terça-feira, 16 de julho de 2013

Caso Vilas-Boas: você conhece a história deste clássico da ufologia mundial, ocorrido aqui no Brasil?

O post de hoje vai tratar de um dos casos mais famosos e controversos da ufologia brasileira e da ufologia mundial: trata-se do chamado caso Vilas-Boas, a primeira alegação de abdução em toda a história recente, e também o primeiro relato de contato imediato de quinto grau (de acordo com os estudos ufológicos contemporâneos, seriam estes contatos mais conscientes entre seres humanos e alienígenas, através da comunicação consciente entre ambos, como o caso de pessoas que dizem ter tido experiências médicas dentro de naves espaciais). Por conta disso, ganhou destaque em todo o planeta.


O caso Vilas-Boas não foi, porém, o primeiro caso do gênero a ser publicado: embora o episódio tenha ocorrido em 1957, o relato do mesmo só foi publicado na edição de janeiro de 1965 do periódico norte-americano “Flying saucer review”. Quatro anos antes, a divulgação da suposta abdução do casal Hill havia já causado furor em todo mundo. Hoje parece certo que os Hill imaginaram toda a história da sua alegada abdução, e o caso Hill é considerado obsoleto, ao passo que o caso Vilas-Boas permanece inconclusivo quanto à sua veracidade ou falsidade.

Antônio Vilas-Boas: a “cobaia” dos aliens...
Antônio Vilas-Boas (foto abaixo) era filho de Jerônimo Pedro Vilas-Boas e Enésia Cândida de Oliveira, fazendeiros no interior de São Francisco de Sales, em Minas Gerais. O casal teve ao todo dez filhos, sendo quatro homens e seis mulheres. Para lavrar a terra, a família Vilas-Boas usava um trator com o qual trabalhavam em dois turnos, um diurno e outro noturno. De dia trabalhavam os empregados da fazenda, e à noite, por sua vez, o próprio Antônio, sozinho ou acompanhado dos seus irmãos e cunhados, fazia o serviço.


Fenômenos ufológicos anteriores à suposta abdução...
No dia 05 de outubro de 1957, os Vilas-Boas receberam visita, razão porque todos foram se deitar por volta das 23h. Fazia bastante calor naquela noite, e por isso Antônio abriu a janela do seu quarto, que dava para um terreno. Estava em companhia do irmão João. De repente viu uma luz de procedência indefinida, bem mais clara que a do luar, iluminando todo o ambiente. Chamou pelo irmão, que não se interessou pelo fenômeno. Antônio logo fechou a janela e ambos foram dormir. Pouco depois, sem resistir à curiosidade, Antônio tornou a levantar-se e a abrir a janela. A luz continuava inalterada, mas, de repente, a mesma se deslocou para junto da janela. Assustado, Antônio fechou a janela com tanta força que acordou o irmão e, dentro do quarto escuro, ambos passaram a acompanhar a luz que entrava pelas frestas da veneziana. A luz se deslocou para o alto do telhado da casa, onde penetrou pelas frestas entre as telhas. Finalmente, depois de alguns minutos, a luz desapareceu e não retornou mais.

Isso foi o suficiente para deixar a família em estado de alerta, uma vez que não havia somente uma testemunha daquele relato que parecia loucura, mas duas pessoas: Antônio e João, que permaneciam assustados e com um pouco de medo do desconhecido.

Em 14 de outubro houve um segundo incidente que ocorreu por volta de 21h30. Naquela ocasião, Antônio trabalhava com o trator em companhia de seu outro irmão, José. Subitamente eles avistaram uma luz muito clara, penetrante, a ponto de fazer doer seus olhos. A luz era grande e redonda, como uma roda de carroça, e estava na ponta norte do campo. Era de um vermelho claro e iluminava uma grande área. Ao observarem melhor, distinguiram alguma coisa dentro da luz, mas não conseguiram precisar o que era, pois as suas visões ficaram totalmente ofuscadas. Curioso, Antônio começou a correr atrás da luz, que por sua vez começou a fugir dele. Finalmente desistiu da empreitada e voltou para junto do irmão. Por uns poucos minutos, a luz ficou imóvel, à distância; ela parecia emitir raios intermitentes, em todas as direções. Em seguida desapareceu tão repentinamente que deu a impressão de ter simplesmente se apagado.

Por mais uma vez a família Vilas-Boas se via em um estranho impasse em pleno interior do Brasil, no meio do nada, onde até mesmo ondas de rádio e recepção eram difíceis à época, quando a televisão dava seus primeios passos. Só em grandes cidades o assunto da ufologia começava a ser debatido em um grupo restrito de acadêmicos, junto ao ambiente da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. Para a família Vilas-Boas, interiorana, brasileira, praticamente analfabeta, isso era uma novidade sem precedentes de um temor gigantesco.


A longa história da suposta abdução...
Na madrugada de 16 de outubro de 1957, Antônio arava a terra sozinho com o trator quando foi surpreendido por uma luz vermelha. A luz se aproximou, aumentando progressivamente de tamanho. Tratava-se de um objeto oval e brilhante, que ficou estático a uns 50 metros da cabeça do agricultor, pairando. Antônio ficou paralisado de medo. Após uns dois minutos, o objeto desceu e pousou a uns 15 metros de distância do agricultor. Foi quando ele pôde distinguir nitidamente os contornos da máquina: era parecida com um ovo alongado, apresentando três picos metálicos, de ponta fina e base larga, disposto um ao lado do outro. Em cima da nave algo girava a alta velocidade e emitia uma luz vermelha fluorescente.

