na mesma região de Varginha.

Conforme os programas de televisão da época, que exploraram o caso nauseamente, a criatura extraterrestre possuía algumas das seguintes características: (1) Cabeça grande e careca; (2) Olhos enormes, vermelhos e sem pupilas; (3) Língua preta, estreita e comprida; (4) Três saliências no alto da cabeça parecidas com chifres; (5) Pele marrom ou castanho e escura, coberta por uma oleosidade brilhante; (6) Veias muito salientes e vermelhas no rosto, ombro e braços; (7) Três dedos nas mãos e pés grandes com dois dedos e sem unhas; (8) Aproximadamente 1m60 de altura; (9) Produzia um som parecido com um zumbido de abelha; (10) Exalava um estranho odor parecido com amônia. Essas características correspondem àquelas dos chamados grays, um tipo famoso do extraterrestre comentado pelos ufólogos americanos.


A visita do extraterrestre não foi confirmada...
Após o incidente de Vargina, surgiram muitas páginas na internet que vêm divulgando informações exageradas e sensacionalistas com ilustrações e fotos que não estão relacionadas diretamente com o referido caso brasileiro. Isso, de acordo com a MUFON, faz com que as investigações mais sérias sejam atrapalhadas gravemente porque conta com testemunhas erradas e provas falsificadas, demandando mais tempo em um círculo vicioso.

Por outro lado as autoridades, como o Corpo de Bombeiros e Polícia Militar do local, negam constantemente as informações paranormais transmitidas pelas emissoras de TV, apesar do relato de uma suposta morte não explicada de um dos militares envolvidos na operação. As autoridades também negam o fato de no dia do aparecimento do ET, estarem rodando pela cidade sem um motivo aparente. O incidente foi pesquisado cientificamente pela Universidade de São Paulo como uma parte de uma dissertação de mestrado de Sociologia.

A referida dissertação concluiu que a visita do ET à Varginha não pode ser acreditada como uma ocorrência real devido à ausência de provas físicas. O incidente inspirou a novela de ficção “E a Terra parou novamente”, do escritor e jornalista Jorge Fernando dos Santos, que chegou a investigar a ocorrência. A história virou uma lenda urbana e hoje é considerada como uma história folclórica com o nome “ET de Varginha”. Ou seja, caiu totalmente em descrédito.

Já uma investigação realizada pelo Exército brasileiro, finalizada em 1997 e cujo resultado foi levado a público pela mídia em outubro de 2010, concluiu que o incidente não passaria de um mal entendido – o que é extremamente comum em relatos de avistamentos de Ovnis e “seres estranhos”; de acordo com a MUFON, 98% dos avistamentos e aparecimentos podem ser explicados como erros de identidade.

Luiz Antônio de Paula (conhecido como “Mudinho”) vivia com sua família em frente ao terreno do suposto avistamento. Este homem, portador de deficiência mental, é conhecido em Varginha e tem o hábito de ficar agachado coletando pequenos objetos do chão. De acordo com o inquérito da Polícia Militar e do Exército, a versão oficial é de que no dia do incidente, as testemunhas o avistaram agachado num canto do terreno, sujo de lama devido à chuva e entraram em pânico. As três jovens, portanto, teriam confundido “Mudinho” com uma “criatura alienígena”.


Posição científica em relação ao caso...
Embora agências científicas de renome mantenham entre suas pesquisas projetos específicos que visam identificar sinais ou mesmo a presença de civilizações extraterrestres em sistemas estelares que não o nosso – dada a plausibilidade, em vista do que já se sabe sobre a composição química, o comportamento físico-químico e a evolução do nosso e dos demais sistemas estelares, em muito similares, de os processos que levaram à evolução de seres inteligentes aqui na Terra se repetirem em outros locais do gigantesco universo que nos cerca – é consenso científico que a presença de tais seres extraterrestres aqui na Terra é extremamente improvável – para não dizer literalmente impossível.

Qualquer alegação de que há seres extraterrestres visitando o nosso planeta não encontra qualquer apoio científico dado em essência ao fato de que, ao menos com base na tecnologia e conhecimentos de hoje, ser fisicamente impossível, uma vez admitida a existência, o traslado desses seres até o nosso Sistema Solar. A primeira estrela mais próxima ao Sol é Alfa Centauri, e essa se situa a aproximadamente 4,2 anos-luz de distância da Terra. Ignorado o fato, já verificado, de lá não haver vida inteligente, se o nosso destino fosse, abordo do ônibus espacial, a estrela citada, um ser humano que viesse à luz já na nave tão logo essa partisse rumo ao seu destino morreria de velhice antes de completar sequer, sem rigor, a milésima parte da viagem. Há várias outras considerações que inviabilizam cientificamente a presença em nosso planeta de extraterrestres, fatos que elevam essa e demais histórias – ao menos com base no que se tem por cientificamente conhecido até hoje – no máximo no patamar das histórias de ficção científica.

Efeitos sociais e econômicos...
Por outro lado, o incidente de Varginha trouxe efeitos sócio-econômicos à referida cidade. Os bonecos na forma de “gray” com o uniforme de famosos times de futebol estão à venda nos camelôs. Graças à transmissão da televisão, muitos turistas visitam a “Terra do ET”. Foram construídos pontos de ônibus em formatos de naves espaciais e uma enorme caixa d’água no centro no formato de um Ovni. O desenho de “gray” aparece eventualmente nas ilustrações de campanhas de vacinação, segurança do trânsito, etc. além da promoção de turismo.