sábado, 29 de dezembro de 2012

Sobre a escatologia e o apocalipse de todos nós: o fim do mundo...

Escatologia é uma parte da teologia que fala sobre os últimos eventos da história, o fim dos tempos. A palavra tem origem grega: “eschatos”, “último” e “lógos”, “estudo”. Tem sido muito estudado desde o século 19 e se relaciona com o messianismo, ultimamente ganhou força com a famosa profecia maia relativa a dezembro de 2012. O certo é que os cientistas também entraram nesse debate e afirmam que o mundo vai acabar, sim, mas não agora – nem nos próximos séculos.


O apocalipse no cristianismo...
Para o cristianismo, o fim dos tempos é uma coisa certa e é para onde nós caminhamos. O apocalipse de todos nós é uma data incerta porém com eventos de certeza: período em que a moralidade estará em baixa, o mal vai reger a sociedade, o cristianismo perseguido e o anticristo estará entre nós orquestrando todos esses acontecimentos. Ou seja, junto a isso tudo estaremos, cada um, em um período de ajuste de contas (arrependimento) para que, depois, Jesus Cristo faça o seu segundo retorno à Terra e comece um reinado de glórias. Dependendo do ramo do cristianismo – como algumas filosofias protestantes –, não haverá chances para o arrependimento uma vez que Deus já tem os seus escolhidos (predestinados) à salvação eterna.

Alguns cristãos creem que já houvera o primeiro fim do mundo, quando à época do dilúvio cujos sobreviventes vêm da descendência de Noé. É por isso que é tão comum observarmos alguns leigos dizendo: “A Terra primeiro acabou pela água e agora será pelo fogo”. Assustador, não?

De um modo geral, os teólogos cristãos atuais (católicos, protestantes e ortodoxos) aceitam a teoria de que o apocalipse seja um modo diferente de fim dos tempos. Não um final trágico e físico do planeta, mas sim simbólico nas instituições que criamos: família, política, escola, Estado etc.


Recentemente, postei um blog esclarecendo como surgiu a profecia maia do fim do mundo em dezembro deste ano de 2012. Para conferir, clique aqui!


O apocalipse no budismo...
Buda disse que seus ensinamentos iriam desaparecer depois de 500 anos. Entretanto já estão aí em todo planeta por mais de 2.500 anos ganhando cada vez mais adeptos no Ocidente. De acordo com a escatologia budista, também viveremos tempos difíceis: roubos, mortes, perversão, ócio etc. Mas como o budismo é uma religião cíclica, depois desses tempos o ser humano começará da estaca zero um novo modelo de sociedade depois que conhecer o chamado Nirvana.

O apocalipse no hinduísmo...
Bem como o cristianismo, o hinduísmo também crê no final dos tempos como uma época de caos, desgraça e degradação para todas as sociedades, quando alguns homens serão audaciosos a ponto de quererem ser confundidos com os próprios deuses. Assim como o cristianismo, um deus voltará e restabelecerá a paz e reestruturará o homem; este deus se manifestará como Avatar Kalki, um belo jovem e corajoso. Graças a ele, um novo ciclo será fundado na Terra, o Kurta Yuga, “idade dourada”.


O apocalipse no islamismo...
No islã também existe a ideia do Juízo Final, quando Deus irá ressuscitar e julgar todos os mortos da história. Por ser uma religião com origens históricas no próprio cristianismo, a sua escatologia tem bases bem parecidas com aquelas contidas na Bíblia e ensinadas pelos padres e pelo catecismo.

O apocalipse no judaísmo...
Entre os judeus, o fim do mundo é conhecido como “acharit hayamim”. Uma série de eventos estranhos tumultuará a ordem planetária, criando-se uma nova ordem diferente daquela que Javé quer para nós. De acordo com alguns interpretadores do Talmude, a escatologia judaica aponta que o fim dos tempos estaria próximo, uma vez que o judaísmo não chegaria aos seis mil anos. De acordo com o cálculo, o fim do mundo, pelos preceitos judaicos, ocorrerá em 2239. O fim dos tempos judaicos é interessante porque, para eles, será uma data marcada pela volta do verdadeiro messias (eles não creem no messianismo de Jesus) e reconstrução do grandioso Templo de Salomão, em Jerusalém.


O apocalipse segundo os cientistas...
A ciência compartilha da ideia de que o planeta Terra sofrerá um apocalipse cósmico, mas não em 2012 e muito menos nos próximos séculos. Vários documentários já foram feitos sobre isso com vários modelos de como o planeta poderia ser destruído; há consensos importantes: o choque de um meteoro (como o que extinguiu os dinossauros) não deve ocorrer nos próximos 200 anos, pois não há evidência de nenhum na rota da Terra (há um sistema internacional que investiga essa possibilidade dia e noite).

O cataclismo possível que poderia acabar com a raça humana evidenciando o fim dos tempos, portanto, seria de origem interna. O efeito estufa é um deles, tão debatido ultimamente, que pode dizimar populações em pequenas ilhas no Oceano Pacífico e extinguir algumas raças de animais, como os ursos polares. Outra forma interna de dizimar a população terráquea seria com uma guerra nuclear mundial; Estados Unidos e Rússia ainda têm ogivas nucleares capazes de dizimar a Terra mais de 40 vezes.

Entretanto, quando a ciência fala no fim dos tempos do planeta Terra, nossa casa, isso significa que seremos engolidos por uma explosão solar que deve ocorrer daqui a uns 4 bilhões de anos. O Sol é uma grande bola de fogo que tem combustão a partir do hélio; com o tempo, esse combustível todo vai se esgotando e, assim, a nossa estrela mais próxima começará uma expansão na busca de mais combustível, tornando-se uma gigantesca estrela vermelha. Nesse processo, essa explosão engolirá pelo menos os cinco primeiros planetas do Sistema Solar onde vivemos. Este poderá ser o fim trágico de Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e, talvez, Júpiter. Com o Sol “morto”, ele será uma pequena estrela conhecida como “anã branca”. E assim, daqui a 4 bilhões de anos, a Terra tem seu registro de óbito assinado pelo fogo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Guilherme Tell: herói da vida real ou criado pela ficção?

A ordem era clara e humilhante. Todos os cidadãos suíços tinham de se inclinar perante o chapéu do tirano austríaco, colocado sobre um poste. Só um homem teve a coragem suficiente para se recusar: o atirador de besta Guilherme Tell. O tirano Hermann Gessler fez de Tell a vítima de um gracejo selvagem. Prometeu-lhe a liberdade se ele fosse capaz de acertar com uma flecha uma maçã colocada sobre a cabeça de seu pequeno filho, Walter. Se falhasse ou recusasse, seria executado por desobediência.


Nos arredores da aldeia de Altdorf, Tell encontrava-se perante o filho. Na besta tinha uma lança mortífera. Outra estava presa ao cinto. Disparou a flecha, e a maçã foi partida em duas. Por que motivo, perguntou Gessler, tirara ele uma segunda flecha da aljava? “Era para o teu coração, se a primeira tivesse tocado sequer um único cabelo do meu filho”, replicou Tell. Irritado, Gessler gritou para os soldados: “Levem-no para o castelo”. Tell foi manietado e lançado num barco, no qual seguiram também o ditador austríaco e alguns guardas, que foram através do Lago Uri até a fortaleza de Gessler.

No meio da travessia rebentou uma tempestade. Os guardas libertaram Tell, para que este os guiasse para terra. Porém, apenas tocou a margem, Guilherme Tell saltou do barco e o empurrou de novo para o lago. Os soldados morreram afogados, mas o tirano conseguiu nadar para a terra, enquanto o nosso herói o esperava com a segunda flecha pronta, que disparou. Finalmente a Suíça estava liberta do jugo austríaco de séculos.

