sábado, 11 de maio de 2013

Disco de Nebra: você já ouviu falar nele?

O Disco de Nebra é uma placa de bronze com aplicações de ouro, originária da Idade do Bronze, onde se crê estarem representados fenômenos astronômicos e símbolos religiosos. É considerada como a mais antiga representação objetiva do firmamento (a abóbada celeste) e, consequentemente, um dos achados arqueológicos mais importantes da nossa época.

O disco foi encontrado em uma câmara de pedra, enterrado cuidadosamente na vertical, durante escavações ilegais em 1999, em Mittelberg, nas proximidades da cidade de Nebra, na Alemanha. De acordo com outros achados originários da mesma escavação (espadas de bronze, machados, entre outros), deduz-se que o disco foi enterrado por volta de 1600 a.C., e criado entre 1700 a 2100 a.C.. Desde 2002 o artefato pertence ao espólio do Museu Pré-Histórico de Sachsen-Anhalt.


A placa apresenta uma forma circular com perímetro de cerca de 32 centímetros, uma espessura que varia entre os 5 milímetros no centro e 2 milímetros nas extremidades, e pesa aproximadamente 2 quilogramas. É feito de bronze, uma liga metálica de cobre e estanho, sendo que o seu cobre é oriundo da região de Mühlbach am Hochkönig (na Áustria). Juntamente com uma reduzida percentagem de estanho de 2,5%, apresenta uma percentagem de arsênio, quantidade típica para a Idade do Bronze. A placa foi aquecida diversas vezes com o objetivo de evitar rachaduras no material, levando a que assumisse uma coloração entre o castanho escuro e o preto. A coloração esverdeada atual do disco deve-se a uma camada de corrosão de malaquite que surgiu só após um longo período de enterramento, bem típico do bronze.

Evolução dos elementos do Disco de Nebra...
Nas incrustações a ouro foram constantemente sendo feitos acréscimos e alterações, apresentando a composição, inicialmente, uma circunferência maior à esquerda (sol ou lua-cheia), uma meia-lua à direita, e 32 pequenas circunferências (entre as quais sete se encontram agrupadas entre a circunferência e a meia-lua) interpretadas como estrelas.

Mais tarde foram inseridos dois arcos (um na extremidade esquerda e outro na direita, na orientação de leste para oeste) que foram criados com ouro de outra proveniência. De modo a arranjar espaço para estes novos elementos, um dos pequenos círculos do lado esquerdo foi movido um pouco em direcção ao centro e outros dois foram tapados do lado direito, apresentando o disco agora somente 30 dos 32 pequenos círculos iniciais. Estes dois arcos ficaram conhecidos como os “Arcos do Horizonte”.

A última alteração consiste no acréscimo de uma nova curva, também feita a partir de ouro de outra proveniência, colocada na base e interpretada como uma “barca solar”. Esta curva apresenta no seu interior duas linhas paralelas que percorrem toda a forma, e também finas incisões nos cantos.

Na época em que o disco foi enterrado, já faltava o “Arco de Horizonte” da esquerda e o disco apresentava 40 furos regulares com cerca de 3 milímetros cada. É possível que se relacionassem com uma qualquer tentativa de periodização. A danificação no canto superior esquerdo, assim como a da circunferência grande, foi provocada durante a escavação, mais recentemente.

Nas fotos abaixo podemos ver interpretações sobre as evoluções do Disco de Nebra:




Possível interpretação sobre o Disco de Nebra...
Com relação à utilização e interpretação dos elementos colocados no disco há um número gigantesco de teorias e opiniões, sendo que muitas delas divergem e até mesmo se contradizem. Assim, não é possível afirmar categoricamente qual o significado de cada elemento ali disposto. Entretanto, algumas verdades acerca do Disco de Nebra podem, sim, serem entendíveis para historiadores, antropólogos, arqueólogos e até mesmo astrônomos.

Os pequenos círculos de ouro representam possivelmente estrelas, onde o agrupamento de destaque composto por sete círculos pode ser a representação do aglomerado estelar das Plêiades, pertencentes à constelação de Touro. As outras estrelas não são identificáveis, deduzindo-se que se tratem de elementos puramente decorativos arranjados de modo a dar a ideia de céu estrelado. O grande círculo da esquerda é interpretado como um sol ou uma lua cheia, e a forma da direita como uma lua em quarto-crescente.

De acordo com alguns autores, os dois arcos laterais representam os locais onde se levanta e põe o sol ao longo do ano. O ângulo que abarcam, de 82°, equivale ao ângulo que formam o levantamento e o ocaso solar entre os solstícios de inverno e de verão na latitude em que o disco foi encontrado. A barca solar aparenta ter mais relação com a religião do que com a astronomia. É encontrada por toda a Europa em escavações arqueológicas que remetem para a Idade do Bronze e é bastante frequente nas pinturas rupestres escandinavas.

Abaixo podemos entender de maneira prática sobre o Disco de Nebra e sua posição astronômica:


De modo geral, há certa concordância entre os estudiosos de que o disco tinha dupla função: astronômica e religiosa. Muito provavelmente era como um mapa de orientação estrelar, ou um calendário, indicando o tempo de plantio e de colheita, além dos tempos de sacrifício em nome dos deuses ou divindades. Isso remente à ideia de que por muitos séculos o homem mesclou os corpos celestes a representações teológicas.