quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Um clássico da ufologia: o caso da abdução de Filiberto Cardenas...

Filiberto Cardenas, de origem cubana, é motivo de controvérsia na comunidade científica. Ele alega ter sido abduzido por alienígenas em um caso clássico de estudos da ufologia, nas redondezas de Miami, em janeiro de 1979. Classificado como sequestro por alguns, o caso Filiberto ainda desperta debates bastante calorosos!


De acordo com os relatos da vítima, por volta das 18h, quando ele e alguns amigos voltavam para casa, inesperadamente o carro que viajavam parou na Estrada Okeechobee. Aparentemente o veículo estava desligado e sem bateria, e quando Filiberto e o amigo saíram para abrir o capô, viram-se cobertos por uma fortíssima luz violeta-azulada, acompanhada por um zumbido parecido com um enxame de abelhas.

A partir daí, o carro começou a vibrar estranhamente. Quem estava dentro do carro, a mulher e a filha do amigo de Filiberto, começaram a gritar. Cardenas disse que não podia se mover, pois estava paralisado de alguma forma, quando começou a subir no ar envolto daquela luz colorida, desaparecendo da vista do amigo, que ficou horrorizado com o ocorrido naquele final de tarde.


Recentemente, escrevemos sobre o famoso Caso de Roswell, que inaugurou a ufologia contemporânea. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um post falando sobre a famosa Área 51, nos Estados Unidos. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre a abdução alienígena, um debate caloroso. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos sobre a batalha de Los Angeles, quando a cidade parecia ter sido invadida por discos voadores. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um post debatendo a constituição humanoide dos possíveis aliens. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre a Operação Prato, controversa operação do exército brasileiro. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos um esclarecimento sobre o que são os chamados contatos imediatos. Leia aqui!

Recentemente, publicamos uma postagem explicando o que é e o que estuda a ufologia. Leia aqui!

Recentemente, falamos um pouco sobre o que é a MUFON, que investiga casos relacionados a abduções e avistamentos de Ovnis em todo mundo. Leia aqui!

Recentemente, escrevemos sobre a astrobiologia, que tentaria verdadeiramente comprovar e estudar a possibilidade de vida em outros planetas. Leia aqui!

Recentemente, publicamos um post explicando como se tornar um ufólogo. Leia aqui!

Recentemente, falamos sobre o controverso caso brasileiro conhecido como "os homens das máscaras de chumbo". Leia aqui!




Segundo os amigos, Filiberto subiu e desapareceu dentro de algo indefinível enquanto berrava para que não o levassem. Assim que a vítima foi supostamente sequestrada, o objeto voou em direção a oeste. Essas pessoas confirmaram toda a história enquanto Cardenas passava por um processo de regressão que, ao que tudo indica, ajudou a formular uma narrativa para o ocorrido. De acordo com algumas pessoas, após este episódio de abdução, a vítima passou a ser sensitiva, prevendo o futuro.

Depois que o objeto voador não-identificado foi embora, o carro voltou a funcionar e o amigo de Filiberto retornou às suas faculdades mentais, podendo entrar no veículo e fugir dali. Chamaram a polícia em um posto de gasolina, que começou as buscas.

A busca foi intensa e, horas depois, Cardenas foi encontrado na mesma rodovia, mas dizia não se lembrar de nada. Ele foi interrogado por um agente da polícia que classificou seu relato como sendo um contato imediato de terceiro grau. Também foi examinado no hospital e submetido a um teste de radioatividade. Os resultados foram negativos e ele foi liberado. No dia seguinte foi feito outro exame meticuloso que revelou que Cardenas tinha 108 marcas de queimaduras pequenas por todo corpo. Dias depois ele começou a ter sintomas estranhos, como transpiração excessiva, muita sede, mudanças violentas de temperatura, cheiro forte de enxofre, perda de memória e aumento no desejo sexual.


Depois disso acabou se tornando uma personalidade no ambiente paranormal, ao afirmar que recebia mensagens de extraterrestres e tinha o poder de visão em raio-x (ver através de paredes, por exemplo). Por muito tempo nos anos 80 foi uma celebridade instantânea na mídia norte-americana.

O caso Filiberto Cardenas permanece sem solução e explicação plausível. Todas as testemunhas mantiveram suas versões dos fatos sem modificar em nada suas versões. Ainda não é possível entender se o ocorrido poderia ter sido um fato ou uma farsa. O caso permanece aberto como um clássico da ufologia.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A incrível história do outro homem da máscara de ferro...

Quase todo mundo conhece a história que se passou na França, do homem com máscara de ferro. Inicialmente imortalizada pelo folhetim diário, há alguns anos foi encenada por Hollywood cujo papel principal coube a Leonardo DiCaprio. Recentemente, escrevi sobre essa história bem popular na Europa. Confira clicando aqui!


Poderá o homem dar uma volta ao mundo sem mostrar o rosto? Esta foi uma daquelas perguntas fúteis que surgiu entre os membros do London National Sporting Club, em 1907. John Pierport Morgan, um milionário americano criador da famosa agência financeira J. P. Morgan, e Lord Donsdale, discutiam a questão, cuja concretização Donsdale, contrariamente a Morgan, considerava bastante possível.

A discussão resultou numa aposta de cem mil dólares – um valor extremamente alto para a época. Faltava apenas encontrar alguém disposto a tentar a proeza. Neste mesmo grupo encontrava-se Harry Bensley (foto abaixo), um playboy de 31 anos, com um rendimento anual de fazer inveja a qualquer rapaz; fez fortuna investindo em petróleo na Rússia e, para fugir do tédio daquele clube de homens, ofereceu seus préstimos à “loucura” da aposta.



Fixou uma série rígida de regras, a principal das quais estabelecia que, tal como o personagem do folhetim clássico de Alexandre Dumas, Bensley usaria sempre uma máscara de ferro. Além disso, empurraria um carrinho de criança, partiria com somente uma libra no bolso (o que hoje seriam dez reais) e não levaria mais nada além de uma muda de roupa numa sacola de couro. Vale lembrar que, em 1907, todo o dinheiro que o bon-vivant tinha não adiantaria de nada, uma vez que não havia cartões de crédito internacionais e caixas de saque eletrônico. Esta aposta mais parecia uma missão impossível.

Harry Bensley tinha de atravessar um número determinado de cidades inglesas e 125 lugares em 18 países. Devia ainda arranjar casamento durante a jornada, e a mulher não deveria ver o seu rosto. Para financiar todo esse empreendimento, venderia cartões postais em estações de trem. Como garantia do cumprimento de todas essas regras, uma escolta paga iria acompanhá-lo à distância.

No dia 1º de janeiro de 1908, usando um elmo de ferro com mais de dois quilos e empurrando um carrinho de bebê com rodas altas, com mais de 90 quilos, Harry partiu da Trafalgar Square, no centro de Londres, aplaudido por uma multidão.


Chegou a se encontrar com o Rei Eduardo VII em uma corrida de cavalos. Vendeu-lhe um postal. O rei, achando divertida a história, pediu-lhe um autógrafo, mas Harry recusou a fim de que sua identidade não fosse revelada. Em outra cidade foi preso por vender postais sem licença da prefeitura; em frente ao juiz, recusou-se a tirar a máscara, o que irritou o magistrado. Harry explicou a aposta divertida, então o juiz somente lhe deu uma multa, escrevendo na sentença que aquele era “o outro homem da máscara de ferro”.

Harry Bensley passou seis anos empurrando o tal carrinho e vendendo postais em doze países, passando por Nova York, Montreal, Sydney etc. Conseguiu mais de 200 propostas de casamento, muitas delas de mulheres bastante ricas e curiosas com a identidade do sujeito.