A história de Guilherme Tell aparece pela primeira vez nas crônicas suíças de Aegiidius Tschudi, um escritor do século 16, cerca de duzentos anos depois da época em que Tell teria vivido essa façanha. Não existe, porém, qualquer prova contemporânea da existência dos personagens desta lenda.


Segundo parece, a crônica de Tschudi constitui a adulteração feita na Suíça de uma lenda do século 11, pois em toda Europa desta época se encontram histórias sobre arqueiros notáveis e suas façanhas pelas florestas. Vide a história de Robin Hood, que publiquei recentemente. Ainda segundo uma antiga lenda escocesa, um arqueiro chamado Gilpatrick tinha de atingir um ovo colocado na cabeça da sua filha. Numa história alemã do século 12 aparece uma personagem análoga a Tell, adversária de Haroldo Dente Azul da Dinamarca, chamada Toki, que no folclore nórdico é conhecida como Toko.

Crê-se que Tschudi se limitou a acrescentar alguns pormenores locais, convertendo Guilherme Tell no herói mais popular da história da Suíça.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A história de um rapaz que profetizou os carros e os aviões...

Andrew Jackson Davis (fotos abaixo), filho de um sapateiro pobre e alcoólatra e sem qualquer tipo de instrução, foi forçado pela indigência a uma vida de trabalho praticamente servil. No entanto, de sua mãe, que se dizia ter sido uma vidente notável, herdou um suposto talento de clarividência que o distingue como um dos maiores adivinhos que existiram em todos os tempos. Teria previsto a invenção do avião e do automóvel.


Pouco antes de 1842, a sua família instalou-se em Poughkeepsie, em Nova York, onde Davis conheceu William Livingstone, um aprendiz de alfaiate e hipnotizador amador que gostava de conhecer as últimas novidades da psicologia, que começava a dar os seus primeiros passos como ciência. Reconhecendo as raras capacidades de vidência de Davis, Livingstone abandonou o seu emprego e dedicou-se a fazer promoção do futuro vidente, inicialmente como um curandeiro.

Davis proferiu mais de 150 conferências, a maior parte delas em suposto estado de transe, e escreveu um número considerável de livros. Passou a ganhar muito dinheiro e a se apresentar em circos, mais tarde em teatros luxuosos. Tanto nos seus escritos como nas suas preleções fez declarações de caráter profético que coincidiram com a realidade dos fatos num espantoso grau de correção e minúcia.


Além de, segundo se afirma, ter profetizado a construção de edifícios de cimento armado, no seu livro “O santuário” (que pode ser encontrado para download na internet), publicado em 1856, Davis falou de “veículos aéreos que se deslocarão pelos céus de um país para outro” em poucas horas como um “milagre da engenharia humana”.

Neste mesmo livro vaticinou o motor de combustão interna e o automóvel: “carruagens e salões que viajarão pelas estradas – sem cavalos, sem vapor, sem qualquer potência visível, deslocando-se com uma velocidade e segurança maiores do que atualmente conhecemos. (...) Estas carruagens serão movidas por uma mistura simples, maravilhosa e estranha de gases líquidos e atmosféricos – facilmente condensados e incendiados, e perfeitamente transmitidos por uma máquina de alguma forma semelhante aos nossos motores, totalmente oculta e manobrável entre as rodas dianteiras. Esses veículos evitarão quaisquer contratempos de que atualmente são vítimas as pessoas que vivem em territórios escassamente povoados. Os principais requisitos para essas locomotivas terrestres serão boas estradas, ao logo das quais, com os vossos motores e sem os vossos cavalos, podereis viajar com uma grande rapidez”.

Andrew Jackson Davis ganhou a América com suas conferências e profecias. Escreveu livros e livretos, fez muito dinheiro. Hoje é uma personalidade no mundo espiritualista dos Estados Unidos e sempre lembrado em documentários sobre o tema.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sobre os ET’s: um pouco sobre os “nossos amigos” extraterrestres...

Talvez uma das maiores perguntas que o ser humano tem feito desde a sua existência como ser racional e organizado socialmente tenha sido: estamos sozinhos? E ainda: será que este vasto universo, repleto de galáxias é mesmo inabitado com seres de inteligência como nós? A questão pode ser jamais respondida, mas fica ainda mais intrigante quando pensamos o seguinte: se na nossa galáxia, a Via Láctea, há pelo menos um planeta com vida inteligente (o nosso, a Terra), podemos imaginar que nas outras milhares de galáxias conhecidas poderiam haver outros tantos planetas como o nosso.


O assunto extraterrestre é bastante controverso e, dependendo da área do especialista, pode variar de um simples micróbio a seres cinzentos com inteligência e tecnologia superior a nossa. Esse fato tem encantado – e assustado – o ser humano principalmente a partir do século 18, principalmente 19, quando as tecnologias relacionadas à astronomia tornaram-se mais bem apuradas. Um ótimo exemplo é “Guerra dos mundos”, livro escrito por H. G. Wells em 1898, que virou filme em duas versões: em 1953 e em 2005. No enredo, marcianos invadem a Terra e espalham o terror!



Na cultura geral, extraterrestre (comumente conhecido como ET) refere-se a um ser vivo inteligente com formação humanoide e que viaja pelo cosmo fazendo reconhecimento de território – como os casos de avistamentos e abduções que temos notícias. O estudo do fenômeno extraterrestre evoluiu muito nas últimas décadas com o crescimento do interesse da população pela vida fora do planeta Terra. A ufologia é o nome dado ao estudo dos avistamentos de Ovnis e a exobiologia é o estudo academicamente aceito para a verificação de variadas formas de vida – microscópicas ou não.


A literatura, o cinema e a televisão já exploraram muito todas as possibilidades relacionadas ao assunto e muitas pessoas fizeram dinheiro falando sobre contatos com seres inteligentes de outros planetas, o que conhecemos popularmente como ET’s. O que mais fez fortuna com esse assunto foi Erich Von Däniken, criador da teoria dos deuses astronautas (ou extraterrestres).

O cinema e a mídia têm estimulado a ideia de um contato hostil entre terráqueos e aliens, o que faz com que a população tenha medo desta possível aproximação. Em 2005, o Instituto Gallup fez uma pesquisa em quinze países: 70% dos entrevistados acreditam que haja vida lá fora e somente 36% deles creem que os extraterrestres tenham nos visitado em algum momento.


A questão dos extraterrestres como forma de vida inteligente ganhou força com a fundação da ufologia a partir de dois episódios importantes: a chamada batalha de Los Angeles e o caso Roswell. Com as tecnologias mais atuais com câmeras digitais portáteis e acopladas a celulares, filmar supostos Ovnis fez aumentar a crença nesses seres inteligentes que vêm de trilhões de quilômetros fazer visitas à Terra.

Há muitos relatos mundo a fora de possíveis contatos com seres de outros planetas. Alguns acabam por coincidirem, propositalmente ou não (relatos mais antigos podem gerar embasamento para possíveis relatos mais novos), tratando como são, como agem e alguns aspectos físicos. Veridicamente ou não, tais relatos sempre afirmam o seu poder intelectual admirável, ferramentas e equipamentos avançados em questão de tecnologia, e quase sempre apresentam as mesmas características físicas: estatura inferior a 1m50, membros e cabeça desproporcionais ao corpo, narinas mínimas, cor de pele com tonalidade marcante, olhos extremamente grandes e linguagens incompreensíveis.

