terça-feira, 2 de abril de 2013

Círculo de Goseck: você já ouviu falar nele?

O pouco falado Círculo de Goseck fica na vila homônima, no distrito de Weissenfels, na Alemanha. Nos últimos anos ganhou maior notoriedade porque os estudos sobre ele aumentaram consideravelmente – principalmente a partir de grupos que pesquisam pseudociências, tais como: ufologia, parapsicologia etc.


O Círculo de Goseck é uma descoberta recente, por isso ainda há poucos levantamentos arqueológicos e historiográficos sobre ele. Trata-se de um sítio arqueológico descoberto por acaso em fotografias aéreas de uma lavoura de trigo em 1992. Em 1993 a imprensa reportou a descoberta e, desde então, tem sido chamado de “Stonehenge alemão”, devido à sua semelhança com algumas estruturas do megalítico inglês. (Nas imagens abaixo, em sequência, Stonehenge e Goseck)



A sua grande importância reside no fato de ser, simultaneamente, o mais antigo observatório solar da Europa e o mais antigo templo da Europa Central. Vale lembrar que até há alguns séculos astrologia e astronomia andavam juntas de mãos dadas e, por vezes, se confundiam. Além de local para observações, o sítio também era usado como calendário e como centro cerimonial e religioso dos povos do Neolítico (período da Pré-História quando os humanos começaram a se sedentarizar e desenvolver agricultura e pecuária). Como parece sugerir a descoberta, no local foram descobertos de vestígios de bois decapitados e de dois fragmentos de esqueletos humanos, todos apresentando marcas de cortes.


A datação do sítio, baseada em restos de cerâmicas no local, indica que foi erguido cerca de 4900 a.C. A sua dimensão original era de 75 metros de largura, tendo consistido de quatro círculos concêntricos, os dois externos sendo depressões (fossos), e os internos estruturas de madeira (paliçadas), com dois metros de altura. Os círculos eram rasgados por três portais, voltados para sudoeste, sudeste e norte. No solstício de inverno (21 de dezembro), a trajetória do Sol (nascente e poente) podia ser acompanhada por um observador postado no centro do círculo, voltado para os portais do sudeste e sudoeste, respectivamente.

Existe semelhança entre o ângulo solsticial dos portais com os ângulos identificados no disco de Nebra, descoberto a cerca de 25 quilômetros de distância do sítio arqueológico de Goseck. O artefato consiste num disco de bronze, com representações estilizadas do Sol, da Lua, de estrelas e do aglomerado das Plêiades (constelação zodiacal do Touro), além das figuras de uma embarcação e de arcos. A semelhança desses ângulos demonstra uma continuidade na tradição de observação do cosmos em Goseck, uma vez que o disco é mais recente, datado de 1600 a.C.


As escavações em ambos os locais comprovam que o tipo de sociedade que elaborou esses objetos era baseada na domesticação de animais, pastoreio e agricultura. Esses povos necessitavam observar e registrar os movimentos dos astros, tanto para a elaboração de calendários para época de plantio, como para demarcações de sazonalidades relacionadas com motivações mitológicas e religiosas.