terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Dino Kraspedon, você já ouviu falar nesta figura polêmica?

Você pode nunca ter ouvido falar nele, mas no meio ufológico e místico fora do Brasil, Dino Kraspedon é praticamente uma figura lendária. O que poucos sabem é que este é o pseudônimo do brasileiro Aladino Félix (1920-1985), que se tornou conhecido após afirmar ter sido abduzido por extraterrestres e várias vezes contatado por eles, escrevendo vários livros sobre o assunto.


Aladino era natural de Lorena (SP), e escreveu alguns livros com teor curioso sob inúmeros pseudônimos, sendo os mais conhecidos Dino Kraspedon e Sábado Dinotos. Em seu sonho de tornar-se o rei maior das supostas profecias de Nostradamus, organizou um movimento paramilitar para tomar o poder no auge da sangrenta ditadura militar brasileira. Nesse projeto, alegava contar com a ajuda de extraterrestres para governar o mundo e iniciar uma nova era a partir do solo paulista.

Parecendo loucura ou não, Aladino conseguiu arrebanhar várias pessoas em sua causa e virou sensação em outros países, principalmente entre ufólogos mais leigos, ao afirmar que tinha contatos frequentes com seres inteligentes de outras galáxias. Escreveu o que hoje é um clássico da literatura ufológica, “Contatos com os discos voadores”, que rapidamente foi traduzido para diversos idiomas. Hoje pode ser encontrado gratuitamente para download em diversos sites.


Aladino tinha pensamentos radicais sobre o fim dos tempos, acreditava que Israel fosse uma terra prometida contemporânea (isso durante o auge das guerras árabe-israelenses) e era adepto da teoria dos deuses astronautas – como afirmar que anjos eram alienígenas em foguetes. Passou a ler e tentar interpretar as difíceis centúrias de Nostradamus e chegou à conclusão que ele era o grande rei que ajudaria Javé (Deus) na batalha final contra o anticristo.

Quando publicou, em 1967, “Antiguidade dos discos voadores”, ele misturou conhecimentos teológicos com ufologia, dizendo que houve uma batalha cósmica pelo controle da Terra há centenas de milhares de anos; também tentou evidenciar que toda a Bíblia é um livro de relatos ufológicos (coisa que os teóricos dos deuses astronautas até hoje vivem a tentar fazer).

A invencionice é tão grande que chega a ser risível para os astrônomos e historiadores: (1) Zeus, Júpiter, Jeová: todos eram a mesma entidade alien; (2) a estrela de Davi nada mais é do que um símbolo geométrico usado pelos aliens em suas naves; (3) Marte, Vênus e Mercúrio também teriam sido habitadas, mas suas populações foram dizimadas durante esta terrível guerra interplanetária cuja Terra saiu vitoriosa. Os historiadores ainda se questionam de onde ele tirou a idéia da estrela de Davi ser um símbolo alien. A resposta dele era que os aliens, seus amigos, contaram que assim foi.

Ainda de acordo com Dino Kraspedon, Jesus e Buda foram seres criados por inseminação artificial entre seres humanos e alienígenas. Para espanto dos religiosos, ele alega que foram pessoas plantadas na terra por aliens adversários a Deus para desestabilizarem o sistema e trazerem a discórdia. Segundo ele, o nome Jesus – Jeshua – tem origem no termo hebraico “heshu”, significando “serpente”. Na fuga do Egito, Maria foi levada com ele a bordo de uma nave espacial, a mesma que foi vista nos céus de Roma à época de César Augusto e que a História registra como sendo um cometa.


Recentemente, escrevi um post falando sobre o assunto da invasão alienígena. Leia aqui!

Recentemente, postei um texto explicando sobre os casos de abdução. Leia aqui!

Recentemente, publiquei uma postagem explicando o que são e quais são os contatos imediatos. Leia aqui!

Recentemente, escrevi um post explicando o que é a MUFON e quais são seus objetivos em desbanalizar casos de avistamentos de discos voadores. Leia aqui!


Aos poucos, Aladino foi tornando-se tão conhecido que abandonou o seu nome de batismo e passou a usar somente o pseudônimo mais famoso. Por fim, já se dizia um messias que reestruturaria a sociedade planetária numa nova ordem de paz dos povos – e das galáxias! Chefiou uma célula terrorista no final dos anos sessenta e tornou-se o único guerrilheiro de extrema-direita deste conturbado período de nossa história. Acabou preso, torturado, conseguiu fugir, foi recapturado e fugiu novamente. Depois de cumprir pena, desapareceu no ostracismo, sem que suas profecias se tornassem realidade.

Ele associava a imagem da cruz com o símbolo das forças do mal, chefiadas pelos alienígenas de Vênus. Dizia também que a constelação do Cruzeiro do Sul era a região do espaço onde se aglutinavam estas forças. Por ironia do destino, depois da segunda fuga, foi preso na cidade paulista de Cruzeiro, quando tentava fugir para Minas Gerais. Morreu em 1985, quando a ditadura chegava ao fim, totalmente esquecido.


O grande problema de Aladino Félix foi não ter contribuído de maneira alguma para um estudo consciente e sério sobre a vida em outros planetas. Misturou políticas, loucura, interesses pessoais, ufologia crédula e teologia de maneira absurda. Graças a uma figura como esta que, até hoje, o ufólogo não é visto como um pesquisador, mas como um louco que acredita em teorias supostamente absurdas e homenzinhos verdes de Marte.