terça-feira, 27 de agosto de 2013

Terraformação: você conhece esse termo da exobiologia e da astrofísica?

Terraformação” é a denominação dada ao processo, até o momento hipotético, de modificar a atmosfera e a temperatura de um corpo celeste sólido – como um planeta ou um satélite natural, como a Lua – até deixa-lo em condições adequadas para suportar um ecossistema complexo com seres vivos da Terra. Muito se especula sobre a terraformação desde os primórdios da exploração espacial. A maior parte do que se sabe sobre a modificação de planetas é baseado no que já observamos em nosso próprio mundo. Na Terra são cada vez mais evidentes os efeitos da poluição sobre o ecossistema, sinal de que é possível afetar o ambiente em uma escala global a fim de mudá-lo – embora esse processo possa ser muito (extremamente) lento.

(Na foto abaixo, como seria Marte depois do processo de terraformação)


A possibilidade de criar uma biosfera planetária que imite a Terra em um outro planeta ainda precisará ser muito estudada, já que não se conhecem os efeitos das mudanças atmosféricas e de temperatura na geologia, na geodinâmica e na morfologia de um planeta. Marte é o candidato mais provável para as primeiras experiências em terraformação. A Nasa estuda maneiras de aquecer o planeta e de alterar a sua atmosfera, preocupando-se em debater o impacto que a colonização de outros planetas teria sobre a economia e a política dos países participantes de tal tipo de projeto.

Muitas pessoas creem piamente que Marte poderá ser, muito futuramente, uma espécie de colônia da Terra e, por isso, internacionalmente já há até mesmo uma bandeira que represente o planeta para quando houver governança e contato comercial com o nosso planeta. Esta bandeira (foto abaixo) já é reconhecida entre as comunidades internacionais de física, astrofísica e astronomia.


O termo “terraformação” foi empregado pela primeira vez em 1949, num romance chamado “Seetee shock”, de Jack Williamson. Ao longo do tempo, o termo foi usado em diversos filmes e livros de ficção científica, mas foi só a partir da década de 1980 que o termo passou realmente a designar um ramo de estudo em engenharia planetária, a metodologia de tornar habitável outros corpos celestes.

Métodos teóricos de terraformação...
A amônia é um gás que promove o efeito estufa e poderia ser usado para aquecer a atmosfera de planetas frios, entretanto não existe na Terra quantidade suficiente deste gás para aquecer um planeta do tamanho de Marte, por exemplo. Uma fonte provável de amônia são os asteroides da Nuvem de Oort, que se encontram no exterior do Sistema Solar. Se estes asteroides fossem arremessados contra Marte a amônia neles presente já estaria sendo emitida para a atmosfera do planeta a partir do momento em que os asteroides começassem a se desintegrar (ainda durante a queda), entretanto o impacto de uma rocha espacial contra a superfície de Marte pode causar muita destruição e atrapalhar o processo de terraformação. Para driblar este problema existem duas alternativas: frear a queda do asteroide ou arremessar asteroides menores e muito mais numerosos ao planeta.

Dependendo do nível de dióxido de carbono e de hidrogênio na atmosfera pode ser possível produzir calor, água e grafite através da reação de Bosch. Alternativamente a isto, reagir o hidrogênio com a atmosfera de dióxido de carbono através da reação de Sabatier renderia metano e água. O metano poderia ser exalado na atmosfera contribuindo para o efeito estufa.

Com água e calor, o ambiente já estaria apropriado para a instalação de colônias seguras e economicamente viáveis. Entretanto, a terraformação não estará completa enquanto a atmosfera não contiver quantidades de nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono, vapor d’água e hidrogênio semelhantes a da Terra. Para que tal equilíbrio seja alcançado será necessário exalar estes gases diretamente na atmosfera do planeta, algo que só seria possível com a instalação de grandes complexos de processamento de gás ou com a criação de colônias de algas transgênicas capazes de exalar estes gases.

