terça-feira, 5 de março de 2013

Arca da Aliança: um fato, uma farsa ou um artigo perdido?

A Arca da Aliança é descrita na Bíblia como o objeto que guardou (ou ainda guarda) a tábua com os Dez Mandamentos. Teria sido usada pelos judeus no Templo de Jerusalém até a invasão da cidade por Nabucodonosor. Atualmente, há um imenso debate que aponta a Arca como um mito religioso importante (como a criação do mundo a partir do Éden), outros dizem que ela existiu (sim, no passado) e outros tantos especulam que ela ainda poderá ser encontrada através de pesquisas arqueológicas.


Suas origens e construção...
De acordo com o que encontramos na Bíblia, no livro do Êxodo, a Arca foi montada sob orientação de Moisés, que teria recebido instruções de Deus. Segundo a tradição, nela foram guardadas as duas tábuas da lei, a vara de Aarão e um vaso do maná. Estes três objetos representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para os judeus da época, não se tratava somente de representações, mas a própria presença e existência de Javé.

A Bíblia ainda deixa claro como era a forma da caixa, feita com madeira de acácia, com comprimento de 1m11, 67 centímetros de largura e altura. A madeira foi toda coberta por ouro, dado o valor e esmero que os judeus a consideravam. Para seu transporte, necessário para um povo ainda nômade, foram colocadas quatro argolas de ouro puro nas laterais, onde foram transpassadas varas de acácia também recobertas de ouro.

Sobre a tampa da Arca, conhecida como “propiciatório”, foi esculpida uma peça de ouro, formada por dois querubins ajoelhados de frente um para o outro, cujas asas esticadas para frente tocavam-se na extremidade, formando um arco, de modo defensor e protetor. Eles se curvavam em direção à tampa em atitude de adoração, de acordo com o Êxodo.


Função religiosa e simbologia mítica...
De acordo com as tradições hebraicas, somente os sacerdotes levitas poderiam transportar e tocar na Arca da Aliança; pessoas comuns morreriam instantaneamente ao tocá-la estando principalmente “impuras”. Outros relatos bíblicos se referem ao roubo da Arca por outros povos inimigos de Israel (os filisteus), que sofreram chagas e doenças enquanto tinham a arca em seu poder. Teóricos dos deuses astronautas especulam que a Arca da Aliança, na realidade, poderia ser um equipamento movido a energia nuclear e, por isso, causaria tais males às pessoas “sem preparo” para manuseá-la.

A Bíblia continua relatando que havia complexos rituais para se estar na presença da Arca sem ser morto por ela – daí que tais teóricos explicam a potência nuclear do objeto sagrado, necessitanto proteção especial para estar em sua presença. Estes alegam ainda que ela foi dada por Deus, e que este seria, de verdade, um ser de outro planeta.

Ainda segundo as Escrituras, Deus revelava-se como fumaça e que tocá-la era um ato insano, uma vez que ao encostar-se a tal manifestação, conhecida como “shekináh”, o indivíduo seria morto, razão pela qual existiam varas para seu transporte quando necessário.


De acordo com a historiografia bíblica, a crença de que a Arca fosse a manifestação física de Deus fez com que os hebreus carregassem-na em batalhas, à frente do exército, como durante a conquista de Canaã; segundo a Bíblia, a presença da Arca da Aliança era suficiente para que pequenos contingentes hebreus aniquilassem exércitos inteiros. É por conta destes relatos que os principais teóricos dos deuses astronautas cogitam que a Arca tenha sido algum equipamento atemporal utilizando energia nuclear.

A captura do objeto, seu retorno e desaparecimento...
De acordo com o que a Bíblia nos traz, os filisteus invadiram a Palestina e venceram o exército de Israel, uma vez que os “efeitos” da Arca não teriam surtido efeito contra os inimigos. Os filisteus acabaram capturando a Arca da Aliança e levando consigo. O relato bíblico conta que a simples presença do santuário naquele local foi o suficiente para que “coisas estranhas” ocorressem: por duas vezes a cabeça da estátua de Dagom apareceu cortada. Em seguida, moléstias teriam assolado a população, inclusive príncipes e sacerdotes filisteus, o que fez com que a Arca fosse transportada para outra cidade filisteia. Porém, a população local reagiu negativamente à sua presença, e a enviou de volta ao território de Israel numa carroça.

No início de seu reinado, Davi ordenou que a Arca fosse trazida para Jerusalém, onde ficaria guardada em uma tenda permanente. Com o passar do tempo, Davi tomou consciência de que a Arca, símbolo da presença de Deus na Terra, habitava numa tenda, enquanto ele mesmo vivia em um palácio. Então começou a planejar e esquematizar a construção de um grande Templo. Entretanto, esta obra passou às mãos de seu filho Salomão. No Templo, foi construído um recinto de cedro, coberto de ouro e entalhes, dois enormes querubins de maneira à semelhança dos que havia na Arca, com um altar no centro onde ela repousaria. O ambiente passou a ser vedado aos cidadãos comuns, e somente os levitas e o próprio rei poderiam se colocar em presença do objeto sagrado.

A Arca da Aliança permaneceu como um dos elementos centrais do culto judaico. Entretanto, por volta de 580 a. C., Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu o reino de Judá e tomou a cidade de Jerusalém. O relato bíblico menciona um grande incêndio que teria destruído todo o templo. A Arca desapareceu completamente da narrativa a partir desse ponto, e o próprio relato é vago quanto ao seu destino. Para os católicos e judeus da Diáspora, o desaparecimento da Arca é narrado no livro de II Macabeus, não aceito pelos protestantes. Nessa situação o profeta Jeremias haveria mandado que levassem a Arca até o monte Nebo para ali a escondê-la em uma caverna.


A busca pela Arca da Aliança...
Um dos maiores problemas refere-se acerca da existência ou destruição da Arca. Em relação à sua existência, a dúvida é que somente textos hebraicos se referem a ela, nenhum outro. Sobre a destruição, arqueólogos dizem ser possível que, antes de atear fogo ao Templo de Jerusalém, os soldados de Nabucodonosor tenham tomado todos os objetos de valor e a levado como prêmio pela conquista. Uma vez em posse dos babilônicos, ela pode ter sido destruída para se obter o ouro. Por fim, a Babilônia também foi conquistada posteriormente por persas, macedônios, partos e outros tantos povos, e seus tesouros (incluindo possivelmente a Arca) podem ter tido incontáveis destinos.

Desde a Idade Média, a Arca da Aliança tem sido um dos principais tesouros arqueológicos a serem descobertos e, desde o século 18, inúmeras expedições escavam o Oriente Médio à sua procura, óbvio, sem sucesso algum. Existem hoje em vários museus réplicas da Arca baseadas nas descrições bíblicas, mas a verdadeira jamais foi encontrada – e muitos especialistas afirmam que jamais será!

Para a Igreja Ortodoxa Etíope, a Arca foi levada à Etiópia por Menelik I, filho do rei Salomão e Makeda, a rainha de Sabá. A Arca estaria guardada numa capela da Igreja de Santa Maria de Sião da cidade de Aksum, no norte da Etiópia, onde um único sacerdote pode vê-la. A narrativa dessa tradição etíope encontra-se no “Kebra Negast”, o Livro da Glória dos Reis da Etiópia. Apesar desta história, antropólogos dizem que tudo faz parte de folclore local.

Enquanto isso, cineastas, documentaristas e autores ganham milhões de dólares com livros, filmes e documentários que tentam explicar a história deste objeto bíblico que seria a prova da presença de Deus na terra, ou para alguns, a prova de que os deuses eram astronautas.