Em agosto de 1914 chegou a Gênova, na Itália, faltando passar por mais seis países, quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial. Patriota, achou certo abandonar a brincadeira e se alistar. Os apostadores consentiram em parar com a tal brincadeira e deram a ele um prêmio de consolação de quatro mil libras, que foi doado a obras de caridade.

Foi um dos afortunados que sobreviveram à guerra e à gripe espanhola, mas em 1917 viu sua boa vida ruir com a Revolução Russa, quando seus empreendimentos de petróleo foram estatizados. Harry Bensley conseguiu completar a façanha de viajar sem nunca ter sido reconhecido, sem tirar a máscara e conseguir a proposta de casamento. O outro homem da máscara de ferro entrou para a história.

Bensley, entretanto, caiu na miséria com esse golpe contra suas finanças. Morreu em um quarto de pensão alugado em 1956, num subúrbio perto de Londres, totalmente esquecido.

sábado, 24 de novembro de 2012

Você conhece os laços da maçonaria com o judaísmo?

Muito se fala da maçonaria como uma “sociedade secreta” que estaria por trás de uma enorme conspiração para comando do mundo. Também as correntes antissemíticas dizem a mesma coisa em relação aos judeus: desde a farsa dos “Protocolos dos sábios de Sião” há esse costume de afirmar que os judeus estariam controlando crises planetárias e comandando terríveis cartéis. São muitas conspirações e pouco estudo sério em relação a isso. À luz da razão, será que existe alguma ligação entre um e outro?



Para quem não sabe, muitos dos princípios éticos da maçonaria foram inspirados no judaísmo a partir do Antigo Testamento. Historiadores explicam que alguns ritos e símbolos dessa sociedade recordam episódios tais como: o Templo de Salomão, a estrela de Davi, o selo real de Salomão, os nomes dos diferentes graus maçons etc. Entretanto, isso não significa que os maçons e os judeus estejam em uma trama diabólica para comandar o planeta; vale ressaltar que a maçonaria foi instituída na Europa durante a Idade Média, portanto é bem natural elementos judaico-cristãos em sua cultura.

Uma das principais datas dos judeus é o Chanukah, ou Festa das Luzes, comemorado próximo ao Natal cristão, que lembra a vitória do povo de Israel sobre aqueles que tinham feito desta religião um crime capital, por volta do ano de 165 d.C. Assim, dizem que houve um milagre quando o combustível para acender as velas durou vários dias enquanto a quantidade era mínima. A luz também é um dos principais símbolos da maçonaria, uma vez que representa o espírito de Deus, a liberdade de credo religioso, o esclarecimento, a razão e a intelectualidade.

Para os maçons, a luz é da razão última das coisas, para onde o ser humano deve caminhar, saindo da total ignorância (escuridão) para a sabedoria (iluminado). Desta forma, por buscarem um aperfeiçoamento de si mesmos, os maçons são, também, chamados de “filhos da luz”.


Outro símbolo compartilhado entre ambos é o Templo de Salomão. Ele é uma das partes centrais da religião dos judeus, cujo novo Messias deverá reconstruí-lo em toda a sua glória. Já na maçonaria, Salomão aparece como um homem forte e astuto, cujo templo simboliza a força, a determinação, os construtores, pedreiros e arquitetos.


É interessante pontuar que em 1934, Adolf Hitler afirmou que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer junto com os judeus. O ditador nazista era avesso à maçonaria por temer os planos que poderiam ocorrer por lá para depô-lo do poder. Desta forma, junto com as sinagogas, as lojas maçons foram saqueadas na Alemanha, na Noruega, na França e na Bélgica. Mais de 300 mil livros de bibliotecas maçons foram queimados junto a registros históricos importantes. Finalmente, em 1938, o Partido Nazista Alemão lançou um manifesto colocando-se totalmente contra a maçonaria e colocando seus membros ao mesmo nível dos judeus, ciganos e comunistas.

Oficialmente, a religião judaica não tem um posicionamento oficial sobre a maçonaria. Entretanto, nas últimas décadas, principalmente nos Estados Unidos, vários judeus têm se destacado neste clube de serviços – o que só faz aumentar ainda mais a densidade de teorias conspiratórias absurdas e sem fundamentos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A história controversa do crânio de Piltdown...

A partir do momento em que Darwin (foto abaixo) publicou a sua polêmica obra “A origem das espécies”, em 1859, todo o mundo científico ficou interessado na descoberta do famoso elo que faltava para provar a sua teoria de que temos um parentesco com o macaco. Essa teoria ainda é extremamente controversa, principalmente entre os religiosos, e os cientistas dizem que o “elo perdido” é questão de saber procurar mais e melhor.


Decorreram 50 anos de pesquisas, mas em 1912 os darwinistas parecem ter triunfado, de uma saibreira perto de Piltdown Common, na Inglaterra, foram desenterrados fragmentos de ossos e dentes de um ser, semi-humano, que vagueara a Terra há meio milhão de anos. O descobridor foi Charles Dawson, um advogado respeitável, geólogo amador e profundamente interessado na descoberta de fósseis. Foram enviados os achados para o paleontologista, Arthur Woodward, do Museu Britânico; animado, ele também seguiu para Piltdown para acompanhar as escavações que descobriram mais restos antigos do semi-homem.

Junto aos restos do semi-homem foram encontrados, também, vestígios de macacos. Ao que tudo indica, em 1912, finalmente havia sido descoberto o “elo perdido”: um ser com comportamento quase humano, mas aparência de macaco.


Foi feita a pesquisa à época e descobriram se tratar de uma mulher com comportamentos vegetarianos. A imprensa tradicional debochou, falando que não era nada humana: não falava, não cozinhava, não comia carne, não fazia nada. Será que era uma grande farsa científica? Aparentemente, não.

Com essa descoberta, Charles Dawson estava prestes a levar o Prêmio Nobel. O Museu Britânico decidiu dar à mulher de Piltdown o nome do seu descobridor: Eoanthropus dawsoni, ou “o homem primitivo de Dawson”. Enquanto isso, a sorte ia de vento em popa para este pesquisador: mais dentes e outros restos iam sendo encontrados naquela saibreira até 1915. Tudo muito manchado, como se estivesse enterrado num lamaçal por muitos séculos.

Em 1916, Dawson morreu jovem aos 52 e as descobertas cessaram. A equipe que trabalhara com ele desistiu de mais buscas na área por outros possíveis elos perdidos. Entretanto, aí começou a confusão: o professor David Waterston disse que o maxilar da criatura de Piltdown era extremamente similar ao de um chimpanzé! Para piorar a situação, o paleontólogo americano William Howells sugeriu que um visitante entrou no escritório de Dawson sem bater e o viu pintar os ossos com uma tinta ferrosa envelhecida.




O meio científico ficou extremamente abalado com a suspeita e setores religiosos começaram o discurso de que já sabiam que a teoria de Darwin era falsa e impossível de ser comprovada. Os paleontólogos decidiram, então, fazer uma raspagem e aprofundar o estudo.

Somente em 1949 que o geólogo Kenneth Oakley foi autorizado a retirar amostras dos ossos e datá-los. Quando ossos absorvem flúor do solo e da água, é possível saber por quanto tempo estiveram debaixo da terra. As experiências mostraram que os ossos de Piltdown tinham 50 mil anos, o que deixou a comunidade científica incômoda, pois o correto seria ter mais de 500 mil anos.

Infelizmente, aos poucos, os cientistas foram descobrindo que a fantástica descoberta do elo perdido da mulher de Piltdown era uma elaborada farsa forjada por Dawson. Tratava-se do crânio humano de uma criança com dentes humanos raspados com lima, implantados num maxilar de macaco. Realmente havia tinta ferrosa nas amostras para que parecessem mais velhas. Em 1953 a comunidade científica comprovou que Charles Dawson (foto abaixo) tinha promovido uma fraude muito séria.


