terça-feira, 16 de abril de 2013

Apontamentos sobre a astrologia: ciência milenar ou embuste de muitos milênios?

Todos os dias, milhões de pessoas em todo o mundo recorrem a dicas de horóscopos para regerem suas vidas, na tentativa de entenderem se aquele será um dia de sorte ou de azar, independentemente do assunto – relacionamento, trabalho, família etc. Desde os tempos mais remotos o homem busca nas estrelas explicações para situações terrenas, relacionando os corpos celestes a deuses; assim nasceu a astrologia, a tentativa de interpretar o céu para adivinhar o que ocorrerá na Terra.

Na postagem de hoje, faremos algumas considerações sobre a história desta prática milenar tão condenada por muitos, mas aceita por outros tantos. Vamos debater sobre como esta pseudociência se encaixa na sociedade atual, em pleno século 21, cheia de avanços científicos, além de enumerar as várias críticas a ela apontadas.


1. A astrologia é uma palavra de origem grega, significando “estudo dos corpos celestes”. Atualmente designa a pseudociência segundo a qual as posições relativas dos astros no céu podem prover informações importantes sobre acontecimentos vindouros, tratando-se, portanto, de uma das várias artes adivinhatórias;

2. Durante muitos séculos a astrologia foi praticada por sacerdotes, o que ajudou a elaborar o estudo da astronomia – esta considerada ciência. Para prever tempos de paz e de guerra, boas ou más colheitas, os sacerdotes olhavam o céu e tentavam interpretar a posição de estrelas e planetas, previam eclipses etc. Assim, graças à astrologia o ser humano passou a ter conhecimento do céu e da sua mecânica;

3. Os registros mais antigos apontam que a astrologia surgiu por volta de 5 mil antes de Cristo. Ela teve um papel importante na formação de muitas culturas da Antiguidade, como na Babilôbia, onde surgiu o horóscopo conforme o conhecemos hoje;

4. Os astrólogos afirmam que o movimento e posições dos corpos celestes podem influenciar diretamente ou representar eventos na Terra e em escala humana. Alguns astrólogos definem a astrologia como uma linguagem simbólica, uma forma de arte, ou uma forma de vidência, enquanto outros definem como ciência social e humana;

5. Uma das maiores críticas feitas pelos céticos e religiosos é que a astrologia não representa uma metodologia de representação da realidade na Terra, uma vez que os corpos celestes não “teriam culpa” da vida das pessoas aqui no planeta. Assim, Júpiter e Marte, por exemplo, não influenciariam no perfil dos seres humanos supostamente regidos por eles;


6. A principal ferramenta de trabalho dos astrólogos contemporâneos é o mapa astral, que revela como está o céu durante aquele evento a ser supostamente interpretado. Atualmente há programas digitais que fazem esse mapa rapidamente. O problema é que os céticos interpretam que o mapa astral seja um engodo;

7. É importante apontar que há uma série de astrologias diferentes. A ocidental, de origem grega e babilônica, a astrologia chinesa, a japonesa, a maia, a hindu, a judaica (também conhecida como cabalística). Cada uma faz uma interpretação diferente dos corpos celestes, o que aumenta ainda mais a crítica em torno da astrologia como pseudociência;

8. Uma das situações mais complexas para a astrologia diz respeito ao próprio mapa astral. Como interpretá-lo e fazê-lo antes da descoberta dos últimos planetas – Netuno e Plutão? Eles não exerciam nenhuma influência oculta no mapa antes da descoberta? Ou então, como Plutão deixou de ser oficialmente um planeta, sua influência no mapa astral e nas pessoas regidas por ele diminuiu?

9. Outro ponto polêmico recente no ramo da astrologia foi a anexação de um novo signo zodiacal, Ofiuco. Astrônomos fizeram a reparação de um erro milenar e, agora, temos treze signos zodiacais. Como a astrologia se comporta atualmente com este novo signo? Como formar o perfil pessoal e “astral” destas pessoas?

10. A astrologia tem muito a ver com a cultura local de onde ela é criada e proferida. Por exemplo as 88 constelações contemporâneas que têm tudo a ver com a mitologia grega. O horóscopo chinês, por exemplo, trabalha com os doze animais mais comuns daquela cultura etc. A astrologia asteca, por sua vez, identificava vinte signos zodiacais;


11. Para quem não sabe, em alguns países já há faculdade de astrologia, sendo a principal a Faculdade de Estudos Astrológicos de Londres (atenção, não confundir com astronomia, curso superior disponível em várias partes do mundo e reconhecido como ciência);

12. A astrologia passou por fortes adaptações ao longo do século 20, o que coloca em xeque a sua credibilidade, de acordo com os céticos. Os estudos de psicologia e psicanálise e as novas descobertas da astrofísica aumentaram e ampliaram as formatações dos mapas astrais e análises de perfis zodiacais. A crítica surge a partir da pergunta: como os astrólogos não sabiam que Ofiuco é uma constelação zodiacal? Ela não exercia “força” sobre seus protegidos?

