sábado, 6 de abril de 2013

Pirâmide “misteriosa” da Bósnia: fato ou farsa?

Nos últimos anos a pseudoarqueologia e os teóricos dos deuses astronautas têm voltado atenção especial para uma zona específica da Bósnia porque formações geológicas naturais chamam atenção pelos formatos que possuem. A tal pirâmide bósnia está próxima à cidade de Visoko, a noroeste de Sarajevo, capital do país. O morro, conhecido como Visocica, ganhou atenção mundial em outubro de 2005 quando começaram a divulgar a teoria de que a montanha, na realidade, seria uma obra humana, uma das pirâmides mais antigas da Terra.


Ao analisar o sítio supostamente arqueológico, geólogos confirmaram se tratar de formação natural sem nenhuma espécie de intervenção humana. Além disso, autoridades científicas francesas criticaram as autoridades governamentais bósnias por tentarem forçar o turismo místico apoiando a ideia de que Visocica seria realmente obra humana de engenharia “misteriosa”. Chegaram a enviar nota à mídia dizendo que havia uma trama de boatos e farsas patrocinadas por autoridades.

O maior problema é que teóricos da conspiração continuam dizendo que a “pirâmide bósnia” realmente seja obra do ser humano em um tempo remoto e desconhecido, muito antes das pirâmides egípcias, e que sua construção se perdeu nos registros do tempo. Chegam a dizer que há parentesco arquitetônico entre ela e as construções maias da mesoamérica, e que a comunidade científica estaria fechando os olhos para “evidências extremamente importantes”.


Com 213 metros de altitude ao nível da cidade de Visoka, a colina Visocica tem o curioso formato piramidal. A ideia de que ela seja uma misteriosa construção humana partiu do escritor e metalúrgico bósnio Semir Osmanagic. Arqueólogo amador nas horas vagas, ele afirma que em suas escavações descobriu que o morro é uma série de platôs e com alguns túneis, além de enormes blocos de pedras e algum tipo de argamassa antiga cobrindo tamanha estrutura. O autor declara que suas escavações posteriores foram acompanhadas por arqueólogos de sete nacionalidades; entretanto, muitos dos profissionais que ele disse terem participado da pesquisa negaram categoricamente terem estado na Bósnia.

O fato mais escandaloso aconteceu em 2006, quando a prefeitura da pequena cidade ordenou uma escavação no morro a fim de descobrir “tal verdade das coisas”, mas o objetivo era remodelar a colina para que ficasse ainda mais parecida com uma pirâmide e, assim, atrair mais turistas e curiosos.

Formações rochosas de formações curiosas estão espalhadas por todo o planeta. Só na cidade de Teresópolis, na região Serrana do Rio de Janeiro, há várias delas conforme podemos ver nas fotos baixo, em ordem: Dedo de Deus, Cabeça de Peixe, Nariz do Frade e Mulher de Pedra. São formações geológicas curiosas e naturais e que não suscitam as teorias de que há muitos milênios homens esculpiram para adorar deuses.






A versão dos fatos segundo Osmanagic...
Osmanagic renomeou a referida colina de “Pirâmide do Sol” e duas colinas menores próximas de “Pirâmide do Dragão” e “Pirâmide da Lua”. Mais tarde, ele afirmou ter encontrado na região duas outras: “Pirâmide da Terra” e “Pirâmide do Amor”. Reportagens da mídia balcânica têm relatado as teorias de Osmanagic como enormes descobertas científicas, que tais pirâmides teriam sido erguidas por volta de 12 mil antes de Cristo. Ou seja, muitos séculos antes das Pirâmides do Egito.

Em entrevistas, o autor afirma que encontrou em suas escavações grandes blocos de pedra esculpidos e com uma espécie de argamassa, além de túneis que seriam usados como sistema de ventilação dentro destas enormes “construções”. Um dos maiores problemas é que ninguém encontrou tais evidências e o autor nunca mostrou provas fotográficas.

Osmanagic acredita que suas teorias possam revolucionar o estudo da pré-história mundial. Ele compara as pirâmides mesoamericanas e egípcias, e afirma que a bósnia teria sido construída pelas mesmas pessoas – ou seres de outros planetas. Para ele, por ter sido supostamente construída em 12 mil antes de Cristo, ele chama a colina Visocica de “mãe de todas as pirâmides”, por ser a mais antiga na sua concepção.


Segundo ele, a Pirâmide da Bósnia seria uma das estruturas piramidais mais altas da Terra, com 213 metros de altura. Atualmente, o autor e pseudo-historiador tenta levantar verba para a escavação das tais pirâmides bósnias para provar sua teoria para todo mundo. Ele também luta para que a Unesco declare Visocica como Patrimônio da Humanidade. Tudo isso porque, em 2010, a Suprema Corte Bósnia permitiu a pesquisa nos locais.


Explicações da ciência...
As teorias de Osmanagic têm sido duramente atacadas pela comunidade científica, alegando que o autor tenta se promover em prol de pseudociência e com argumentos falsos. Amar Karapus, diretor do Museu Histórico da Bósnia disse que quando leu pela primeira vez a matéria jornalística sobre a “pirâmide” achou que fosse uma brincadeira do jornal. Professores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, protestaram contra a autorização do governo para a realização de escavações em Visocica.

Autoridades científicas do período pré-histórico afirmam que no pedaço de tempo que Osmanagic afirma que a pirâmide teria sido construída, os Bálcãs estavam tapados de gelo durante um período glacial muito forte e que as populações eram nômades com ferramentas extremamente rudimentares, vivendo da caça e da escassa coleta. Portanto, se há ali realmente uma pirâmide, ela não foi construída em 12 mil antes de Cristo, conforme supõe a teoria. A Associação Europeia de Arqueologia chegou a emitir nota de preocupação com a destruição do patrimônio histórico da cidade de Visoko naquilo que a instituição chamou de “teorias absurdas e sem o menor fundamento”.

Em 08 de maio de 2006, vários arqueólogos e geólogos decidiram fazer uma conferência em Sarajevo para divulgar os resultados dos levantamentos feitos na pirâmide. Foi concluído que se trata de uma formação rochosa natural de formato curioso, nada mais que isso. O relatório também foi aprovado por inúmeros geólogos de grandes universidades dos Estados Unidos, o que poderia, de uma vez, enterrar as teorias de Osmanagic.