Por conta disso explica-se que após a sua morte, em 1916, nenhum membro da equipe encontrou outros fósseis em Piltdown e as pesquisas cessaram. Neste embuste, só quem tinha a ganhar era Dawson: mais reconhecimento e até mais dinheiro. Outros dizem que sua intenção era mostrar que o Museu Britânico não tinha uma metodologia de confirmação de achados muito boa.

Seja como for, a história do crânio de Piltdown fez com que Charles Dawson entrasse para os anais da história natural não como um grande nome, mas sim um nome manchado e destruído.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A provável história (verdadeira) do lendário Robin Hood...

Um grande herói que se confunde com a própria história do Reino Unido da Grã-Bretanha. Justo e justiceiro, era um anti-herói, roubando dos ricos para distribuir entre os pobres. Para os nobres, um terrível criminoso; para os miseráveis, um verdadeiro santo. Robin Hood chegou até os dias de hoje como uma lenda quase viva graças ao cinema, aos livros, aos gibis e à televisão. Mas será que este homem realmente existiu?

Segundo nos reza a lenda, Robin Hood viveu nos tempos do Rei Ricardo Coração de Leão (foto abaixo), também conhecido como Ricardo I, que governou a Inglaterra durante a Idade Média, entre 1189 e 1199. Robin era extremamente ágil no arco e flecha, vivendo escondido na floresta dos arredores de Sherwood (fotos abaixo) (local que, desde o século 17, atrai turistas justamente pela fama por trás da lenda).




De acordo com o que chegou até nós pelo folclore inglês, ele e seu grupo vagueavam na floresta como um acampamento cigano, ou seja, sem residência fixa e sempre fugindo das autoridades. Por supostamente roubar caravanas de comerciantes ricos e distribuir a rés furtiva entre os miseráveis, ganhou o status de um dos maiores heróis ingleses e a alcunha de “príncipe dos ladrões”.

Vale lembrar que naquele período a pobreza era extrema entre os feudos de toda Europa. A população trabalhava para pagar impostos aos senhores feudais, à realeza e à Igreja, além de dividir parte da produção agrícola de subsistência. A miséria, a fome e a doença eram companheiras constantes dessa população; é por isso que esta figura teria se tornado popular por defender uma camada social até então “invisível” nas prioridades dos governantes.


Como nos conta a lenda, Robin Locksley, filho do Barão Locksley, é um cruzado que vê sua família ser destruída pelos ministros do Rei Ricardo I. Não tendo onde morar, ele encontra um grupo de homens que vivem na floresta e os lidera em uma batalha contra aquele regime. Ele quer reaver sua posição nobre e também ajudar aos que se tornaram pobres graças a ganância da nobreza.

É importante pontuar, que naquele tempo, era bastante comum algumas pessoas viverem nos bosques – mesmo sob o risco de morte iminente em invernos extremamente rigorosos. Essas pessoas eram consideradas errantes porque não estavam inseridas no que se entendia por civilização, uma vez que não pagavam os impostos e nem iam à igreja.

Na história, Robin Locksley ganha o apelido “hood” por usar um tipo de chapéu com pena, cujo nome é em inglês. Ele vence os nobres de John e casa-se com a sobrinha de Ricardo Coração de Leão. O “príncipe dos ladrões” volta à nobreza sendo aclamado cavaleiro.


Uma das primeiras referências a Robin Hood é um poema épico conhecido como “Piers plowman”, escrito por William Langand em 1377, portanto já em tempo bastante distante dos fatos, em uma época que a narrativa oral era muito recorrente – quem conta um conto, sempre aumenta um ponto. Em 1400 já era uma lenda bem comum em toda Inglaterra

Para quem vive atualmente em Nottingham (foto abaixo), cidade no centro do Reino Unido, e que serviu de cenário para a maior parte dos encontros e desencontros do grupo, Robin continua vivo. Além de várias estátuas, há ruas batizadas com nomes de personagens do folclore, além de um festival anual dedicado a ele. Há até uma possível sepultura, onde está escrito em inglês arcaico: “Aqui jaz Robard Húdhe”.



De acordo com os historiadores, a existência de um Robin Hood não pode se embasar em folclores, mas sim em documentos. Muito do que se tem de material, como a tal sepultura, foi forjado no século 15. Segundo os registros de comparecimento aos tribunais, podem ter existido vários “príncipes dos ladrões” na mesma época; há pelo menos seis homens diferentes que, nestes registros, afirmam ser Robin Hood. Talvez eles tenham se apropriado da fama de anti-herói.

Existem muitos candidatos a ter em conta, e se quiser acreditar que Robin existiu. De acordo com a investigação de Joseph Hunter, em 1852, Robin era Robert Hood e tornou-se fugitivo por ter ajudado o Conde de Lancaster, que se rebelara contra a cobrança abusiva de impostos do Príncipe João, que por sua vez, usurpara o trono de seu irmão, o Rei Ricardo. Em 1998, Tony Molyneux-Smith publicou um livro onde sustenta que a origem da lenda é Robert Foliot, lorde de uma família que escolheu usar o nome de Robin Hood para esconder a sua verdadeira identidade como proteção numa sociedade violenta.


Em todos os casos, o herói escolheu a vida clandestina da floresta depois de ter sido injustiçado e a sua opção faz escola, acabando por formar um exército com o qual se opõe à maldade que o rodeava. Os pobres veem-no como livre e generoso, os ricos e poderosos temem-no. Na história de Pyle, tal como em muitas outras, Robin veste de verde, maneja o arco como ninguém, não teme nada e vive livre e feliz, rodeado de amigos que se ajudam a cada nova ameaça.

A lenda espalhou-se primeiro nas baladas medievais, passou aos poemas e chegou ao teatro. A história foi escrita, ilustrada, encenada e filmada vezes sem conta até se tornar eterna. Mas como notou o escritor Roger Lancelyn Green, foi só no final do século 18, depois de as baladas, romances e peças antigas serem coligidas e reimpressas por Joseph Ritson, um amigo de Walter Scott, que Robin Hood entrou realmente na literatura.

sábado, 17 de novembro de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (13)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Você sabe como surgiu a mão do trânsito?
Pelo menos no Brasil tudo começou com a confusão de carruagens na cidade do Rio do século 19. Em 1847, o governo da cidade expediu uma lei indicando a orientação de direção das carruagens e, com isso, foram instaladas nas esquinas grandes placas com um dedo apontando qual a direção a rua seguia. Foi assim que surgiu a expressão “mão do trânsito” e “contra-mão”.


A palavra “matrícula” tem alguma coisa a ver com mãe?
Tem sim. Em latim, a palavra “mater” gerou “mãe” em português, mas também “matrix”, que também em nosso idioma gerou “matriz”. Na verdade, “matrícula” é o diminutivo de “matrix”, que significava o registro documental daquela matriz em especial.

Meia-tigela...
Dizer que alguém é de meia-tigela significa que ela não é só incompetente, bem como tem pouco valor e esmero. Tudo começou no século 19, quando a corte portuguesa chegou ao Rio de Janeiro. Os cortesãos que não moravam na Quinta da Boa Vista eram alimentados no “local de trabalho”. No entanto, tudo seguia regras bem estabelecidas segundo o protocolo real e a refeição dependia do valor do trabalho do indivíduo dentro da corte. Assim, havia pessoas que comiam tigela inteira e outras que comia só metade da tigela, os trabalhadores mais ralés da corte joanina.