13. Ao longo do século 19, na Inglaterra e nos Estados Unidos, a astrologia era uma atração à parte em circos, feiras itinerantes e parques de diversões. Assim que os horóscopos passaram a figurar as páginas dos primeiros jornais impressos para as camadas mais pobres da população. Foi através da comunicação de massa que a astrologia teve um novo fôlego desde então;

14. Uma das ideias que são base da astrologia é que o posicionamento dos astros no momento do nascimento tem relação com seu caráter e, portanto, seu destino, mas não há consenso entre os astrólogos sobre como se processa esta relação: as várias correntes atribuem a influência, campos eletromagnéticos ou semelhantes, ciclos, analogia ou sincronicidade;

15. Buscando ser aceite como ciência, a astrologia procura preencher os dois critérios que a enquadrariam como tal. Previsibilidade: passível de ser comprovada por observadores de outras disciplinas científicas. Consistência: interna e externa, ou seja, no âmbito da filosofia das ciências. A astrologia deverá demonstrar, portanto, que funciona, e explicar porque funciona. Mas não há consenso sobre a forma como a astrologia supostamente funciona;


16. Ao longo da história, desde o século 15, os estudiosos tentam explicar as relações diretas entre os corpos celestes e acontecimentos terrestres e a própria biologia dos seres humanos. Assim, explicam que nos ciclos planetários havia uma carga de energia muito forte e que influenciaria, assim, a biologia terrestre, o que ainda não foi comprovado;

17. É interessante pontuar que apesar de uma forte ligação entre astrologia e espiritismo, a doutrina espírita pontuada por Allan Kardec enxerga a astrologia como maneira supersticiosa de pensar, uma concepção que, para eles, seria arcaica de enxergar o mundo e as novas possibilidades. Portanto, seria errado associar a astrologia ao espiritismo francês (doutrina de Kardec);

18. Curiosamente, em 1975, renomados astrônomos e físicos assinaram um documento se dizendo totalmente contra a validade do estudo da astrologia. Carl Sagan, renomado astrônomo, não assinou o documento porque pensou ser autoritário demais;

19. Uma vez que alguns astrólogos afirmam ser capazes de fazer previsões sobre o futuro, deve ser possível elaborar um método para medir a precisão destas previsões. Aqui vários céticos acreditam que se poderia usar o mesmo método usado para a meteorologia que é usada para prever o tempo. Contudo, os astrólogos negam este tipo de teste argumentando que o fator humano presente no trabalho astrológico não permite uma comparação legítima às ciências exatas;

20. Outros astrólogos afirmam que a astrologia não é usada para prever o futuro, e sim para guiar e orientar as pessoas através do seu potencial revelado no horóscopo. Ainda assim, testes usando dois grupos de controle mostraram que o grau de precisão de um astrólogo, ao cambinar um horóscopo com o perfil de um cliente, não é maior que uma pessoa leiga fazendo as mesmas associações;


21. Alguns astrólogos, por vezes, usam argumentos científicos para explicar suas práticas. Por exemplo, costuma-se dizer que, como a Lua causa as marés na Terra, é razoável acreditar que a força gravitacional de outros corpos celestes pode nos afetar também. Este argumento é inválido. O puxão gravitacional de um planeta como Saturno, com massa 90 vezes maior que a da Terra, em uma pessoa daqui da Terra é igual ao puxão gravitacional de um carro a 2 metros desta pessoa;

22. Outra tentativa de explicação científica para a Astrologia é a de que os corpos celestes pesados afetam o campo magnético da Terra e que o campo magnético da Terra, de alguma forma, afeta a pessoa durante o nascimento. O problema é que o campo magnético da Terra é extremamente fraco se comparado com outras fontes, como um imã comum;

23. A astrologia antiga conhece apenas até o planeta Saturno e os trans-saturnianos foram batizados por não astrólogos, assim é difícil para a maioria dos céticos crer que possam ser usados nas análises modernas. A maioria dos astrólogos modernos reconhecem Plutão como planeta principal, e procuram fazer o mesmo outros astros, como Éris, que foi descoberto na década de 2000 provando que poderiam haver vários outros corpos celestes pequenos e similares. Os astrólogos afirmam que, como qualquer corpo de conhecimento, também a astrologia evolui e a adição de novos planetas, asteróides ou outros elementos do céu não põe em causa, de todo, o conhecimento passado;