Apesar dos muitos relatos de contatos humanos com supostos extraterrestres, muitos estudiosos ainda questionam sobre sua veracidade. Entre as justificativas mais plausíveis, seria no que se diz respeito às dimensões do universo e a capacidade de seres inteligentes se locomoverem em viagens intergalácticas incomensuráveis. Seriam necessários veículos que viajassem em velocidade próxima a da luz (300 mil quilômetros por segundo), numa espaçonave onde seus tripulantes deveriam procriar centenas de vezes até chegar ao seu destino; tudo isso, sob a parametrização de que todo espaço percorrido só teria relevância na escala de centenas de anos luz.

No Brasil, o caso de Varginha, em 1996, é considerado por muitos ufólogos o mais importante de todos. Em torno de três seres supostamente foram capturados na cidade mineira que batiza o suposto fato e levados para a Universidade de Campinas. O fato é intrigante, visto que as testemunhas ao longo dos dias foram numerosas.


Recentemente, falamos sobre a invasão alienígena, um assunto que o ser humano adora. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um post sobre o Programa Voyager, que transpassou as fronteiras do nosso Sistema Solar. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos um texto debatendo a famosa abdução alienígena: fato ou farsa? Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre o clássico caso ufológico de Roswell. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um texto sobre o controverso livro "Eram os deuses astronautas". Leia aqui!

Recentemente, escrevemos um post esclarecendo sobre o que é e o que estuda a ufologia. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre a famosa e misteriosa Área 51. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um texto fazendo considerações importantes sobre a MUFON. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos sobre a constituição humanoide dos extraterrestres. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre o suposto ET que teria aparecido em uma reportagem de TV na Argentina. Leia aqui!

Recentemente, publicamos sobre a Operação Prato, um caso controverso do exército no Brasil. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos um post esclarecendo dúvidas sobre como se tornar um ufólogo. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre a controversa negação dos marcianos. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um texto falando sobre a "verdadeira" batalha de Los Angeles, em 1942. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos um post esclarecendo sobre a história que envolve os supostos canais marcianos. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre a exobiologia. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos sobre o que são os contatos imediatos. Leia aqui!



Ainda há pouco consenso entre físicos e astrônomos com os ufólogos sobre a questão dos extraterrestres de vida inteligente e formação humanoide, bem como as viagens entre as galáxias. Para os astrobiólogos, as chances de encontrarmos vida fora da Terra são mínimas, e vida inteligente menores ainda. Entretanto, seguem as esperanças de respondermos um dia uma das perguntas mais intrigantes da nossa existência: estaremos sozinhos nesse universo infinito?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Experimento Filadélfia, ou o navio que teria se tornado invisível...

Nos últimos anos, teóricos da conspiração decidiram revisitar uma série de fatos ocorridos no passado e que por muito tempo suscitaram dúvidas entre pesquisadores e céticos, por vezes causando nervosismo na população de um modo geral. Este é o caso do chamado Experimento Filadélfia, um suposto projeto naval militar norte-americano, ocorrido em 28 de outubro de 1943, quando o destróier de escolta USS Eldridge tornou-se invisível aos observadores por um curto período. Ganhou notoriedade e também acabou conhecido como Projeto Rainbow.

A história é amplamente considerada uma farsa. A marinha afirma que tais experimentos jamais ocorreram, além disso, detalhes sobre a história contradizem os fatos sobre o USS Eldridge (foto abaixo). Isso, contudo, criou ondas de conspirações, e participantes do Experimento Filadélfia foram relatados em outras teorias da conspiração envolvendo o governo norte-americano.


Várias, diferentes – e às vezes conflitantes – versões sobre o experimento circularam com o passar dos anos. A experiência teria sido conduzida pelo Dr. Franklin Reno como uma aplicação militar da teoria do campo unificado, um termo cunhado por Albert Einstein. Essa teoria visa descrever a interação entre as forças que compõem a radiação eletromagnética e a gravidade. De acordo com as contas que teriam sido possíveis e imagináveis, utilizar alguma versão desta teoria para curvar a luz em volta de um objeto o tornaria essencialmente invisível. Isso teria exigido equipamento especializado e energia suficiente. A Marinha teria considerado isto valioso para uso em guerra e patrocinado a experiência, uma vez que estávamos em plena Segunda Guerra Mundial.

Um destróier, o USS Eldridge, teria sido equipado com os equipamentos exigidos nos estaleiros navais da Filadélfia. Testes teriam começado no verão de 1943, sendo bem sucedidos em um grau limitado. Um teste, em 22 de julho, teria resultado no Eldridge quase completamente invisível, com algumas testemunhas relatando um “nevoeiro esverdeado” em seu lugar. No entanto, os membros da tripulação teriam se queixado de náuseas. Nesse momento, a experiência teria sido alterada a pedido da Marinha, com o novo objetivo a ser exclusivamente invisível ao radar.

O equipamento não teria sido devidamente recalibrado para este fim, mas, apesar disso o experimento seria realizado novamente em 28 de outubro. Desta vez, o USS Eldridge teria não só se tornado quase totalmente invisível a olho nu, mas, na verdade, desapareceu de seu local em um flash de luz verde. De acordo com algumas notas, a base naval de Norfolk teria relatado o avistamento do Eldridge em alto-mar, em seguida o Eldridge teria desaparecido de vista e reapareceu na Filadélfia, no local que tinha originalmente ocupado, em um aparente caso de dispersão acidental teletransporte.


Consequências nos envolvidos...
Os efeitos fisiológicos do experimento sobre a tripulação teria sido profundo: quase toda a tripulação adoecera violentamente. Alguns teriam passado a sofrer de doença mental como resultado de sua experiência; comportamento compatível com a esquizofrenia é descrita em outros relatos.

Outros membros imóveis, como Jacob L. Murray, teriam desaparecido fisicamente de forma inexplicada e cinco tripulantes teriam se fundido ao metal do anteparo ou do convés do navio. Parados, outros desapareceram dentro e fora do campo de vista. Horrorizados com esses resultados, oficiais da marinha tiveram que cancelar imediatamente o experimento. Todos os sobreviventes da tripulação envolvidos sofreram lavagem cerebral na tentativa de fazer os mesmos perderem memória a respeito de detalhes da experiência.

O USS Eldridge foi colocado fora de serviço em junho de 1946. Em janeiro de 1951, foi transferido para o Programa de Assistência de Defesa Mútua da Grécia, rebatizado como HS Leon (D-54). Leon foi desmantelado em novembro de 1992, e em novembro de 1999 foi vendido como sucata.

Em 1984, com o auge da história envolvendo esta lenda urbana com teoria da conspiração, foi lançado o filme “The Phidadelphia Experiment”.



Analisando o caso quase friamente…
O Experimento Filadélfia tornou-se conhecido nos Estados Unidos a partir de 1956, quando o caso foi relatado no livro de um astrônomo, Dr. Jessup, que também pesquisava avistamentos de discos voadores. Para quem gosta de teorias da conspiração, em 1959 o autor cometeu suicídio. Depois disso, o caso caiu no esquecimento e retornou com todas pompas em 1979 com mais um livro com título homônimo ao ocorrido, “O Experimento Filadélfia”.

Ao longo das décadas, a imprensa e investigadores da Mufon contactaram vários supostos testemunhos relacionados a esta experiência, que teria sido mal-sucedida e, portanto, cancelada pelo governo norte-americano. Geralmente os relatos são desencontrados, repletos de ufanismos e que misturam um pouco de loucura: fala-se em lavagem cerebral, teletransporte e até mesmo viagens no tempo (uma das testemunhas que afirmou ter estado no Eldridge naquele dia falou que saiu de 1943 e foi parar em 1983).