O que a montanha-russa tem a ver com a Rússia?
Tudo começou na França, que exportou a ideia da Alemanha – lá se chama “Rutschenberg”, ou seja, “montanha escorregadia”. A brincadeira começou há muitos séculos nas montanhas geladas da Rússia czarista; as crianças entravam em trenós e desciam as colinas no incrível sobe e desce. No século 18, surgiu a primeira montanha-russa com rodas, em São Petersburgo, para que todos continuassem brincando até mesmo no verão. A primeira montanha-russa inaugurada fora da Rússia, com rodinhas e sobe e desce, foi inaugurada em Paris em 1816.


O que o morcego tem a ver com os ratos?
Diz a lenda no interior do Brasil que os morcegos são ratos que ficaram velhos e passam por uma metamorfose criando asas. Essa ideia não foi criada aqui, mas na Europa há muitos séculos, pois “morcego” vem do latim “mur” (rato) + cego. Em francês o morcego chama-se “chauvessouris”, ou seja, “rato careca”.

Qual a origem do motel?
Os motéis tiveram origem nos Estados Unidos, mas seu uso por lá é bem diferente do uso por aqui. “Motel” é uma corruptela de “motor hotel”, um hotel barato e simples à beira das estradas para motoristas descansarem. É comum vermos vários deles em filmes de Hollywood. No Brasil eles também se instalaram em beiras de estradas, mas com o uso rápido para encontros amorosos furtivos, com diária de quatro horas, em média. Nos Estados Unidos cobra-se o pernoite.

O que os nossos músculos têm a ver com os ratos?
A palavra vem do latim “musculu”, que significa “ratinho”. “Mus” é “rato” em latim. Esse duplo sentido veio da Grécia, onde “myós” significava tanto rato quanto o músculo. Daí veio em português “miocárdio”, o músculo do coração. Em razão dos seus movimentos rápidos de contração e distensão é que o músculo acabou associado ao rato.

Natal...
A origem da palavra vem do latim “natale”, forma reduzida de “natale dies”, ou “dia do nascimento”. Em inglês, “Christmas” veio da junção “Christ” (Cristo) e “Mass” (Festa da eucaristia). É por isso que a palavra “Natal” não tem nada a ver propriamente com Jesus Cristo, significa gramaticalmente somente a data de nascimento. Na Roma Antiga, todo mundo tinha seu “dia de natal”.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O protocolo do judaísmo: a maior fraude da história...

Num dia de verão de 1903, os cidadãos de São Petersburgo, então capital da Rússia, ficaram alarmados com as notícias publicadas nos jornais da manhã, segundo as quais fora desmascarada uma sinistra organização por um reduzido grupo de homens que permitiria a estes assumirem o poder e governarem todo o mundo. As cidades seriam bombardeadas e os oponentes eliminados através da inoculação de terríveis doenças. Parece sinopse de filme de ficção científica, mas realmente aconteceu o fato descrito.

Foi assim que nascera o mito da grande conspiração judaica. Atualmente, todas as afirmações perderam crédito e consistência, mas a verdade é que muitos russos acreditaram nessa história, que em pouco tempo se alastrou pela Europa e chegou a outros países. Na época que Hitler subiu ao poder na Alemanha, trinta anos depois, ela ainda era aceita como verdadeira...


Estamos falando de uma falsificação chamada “Os protocolos dos sábios de Sião”, que preparou o terreno para os pogroms e o assassinato de milhões de judeus durante os anos da Segunda Guerra Mundial. Atualmente, o documento é tido como a maior fraude da história.


O artigo do jornal de São Petersburgo intitulava-se: “Um programa dos judeus para a conquista do mundo. Minutas de um encontro de chefes do judaísmo”. O editor do jornal, um conhecido antissemita, não revelou a fonte da sua informação, mas afirmou tratar-se de uma tradução de um documento originalmente escrito em francês. A falsificação apresentava-se como uma série de conferências, nas quais um membro de uma sociedade secreta judaica expunha o plano da sua conspiração para alcançar o domínio mundial. Este ambicioso plano aparentemente já começara a ser executado.

Na realidade, sociedades secretas sempre foram mal vistas por governos e pela Igreja. O desconhecido sempre causa certo desconforto naquele de detém a hegemonia – social, cultural e econômica.

De acordo com o suposto documento, na primeira fase, as democracias seriam minadas e a moral cristã desacreditada, tudo através de propaganda. Os homens de negócios judeus provocariam uma crise de insegurança industrial e aumentariam os preços. Por fim, entrariam em cena as bombas biológicas disseminando doenças terríveis entre os não-judeus. Esse “documento” descoberto tornou-se tão aceito que em 1905, dois anos após sua publicação, ele era lido em igrejas e nas escolas para que a população soubesse o que poderia acontecer futuramente e já se precavesse estando de olhos abertos contra vizinhos judeus.


Depois da Primeira Guerra Mundial, que terminou em 1918, os tais protocolos ganharam a Europa. Foram publicados em jornais ingleses e a primeira edição alemã, de 1920, vendeu instantaneamente mais de cem mil exemplares.

Recentemente, publiquei um outro post falando um pouco sobre os protocolos e quem poderia tê-lo criado e como ele foi escrito. Você pode ler clicando aqui!

Desde os tempos medievos, os judeus eram mal vistos em toda a Europa. Em uma sociedade religiosa ao extremo, eram culpados pela morte de Jesus. Em um período bem pobre, eram acusados de ganância por viverem do comércio e dos juros. Durante a peste bubônica, foram acusados de envenenarem as fontes e espalharem a morte por todo o continente. Nos tempos da Reforma Protestante, Lutero escreveu um livro acusando-os de vários males. A partir desta estranha base preconceituosa de séculos que os protocolos foram falsificados e espalhados por todo o mundo.



terça-feira, 13 de novembro de 2012

Considerações sobre Vlad III, o Empalador, famoso “Conde Drácula”

A história de vampiros sempre tem um referencial, uma figura muito popular em nossa cultura graças à literatura e ao cinema: o tão famoso Conde Drácula. Muitas pessoas não sabem que ele “existiu”; entre aspas, pois os autores só tomaram como referencial um personagem sombrio da história: Vlad III, príncipe da Valáquia, conhecido popularmente como Vlad Empalador. Ele governou uma parte do que hoje é a Romênia por três períodos: em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476. Suas histórias são tão surpreendentes que renderam a ele esta fama bizarra.


Recentemente, escrevi sobre o Conde Drácula, personagem mais famoso dos contos. Leia clicando aqui!

Recentemente, publiquei um post falando sobre o gosto por contos de terror e fantasmagóricos. Para ler, clique aqui!

