sábado, 4 de maio de 2013

O número da besta?! Fatos e farsas envolvendo o número 666...

É um número que está inserido na nossa cultura desde os tempos mais antigos. Acabou tornando-se símbolo da “cultura pop”, mas também do horror dos cristãos. O número 666 passou a ser conhecido como “número da besta”, “marca da besta”; é o sinal do mal para muitos, mas excesso de folclore e fanatismo para outros. Mas, afinal, quais são os fatos e farsas envolvendo esse código?

Os manuscritos gregos (na realidade cópias de um protótipo que, ainda que outros discutem a originalidade, foi escrito em hebraico) não escrevem a frase literalmente como seis-seis-seis (três palavras gregas para seis em uma série), mas descrevem apenas “um número” composto pelo algarismo seis. O texto grego de Codex Alexandrinus do Novo Testamento recita em latim: “Hic sapientia est. Qui habet intellectum, computet numerum bestiae. Numerus enfim hominis est, et numerus eius est sescenti sexaginta sex”.

Já a profecia diria isso: “E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender , senão aqueles que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de homem; e seu número é seiscentos e sessenta e seis”.


As origens da profecia do 666...
A origem da profecia está associada ao trecho das Escrituras Sagradas Judaico-Cristã, mais precisamente no livro do Apocalipse, no capítulo 13. O Apocalipse trata de revelações dadas por Deus, relatando acontecimentos proféticos de um determinado período do tempo da história, a saber, o último período da contagem dos dias antes do fim dos tempos. Sua essência foi usada como fonte de superstições no decorrer da história.

A associação do tipo de marca tratado em Apocalipse (capítulo 13, versículos 16 e 17) faz ênfase ao costume comum de se marcar aquilo que lhe é de propriedade. Emblemas feitos a ferro e aquecidos ao fogo são usados para marcar e identificar animais de porte econômico como gados, cavalos etc. Uma associação provável do uso de marcas em homens está relacionada à téssera, sinal marcado sobre os escravos romanos. Deste modo, o autor do Apocalipse estaria associando o uso de um sinal aparente, a “marca da besta”, a um controle de escravização do homem, através de um sistema social, político, econômico e religioso.

O número das feras e o número dos homens...
Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de homem; e seu número é seiscentos e sessenta e seis”, Apocalipse 13:18. O número chave que compõe a expressão “seiscentos e sessenta e seis” é o número 6 (seis), que aparece de forma tríplice na sua forma descritivamente numérica: 666. A primeira aparição bíblica que leva a citação ao número 6 aparece no livro de Gênesis. Em Gênesis capítulo 1, no trecho do versículo 31, lê-se: “(...) E foi a tarde e a manhã: o dia sexto”. Perceptivelmente, durante o processo da criação dos seres viventes que estão enquadraros ao período do dia sexto da Gênesis, entre outras criaturas, aparecem: as bestas-feras (Gênesis 1:24) e o próprio homem (Gênesis 1:26).


O número 666 e a trindade satânica...
E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a rãs, porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso”, Apocalipse, 16:13-14.

No Apocalipse, todo o complexo dado para a formação da profecia do fim dos tempos possui uma estrutura revelada em forma de uma trindade: o dragão, a besta e o falso profeta. Visto que 6 é o número do homem, pois foi criado no sexto dia por Deus, o número 666 representa uma trindade humana imitando a trindade divina, a trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ainda de acordo com alguns teólogos, sendo assim, três vezes seis deve referir-se a uma estrutura humana, o homem que se apresenta como a trindade divina.

A besta apocalíptica...
Durante o decorrer da história, pessoas, organizações e mercadorias acabaram por receber o atributo de serem manifestações da besta por possuírem um “perfil apologético”, não só em relação ao número referenciado, mas também por terem um perfil com índole “maquiavélica, soberba e profana”, segundo referências em costumes de cunho cristão. Um exemplo é o que atribuem a Nero (foto abaixo) o número da besta, já que em grego e em hebraico eram atribuídos valores numérico às letras segundo o lugar que elas ocupavam no alfabeto, coincidindo a quantificação do nome de Nero (César-Neron) com o número.


Segundo estudiosos, o mencionamento bíblico faz referências a duas bestas: a besta que sobe do mar e a besta que sobe da terra; dando ênfase à duas atividades distintas de uma mesma manifestação proposital. Um monstro com várias cabeças, adornada com chifres e diademas, que se ergueria no cenário profético impactando aqueles que se deparam com tal profecia.