Por conta do destaque, o destróier que foi para a Grécia acabou virando mira da mídia sensacionalista. Pessoas contavam histórias aparentemente absurdas: calafrios, presença de fantasmas, setores lacrados, aparecimentos de campos elétricos (orbs) etc.

Um dos maiores problemas é que as duas testemunhas do Experimento Filadélfia, entrevistadas nos dois principais livros, não são muito confiáveis; elas permanecem escondidas atrás de uma aura nebulosa de muito mistério e, por isso, narram o que poderíamos chamar de roteiro de filme. Até as datas da suposta experiência são discordantes nas versões destas testemunhas. Assim, parece que não há nenhuma testemunha confiável.

Os céticos, pesquisadores mais racionais e a própria Marinha americana deixam uma série de questionamentos para aqueles que acreditam na validade do Experimento Filadélfia... (1) Por que usariam um destróier novo em um experimento exótico? (2) Por que realizar um experimento “ultrassecreto” perto de uma autoestrada movimentada todas as horas do dia? (3) Por que a Marinha doaria um navio que fez parte de um projeto secreto que ela sempre negou ter ocorrido?


Algumas conclusões...
A teoria do experimento está sedimentada em uma série de desencontros históricos e histerias coletivas (primeiramente em relação à Segunda Guerra Mundial, depois com a Guerra Fria) quando ações militares eram vistas como possibilidades a uma nova guerra entre potências globais. Não há qualquer evidência jurídica, material, jornalística ou científica que comprove a realização da experiência no mar. Quem defende a realização do Experimento Filadélfia explica que é assim que os Estados Unidos costumam fazer: negar, negar e negar, forjar documentos e até desaparecer com testemunhas (uma alusão ao suicídio do Dr. Jessup).

Entretanto, se formos pesar na balança da justiça perceberemos que o Experimento Filadélfia é uma mistura de lenda urbana dos tempos nebulosos da guerra, teoria da conspiração contra ações de uma potência mundial e relatos de testemunhas não muito confiáveis à luz da ciência.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Considerações sobre os ciganos. Você realmente os conhece?

Muito se fala sobre o misticismo dos ciganos como o poder ler o destino das pessoas através da quiromancia (leitura das linhas das mãos) e do baralho cigano. Entretanto, a história deste povo é muito maior do que podemos supor: passaram – e ainda passam – por muitos preconceitos, são apontados como os grandes culpados pela pobreza do Leste Europeu etc. O post de hoje se dedica a esclarecer algumas especificidades deste povo que, de acordo com a tradição, “está condenado a vagar pelo mundo”.

Recentemente, escrevi dois posts que falam sobre a história do tarô. Para ler o primeiro texto, clique aqui. Para conferir o segundo, aqui.


1) Ciganos são povos nômades que teriam vindo do noroeste da Índia há mais de mil anos, instalando-se por todo o continente europeu. Em alguns idiomas também são chamados de “roma”, que em seu dialeto significa “homens”;

2) O idioma cigano é o romani, que também tem origem no latim, assim como o português, espanhol, francês e italiano. Está bem próximo do idioma romeno, outro que também tem raízes latinas. Atualmente, muitos ciganos adotaram o romeno como idioma oficial em suas andanças pela Europa;

3) São subdivididos em quatro principais origens étnico-familiares: os roma (presentes nas Europas Central e do Leste, principalmente e podem ser erroneamente considerados os ciganos “verdadeiros”), os sinti (presentes na Alemanha, França, Itália e Holanda), os caló (moradores de Portugal, Espanha e todo continente americano) e os romnichal (presentes no Reino Unido, parte dos Estados Unidos e Austrália);

4) São envoltos por grande mistério porque grande parte da sua história é oral e envolta de folclores. Só a partir do século 18 que a antropologia começou a fazer um estudo minucioso de suas práticas sócio-culturais. Pela falta de estudos sérios e muito misticismo, durante séculos foram motivo de preconceito em vários cantos do planeta;


5) Os primeiros registros de ciganos na Europa ocorreram por volta do ano de 1050, no auge da Idade Média. Suas práticas não conhecidas pelos cristãos fizeram aumentar a perseguição contra eles e, junto aos judeus, foram acusados de terem espalhado a peste negra através de métodos de bruxaria;

6) Os ciganos se concentraram no Leste Europeu porque a perseguição foi menor nos principados ortodoxos. Entretanto, muitos foram feitos escravos por vários reis por serem considerados inferiores aos súditos aldeões;

7) Por não estarem presos à terra como os vassalos normais nos feudos, os ciganos conseguiram maior mobilidade dentro do território europeu e com alguma facilidade conseguiram estabelecer acampamentos. Em 1417 estavam na Alemanha, em 1422 chegaram à Itália e em 1500 já faziam parte de caravanas na Inglaterra;

8) Os primeiros ciganos chegaram às Américas depois de 1800, com as ondas de independência e fuga da Europa por conta de guerras internas. Outra grande leva aconteceu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial;

9) Como na Idade Média somente poderia ter direito à terra quem fosse fiel e servo do senhor feudal e, obviamente, cristão, os ciganos vagavam em acampamentos. Aí está a explicação histórica para a tradição de serem lembrados por nunca terem um local fixo, o que hoje é puro folclore. Por estarem sempre vagando, na Alemanha e Holanda eram considerados vagabundos e delinqüentes (geralmente roubavam de viajantes para sobreviver);


10) Por não terem um Estado próprio, como atualmente os judeus têm Israel, os ciganos sempre foram considerados antipatrióticos e totalmente de fora de um sistema dotado de hierarquia do estado moderno. Não eram considerados cidadãos, junto ao clima de suspeitas de possível traição durante um levante, rebelião e guerra;

11) Durante a Idade Média, por serem muito pobres mendicantes, criou-se a história de que eram descendentes de Caim, portanto malditos e condenados a vagar em pobreza eterna e mortos de fome. No entanto, tudo passava de preconceitos políticos, sociais, culturais e religiosos. Mesmo estando na Europa há mais de mil ano, não são considerados europeus!

12) Para sobrevivência, quando o ato de mendicância não ajudava nas moedas suficientes para comprar um pão, passaram a cobrar por um atrativo que agitou a Europa após o século 18: adivinhações e assim ficaram conhecidos até hoje. Também por serem nômades, encontraram nos circos fonte de lucro e sobrevivência. Atualmente, os mais ricos vivem na Suécia e Inglaterra e os mais pobres nos Bálcãs;


13) Seu orgulho cultural fez com que acontecesse uma preservação incrível desde os tempos medievais. Mesmo após perseguições religiosas da Inquisição e mortandades em campos nazistas, os ciganos permaneceram com suas práticas culturais e religiosas;

14) Foram perseguidos pelo regime nazista e mais de 1 milhão de ciganos foram mortos em campos de concentração durante a Segunda Guerra. Este genocídio é conhecido como “porajmos(fotos baixo), ciganos presos no campo de concentração de Belzec), entre os judeus é “holocausto” e só começou a ser revisitado pela historiografia no final dos anos 60;




15) Em julho de 2010, o presidente francês Nicolas Sarkozy ordenou a deportação de ciganos para países do Leste Europeu, principalmente Romênia e Bulgária, o que fez desenvolver grande polêmica, recordando às deportações nazistas para o leste e incidente diplomático com os países envolvidos;

16) Ao contrário do que muitos fazem crer, os ciganos não têm uma religião própria ou um deus. O mundo de crenças deles têm a ver com seus antepassados e com as religiões locais, como por exemplo Santa Sara Kali (foto abaixo), padroeira dos ciganos – uma santa que, supostamente, foi cigana e viveu na França. A prova de que os ciganos não têm religião própria está na França, que desde 1950 existe um grande grupo de ciganos protestantes. Muito do seu misticismo tem a ver com o folclore;


17) Para quem não sabe, o Brasil é o país do Ocidente com maior população cigana, cerca de 1,2 milhão, seguido pelos Estados Unidos, Espanha, Bulgária e Romênia. Em todo o mundo a maior concentração está na Índia: mais de 2 milhões de ciganos;

18) Os grupos ciganos se fragmentaram muito ao longo dos séculos. Por isso, ciganos indianos não partilham mais da mesma cultura que aqueles que vivem na Bulgária, por exemplo. Dentro da própria Europa já há essa fragmentação: ciganos espanhóis são diferentes dos ingleses etc.