Vlad vem de uma linhagem familiar extremamente religiosa. Extremamente cristão, ele lutou bravamente contra o expansionismo islâmico na Europa. É uma farsa a história de que ele tenha feito pactos satânicos, muito pelo contrário;

Por sua bravura contra os invasores, é considerado um grande herói nacional, atualmente, na Romênia e na Moldávia. Mesmo sendo bem cruel e sádico com seus prisioneiros, era admirado pelos seus súditos por ser justo e guerreiro;

Tinha uma religiosidade tão ardente que ergueu vários mosteiros e igrejas por toda Romênia. Desta forma, ele queria mostrar aos otomanos que a fé cristã era inabalável e, portanto, invencível. O objetivo era causar impressão;

A lenda da sua imortalidade se deu por Vlad III se parecer muito com o seu pai, Vlad II, morto em uma batalha contra os invasores húngaros em 1447. Por ser muito religioso, a população costumava dizer que ele vencia todas as batalhas por ser imortal com ajuda de um escudo divino;

Seu sobrenome romeno, Draculea, para nós Drácula, significa “filho do dragão”. Isso porque seu pai era membro de uma ordem religiosa cujo símbolo era um dragão. Atualmente, em romeno contemporâneo, “dracul” significa “diabo”;

Ganhou a alcunha de “empalador” porque tinha em seu hábito matar inimidos através do empalamento (morte lenta e extremamente violenta, bastante usada na Europa do Leste naqueles tempos). A intenção era chocar os otomanos quando vissem seus guerreiros pendurados em estacas nos campos de batalha à mercê da morte e do tempo. Por isso ganhou a fama de cruel;


Para quem não sabe, o empalamento é um método de homicídio que consiste em matar a pessoa enfiando-lhe uma estaca pelo ânus até a boca. O indivíduo morria aos poucos de hemorragia, ou sufocamento;

Era um comandante de talento, mas ele conseguiu grande parte das suas vitórias com choques psicológicos, como empalar em um campo aberto mais de 300 soldados turcos para que o reforço otomano, quando chegasse, tivesse uma surpresa desagradável daquilo que os esperava;

Há relatos de que um dos passatempos de Vlad III era capturas pássaros e camundongos para torturá-los, mutilá-los, esfolá-los e empalá-los. Entretanto, não há registro historiográfico destas práticas;

10º Foi morto numa batalha em situações controversas. Há registros de que poderia ter sido assassinado por soldados insatisfeitos, ou até mesmo morto acidentalmente. Foi decapitado e sua cabeça exposta como troféu na cidade de Constantinopla como um exemplo da fé muçulmana vencendo o cristianismo;

11º Foi enterrado num monastério. Entretanto, em 1931, arqueólogos que fizeram a exumação do corpo descobriram que se tratava de ossos de animais;

12º Há o registro de que, certa vez, mensageiros mouros chegaram à Romênia trazendo mensagem no sultanato. Vlad III ordenou que eles tirassem seus turbantes. Contudo, eles se recusaram em referência ao respeito de sua cultura. Com isso, ele ordenou que pregassem os turbantes nas cabeças dos mensageiros;

13º Há lendas que nunca foram comprovadas. Teria conseguido conseguiu reduzir os furtos cortando a mão do ladrão. Teria também conseguido acabar com a pobreza em um dia, quando convidou todos os pobres do reino para um jantar em seu palácio e, ao chegarem, foram trancados em um recinto onde Vlad ateou fogo.


A história de Vlad Empalador mostra muito do reflexo daqueles tempos de medo envolvendo o desconhecimento do outro. Em nome de uma fé incondicional as pessoas cometiam atrocidades gigantescas. Podemos dizer que grande parte destas lendas envolvendo o príncipe e seus súditos podem ser farsa, ou ele jamais seria o herói nacional da Romênia.



sábado, 10 de novembro de 2012

Chemtrail: teoria da conspiração ou um fato que pode causar preocupação?

Quem mora no Rio de Janeiro conhece bem aquela história: quando se é criança e vê uma trilha de nuvens no céu, sempre associa a uma instituição bem bacana, dizendo: “Olha, a Esquadrilha da Fumaça passou ali”. Nem sempre realmente é a Esquadrilha da Fumaça, pois ela só realiza voos em comemorações públicas durante seus shows incríveis. Quase todos os aviões deixam para trás aquela trilha que parece uma nuvem.



Entretanto, há quem diga que essas nuvens têm um sentido muito maior do que podemos supor. Para a teoria da conspiração, o nome disso é chemtrail – do inglês “chemical trail”, ou “trilha química”. Quem crê nisso sustenta que os rastros deixados por alguns aviões são, na verdade, agentes químicos ou biológicos, deliberadamente pulverizados a grandes altitudes, com propósitos que seriam desconhecidos do público e causando danos à saúde e à agricultura.

A teoria da chemtrail ganhou força com a internet, mas ela existe desde o início dos anos 80, quando ainda convivíamos com a Guerra Fria, o embate ideológico e político entre as duas grandes potências da época, Estados Unidos e União Soviética. De acordo com alguns sites, a atividade da chemtrail é coordenada por setores de alguns governos, principalmente o norte-americano e o israelense; eles citam o documento “Weather as a force multiplier: owning the weather in 2025”, sugerindo que algumas potências estariam conduzindo experimentos secretos de mudanças climáticas. De fato, esse documento fazia parte de um trabalho acadêmico que consistia em delinear uma estratégia de uso de um futuro sistema de mudança do tempo, com objetivos militares.

Além da mudança climática em si, os crédulos desta teoria da conspiração apontam que a chemtrail também teria o objetivo de prejudicar a agricultura em algumas partes do planeta, principalmente entre inimigos públicos de determinados países. Desta forma, aviões secretos despejariam agentes químicos e biológicos nas plantações que provocariam dois efeitos: (1) perda da safra e da colheita, ou (2) doenças bem graves na população que consumisse esses gêneros contaminados.



A existência das chemtrails tem sido repetidamente negada pelos governos e pelos cientistas mais renomados de todo mundo, alegando que esta é uma teoria sem nenhum crédito e embasamento. A Força Aérea dos Estados Unidos nem mesmo se preocupa em dar declarações sobre essas acusações, alegando ser total perda de tempo. Departamentos de meio ambiente da Inglaterra e do Canadá já vieram a público explicar que os rastros químicos são fantasia, lenda urbana.

Apesar do status de lenda urbana e teoria da conspiração em cima das chemtrails, muitos estrategistas de guerra apontam que esta pode ser uma das táticas usadas numa guerra de enormes proporções, uma vez que demanda pouco uso de pessoal e a economia de dinheiro é grande.




No geral, podemos afirmar que os rastros químicos com objetivos específicos de guerra química ou biológica são teoria da conspiração sem embasamento, frutos ainda bastante vivos dos tempos em que nossos pais e avós viviam em uma eterna psicose de uma Terceira Guerra Mundial, quando as duas maiores potências faziam de tudo para superar a outra e descobrir o que a outra estava fazendo nesse meio caminho. Pesando na balança da racionalidade, as chemtrails são farsas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Estrela de Belém: um mistério astronômico no seio da religião...

Todo mundo, mesmo não sendo cristão, já ouviu falar na Estrela de Belém, um ocorrido astronômico que, de acordo com o Evangelho de Mateus, anunciou não só o nascimento de Jesus, como também guiou os Reis Magos até o local onde ele estava. Atualmente há uma grande controvérsia entre os estudiosos: teria sido um fenômeno paranormal milagroso, ou um Ovni, ou simplesmente um evento previsto pela astronomia e totalmente explicável atualmente?


Desde o início da humanidade como uma sociedade organizada, as estrelas serviam como um mapa. Astrologia e astronomia se confundiam. A disposição das constelações no céu mostrava as estações do ano, eclipses, caminhos para navegação e, também, presságios de mortes, guerras, pestes e grandes nascimentos. Na época que Jesus teria nascido não era diferente: registros demonstram que era uma prática entre astrólogos interpretar fenômenos astronômicos como anúncio do nascimento de reis. Existem várias teorias entre os teólogos sobre a natureza desta estrela. Contudo, é consenso que sua aparição alude à estrela de Jacó (Nm 14,17) que foi profetizada por Balaão.

O contexto bíblico da narrativa...
Após o nascimento de Jesus, Herodes ainda governava a Judeia, que à época era uma das províncias mais pobres do gigantesco Império Romano, junto com toda a área da Palestina. De acordo com a Bíblia, chegaram do Oriente a Jerusalém três magos que perguntaram sobre o nascimento de um rei dos judeus. Vale ressaltar que, no original grego, “mago” está “mägoi”, que ficaria mais bem traduzido como “sacerdote astrólogo”. Disseram eles que viram sua estrela, que não seria comum, visto que seguia um percurso estranho do Oriente para o Ocidente, sempre adiante deles.