Então vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfêmia”, (Apocalipse 13:1). Pesquisadores da profecia, em revelação apocalíptica sobre a besta, levam a crer que as revelações sejam um sistema burocrático e político de escala mundial. Uma organização de um poder onde dois grupos: pessoas de cargos e supostos estandartes; são biblicamente referenciados por palavras chaves como: cabeças, chifres e diademas, e, leopardo, urso, leão e dragão.

E vi subir da terra outra besta, tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como dragão”, (Apocalipse 13:11). Pesquisadores bíblicos costumam afirmar que, neste trecho, esta segunda etapa da revelação da besta levaria a um personagem bíblico identificado pelos estudiosos como o Anticristo, que se exautará como Deus e exigirá ser adorado como tal.


A figura do Anticristo e o número 666...
O Anticristo será alguém que pretenderá ocupar o lugar de Cristo, opondo-se a Ele. Muitas de suas atividades são citadas em profecias no Velho Testamento. Chamado de O Assolador, terá seu foco no Oriente Médio, em especial, Israel e Jerusalém, onde estabelecerá uma aliança de paz com as nações vizinhas e onde fará a sede do seu governo mundial. Segundo as profecias bíblicas, seu governo terá dois períodos: um de paz e outro de traição e guerra. Cada período durará três anos e meio, formando um total de sete anos de governo.

De acordo com os teólogos, o Anticristo será um homem que surgirá em meio às crises mundiais existentes, de forma que sua aparição surpreenderá o mundo. Seu governo se tornará, em um curto espaço de tempo, num forte governo mundial unificando com sucesso todos os blocos de relações econômicas e políticas existentes no momento. Com a finalidade de trazer a paz, será reconhecido e aceito, e combaterá as crises mundiais implantando um largo sistema de integração financeira: o sistema 666 de compra e venda, que estaria em Apocalipse 13:16-18. Neste momento, exaltará a si próprio como sendo o Cordeiro de Deus e exigirá ser adorado. Descumprirá o seu tratado mundial de paz e estabelecerá, então, a guerra. Se voltará contra Israel e Jerusalém no lugar do antigo Templo.

O número 666 no sistema financeiro, no capitalismo e na indústria...
E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome... e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”, (Apocalipse, 13:16-18). De acordo com os teólogos, com o passar dos tempos, este trecho da Bíblia vem tomando forma, mostrando que o cumprimento de tal profecia está em evidência e em estado bastante avançado para os dias atuais. O primeiro aspecto a se analisar é a ascensão de um sistema de compra e venda diferenciado do convencional, indicando que o dinheiro em espécie, como fora usado durante muito tempo, sairá de circulação. O surgimento de um suposto “sinal” fará a substituição do dinheiro.


À medida que o tempo avança, os grandes centros financeiros vão, aos poucos, substituindo suas formas de transação financeira. Os bancos vão, cada vez mais, adotando sistemas de automação capazes de substituir por completo o dinheiro em espécie. Atualmente, por exemplo, em algumas grandes redes de lojas o volume financeiro corresponde a 65% de compras com pagamento em cartão, ou seja, dinheiro “virtual”. Com o avanço tecnológico, hoje é capaz de criar gerenciamento monetário digitalmente, utilizando os cartões eletrônicos que mantêm um controle financeiro sem a utilização da cédula monetária.

Com a industrialização do comércio, surgiu a necessidade de se criar uma identificação para os produtos comercializáveis. Esta identificação, representada por uma estrutura de série numérica ou alfanumérica, atribui ao produto algumas características sobre, por exemplo, a origem de fabricação e o lote do produto. A partir da criação desta identificação veio o avanço computacional no sentido de melhorar o manuseio destes códigos pelos seus fornecedores e revendedores. Várias formas de utilização de codificação e leitura foram desenvolvidas. O código de barras é hoje o mais amplamente usado no momento onde, na aplicação comercial, encontra-se um leitor ótico de barras. Na utilização das barras, ficou definido que as barras laterais e uma barra central como códigos de controle com valores de codificação com o número 6, dando ênfase à formação do código “6-6-6” sobre os códigos dos produtos comercializados.


No entanto, vale ressaltar que pesquisadores céticos e membros dos sistemas de análises de sistemas afirmam que há muitos boatos e poucos fatos no que se refere ao código de barras, quando, por muitas vezes, crédulos e religiosos tendem a forçar provas a fim de “comprovarem” a suposta profecia bíblica do 666 e do fim dos tempos. Em todos os casos, é importante ao leitor um senso crítico bastante apurado em relação ao assunto.