19) Os casamentos são sempre realizados entre pessoas do mesmo grupo ou subgrupo. É possível uma não-cigana casar-se com um cigano, mas é vetada a entrada de um não-cigano na comunidade através de um casamento. Trata-se de uma comunidade cujo patriarcado é muito forte até os dias de hoje;

20) Por muitos séculos, por serem nômades, os ciganos estiveram fora dos sistemas judiciários em todo o mundo e suas leis eram baseadas no que eles chamam de “kris”, com base em um direito consuetudinário, ou seja, fundamentado nas tradições. Atualmente não é bem assim em grande parte do planeta;

21) O termo “cigano” é uma corruptela errada de “egípcio”, pois acreditava-se que esse povo fosse proveniente dos egípcios antigos, mas após o século 18 descobriu-se a origem indiana. O mesmo erro encontra-se no espanhol (gitano) e no inglês (gypsy);


22) Na região dos Bálcãs, os ciganos têm uma vida difícil e, geralmente, vivem em bairros extremamente pobres e favelados. As populações de extrema direita tendem a culpá-los pelo desemprego, pelos índices de violência, pelas taxas de pobreza etc. No entanto, as dificuldades econômicas estão presentes desde que o sistema comunista ruiu no final dos anos 80 e o capitalismo aumentou a desigualdade social entre todos;

23) Há vários documentos compreendidos entre os anos 1050 e 1517 falando sobre a presença dos ciganos na Europa, com diversas características interessantes: uso de roupas coloridas, furtos de viajantes em estradas, especialistas em shows de entretenimento com música e comida farta, uso de magia para ganhar moedas ou comida, vida mendicante nas florestas, caravanas enormes e barulhentas etc.

24) A escravidão cigana na Europa só foi totalmente abolida em 1870, às vésperas do Brasil dar alforria aos seus escravos de origem africana. Na Espanha do século 16, por exemplo, foram obrigados à sedentarização, assimilação da cultura local e conversão ao cristianismo. Nos países nórdicos eram frequentemente condenados à morte;


25) A Espanha e a Inglaterra enviaram ciganos para a América para diminuir o contingente populacional na Europa durante os anos áureos do Pacto Colonial. Com o relativo sucesso desta empreitada, Portugal também aderiu à deportação para suas colônias;

26) Em 1905, a Alemanha já desenhava a deportação e execução em massa dos ciganos muitos anos antes da Primeira Guerra e de Hitler subir ao poder. Entre 1900 e 1950 era comum na Europa o sequestro de bebês ciganos para serem criados por casais não-ciganos estéreis, prática proibida somente em 1975;

27) Os ciganos foram exterminados pelo III Reich por não se enquadrarem ao projeto nazi de uma nova sociedade: não eram arianos, por não terem pátria eram considerados possíveis traidores e por serem nômades eram considerados inúteis para o esforço de um “novo mundo” de acordo com aquela lógica.


A história mostra mais uma vez que o preconceito com práticas sócio-religiosas-culturas sempre fez vítimas e sempre as fará. O povo cigano tem muito mais a contar do que o mero chavão de que são pedintes pobres que usam do misticismo para enganar as pessoas nos grandes centros urbanos do planeta. Com uma história rica e uma cultura muito vasta, passaram por situações inacreditáveis, mas permanecem como um grupo forte em todo o planeta. Por terem sido pouco estudados pela historiografia, há mais farsas do que fatos que nos contam quem não esses grupos “condenados a vagar pela Terra”.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (14)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Fazer um negócio da China tem realmente a ver com a China?
Sim, tem. A expressão teve origem há muitos séculos, no século 13, após a viagem do italiano Marco Polo até lá. Com a divulgação de suas histórias, a China ficou conhecida como um lugar cheio de coisas exóticas, pessoas diferentes, comidas mirabolantes, negociadores astutos etc.

O que o nepotismo tem a ver com a Igreja Católica?
A palavra teve origem no latim “nepote”, que significava “sobrinho” ou “aquele que é favorito”. Com o tempo, “nepote” passou a significar os funcionários preferidos do papa, em Roma. Como há muitos séculos o papado era um jogo de poder entre as famílias mais ricas da Europa, esses favoritos chamados aos altos cargos eram, justamente, parentes do papa. Assim nasceu o nepotismo, o ato de empregar parentes.


O que as notas musicais têm a ver com a Igreja?
Há uma ligação muito estreita entre as sete notas musicais e a religião. No início do século 11, o monge mestre do coral da catedral de Arezzo, na Itália, criou os nomes das notas musicais usando as sílabas do hino a São João Batista:

Ut queant laxis
Resonare fibris
Mira gestorum
Famuli teorum
Solve polluti
Labii reatum
Sancte Ioannes!

No século 18, a primeira nota mudou de nome, de “ut” para “”, que era mais sonora para o canto. Mas vale notar que essa classificação funciona nos países de tradição latina. No inglês, por exemplo, as notas musicais seguem a ordem alfabética: A, B, C, D...

De onde vem o “obrigado” como agradecimento?
Tudo tem origem no latim “obligatus”, que significa “estar ligado”, “estar amarrado”. O agradecimento é uma forma mais curta de uma frase, “Fico obrigado em lhe retribuir tal favor”. E é por este motivo que, gramaticalmente, a mulher deve responder “obrigada”.

Como surgiu a expressão “onde Judas perdeu as botas”?
Todos conhecemos a história bíblica: Judas foi o apóstolo que traiu Jesus e ainda beijou-lhe a face. Atormentado com tamanho arrependimento pelo que fez, suicidou-se. Judas não usou botas porque elas só foram inventadas na Idade Média para proteger os pés da neve. A expressão surgiu nessa época, que diziam que os suicidas não iam para o céu nem para o inferno – e naquela época a Igreja ainda não havia inventado o purgatório. Assim, Judas estava condenado a vagar eternamente pela Terra, sem destino. Desta maneira, “onde Judas perdeu as botas” tornou-se expressão medieval de um lugar muito distante e desconhecido, onde ninguém gostaria de ir.


Estar salvo por um triz tem a ver com cabelo?
Sim, tem. Curiosamente, “triz” não existe em outro idioma latino, somente no português. Tem origem em “trikhós”, “cabelo” em grego. Assim, estar salvo por um triz é o mesmo que salvo por um fio de cabelo, a uma curtíssima distância, por muito pouco.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sobre a obscura profecia de São Malaquias e o último papa, Pedro II...

Neste ano de 2012 muito se tem falado sobre a profecia maia de um possível apocalipse em dezembro. Entretanto, uma outra curiosa profecia chama atenção de estudiosos e céticos, e causa verdadeiro terror nos teólogos católicos: a curiosa e obscura profecia de São Malaquias em torno do último papa da humanidade, que se chamará Pedro II.

Recentemente escrevi sobre os fundamentos históricos da profecia maia sobre 2012. Para ler clique aqui!

Recentemente também escrevi um post sobre as profecias de Nostradramus. Para ler clique aqui!