Seria um ponto luminoso que ao observador comum se pareceria uma estrela, e permitiria ao Rei Herodes achar o futuro rei dos judeus. É importante salientar que, segundo a Bíblia, Herodes tinha forte intenção de assassinar o menino Jesus. Portanto, a julgar pelo fato de que a estrela não conduziu os Reis Magos diretamente ao menino Jesus e sim para o seu assassino, dificilmente ela teria origem divina.


É importante pontuar que a Estrela de Belém, na realidade: (1) guiou os magos a alguém que quis matar Jesus, e só depois os levou até onde realmente estava o bebê; (2) a Bíblia aponta que um anjo anunciou o nascimento de Jesus, não uma estrela – que só os referidos Reis Magos conseguiam ver, e como eles eram astrólogos, então somente eles entendiam que aquilo era um fenômeno incomum; (3) existe a teoria de que eles praticavam a astrologia, que é severamente condenada pelo Deus judaico-cristão, no entanto isto ainda é uma teoria meramente especulativa.

Um cometa, uma supernova, um alinhamento de planetas?!
A primeira explicação astronômica que se procurou dar para a Estrela de Belém foi que teria sido um cometa. Astrônomos do século 16 propuseram o famoso cometa Halley como a estrela. Essa imagem ainda é muito forte no imaginário popular, onde frequentemente a estrela é representada como uma estrela com cauda, como realmente é um cometa. Hoje sabemos que o cometa Halley apareceu no ano 12 a.C., muito cedo para estar associado ao nascimento de Jesus. E nenhum dos cometas conhecidos, segundo os dados hoje catalogados, passou na Judeia capaz de ser visto a olho nu, entre 7 a.C. e 1 d.C.

Astrônomos chineses, entretanto, registraram uma “nova estrela” na constelação de Capricórnio no ano 5 a.C. Essa “nova estrela” poderia ser um cometa ou uma estrela explodindo, uma vez que os registros não nos dizem se ela se movimentava em relação às estrelas de fundo. Ao fenômeno de “explosão de uma estrela” os astrônomos chamaram de supernovas.


Recentemente, publiquei um outro post sobre a história envolvendo a Estrela de Belém. Para ler, clique aqui!


No ano 7 a.C., houve uma conjunção planetária entre Júpiter e Saturno. Esses planetas se aproximaram no céu (mas não o bastante para serem confundidos como um único objeto), na constelação de Peixes, nos meses de maio, setembro e dezembro. Aqueles que acreditam ser essa conjunção a Estrela de Belém argumentam que os magos viram a primeira conjunção em maio, e iniciaram a jornada. Durante a segunda conjunção, em setembro, chegaram a Jerusalém e durante a terceira conjunção, em dezembro, chegaram a Belém. Em fevereiro de 6 a.C., houve uma grande aproximação (quase uma conjunção planetária) entre Júpiter, Saturno e Marte também na constelação de Peixes.

Em setembro de 3 a.C., Júpiter se aproximou de Régulo, a estrela mais brilhante da constelação de Leão. Essa constelação era considerada a constelação dos reis naquela época. Além disso, o “novo leão jubado” estava associado à tribo de Judá. Em outubro, houve uma nova conjunção entre Júpiter e Vênus, na constelação de Leão. No ano 2 a.C., em fevereiro e maio, aconteceram outras duas conjunções entre Júpiter e Régulo. Em junho, houve uma conjunção planetária entre Júpiter e Vênus. Nesse mesmo ano, Júpiter realizou um loop no céu fazendo um movimento retrógrado, onde inverteu a direção de seu movimento em relação às estrelas de fundo – ficando então estacionário – no dia 25 de dezembro.

Entretanto, já é fato notório entre historiadores e teólogos de que Jesus não nasceu no mês de dezembro, mas muito no meio do ano – talvez entre maio e julho –, quando ocorria o censo romano e com temperatura amena na região para que ele pudesse sobreviver a um nascimento em um estábulo com pouca proteção do clima.


Outras teorias...
Outros teólogos encaram esta estrela como uma estrela teológica. Segundo eles, Mateus estaria fazendo uma interpretação de tradições e, por isso, não se refere a uma estrela literal, apenas no significado do nascimento de um personagem importante. De acordo com tradições antigas, pode se tratar de um anjo, ou ainda de um conglomerado de anjos que teriam recebido a missão de anunciar o nascimento de Jesus. As evidências bíblicas que relacionam estrelas a anjos são frequentes (Is 14:12-14, Ap 1:20, 12:4), o que explicaria a razão pela qual a estrela movia-se, detinha-se, aparecia e desaparecia de forma inusitada (Mt 2:9-11).

Uma das explicações mais estranhas vem dos adeptos da teoria dos deuses astronautas. Segundo eles, a Estrela de Belém poderia ser um Ovni que teria guiado os Reis Magos. Para eles, é muito suspeito o movimento errático e “inteligente” da estrela.

Uma das suposições mais bem explicadas e embasadas sobre a Estrela de Belém foi escrita pelo físico e astrônomo brasileiro Rogério Mourão, no volume “O livro de ouro do universo”. Com linguagem simples e atraente, o debate fica extremamente interessante. Fica a dica e vale a pena a leitura!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Existe um paraíso? Ideias antigas sobre a existência depois da morte...

Os conceitos de céu e inferno, e da vida após a morte, sempre fascinaram o homem. Todas as culturas tinham algo em comum: a promessa de uma vida tranquila aos justos após a morte e sofrimentos terríveis para aqueles que transgrediram as regras. A noção de um lugar para os mortos passarem a eternidade, ou até a reencarnação, pode variar muito segundo a cultura e lugar onde se vive: por exemplo, para os povos do deserto, o céu era um recanto com muitas árvores e florestas e o inferno, um deserto quente e cheio de tempestades de areia; já para os vikings, o paraíso era uma ilha com frutas frescas, sol, temperatura quente etc.


A palavra “paraíso” é de origem persa, e mais tarde adaptada pelos gregos, designava jardim, mais especificamente os jardins dos palácios persas. Nesta língua, ainda, Jardim do Éden significa literalmente “terra dos bem-aventurados”. Mais tarde, o cristianismo adotou a ideia de que o céu é o lugar para onde vão as almas dos homens justos e bondosos; em quase todas as culturas é justamente para lá aonde vão essas pessoas, o firmamento. Na religião hinduísta, o paraíso seria um mundo fora do planeta Terra onde os seres humanos seriam recompensados eternamente com desejos terrenos: boa música, festas, comida, sexo, ausência de dores e doenças etc.

O budismo não tem uma localização para o paraíso, somente dizendo que ele fica além do espaço sideral, onde a alma passa por vários estágios. Já o cristianismo se inspirou num paraíso misto, grego e hebraico. Do judaísmo veio a região celestial onde está Deus, da Grécia veio a viagem espiritual. Também a idéia dos sete céus – o sétimo é considerado o estado de felicidade plena – é grega. Do Eliseu, a morada dos bem-aventurados da mitologia grega, provém os Campos Elíseos, que estaria além-mar no Atlântico.


Recentemente, publiquei um post falando sobre a suposta gravação de sons do inferno. Para ler, clique aqui!

Recentemente, escrevi um texto explicando o que é e o que estuda a parapsicologia. Confira clicando aqui!

Recentemente, postamos um texto falando sobre os fantasmas, presença garantida em todas as culturas. Leia aqui!

Recentemente, falei sobre um livro polêmico no meio acadêmico: "E a Bíblia tinha razão". Para conferir o debate, leia aqui!


