terça-feira, 30 de abril de 2013

Mensagem subliminar: você conhece bem sobre ela?!

Muito se fala em mensagem subliminar, justamente em várias teorias conspiratórias. Seria o dito pelo não dito; uma mensagem que fica escondida debaixo de um discurso que a sociedade capta inconscientemente. Muito se fala, mas pouco se esclarece acerca deste assunto. Afinal de contas, você conhece bem a mensagem subliminar, como ela age e se ela realmente tem eficácia?

De modo geral, mensagem subliminar é a definição usada para o tipo de mensagem que não pode ser captada diretamente pelos sentidos humanos, que estão sempre em estado de alerta. Subliminar é tudo aquilo que está abaixo do limiar, a menor sensação detectável conscientemente. Ou seja, é aquilo que não é tão aparente, demandando tempo de análise. Importante destacar que existem mensagens que estão abaixo da capacidade de detecção humana – essas mensagens são quase imperceptíveis, não devendo ser consideradas como subliminares. Toda mensagem subliminar pode ser dividida em duas características básicas, o seu grau de percepção e de persuasão.

A propaganda subliminar tem sido um recurso muito debatido na mídia desde sempre, principalmente a partir da invenção do cinema e da televisão. Publicidade “escondida” na programação infantil tem sido proibida em todo planeta, uma vez que a criança não tem discernimento do que é fantasia e do que é real. O debate acalorado coloca de um lado filósofos, sociólogos e psicólogos contra publicitários, teóricos de ética, comunicólogos etc.


1. A percepção subliminar é a capacidade do ser humano de captar de forma inconsciente mensagens ou estímulos fracos demais para provocar uma resposta consciente. Como exemplo, imagens que possuem um tempo de exposição pequeno demais para serem percebidas conscientemente, ou sons baixos demais para serem claramente identificados. Dados que passariam despercebidos pela mente consciente seriam na verdade interpretados e guardados.

2. A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse grau de persuasão deveria variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e a personalidade do receptor.

A percepção subliminar é de fato comprovada cientificamente, com inúmeros experimentos que apresentaram fortes evidências. No entanto, até hoje, a persuasão subliminar não conseguiu ser comprovada, ainda que alguns pesquisadores independentes aleguem terem experimentos que de fato comprovariam a existência da persuasão. Até hoje ainda não existe nenhum trabalho publicado em periódicos científicos que confirme essa afirmação.


A origem do termo “mensagem subliminar”...
O conceito de “subliminar” é anterior a este termo, mas o conceito moderno surgiu com James Vicary, um especialista em marketing americano, no ano de 1957. Ele foi o fundador de uma empresa chamada Subliminal Projection Company, e em uma conferência ele revelou para a imprensa que teria patenteado uma nova técnica de vendas que ele nomeou como “projeção subliminar”. Essa técnica consistia em usar um taquitoscópio para projetar imagens em uma tela com uma velocidade de 1/3.000 de segundo, podendo assim exibir imagens entre os quadros de um filme durante uma fração de segundo.

Segundo a sua hipótese, como as imagens eram apresentadas em uma velocidade maior do que a capacidade do olho humano acompanhar, essas imagens não eram percebidas de forma consciente. Mas Vicary afirmou que elas atingiam diretamente o subconsciente, sendo absorvidas de uma forma quase instantânea. Ao longo dos anos, muitos cientistas têm tentado reproduzir em laboratório os supostos efeitos da mensagem subliminar, mas não há nenhuma afirmação conclusiva sobre o assunto. No entanto, o efeito psicológico causado pela imensa repercussão do assunto foi suficiente para o surgimento de diversas teorias conspiratórias, mantendo a fama da força das mensagens subliminares até hoje.