A chamada profecia de São Malaquias, também conhecida por profecia dos papas, é o nome atribuído a uma série de supostas visões e interpretações do santo em relação à sucessão dos chefes do catolicismo desde o Papa Celestino II até o hipotético último papa de todos os tempos, o qual São Malaquias diz que se chamará Pedro II, ou Pedro Romano.

De acordo com a tradição católica, o primeiro papa foi São Pedro. Com o passar dos séculos até a atualidade, com Bento XVI, nenhum homem eleito ao pontificado escolheu o nome de Pedro nesta sucessão. Na profecia, Malaquias descreve a sucessão de 112 pontífices que fechariam a história da humanidade. O assunto possui ampla cobertura da mídia e da historiografia, e tem despertado o interesse de curiosos durante séculos.


São Malaquias (foto abaixo) nasceu por volta de 1095, na Irlanda, e quando adolescente ingressou numa abadia. De acordo com os relatos, suas visões começaram em 1139 quando fez sua primeira romaria a Roma. Tornou-se santo no catolicismo em 1200.

As profecias foram publicadas em toda Europa, pela primeira vez, em 1595 no livro “Lignum vitae”. São compostas de versos em latim que caracterizariam cada papado, incluindo até mesmo previsões dos dez antipapas do período compreendido entre os séculos 12 e 15.


O que tem causado terror entre os crédulos é que, de acordo com as profecias, Bento XVI será o penúltimo papa da Igreja. Quem crê diz que várias profecias diferentes – como a maia – convergem para que após 2012 poderá suceder um acontecimento terrível de proximidade do fim dos tempos, o apocalipse. No entanto, é digno de nota que os indivíduos crédulos costumam forçar fatos e a própria historiografia para que essas profecias tenham certa convergência.

O último papa...
Sobre o papa que poderá vir depois de Bentro XVI, o hipotético Pedro II, São Malaquias escreveu:

In persecutione extrema S.R.E. sedebit Petrus Romanus, qui pascet oves in multis tribulationibus, quibus transactis civitas septicollis diruetur, et Iudex tremêndus iudicabit populum suum. Finis”.

Traduzindo do latim, temos a seguinte afirmação:

Na perseguição final à sagrada igreja romana reinará Pedro Romano, que alimentará o seu rebanho entre muitas turbulências, sendo que então a cidade das sete colinas [Roma] será destruída e o formidável juiz julgará o seu povo. Fim”.

É um fato público e notório que na última década a igreja católica tem sofrido dois duros golpes em sua estrutura: uma dogmática e outra estrutural. A de ordem dogmática é a perda de fiéis para o neopentecostalismo na América Latina e para o ateísmo na Europa. A de ordem estrutural se baseia nos casos polêmicos e midiáticos envolvendo abusos sexuais cometidos por sacerdotes e acobertamento destes casos por parte de bispos e arcebispos.


É interessante notar que muito do que São Malaquias escreveu sobre cada papa realmente tem a ver com suas características pessoais e de diplomacia eclesiástica. No entanto, com os papados mais recentes há um enorme esforço dos adeptos destas profecias em conectar as frases latinas com os respectivos papas. O esforço chega a ser gigantesco que alguns autores chegam a afirmar que Bento XVI não deverá durar muito tempo e que Pedro II estaria a caminho, inclusive fazendo alusão à profecia “sendo que então a cidade das sete colinas será destruída” com a atual crise econômica por que passa a Itália.

De acordo com alguns historiadores e teólogos, as profecias de São Malaquias não seriam autênticas e poderiam ter sido criadas na Espanha no início do século 16, quando o misticismo religioso estava em alta em reinados cristãos.

Este é um assunto em aberto que só teremos certeza quando um conclave for concluído após a morte de Joseph Ratzinger. Assim poderemos ter total certeza se o ciclo católico se fechará, ou não, com o tão famoso e incógnito Papa Pedro II.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A maçonaria influenciou nos movimentos de independências nas Américas?

Talvez a maçonaria seja a sociedade secreta em maior atividade nos dias de hoje e desde os tempos medievais suscita enormes dúvidas e desconfianças. Por ser um reduto de homens influentes nas suas sociedades, sempre foi alvo de denúncias por, supostamente, coordenarem movimentos políticos globais.

Recentemente, publiquei um post com as considerações sobre o que é a maçonaria. Para ler, clique aqui!


Vários documentários e livros têm tratado um assunto muito relevante nas últimas décadas: será que a maçonaria foi uma alavanca que catapultou os movimentos de independência no continente americano? Podemos dizer que sim, isso é um fato que começa durante com as ideias do Iluminismo, na França, que mais tarde culminaram com a Revolução Francesa.


O Iluminismo pregava vários pensamentos que iam contra a hegemonia que ainda dominava naquela época, a Igreja. A burguesia ainda pretendia ser plena no poder rompendo o “contrato” que havia feito com a nobreza europeia. Em meio a um ambiente hostil a estes pensamentos, o melhor lugar para disseminar conhecimento era a maçonaria com suas “reuniões secretas”.

Recentemente, escrevi sobre o cristianismo e a maçonaria. Neste post você entenderá como era essa relação de choque das duas forças. Clique aqui!

Em todo o continente americano a burguesia local, já nascida e criada nessas colônias, se enxergava prejudicada com o pacto colonial e os altíssimos impostos que era taxada. Dos Estados Unidos à Argentina havia um total sentimento de nacionalismo sendo formado e o desejo burguês de libertação político-administrativa. Em 1776, os Estados Unidos deram o pontapé inicial: a primeira colônia americana a declarar sua emancipação da Inglaterra.

A maçonaria sempre foi muito forte na sociedade norte-americana. George Washington (foto abaixo) era maçom e foi o primeiro presidente daquele país. Junto a ele, todos os homens que assinaram a primeira constituição também frequentavam a maçonaria. Ao longo da história, vários presidentes e políticos influentes fizeram parte desta sociedade tida por secreta. A Casa Branca, sede do poder executivo deles, foi construída e reformada em moldes maçons.


Na América Latina não foi diferente. San Martín, libertador da Argentina e do Peru, O’Higgins, libertador do Chile, e Bolívar, libertador da Venezuela e Colômbia, frequentaram uma loja maçônica em Londres anos antes da agitação política que sacudiu a América espanhola criando novos estados nacionais.

E o Brasil, como fica nisso tudo? Bem, é um fato notório que Dom Pedro I era simpático à maçonaria por conta de seu amigo e tutor político, José Bonifácio (foto abaixo), que curiosamente também era membro da mesma loja maçônica londrina que os generais hispânicos. Talvez possam ter se conhecido, e podemos deduzir que vários planos foram traçados ali, principalmente entre os nossos “vizinhos”.


No livro “1822”, de Laurentino Gomes, há um capítulo especial e muito bem escrito, detalhado e pesquisado sobre esta questão. Não podemos apontar que a independência do continente americano tenha sido uma trama maçônica para controle mundial, mas ela ajudou muito por ser um ambiente propício para reuniões estratégicas longe dos olhos da metrópole e dos seus partidários.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A grande farsa da internet: emails que prometem transferência de dinheiro...

Com a popularidade do mundo virtual, principalmente após o ano 2005 no Brasil, muitas pessoas entraram em um mundo que até então era totalmente desconhecido – e que para muito ainda permanece um pouco nebuloso e enevoado. A rede mundial de computadores nos leva a uma série de oportunidades, tanto para o bem quanto para o mal. Muitas pessoas decidiram caminhar para o mal e para o banditismo neste novo território, criando vírus, espalhando pragas virtuais etc.