24. A maioria dos céticos questiona o mapa astral porque o momento do nascimento é tão importante e não o da fecundação, onde efetivamente se define o DNA, elemento biológico reconhecidamente influenciador da personalidade e constituição física de um indivíduo. A resposta dos astrólogos é que é no momento de nascimento que a entidade se torna um indivíduo;

25. Sendo ainda o momento do nascimento decisivo para a personalidade de um indivíduo, por exemplo, para a formação de um grande atleta, alguns céticos questionam se não seria de esperar que em uma olimpíada houvesse grande concentração de competidores que houvessem nascido em um mesmo instante. Da mesma forma, normalmente profissionais de uma mesma área têm comportamentos e personalidades semelhantes, como, por exemplo, a letra normalmente ruim dos médicos. Seria esperado que a maioria tivesse o mesmo horóscopo, mas isso não ocorre. Os astrólogos respondem a este argumento afirmando que o horóscopo representa apenas o potencial do indivíduo, e não o seu destino;


26. Alguns céticos também questionam porque os astrólogoos ignoram alguns astros, como os satélites Ganimedes e Titã, apesar de serem maiores que o planeta Mercúrio, ao que os astrólogos respondem que nem tudo o que existe no espaço foi estudo astrologicamente e, nos casos dos satélites naturais de certos planetas, tal estudo seria dificil visto que ocupam o mesmo grau do mesmo signo que o planeta que orbitam;

27. Em sua defesa, os astrólogos argumentam que os horóscopos de jornais e revistas não podem ser levados a sério, uma vez que são generalistas demais. Para algo mais específico seria preciso um mapa astral da pessoa, que traçaria seu perfil com maior acuidade;

28. Segundo os astrólogos, para duas pessoas terem exatamente as mesmas características e passarem pela mesmas experiências de vida, deveriam nascer no mesmo instante, no mesmo local, com a mesma herança genética, a mesma influência familiar, social, e cultural;

29. Alguns astrólogos dizem que a influência dos planetas é ocasionada por energias de origem espiritual, e que por isso mesmo não podem ser mensuradas pelos cientistas através de aparelhos. Os céticos questionam porque esses astrólogos deixam de explicar como eles podem interpretar estas mesmas energias espirituais se não são capazes de medi-las;

30. Os sacerdotes caldeus nos legaram a primeira noção de zodíaco, ao observar que o Sol e a Lua cruzavam sempre as mesmas constelações dentro de uma faixa celeste que chamaram de Caminho de Anu. Contra o fundo de estrelas fixas, cinco estrelas errantes se moviam, os planetas, e seu caminho também se restringia ao espaço delimitado no céu pelo movimento aparente do Sol, a eclíptica;


31. A astrologia babilônica se dedicava a prever eventos que influenciavam a vida coletiva, através de seu efeito sobre o rei, que personificava o bem-estar do reino. Após a tomada de Alexandria é que a astrologia começou a estudar o homem;

32. Na Grécia foi fundada, por volta de 640 a.C., uma escola onde se ensinava astrologia. Aristóteles, Hiparco e Ptolomeu são figuras importantes, que usavam a astrologia principalmente para reis e países;

33. A decadência do Império Romano significou a decadência da cultura legada da Grécia e do Oriente. A astrologia caiu para um estado de superstição, fato que levou a Igreja a condená-la, ignorando as referências astrológicas no Evangelho de Lucas e no Apocalipse. Assim, Agostinho de Hipona, que estudara astrologia, a renega após sua conversão;

34. Na Idade Média, a Universidade de Bolonha instalou no ano de 1125 o curso de astrologia, onde estudaram figuras importantes como Dante e Petrarca;

35. Na Idade Média os astrólogos eram chamados “mathematici”, pois a astrologia era a aplicação mais importante da matemática. A prática da medicina era baseada na determinação astrológica do tratamento adequado, portanto os médicos também eram “matemáticos”;

36. Curiosamente, o Renascimento na Itália trouxe uma difusão da astrologia, apoiada inclusive pelo papado. Astrólogos eram queimados vivos não pela prática, mas por terem possíveis ideias consideradas heréticas;

37. A astrologia passou a ser desacreditada a partir do século 18, já nos tempos de Isaac Newton.


Como podemos perceber, a astrologia é um estudo milenar mas que ainda suscita uma grande discussão entre crédulos da área e profissionais dela contra cientistas e céticos em geral. Realmente fica difícil imaginar que algum planeta tenha exercido forças ocultas ou invisíveis sobre os seres humanos.