terça-feira, 21 de maio de 2013

Tenochtitlán e Teotihuacán: maravilhas da engenhosidade asteca muito antes dos europeus...

No post de hoje vamos falar das maiores engenharias humanas nas Américas antes da chegada dos europeus, em 1492, que por sua vez ficaram extremamente impressionados com o que presenciaram. Estou falando das cidades astecas de Tenochtitlán e Teotihuacán. Suas arquiteturas, planejamentos urbanísticos, organizações setoriais e sociais deixavam com inveja qualquer cidade europeia da época, sendo que alguns espanhóis chegaram a afirmar que rivalizava com Roma tamanhas pompa e engenhosidade.

Portanto, hoje vamos viajar no tempo e no espaço e olharmos um pouco para esta sociedade que foi dizimada pela ganância do espanhol em conquistar mais terras, enriquecer através do metal encontrado e catequizar multidões que não sabiam o significado da cruz. A morte lenta de uma cultura através da espada, da fome, das doenças e da fé.


Tenochtitlán: a capital asteca, hoje a Cidade do México...
Tenochtitlán era a capital do grandioso império asteca que os espanhóis conheceram no século 16. A cidade foi fundada por volta de 1325 no Lago Texcoco e sua queda ocorreu em 1521 pelas mãos do conquistador Hernán Cortéz. Muitos fatores impressionaram os europeus, a começar pela quantidade de população ali assentada; por volta de 1520, a capital asteca tinha cerca de 700 mil habitantes, muito maior que Londres e Paris no mesmo período.


Muito do que sabemos sobre as duas cidades mencionadas neste texto vem dos relatos de padres jesuítas que estavam nas missões espanholas de expansão da fé católica. Há vários relatos de que Tenochtitlán era abastecida por um complexo sistema de água potável vindo de aquedutos das montanhas, sistema de esgotamento sanitário. A cidade era ligada a regiões próximas por estradas de linhas retas, sendo, portanto, planejada. Tenochtitlán possuía canais labirínticos, palácios grandiosos e templos enormes, e a disposição dos bairros residenciais refletia a estratificação social.

Quando os espanhóis tomaram a cidade, a partir de 1525 começaram a reformulá-la. Derrubaram suas partes centrais e substituíram os templos astecas por edifícios construídos em estilo espanhol, como fóruns, igrejas, escolas de missões, centros de administração da colônia etc. A ilha onde se localizava a cidade foi desaparecendo com o passar do tempo, junto com o Lago Texcoco, e o crescimento espacial da Cidade do México, hoje estando totalmente aterrado e correndo pelos canais do esgoto.

Atualmente, Tenochtitlán tem outro nome: Cidade do México; se no século 16 era uma das maiores cidades do mundo com 700 mil habitantes, no século 21 não é diferente com seus 23 milhões de habitantes. Isso mostra que a localidade tem vocação para sua magnitude!




Teotihuacán, outra pérola do México...
Teotihuacán atualmente é um sítio arqueológico localizado a uns 40 quilômetros da Cidade do México. Tem importância por ter sido uma das maiores cidades das Américas no período pré-colonial (antes de 1492), junto à cidade dita anteriormente, capital asteca.

De acordo com dados arqueológicos, Teotihuacán teve sua vida fervorosa entre 200 a.C. e 800 d.C., sendo, como Roma, na Europa, extremamente cosmopolita. Naquele território de 80 quilômetros quadrados viviam índios de várias etnias, grupos e idiomas diferentes. Sua localização era estratégica: próxima a nascentes de água, retirada de argila para cerâmica e obsidiana.

O que se sabe sobre o passado de Teotihuacán vem do relato dos antigos astecas para os sacerdotes jesuítas, que imortalizaram os folclores, mitos e superstições sobre aquela cidade, que no século 16 já estava deserta, mas deixou para trás uma incrível arquitetura que impressionava a todos. Para os astecas, por exemplo, lá que os deuses moraram um dia.


Segundo os especialistas entrevistados atualmente, Teotihuacán chegou a ter mais de 500 mil moradores – em um período anterior a Cristo, sendo, portanto, a terceira maior cidade do mundo na época. Não se conhece muito bem qual a causa da sua decadência e posterior total destruição. Os historiadores pensam que talvez tenha acontecido uma invasão, ou que o solo se esgotou acabando assim os recursos agrícolas.

Um fator que também chama atenção é que a cidade foi totalmente planejada em quatro zonas e eixos, com grandes avenidas. Há grandes palácios, templos enormes, pirâmides de até 65 metros de altura, casas esplendorosas e fortalezas em pontos estratégicos. Os bairros dos membros das classes mais altas contavam com casas grandes e arejadas, em ruas largas; já os mais pobres viviam em lugares também planejados, mas mais apertados.

É interessante notar que os espanhóis permaneciam assustados perante tamanha ordem paisagística e urbanística nas duas cidades citadas neste post. Alguns frades comentavam em seus diários que todas cidades europeias deveriam ser organizadas de tal maneira; mesmo assim o eurocentrismo reinou: genocídio dos índios, conversão religiosa à força, trabalhos obrigatórios, doenças, fome e até o pensamento de que estas pessoas não eram “seres com alma”.


Assim como a capital asteca, em Teotihuacán também havia abundante distribuição de água potável e um completo sistema de esgotamento sanitário – inclusive nos bairros das classes mais baixas. Além disso, por conta do seu tamanho, a localidade contava com quatro mercados, sendo um maior, no centro. Nos prédios públicos, como pirâmides e templos, há várias pinturas e entalhes, cujos trabalhos são cravados de pedras preciosas e semijoias.




As teorias dos deuses astronautas nestes dois casos...
Desde o lançamento do clássico livro “Eram os deuses astronautas”, de Dänniken, muitos adeptos desta teoria criaram e vêm criando uma série de “explicações” para tamanhos avanços sociais, arquitetônicos e científicos destes dois povos mesoamericanos. O grande problema desta teoria é que ela retira a possibilidade de crescimento do próprio ser humano, como se ele fosse impedido intelectualmente de inovar e criar novas ferramentas e grandiosas construções com enorme engenhosidade.

O fato é que há um debate imenso entre céticos, cientistas, historiadores, arqueólogos e antropólogos contra os crédulos da teoria proposta por Dänniken, de que seres de outros planetas teriam ajudado a erguer um sistema social tão complexo distante da Europa e com características tão parecidas.

Fica aí somente uma reflexão para o leitor se render a um lado desta “briga” que jamais terá uma conclusão, uma vez que as testemunhas morreram há muitos séculos vítimas da conquista europeia sobre a América, o maior genocídio que a história conheceu, mas se debate tão pouco.