Como a internet ainda é um meio de comunicação extremamente poderoso, tornou-se praticamente território livre no quesito liberdade de expressão. Blogs e sites sobre diversos assuntos são criados diariamente, mas em vários países há levantamentos de legislações específicas para crimes virtuais – difamação, estelionato, pornografia infanto-juvenil. Esse sentimento de “liberdade” gratuita e inatingível fez com que um fenômeno no mínimo interessante ficasse popular no Brasil a partir de 2006, e mesmo combatido ainda está em voga.

Quem nunca percebeu na sua caixa de entrada de emails aquela mensagem que diz que a Microsoft estaria premiando com alguns centavos para cada endereço eletrônico que você mandasse um email que não diz absolutamente nada, somente isso. Como diz o ditado, de grão em grão a galinha enche o papo; e de centavo em centavo, cairia um dinheiro para o remetente. Vamos à análise da situação!


O conteúdo do email não tem nada de relevante, e não explicaria plausivelmente o motivo de a Microsoft dar dinheiro, uma vez que não há publicidade alguma;

Mesmo pagando mísero um centavo de dólar a cada email enviado, como a Microsoft vai pagar este dinheiro, uma vez que no cadastro de emails não há dados mais específicos e verdadeiros? Qualquer um pode criar um correio eletrônico com o nome e a localidade de quiser. Assim, eu aqui no Brasil posso fazer um email em um provedor russo como se vivesse por lá;

Como recolheriam as centenas de milhares de contas bancárias para realização do referido depósito?

Na onda destes emails descabidos, a própria Microsoft veio a público explicar que isso não existia, sendo considerado, então, um “hoax” (boataria da internet). Atualmente, a corrente atribui o prêmio a outras grandes empresas do ramo de tecnologia: Apple, Google etc.

É interessante notar que algumas pessoas enviam este email hoje em dia com um pouco de vergonha, se justificando que “até pode ser uma farsa, mas não custa nada tentar”. No final, a conclusão é simples: a mensagem que promete transferência de dinheiro não é verdadeira e o internauta perde tempo passando à frente e ainda acaba ganhando a antipatia de quem já sabe que não se trata de um fato verdadeiro.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Visões da morte? A história do vidente que profetizou vários destinos numa festa!

Os convidados presentes em um jantar em Paris, em 1788, ouviram totalmente incrédulos as previsões do escritor Jacques Cazotte (foto abaixo) sobre a sorte (ou azar) que os esperava durante uma revolução que, segundo ele, em breve assolaria e mudaria toda a França. “Não é preciso ser profeta para sentir no ar esse fervor de insatisfação e de que haverá, mesmo, uma revolução”, brincou um convidado. Todos os presentes concordaram com essa piada, afinal a economia ia muito mal, e a burguesia e os pobres estavam insatisfeitos com os monarcas.


A incredulidade continuou com um pouco de protesto quando Cazotte continuou: o rei seria executado, bem como algumas das senhoras que ali estavam naquele jantar. Para não ficar no terreno das especulações, passou a ser mais específico: falou ao dramaturgo Nicholas Chamfort, “vós cortareis as veias com uma navalha 22 vezes, mas não morrereis senão alguns meses depois”. Ao marquês de Condorcet (foto abaixo), filósofo e matemático, casado com uma das mulheres mais bonitas daquela festa, anunciou com precisão assustadora: “Vós morrereis no chão de uma cela, depois de vos envenenardes para evitar o carrasco que espera lá fora”. A previsão mais surpreendente foi porventura a que reservou ao crítico de dramaturgia e jornalista Jean Harpe, um ateu bem conhecido, o qual, segundo Cazotte, afirmou com segurança, a tal revolução o tornaria um cristão bem devoto à Virgem Maria.


Os convidados saíram deste lauto jantar extremamente intrigados. Alguns um pouco céticos, afirmando que Cazotte estaria fazendo piada com todos e que, de tudo o que disse, a única certeza era a tal revolução vindoura. No entanto, anos depois, as tais profecias começaram a se concretizar – para terror dos convidados daquele jantar anos antes.

Chamfort, que colaborou com a Revolução Francesa nos primeiros tempos, criticou depois os seus excessos. Em 1793, sob a ameaça de prisão, tentou, sem conseguir, suicidar-se cortando os pulsos e braços com uma navalha não muito afiada. Morreu dois meses depois.

Condorcet foi eleito para a Assembleia Revolucionária, da qual foi secretário durante algum tempo. Quando, porém, se opôs ao chamado “reinado do terror” – quando mais de 200 pessoas eram executadas diariamente em Paris –, foi exonerado do cargo. Dois dias depois de ser preso, em 1794, foi encontrado morto no chão da sua cela. Evitara o carrasco da guilhotina, tal como Cazotte havia previsto.

Também Harpe fora encarcerado; na prisão, reconsiderou a sua vida espiritual, convertendo-se, de acordo com as previsões, em um fervoroso católico, devoto da Virgem Maria.


Naquilo que se diz respeito ao próprio Cazotte, dizem que esses “poderes” nunca lhe trouxeram felicidade, pois permitiram-lhe predizer a forma exata da sua própria morte – prisão, liberdade, de novo a prisão e, finalmente, a guilhotina, como milhares de pessoas nos anos negros que tomaram a França logo após a tomada do Terceiro Estado ao poder.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

De onde veio a famosa lenda que Elvis não morreu?

Elvis Presley foi (e ainda é) um dos artistas de maior renome na cultura musical dos Estados Unidos e que ganhou o mundo não somente pelo rock, mas também através do gingado e dos vários filmes que estrelou. Por conta disso, é considerado o rei do rock’n’roll (e poucas pessoas sabem que a alcunha “king of rock’n’roll” é registrada e só pode ser utilizada em referência a ele). Junto com Michael Jackson, podemos dizer que reina soberano no panteão da música mundial.


No dia 16 de agosto de 1977, em sua mansão na cidade de Memphis, nos Estados Unidos, morria todo esse ícone da música. Nessa época, o cantor-ator passava por problemas familiares, havia se entregado à bebida e às drogas e a figura era bem diferente do galã de décadas anteriores (foto abaixo). De acordo com o atestado de óbito, a morte ocorreu por arritmia cardíaca e ingestão de vários tipos de drogas, numa overdose que até com os recursos médicos de hoje poderia ser irreversível.


Por ser uma estrela pop mundial em uma morte que chocou repentinamente não só os fãs, mas também a imprensa, o funeral foi praticamente um evento de Estado, com segurança redobrada e repleto de cuidados antes, durante e depois todo o evento. Apesar disso, houve (e ainda há) pessoas que acreditam que o cantor não morreu. O slogan “Elvis não morreu” é muito conhecido e a história acabou tornando-se uma espécie de lenda urbana bastante popular nos Estados Unidos.

Sobre a origem da lenda...
Um fenômeno da música mundial por vários anos. Elvis Presley era refém de seu sucesso quando sua vida pessoal e profissional tinham se tornado um peso muito grande para ele e seus familiares, com sucessões intermináveis de turnês, entrevistas, gravações, contratos, publicidades, filmes etc. Dizem que essa rotina passou a incomodá-lo seriamente, quando, como fuga, mergulhou no mundo do álcool e das drogas. Afirma-se, também, que nos últimos meses Elvis estava recebendo constantes ameaças de morte vindas de um grupo mafioso. História nunca revelada e não muito clara, nem mesmo para os biógrafos do artista.

Com uma vida turbulenta, a história de que Elvis não teria morrido em agosto de 1977 surgiu logo depois do velório, quando as pessoas se questionaram o porquê de o caixão estar vedado. Entretanto, esta parte da lenda é uma farsa, pois há, inclusive, fotos do caixão aberto para os familiares.