De repente, a parte debaixo do objeto se abriu e deixou sair três suportes metálicos. Antonio concluiu tratar-se do trem de pouso da nave. Percebendo que algo iminente iria acontecer com ele, resolveu fugir no trator, mas após avançar alguns metros com o veículo, o motor parou e os faróis se apagaram. Tentou ainda dar a partida, mas o motor não pegou mais. Antônio pulou do trator e começou a correr, porém um ser que mal chegava a altura dos seus ombros agarrou-o pelo braço. Desesperado, Antônio aplicou-lhe um golpe que o fez perder o equilíbrio, largar o seu braço e cair para trás. Novamente tentou correr, quando três outros seres instantaneamente o agarraram pelos braços e pernas e o ergueram do solo. Embora dominado, Antônio ofereceu resistência, mas os alienígenas conseguiram por fim fazê-lo subir por uma escada flexível e bambeante para o interior da nave.


No Ovni, Antônio foi completamente despido, a despeito dos seus esforços contrários. Um líquido oleoso, mas que não deixava a pele engordurada, foi passado em seu corpo com uma espécie de esponja. Em outra sala, dois seres se aproximaram com um tipo de cálice, do qual saíam dois tubos flexíveis. Eles colocaram a extremidade de um dos tubos no “cálice”; a outra ponta possuía uma peça de embocadura parecida com uma ventosa, que eles enfiaram no queixo de Vilas-Boas. O agricultor não sentiu dor, apenas a sensação de que a pele estava sendo sugada. Seu sangue escorreu pelo tubo e se depositou no cálice, que encheu até a metade. O tubo foi então retirado. O outro tubo, que ainda não havia sido usado, foi colocado do outro lado do queixo, de onde se coletou mais sangue, até completar o vasilhame. A pele de Antônio ficou ardendo e coçando no lugar da sangria.

Deixado sozinho numa sala que exalava uma fumaça de cheiro desagradável e sufocante, que lhe provocou vômitos, Antônio esperou por um longo tempo até que, para seu espanto, surgiu uma mulher inteiramente nua. Seus cabelos eram macios e louros, quase cor de platina – como que esbranquiçados – e lhe caíam na nuca, com as pontas viradas para dentro. Usava o cabelo repartido ao meio e tinha grandes olhos azuis, amendoados. Segundo Antônio, a alienígena era baixa, mas belíssima. O que mais lhe chamou a atenção foi o fato dela ter os pêlos das axilas e do púbis vermelhos. Essa alienígena se aproximou de Antônio em silêncio, não deixando dúvidas acerca de suas intenções. Ela abraçou Antônio e começou a esfregar seu rosto e corpo contra o dele. A porta se fechou e Antônio ficou a sós com a alienígena, com quem acabou tendo várias relações sexuais.

Por fim, aparentando estar cansada, a alienígena passou a rejeitar Antônio. Antes de sair da sala, ela virou-se para ele e apontou, primeiro, para sua barriga, depois, com uma espécie de sorriso, para o próprio Antônio e, por último, para o alto – como se quisesse dizer que ele iria ser pai de um ser que nasceria entre as estrelas. Logo em seguida, um dos alienígenas voltou com a roupa de Antônio, que se vestiu imediatamente. Segundo ele, os alienígenas usavam macacões colantes, de um tecido bem grosso, cinzento, muito macio e, em alguns pontos, colado com tiras pretas. Cobrindo a cabeça e o pescoço, usavam um capacete da mesma cor, mas de material mais consistente e reforçado atrás, com estreitas tiras de metal. Este capacete cobria a cabeça toda, deixando à mostra somente os olhos, protegidos por um par de óculos redondos.


O fim da abdução de Antônio...
Antônio foi, então, levado para fora da nave. Antes, tentou ainda pegar um objeto para provar a história, mas os aliens perceberam e tomaram o objeto de volta. Por fim, a nave decolou verticalmente e sumiu em poucos minutos. Antônio calculou ter ficado no interior do Ovni de 1h15 até 5h30 da madrugada – portanto, mais de quatro horas.

Análise do caso Vilas-Boas...
Poucas são as provas da abdução de Antônio Vilas-Boas. Na época não foram feitas fotografias das marcas que o trem de pouso da nave espacial teria deixado. Em 1978, a fazenda da família Vilas-Boas sofreu uma inundação, destruindo toda e qualquer evidência disso. Pesa ainda contra o depoimento de Antônio o fato de a sua história ter sido divulgada pelo jornalista João Martins, da revista “O Cruzeiro”, que foi protagonista de outro caso ufológico, o Caso da Barra da Tijuca, de 1952, comprovadamente uma fraude.

As maiores evidências do caso Vilas-Boas são as marcas que Antônio apresentou no corpo, que teriam sido causadas pelos experimentos que os extraterrestres teriam feito com ele, e os sintomas que passou a sofrer, semelhantes ao de alguém que tivesse sido exposto a uma radiação moderada. Antônio morreu em 17 de janeiro de 1991, aos 56 anos.

Este caso, sendo fato ou farsa, entra para os anais da história por ser o primeiro relato detalhado de abdução alienígena com o ponto alto sendo a relação sexual entre um terráqueo e um suposto alienígena; relatos parecidos com este de Antônio viriam aos montes nas décadas seguintes, até os dias de hoje. Mesmo que o caso seja uma farsa possivelmente criada pelo jornalista João Martins, é interessante ver que um homem do interior do país poderia “criar” uma narrativa tão detalhada e sustentá-la por tantas décadas, sem adicionar ou remover uma vírgula sequer. O caso Vilas-Boas permanecerá sob suspeita talvez eternamente nos anais mundiais da ufologia.