Criar uma atmosfera desta forma em Marte seria difícil uma vez que a atmosfera de lá é extremamente fina e frágil, enquanto que a Lua sequer conta com uma atmosfera, o que facilita a queda de grande meteoros e meteoritos nestes dois corpos celestes.

(Na foto abaixo, como seria a Lua depois do processo de terraformação)


Inviabilidades técnicas...
É evidente que nem todos os planetas poderão ser terraformados. Apenas planetas telúricos estáveis e razoavelmente próximos a uma estrela poderão ser submetidos à terraformação, enquanto planetas gasosos ou em processo de transformação geológica não poderão ser terraformados. O mesmo se aplica a planetas muito frios ou muito quentes. É importante ressaltar que em todos esses casos existe a possibilidade da instalação de colônias; contudo, o que realmente pode ser inviável é a terraformação.

Além de todos estes fatores referentes ao planeta, ainda existem os chamados fatores externos, isto é, se o sistema planetário em que o planeta se encontra for instável ou apresentar algum risco ao planeta, é óbvio que de nada vai adiantar terraformá-lo. Um exemplo disso é um sistema binário de estrelas, dependendo da situação os planetas que as circundam poderiam ser, literalmente, queimados a cada certo período de tempo dependendo claramente da órbita de uma das estrelas.

Inviabilidades econômicas...
Terraformar um planeta não é apenas difícil do ponto de vista técnico-científico, é ainda mais difícil do ponto de vista econômico. A terraformação pode custar trilhões de dólares e ainda assim ser mal sucedida. O número elevado de empresas e países que, previsivelmente, envolver-se-iam em tal processo também é sinônimo de disputas e instabilidade econômica global. De antemão, já seria difícil conseguir patrocínio, mesmo que governamental, para algo desta magnitude, visto que o retorno financeiro poderia demorar décadas ou até séculos para superar o investimento inicial – isso se, e somente se, a terraformação tenha sido bem sucedida.

Tendo em vista que a terraformação pode ser uma alternativa às condições de existência que o planeta Terra pode alcançar, ou seja, talvez em previsões ainda não claras, devido a diversos fatores, a Terra pode-se tornar inabitável, sobrando astros terraformados como alternativa. Economicamente, isso pode ser visto como mais um empecilho primordial, já que mesmo que demande altos custos, reverter possíveis problemas ambientais e outros fatores que possam vir a impedir a habitação humana na Terra, será com certeza ainda mais barato do que terraformar astros distantes e sob riscos ainda incalculáveis.

(Na foto abaixo, como seria Vênus depois do processo de terraformação)


Questões éticas referentes à terraformação...
Há um debate filosófico referente às questões éticas envolvidas num processo de terraformação. Podemos destacar, entre as pessoas que argumentam em pró da terraformação, Robert Zubrin, Martyn J. Fogg e Richard Lionel Sidney Taylor; eles acreditam que é obrigação moral da humanidade fazer de outros mundos um lugar apropriado para a vida, como uma continuação do histórico talento humano de transformar os ambientes que o rodeiam. Entretanto, existem pensadores mais cautelosos que acreditam que a terraformação pode ser uma antiética interferência humana na natureza.

Outros ainda defendem que a terraformação não fere a ética desde que o planeta a ser terraformado não abrigue formas de vida própria, caso contrário estaríamos faltando com a ética, pois a terraformação afetaria negativamente as formas de vida lá existentes, podendo inclusive extingui-las (ressaltando que a presença de vida fora do planeta Terra é apenas teórica).

Alguns teóricos apontam que o processo bem sucedido de terraformação, no caso de Marte, por exemplo, poderá ser semelhante à colonização das Américas nos séculos 15 e 16 após a sua descoberta: simplesmente um espaço geográfico para exploração de recursos naturais; e, com isso, futuramente, poderíamos ver processos de rebeliões em favor da “independência” de Marte em relação à Terra. Neste caso, já não estaríamos mais lidando com comercialização e diplomacia internacional, mas sim num elevadíssimo nível interplanetário.