Continuando o assunto...
É unânime entre os neurocientistas e psicólogos que o inconsciente não é facilmente manipulado, como acredita o senso popular. Subconsciente é um termo utilizado em psicologia para designar aquilo que está situado abaixo do nível da consciência ou que é inacessível à mesma. São todas as lembranças que não podem ser imediatamente recordadas, como também as diversas características de nossa personalidade. O subconsciente não é uma consciência paralela, ele é a “engrenagem” que sustenta a mente consciente, o reservatório de informações e sensações. Portanto o subconsciente não é capaz de tomar decisões, embora como parte do processamento, seja capaz de responder a estímulos

Existe pouca literatura confiável que apoie a teoria sobre a existência deste tipo de publicidade, a subliminar. Um dos poucos investigadores a favor é Wilson Bryan Key, quem diz haver descoberto um grande número de mensagens ocultas em vários anúncios publicitários, principalmente associados com sexo e morte. No entanto, para outros investigadores, Key é alguém com uma fixação sexual muito grande e “alguém que encontraria mensagens sexuais em um som de discar de telefone”. Experientes como Lluís Bassat indicam que o objetivo atual da publicidade é conseguir que o consumidor tenha em conta a marca quando toma a decisão, tendência oposta ao sentido que supostamente segue a publicidade subliminar.


Publicidade subliminar frente a outras formas de publicidade...
Devido a mudança na conceituação de subliminaridade, muitos afirmam que determinados tipos de publicidades, lícitas e comumente praticadas, também seriam exemplos de mensagens subliminares encontradas na mídia. Em muitas ocasiões e em círculos pouco informados se confunde a técnica subliminar com a técnica associativa com exemplos como: (1) os anúncios de bebidas alcoólicas se vêm acompanhados de grupos de jovens, belos e bem vestidos; (2) um automóvel se anuncia e se associa com êxito, beleza e virilidade; (3) os produtos para o lar são anunciados por famílias felizes e completas (com pai, mãe e um, dois, três filhos), que vivem em uma casa que indica a sua posição social; (4) em muitos dos anúncios de produtos cosméticos, como loções ou perfumes, é uma mulher jovem, sensual, bela, quem vende o produto. Isto apela ao desejo das pessoas de encontrar uma mulher com certas características estéticas e a que quem se sintam identificados. Seguindo a definição indicada, se pode discutir se estes exemplos não seriam subliminares porque as imagens, dos ambientes e as situações são conscientemente percebidas, tanto é assim que passado o anuncio se podem resumir e descrever.

É também muito corrente identificar erroneamente publicidade subliminar com “product placement” (em inglês cuja tradução literal seria “produto expressamente colocado”). Um dos muitos casos existentes o criaram os produtores de “Jurassic Park III”, onde se pediu patrocínio ao exército dos Estados Unidos para rodar o resgate final da Ilha Nubla. O corpo de marines dos Estados Unidos (Infantaria da Marinha dos Estados Unidos) ofereceu vários barcos, veículos blindados, soldados e um helicóptero em troca de que se alterasse a frase do guidão “Alguém que tem um amigo no Departamento de Defesa” por “Alguém que tem um amigo nos Marines” e o helicóptero girasse em frente à câmera mostrando ao público a inscrição “Marines”.

É certo que se havia acusado a várias séries de televisão e filmes de usar e abusar desse recurso; entretanto, esta forma de publicidade encoberta não é subliminar porque as imagens, sons, comentários, estão dentro da umbral da sensibilidade e são percebidos de maneira totalmente consciente pela audiência; inclusive pode ser causa de rescisão do contrato se o produto não está em tela por tempo suficiente ou não se vê com suficiente claridade, tal qual se escreveu no roteiro.


Legislação sobre o assunto...
A Espanha inclui a publicidade subliminar dentro dos distintos tipos de publicidade ilícita definindo-a como “aquela que por ser emitida com estímulos no umbral da sensibilidade não é conscientemente percebida”. Também na Noruega existem sanções para quem produza mensagens ocultas na televisão. Na União Europeia como um todo há uma proposta de proibir este tipo de publicidade com o fim de proteger as crianças e os jovens. A propaganda subliminar não é citada diretamente na constituição brasileira. Não existe nenhuma lei que proíba de forma direta qualquer tipo de propaganda subliminar. No Brasil existe também uma passagem no Código de Defesa do Consumidor que proíbe anúncios disfarçados, dissimulados.