Profecias, revelações, a “Grande Babilônia” e o número da besta...
A aparição do número da besta marca na história bíblica o início da rebeldia completa de um povo ou nação pela representação de um governo mundial, o governo do Anticristo. O número da besta representa a falsa adoração, ou seja, a idolatria ao Anticristo. A profecia visa levar ao ser humano o entendimento das coisas futuras que irão acontecer, para que quando vierem a acontecer o cristão não seja pego de surpresa, deste modo, no começo do Apocalipse, o escritor recebe a mensagem do anjo para dar aos seus servos, e estes servos são o povo deste Deus verdadeiro, o Deus de Israel.

E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmias, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlate, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundície da sua prostituição; e na sua testa estava escrito o nome: mistério, a Grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”, (Apocalipse 17:3-5).

No modelo Bíblico, Deus está no governo de todas as coisas. Mas o homem sem o conhecimento pleno do governo de Deus, procura para si um governante que lhe traga direção sobre os rumos que uma nação deva tomar. Porém, esse modelo não fora o planejado por Deus, pois o homem não pode instituir para si leis e governantes. Assim, a Bíblia revela que em determinado momento, o povo israelita pede para que se institua um governante, um rei que governe sobre o povo. E Saul, contra a vontade de Deus, foi escolhido pelo povo para ser o primeiro rei sobre Israel. Saul reinou, mas, falhou perante Deus instituindo leis que não se enquadravam com aquelas dadas a Moisés, pois as leis dos homens não são as de Deus. Vendo Deus a pouca fé do povo, procurou instituir um escolhido para reinar sobre Israel, e assim o fez com Davi, descendente da tribo de Judá. Assim, David e sua descendêcia formaram a linhagem dos reis de Israel, mas Deus sempre julgando seus reis segundo as leis dadas a Moisés, e não segundo as leis dos homens.

Assim, de acordo com os historiadores e os teólogos, o modelo apresentado na Bíblia é que o verdadeiro governo é aquele instituído por Davi, ao contrário daquilo visto na Babilônia, que não reconhecia Javé como o verdadeiro Deus, o Deus único, dos israelitas. Assim, a “Grande Babilônia” seria um governo mundial laicizado, cujas leis não respeitariam as tradições religiosas e familiares (direito consuetudinário), mas sim racionais. Vale ressaltar que o próprio conceito de direito e um códice começa justamente na Babilônia com o Código de Hamurabi (foto abaixo), conhecido como primeiro código da sociedade humana.


No trecho bíblico referente à época da Babilônia, temos o relato de Daniel sobre a exaltação do governo da Babilônia como forma de instituição de uma religião mediante o governo de Nabucodonosor. Uma estátua foi erigida para adoração, na qual possuía medidas de 60 covados de altura e seis covados de largura, a simbologia numérica babilônica é representada como: 6 = Deus Menor, 60 = Deus Maior e 600 = Panteão, a estátua por ser de ouro representava o panteão, assim, a somatória simples de 600+60+6 é o resultado de 666.

De acordo com o que os teóricos da história das religiões, o trecho referente à “Grande Babilônia” poderia se referir ao fato de o suposto governo mundial não respeitar as leis da natureza (a Lei de Deus, de Javé, o Deus judaico-cristão), mas sim ter o direito à vida e à morte dos indivíduos, sem o aconselhamento de profetas, sacerdotes e demais membros de um clero. Seria a tão falada separação entre Estado e Igreja, debate ainda polêmico em diversos países.


Superstições e cultura pop envolvendo o número 666...
Os números 7, 13 e 666 têm um significado bastante peculiar na cultura e na psicologia das sociedades ocidentais, com tradições greco-romanas e judaico-cristãs. São algarismos relacionados à espiritualidade, à sorte, mas, principalmente, ao azar e à maldição. Curiosamente, a psicologia tem nomes bem específicos para fobias: “triscaidecafobia” é o pavor ao número 13; “hexacosioihexecontahexafobia” é o medo ou aversão ao número 666, considerado biblicamente como o número da besta e do Anticristo.

Por conta de tamanha superstição e tantas histórias ao longo dos séculos, o número 666 ganhou uma forte conotação na cultura pop de modo geral. Por exemplo, quando a gigantesca fábrica de CPU Intel introduziu o Pentium III 666 MHz, em 1999, eles escolheram para o mercado o Pentium III 667 com o pretexto de que a velocidade 666,666 MHz teria mais especificamente proximidade ao inteiro 667 do que o inteiro 666 MHz. Curiosamente, também, da mesma forma a empresa desenvolvedora de softwares Corel, ao lançar o que seria a versão 13 do seu conjunto de ferramentas para editorações gráficas, os lançou batizando-os de CorelDraw Graphics Suite X3, que é a versão 13 e posterior a versão 12, caracterizando assim sua superstição ao número.