quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Clube de Roma: o que você conhece desse “clube de decisões mundiais”?

O Clube de Roma é um grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados à política, economia internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Foi fundado em 1968 pelo industrial italiano Aurelio Peccei e pelo cientista escocês Alexander King. Tornou-se muito conhecido a partir de 1972, ano da publicação do relatório intitulado “Os limites do crescimento”, elaborado por uma equipe do MIT, contratada pelo Clube de Roma e chefiada por Dana Meadows.


Desde a sua fundação e popularização no mundo, o Clube de Roma tem sido alvo de inúmeras críticas e teorias da conspiração que envolvem dinheiro, poder, alinhamentos político-ideológicos mundiais e o futuro de bilhões de pessoas nas mãos de tão poucos, disfarçados sob o debate do meio-ambiente sustentável. Mas o Clube de Roma tem muito mais a dizer do que se explicar perante os indivíduos que os acusam de tantas teorias conspiratórias.


O relatório “Os limites do crescimento”, que ficaria conhecido ainda como “Relatório do Clube de Roma” ou “Relatório Meadows”, tratava de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, tais como: energia, poluição, saneamento básico, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional; esse relatório foi publicado e vendeu mais de 30 milhões de cópias em mais de trinta idiomas, tornando-se o livro sobre meio-ambiente até hoje mais vendido da história.

Alguns historiadores e ambientalistas apontam que esse relatório teria sido o precursor de diversos documentos e debates atuais, como o Protocolo de Quioto, a Eco 92, a Rio+20 etc. Também começou a desenvolver as ideias de aquecimento global, efeito estufa e extinção de espécies de animais e plantas. O referido Clube de Roma trataria destes assuntos, mas teóricos da conspiração dizem que por debaixo do belo discurso ambiental há uma trama envolvendo econômica e política.

Utilizando modelos matemáticos, o MIT chegou à conclusão de que o planeta Terra não suportaria o crescimento populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da poluição, mesmo tendo em conta o avanço tecnológico. Assim, entendia-se que a ciência não era “a grande deusa no pedestal” que poderia resolver todos os problemas da humanidade.




Alguns críticos dizem que a análise e as projeções do cenário futuro apresentados no relatório mostraram-se equivocadas demais, uma vez que nenhuma daquelas previsões, tanto nos aspectos de esgotamento dos recursos naturais, como da evolução dos processos produtivos se confirmaram entre a década de 1970 e os anos 2000. Outros cientistas, como o professor Jorge Paes Rios, da UFRJ e da Université de Grenoble, na França, concordam com a maioria das conclusões do relatório, sendo apenas questão de tempo, aliás como mostra o próprio relatório baseado em modelos matemáticos. Afirma Rios, na sua tese, que como todo modelo matemático global, podem existir algumas imprecisões ou mesmo simplificações, o que não invalida as conclusões principais.

Entretanto, o livro serviu de base para uma série gigantesca de teorias conspiratórias envolvendo o Clube de Roma. Alguns cientistas e estudiosos denunciaram que por trás do documento apocalíptico havia interesse muito maior, principalmente no campo da economia, tais como:

1. Os dados referentes aos recursos naturais mostrariam interesse nos países desenvolvidos em se apossarem de áreas estrategicamente importantes em países subdesenvolvidos, como a Amazônia, sob o pretexto de “preservação para o bem mundial”;

2. A análise de que o planeta não suportaria grande número de pessoas esconderia a preconceituosa Teoria Neomalthusiana, que afirma que a diminuição da população em países pobres seria benéfica para fazer um “equilíbrio” de forças onde os mais bem alimentados – dos países desenvolvidos – teriam mais chances de viver próximo à escassa produção de alimentos;

3. A questão referente à poluição nos países subdesenvolvidos evitaria o desenvolvimento destes em suas indústrias e economias, como são os casos do Brasil, Índia e China, por exemplo, enquanto o documento não tratava dos Estados Unidos (maior poluidor do planeta), Europa e da União Soviética (enorme potência da época);

4. Por trás do discurso dito benéfico de ajuda ao planeta e manutenção dos povos estaria um grupo seleto de pessoas que, arbitrariamente, decidiria o rumo do planeta junto a outros seletos grupos de interesses econômicos e pouco sociais. O Clube de Roma, por exemplo, estaria escondido por trás do debate ambiental, enquanto seus membros montariam estratégias para se fortalecerem mutuamente.

Os teóricos da conspiração apontam outras dezenas de tópicos que tornam suspeita a ação do Clube de Roma sobre o planeta Terra e seu pensamento ambientalista. Entretanto, é importante salientar que há duas vertentes nisso: a primeira, que tais pressupostos poderiam ser reflexo de uma histeria coletiva contra o capitalismo, vendo nele todo tipo de ação “demoníaca” em favor do próprio lucro; e uma segunda, que aponta alguns tópicos que realmente deveriam ser revistos pela sociedade e pela comunidade acadêmica, a fim de evitar desgastes futuros – tais como o interesse internacional sobre a Amazônia, por exemplo.




Membros do seleto grupo...
Para quem não sabe, o Clube de Roma tem um site oficial, e você pode visitá-lo clicando aqui. E de acordo com este site, seus membros são personalidades oriundas de diferentes comunidades a fim de trazerem novas visões e perspectivas sobre os mesmos assuntos: cientistas, acadêmicos catedráticos, grandes políticos, empresários, financistas, religiosos etc. É por isso que aí se assentam tantas teorias conspiratórias envolvendo o Clube de Roma.

Seu presidente honorário é o diplomata espanhol Ricardo Díaz Hochleitner, e em outubro de 2010 o Clube de Roma contava com dois presidentes, Ashok Khosla, da Índia, e Eberhard von Körber, da Alemanha, além de dois vice-presidentes: Heitor Gurgulino de Souza, brasileiro, e Anders Wijkman, sueco. O trabalho do Clube é apoiado por um pequeno secretariado, instalado em Winterthur, no cantão de Zurique, na Suíça, chefiado por Ian Johnson, do Reino Unido.

O Clube conta com membros efetivos, honorários e associados, oriundos de diferentes países. Os membros honorários são personalidades notáveis, tais como: Jacques Delors, da França, Belisario Betancur, da Colômbia, César Gaviria, da Colômbia, Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, Mikhail Gorbachev, da Rússia, Vaclav Havel, da República Tcheca, Enrique Iglesias, do Uruguai, Helio Jaguaribe, do Brasil, o Rei Juan Carlos I, da Espanha, a Rainha Beatrix, da Holanda, Cândido Mendes de Almeida, do Brasil, Mário Soares, de Portugal e muitos outros.


No geral, podemos dizer que até os dias de hoje o Clube de Roma só causou um grande impacto: assim que foi fundado, lançar o “Relatório Meadows”, que serviu para base de um polêmico livro e outros tantos congressos, documentários, demais livros e debates, além dos protocolos assinados e debatidos entre diversos países até os dias atuais, sendo que parece que jamais chegaremos a um consenso.

O Clube de Roma pode até esconder interesses desconhecidos pela grande maior parte da população global, mas parece não ser uma ação tão expressiva, uma vez que não é um “grupo secreto” e nem se trata de um grupo que faz reuniões anuais secretas em grandes hotéis luxuosos. Mantém um site e publica periodicamente uma série de levantamentos.