Quando a história de que o enterro do pop-star poderia ter sido uma farsa, inúmeros foram os relatos de possíveis aparições de Elvis algum tempo após a sua morte. A última teria sido na Califórnia em 1984. Não há como provar tais aparições, pelo menos ninguém ainda o fez. Além disso, Elvis é o artista mais imitado do mundo e há campeonatos de covers e sósias em praticamente todo o planeta. A partir disso existe um questionamento importante: se ele queria fugir dos holofotes, por que motivo apareceria por aí vestido da maneira como subia nos palcos?


O mais significante dos rumores ocorreu exatamente um dia após a sua morte. Um homem idêntico a Elvis foi visto desembarcando na Base Aérea da Argentina. Segundo relatos, ele desceu rapidamente de um avião e entrou em uma Limosine que já o esperava. O homem não foi visto novamente. De fato, Elvis Presley realmente possuía uma casa na Argentina.

Hoje em dia há clubes nos Estados Unidos e Canadá que reúnem pessoas que afirmam terem visto Elvis vivo após 1977, ou que creem que ele esteja vivo ainda, ou pelos menos esteve entre nós secretamente até os anos 80, desfrutando de uma vida secreta graças aos direitos de suas músicas e filmes.

Tentando fechar o caso...
Atualmente, Elvis Presley é o artista morto que mais lucra anualmente. São milhões de dólares em direitos de músicas, imagens, filmes, marcas etc. Algumas pessoas comentam que a lenda de que ele não morrera em agosto de 1977 seja uma sucessão de boatos sem fundamentos – como a lenda de que o caixão estaria fechado, o que não é verdade. Para os fãs, realmente Elvis não morreu. Ele estará vivo em suas lembranças, nas suas canções que ouvem cantando e nos filmes de sucesso de que estrelou na sua vida curta (morreu aos 42 anos de idade).

O maior problema surge a partir do momento que as teorias conspiratórias ficam, digamos, patéticas demais. Volto a citar aquele questionamento acima: por que ele, querendo supostamente viver uma vida tranquila, apareceria paramentado em lugares estranhos? Ou então: qual seria o motivo dessa onipresença quase divinizada do cantor, visto em mais de onze países no mundo e em mais de 500 cidades norte-americanas?

O que podemos concluir é que Elvis Presley foi vítima do seu enorme sucesso e não aguentou carregar esse fardo nas costas. Foi como o que aconteceu a Janis Joplin, Jimi Hendrix, Amy Winehouse, Michael Jackson, Whitney Houston, entre outros tantos. Com a lenda urbana arquitetada há muitas décadas, recentemente alguns policiais fizeram o que poderia ser o retrato-falado de Elvis como estaria hoje em dia, aos 77 anos (foto abaixo).


É interessante que Elvis não rende royalties post-mortem somente para seus familiares. Muitas pessoas ganharam dinheiro lançando livros e documentários sobre esta teoria de que ele não morreu e fugiu e isso ajuda na perpetuação da lenda urbana musical mais popular dos Estados Unidos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Uma profecia furada do fim do mundo: a história de William Miller

No dia 03 de abril de 1843, milhares de pessoas reuniram-se nas colinas da Nova Inglaterra à espera do apocalipse total, o fim do mundo. Apesar de não ter ocorrido e da decepção generalizada, não perderam a fé no homem que havia profetizado o cataclismo global: William Miller (foto abaixo), um fazendeiro e antigo ateu, que se dedicou anos a prever o dia do Juízo Final.


Tendo meditado sobre os livros bíblicos de Daniel e do Apocalipse, Miller fez as suas primeiras advertências em 1831. Acabou tornando-se um pregador e viajou muito falando a sua mensagem e desenvolvendo novos cálculos. As suas previsões sobre a aproximação do fim do mundo foram reforçadas por fenômenos de estrelas cadentes em 1833, halos em torno do sol e o aparecimento de um cometa espetacular em 1843.

Desde os tempos mais antigos, na Suméria e no Egito, na Índia e na China medieval, fenômenos astronômicos eram associados a eventos ruins. Um eclipse poderia ser sinal de agricultura não muito proveitosa. O aparecimento de um cometa poderia ser um aviso dos deuses que tempos difíceis viriam: doenças, guerras etc.


Depois destes acontecimentos, o jornal “New York Herald” publicou as profecias de Miller, segundo o mundo seria destruído pelo fogo no dia 03 de abril daquele ano. De acordo com relatos, houve fanáticos desesperados que mataram seus familiares e cometeram suicídio. O desespero foi total em algumas comunidades.

Na pequena cidade de Westford, um homem fez soar uma enorme trompa, quando os adeptos de Miller começaram a gritar: “Aleluia, é chegada a hora!”. O homem o fez de deboche e replicou: “Idiotas, vão plantar batatas, pois os anjos não vão fazer o trabalho por vocês!”.

Abaixo, imagem original da época que fala sobre o comentário da grande ascensão que os seguidores de Miller poderiam presenciar muito em breve.


Sem se deixar desencorajar e ainda com muitos adeptos, Miller reviu a data, marcando para o dia 07 de julho. Muitas pessoas vestiram túnicas brancas e se reuniram em cemitérios, onde esperaram pelo fim do mundo. Outras tantas subiram nos telhados de suas residências esperando pelo fogo sagrado. Inexplicavelmente, outros tantos seguidores venderam tudo o que tinham a preço de banana, embora se ignore o que pensavam fazer com o dinheiro.

Como se pode imaginar, o dia 08 de julho de 1843 amanheceu sem qualquer incidente. Miller sugeriu uma nova data: 21 de março de 1844 – e mais uma vez foi acreditado pelos seus seguidores mais fiéis. Novamente disse que havia errado a data e reconsiderou: dia 22 de outubro seria, aí sim, o apocalipse total. Há relatos de que neste dia um fazendeiro vestiu túnicas brancas em suas vacas e afirmou que as crianças poderiam precisar de leite no caminho até o paraíso.

Finalmente, no amanhecer do dia 23 de outubro de 1844, os adeptos de William Miller começaram a duvidar, especialmente aqueles que tinham vendido tudo o que tinham. O mundo continuava a girar, as pessoas continuavam a trabalhar e Miller continuava com os seus bens – e até mais rico. Este dia ficou conhecido como Dia do Grande Desapontamento.

Na imagem abaixo, os cálculos feitos por William Miller para explicar como chegou até a data do Juízo Final. Para ter mais detalhes e poder ler as informações, clique sobre a imagem.


Para quem não sabe, Miller foi o precursor da Igreja Adventista. O movimento que em seu auge chegou a ter oficialmente mais de cem mil adeptos, logo se dissipou com tremenda frustração entre os crentes. Alguns remanescentes elaboraram melhor esta teoria vindoura de Jesus Cristo e hoje temos, aí, em todo planeta, a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Recentemente, publicamos um texto falando sobre a Estrela de Belém e os Treis Reis Magos, que estariam seguindo um cometa. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos sobre a controversa história sobre alguns cientistas que, supostamente, teriam gravado o som do inferno. Leia aqui!

Recentemente, lançamos um post falando sobre o livro "E a Bíblia tinha razão" e sua contraparte, o livro "E a Bíblia não tinha razão". Leia aqui!

Recentemente, publicamos um post falando sobre a famosa profecia maia do fim dos tempos em 2012. Fato ou farsa? Leia aqui!

A história de William Miller é um exemplo interessante de como o ser humano tem particular interesse em eventos cataclísmicos que colocam a raça humana sob risco. Várias profecias existiram ao longo da história e outras tantas continuarão a existir; no momento, vivemos sob o signo da profecia maia de 2012. Enquanto isso, os dias continuam a se suceder e quem não crê nessas teorias segue a sua vida sem maiores impedimentos.