A visão do Valhala, a versão viking do céu, era ligeiramente menos pacífica. O Valhala era a mansão dos mortos nórdicos, com 450 portões tão gigantescos que, cada um, poderia permitir que 800 guerreiros passassem tranquilamente. No seu interior, Odin, o maior deus da mitologia, celebrava festas sem fim em honra a esses guerreiros. De acordo com a tradição, as Valquírias cavalgavam entre os mortos das batalhas escolhendo quem seria digno desta maravilhosa eternidade. Mesmo em festa, no céu viking os homens continuavam a combater entre si, mas em treino, para não perder o hábito e a coragem. Os indginos padeceriam em um inferno mais gelado que o Polo Norte, e totalmente escuro. Já na China antiga, havia vários céus e vários infernos. Dependia das condições de vida e de morte do indivíduo.


O islamismo, a mais recente das grandes religiões, descreve o seu paraíso com imagens bem vivas e terrenas: muitos jardins e fontes de água, comida abundante, frutas doces, virgens e muito sexo. Esta é a recompensa do mártir, hoje na figura dos homens-bomba: se morrem em nome de Deus, merecem tudo isso e muito mais. Enquanto isso, o budismo não crê em um paraíso, mas sim um ciclo de nascimento e morte, com reencarnações infinitas até que o ser humano se aperfeiçoe.

Já o inferno na cultura do Ocidente tem sido representado como um lugar de fogo, muitas torturas, sofrimento e escuridão. Mas, como foi dito anteriormente, tudo depende da cultura em que se vive. Antropólogos e teólogos confirmam a teoria de que o conceito de paraíso revela o que aquela cultura gostaria de ter porque tem carência (no caso viking, o paraíso tem calor e sol) e a condenação eterna, aquilo que atrapalha o desenvolvimento (como a escuridão e o frio extremo).

sábado, 3 de novembro de 2012

O caso da Ilha da Trindade, uma controvérsia na ufologia brasileira...

Recentemente, abordamos o caso referente ao conhecido mundialmente como “Roswell brasileiro”, a Operação Prato – post que você pode conferir clicando aqui. E hoje vamos falar sobre o caso da Ilha da Trindade, que se relaciona a uma suposta aparição de Ovni aos tripulantes do navio Almirante Saldanha, da Marinha, em janeiro de 1958. O caso acabou ganhando notoriedade por conta dos desencontros das fontes e insistência dos ufólogos de que a Marinha libere o que realmente sabe.

A Ilha da Trindade é uma possessão brasileira que, em conjunto à Ilha de Martim Vaz, está a cerca de mil quilômetros do litoral capixaba. Lá há uma base da Marinha coordenada por 32 homens, que sempre recebem pesquisadores de todo o mundo com o objetivo de estudarem biologia, meteorologia e oceanografia.



Como foi o caso...
Em 16 de janeiro de 1958, o fotógrafo Almiro Baraúna (ele morreu no ano 2000), então com 42 anos de idade, convidado pela Marinha para participar de pesquisas oceanográficas na Ilha da Trindade, teria feito, a bordo do navio-escola Almirante Saldanha, quatro fotografias de uma nave discóide sobre a ilha. O filme foi revelado ainda a bordo do navio, na enfermaria, improvisada como laboratório, mas devido ao pequeno tamanho do negativo, a suposta nave não pôde ser visualizada por nenhum dos presentes.

Dias após o desembarque no continente, Baraúna apresentou à imprensa as fotografias em positivo, ampliadas, alegando serem do tal objeto. Só duas pessoas, o capitão da Força Aérea Brasileira José Teobaldo Viegas e Amilar Vieira Filho, amigos de Baraúna, alegaram ter visto o disco, além do próprio fotógrafo.


Em 1967, Baraúna escreveu de que forma teria acontecido o avistamento. Segue abaixo o texto na íntegra:

Em 16 de janeiro de 1958, o navio-escola de guerra da marinha Almirante Saldanha estava atracado em uma enseada na Ilha Trindade, a umas 800 milhas da costa do Espírito Santo. Eram por volta das 11h, céu claro, a tripulação se preparava para retornar ao Rio de Janeiro quando de repente um grupo de pessoas na popa do navio, dentre elas o capitão-aviador aposentado da Força Aérea Brasileira José Viegas, alertou a todos. Instantaneamente, todos que estavam no convés, umas cinquenta pessoas, começaram a ver um estranho objeto prateado e com forma de pires que se moveu do mar na direção da ilha. O objeto não emitiu nenhum ruído, era luminoso e às vezes se movia rapidamente, depois devagar, para cima e suavemente para baixo e quando acelerava deixava um rastro branco fosforescente que desaparecia rapidamente. Em sua trajetória, o objeto desapareceu detrás da montanha Pico Desejado e todos esperavam que fosse aparecer do outro lado da montanha, ele reapareceu na mesma direção, parou por alguns segundos e então desapareceu novamente a uma grande velocidade pelo horizonte. Em um primeiro momento quando o objeto retornou, fui capaz de tirar seis fotos, das quais duas se perderam devido ao pandemônio no convés, e as outras quatro fotos mostram o objeto no horizonte, em uma sequência razoável, aproximando-se da ilha do lado da montanha, e finalmente desaparecendo, indo embora. Eu tirei o filme de minha câmera 20 minutos depois seguindo o pedido do comandante, que queria saber se as fotos eram de boa qualidade. Quase toda a tripulação do navio viu o filme e eram unânimes em seus reportes ao Serviço Secreto da Marinha Brasileira. Estes eram os tripulantes do navio: chefe Amilar Vieira Filho, banqueiro, mergulhador e atleta; vice-chefe capitão-aviador aposentado da Força Aérea Brasileira José Viegas; mergulhadores: Aluizio e Mauro; fotógrafo: Almiro Baraúna.
O grupo acima também era membro do grupo de caça submarina do Icaraí. Entre os cinco membros, apenas Mauro e Aluizio não viram o objeto porque estavam na cozinha do navio e quando correram para vê-lo, este já havia desaparecido. De acordo aos rumores que escutei no convés, o equipamento elétrico do navio parou durante a aparição do objeto; o que posso confirmar é que depois do navio deixar a ilha, o equipamento elétrico parou três vezes e os oficiais não tinham nenhuma firme explicação para o que estava acontecendo. Toda vez que o navio parava, as luzes esvaneciam lentamente até o ponto em que se apagavam completamente. Quando isso acontecia, os oficiais caminhavam ao convés com seus binóculos, no entanto, o céu já estava cheio de nuvens e não podiam ver nada. Preciso dizer que se o repórter do jornal ‘Correio da Manhã’ não fosse esperto o suficiente para tirar cópias das fotos oferecidas ao então presidente Juscelino Kubitschek, talvez ninguém soubesse sobre esses fatos já que a Marinha havia me ‘marcado’, perguntando quanto eu queria para não dar nenhuma publicidade às fotos. Eu gostaria de deixar claro que todos os oficiais com quem tive contato durante todo o tempo do inquérito foram muito amáveis comigo, me senti completamente confortável e não impuseram nenhuma objeção à revelação do caso. Apenas mencionaram que a natureza sensacionalista do caso poderia causar pânico na população e essa era a razão pela qual as Forças Armadas Brasileiras queriam evitar publicidade a casos dessa natureza”.

O pandemônio na mídia...
De acordo com os ufólogos, a Marinha Brasileira sempre tentou esconder o que realmente ocorreu naquela manhã na Ilha da Trindade. Segundo estes pesquisadores, a prova de que há muito mais a ser revelado é o próprio relato de Baraúna (foto abaixo), quando aponta que o governo o procurou a fim de encerrar o caso da maneira mais “pacífica” possível, inclusive com dinheiro.


Na época, especialistas disseram que o avistamento na ilha poderia ser de um simples modelo de avião teco-teco, muito popular no final dos anos 50. Entretanto, quem defende o caso da Ilha da Trindade aponta que não há explicação para uma série de fatores: (1) avião emite barulho, o que não houve na ocasião; (2) o que uma avioneta estaria fazendo circulando uma ilha deserta e sumindo no horizonte a uma velocidade incrível; (3) um avião não consegue pairar no ar como um helicóptero; (4) nenhuma aeronave conhecida pode ser capaz de influenciar sistemas elétricos e eletrônicos, como o que houve com a embarcação.

Contradições dos envolvidos e a polêmica da possível mentira...
Segundo muitos pesquisadores, tudo indica que Almiro Baraúna, Amilar Vieira Filho e José Teobaldo Viegas simularam o avistamento do disco voador, pois caíram em diversas contradições. A começar por Viegas, que disse que Baraúna se trancou no laboratório improvisado do navio para revelar o filme em companhia do comandante Carlos Bacellar. O que foi desmentido em carta pelo próprio comandante: “O capitão (da reserva) da FAB José Viegas ficou segurando uma lanterna durante a revelação do filme enquanto eu aguardava do lado de fora”.

Já Baraúna, por sua vez, não raro se confundiu, exagerou fatos ou mentiu deliberadamente. Referindo-se aos momentos que antecederam o suposto avistamento do Ovni, declarou à revista “O Cruzeiro”: “O navio estava se apresentando para levantar âncora, de volta ao Rio. Eu estava no convés observando a faina da suspensão da lancha na qual são feitos os desembarques para a ilha até a metade do caminho (o restante é feito em balsas, pois a ilha não tem ancoradouro). O mar estava agitadíssimo. O tempo estava nublado claro, sem sombras. Eu estava com a minha Rolleiflex 2,8, modelo E, num estojo de alumínio que a protegia contra a água e o salitre. Havia deixado, momentos antes, a minha Leica com teleobjetiva no meu camarote. O convés estava cheio de marinheiros e oficiais. De repente, fui chamado em altos brados pelo capitão Viegas e por Amilar Vieira, os quais apontavam determinado lugar no céu e gritavam que estavam vendo um objeto brilhante se aproximar da ilha”.

Numa entrevista concedida em 1997 para a revista “Ufo”, o ufólogo Marco Antônio Petit registrou outra versão da boca de Baraúna: “O fotógrafo não passou muito bem: chegou enjoado à embarcação e foi deitar-se ao convés. Pouco depois do meio-dia, em meio a uma gritaria, um tenente da tripulação alertou o fotógrafo para a presença de um objeto voador metálico e discoidal, que evoluía no seu rumo ao navio”. Portanto, diferentemente do que dissera antes, não só Baraúna estaria enjoado, como teria sido alertado da presença do disco por um tenente, e não por um capitão.

Há mais, porém: não há dúvida de que Baraúna exagerou o número de testemunhas da suposta aparição. Ele dizia que, no momento do surgimento do disco, o convés estava cheio de marinheiros e oficiais e que quase cem pessoas teriam confirmado num inquérito a visão do objeto. Também nisso foi desmentido: o capitão-de-fragata Paulo de Castro Moreira da Silva, que estava a bordo do Almirante Saldanha em 16 de janeiro de 1958, afirmou ao jornal “O Globo” que dos oficiais, o único a confirmar a aparição foi o tenente Homero Ribeiro, e que no total apenas “umas oito” pessoas teriam visto alguma coisa – praças, decerto marinheiros e sargentos, que provavelmente foram induzidos a achar que viram algo.

Referindo-se à revelação do filme em si, Baraúna disse: “O comandante e vários oficiais do navio mostraram interesse em ver o que havia saído nas fotos. Isso, aliado à minha própria curiosidade, fez com que eu revelasse o filme imediatamente, a bordo”.

Outra contradição: Bacellar contou em carta ao repórter João Martins que Baraúna não revelou o filme imediatamente, mas apenas uma hora depois do episódio, devido ao seu estado aparente de grande nervosismo. Para dar credibilidade à história, e vender as suas fotografias a um bom preço – como acabou conseguindo –, Baraúna disse à imprensa, reiteradas vezes, que as suas fotografias do Ovni já haviam sido autenticadas em duas análises, uma pela empresa Cruzeiro do Sul e outra pela Marinha. Baraúna foi prontamente desmentido pelo diretor-superintendente da “Cruzeiro do Sul”, Hélio Meireles, que fez questão de registrar no jornal “O Globo”: “Por favor, desminta isso pelo ‘O Globo’, pois não conheço pessoalmente o fotógrafo Almiro Baraúna nem o Serviço Aerofotogramétrico Cruzeiro do Sul fez qualquer trabalho para ele. Estamos totalmente alheios a esse assunto de disco voador”.

O fotógrafo também afirmou que a Marinha tinha calculado que o referido disco tinha 40 metros de diâmetro por oito de espessura, e que viajava a no mínimo 900km/h. Entretanto, em nenhuma parte dos documentos oficiais da Marinha Brasileira se mencionam tais dados. Posteriormente, as fotografias de Baraúna foram examinadas pela Força Aérea dos Estados Unidos, mais especificamente pelos cientistas do projeto Blue Book, e consideradas fraudes. A análise das imagens evidenciou que o objeto visualizado possuía pouco contraste e nenhuma sombra ao sol do meio-dia, e também que parecia estar invertido numa fotografia em comparação às outras.


Revelações bombásticas e conclusões possíveis...
Em 15 de agosto de 2010, o programa “Fantástico” divulgou pela primeira vez como foi montado o Ovni da Ilha de Trindade. A equipe do programa descobriu a publicitária Emília Bittencourt, uma amiga de Baraúna, que relatou o que ouviu da boca do próprio fotógrafo: “Ele pegou duas colheres de cozinha, juntou e improvisou uma nave espacial e usou de pano de fundo a geladeira da casa dele. Ele fotografou na porta da geladeira o objeto com a iluminação perfeita. Ele ria muito sobre o assunto”, contou ela.

São fatos conhecidos que tanto José Teobaldo Viegas quanto Amilar Vieira Filho eram amigos de Almiro Baraúna; que os três residiam em Niterói, e que se viam com frequência; que todos eram membros do Clube de Caça Submarina de Icaraí, fundado e presidido por Vieira Filho; e que até a entrevista de Vieira Filho para “O Globo” contou com a influência de Baraúna, que foi quem o convenceu a prestar depoimento.

As evidências sugerem que tudo não passou de uma trama orquestrada por Baraúna, com a colaboração de Viegas e Vieira Filho. Decerto, Baraúna começou a imaginar o embuste logo após embarcar no Almirante Saldanha. Fez ao todo seis fotografias de paisagens da ilha, registrando em quatro muito provavelmente gaivotas em voo solitário e/ou alguns dos balões-sonda cotidianamente soltos pela Marinha para estudos climáticos. Fato é que ninguém pôde discernir o que eram os pontos fixados na emulsão, e isso, bem como o fato do filme não ter sido confiscado nem copiado, possibilitou a fraude, nunca confessada publicamente por nenhum dos seus participantes.


O problema é que o caso da Ilha da Trindade permanece em controvérsia porque muitos ufólogos acusam a Marinha, o Exército e a imprensa de tentar diminuir o relato das possíveis testemunhas para que caíssem em descrédito perante a sociedade. Uma antiga teoria da conspiração. Para a maior parte dos especialistas de todo o mundo, o Ovni fotografado nunca existiu e as fotografias foram montagens bem elaboradas.