terça-feira, 30 de outubro de 2012

Considerações interessantes sobre a onda do momento, a cabala...

Nos últimos quinze ou dez anos, as pessoas têm ouvido falar bastante da cabala, uma vez que vários artistas – como Madonna – se tornaram adeptos deste sistema filosófico que tem raízes bem profundas e nasceu no seio do judaísmo. Mas, afinal de contas, o que é realmente a cabala? Seria uma filosofia de vida, ou uma seita do judaísmo que pode se transformar numa nova religião? O post de hoje tem por objetivo desmistificar muito do que se diz por aí sobre esta especificidade do misticismo dos hebreus.


1º A cabala tenta investigar a chamada natureza divina das coisas. É uma palavra de origem hebraica, significando “recepção”;

2º Trata-se, na realidade, de uma filosofia esotérica. Desenvolveu-se bastante na Idade Média, a partir do século seis, dando enorme salto de teorias do século 13. Pretendia compreender o mundo como uma emanação de Deus;

3º É um ramo de estudos que ensina algo interessante: no mundo, nada é por acaso. Por isso, crê-se que cada letra e palavra postas na Bíblia têm um sentido oculto. Seria o estudo de uma suporta mensagem por trás de outra mensagem;

4º Muitos historiadores apontam que a cabala nada mais é do que um misticismo hebraico de origem judaica, desenvolvido durante a Idade Média. Seria uma pequena conexão com o misticismo dos hebreus antes da adoção do monoteísmo. Assim, o judaísmo ortodoxo rejeita a ideia da cabala, uma vez que a Torá – livro sagrado dos judeus – condena qualquer tipo de misticismo;


5º A cabala propaga a teoria de que o ser humano deve ser merecedor das bênçãos prometidas por Deus. Assim, não é qualquer um que pode ser abençoado, mas sim um preparado e encaminhado nessa arte chamada “positiva”;

6º Há uma controvérsia quanto ao seu estudo. Um ramo do judaísmo aponta que somente homens casados, com mais de 40 anos e com vida religiosa bem ativa pode conhecer as revelações da cabala. Enquanto isso, nos Estados Unidos principalmente, virou moda entre algumas celebridades;

7º Alguns historiadores judeus apontam, com certa decepção, que os dias gloriosos da cabala simplesmente acabaram, uma vez que a propagação desta filosofia foi tão grande que houve uma abertura imensa. O que era um segredo filosófico medieval acabou por se tornar ícone da cultura pop ocidental;

8º Para conhecer bem a cabala, é preciso estudar muito não somente o Antigo Testamento da Bíblia, mas também outros textos hebraicos como o “Sefer yetzirah”, o “Tanakh” e o “Midrash”, entre outros. Por este motivo há muitas escolas de iniciação em todo o mundo. A cabala não é como a Bíblia segundo o protestantismo, cujos textos podem ter livre interpretação;


9º A partir do século 18, adeptos da cabala ficaram conhecidos na Europa como se fossem membros de sociedades secretas, o que chegou a ser um incômodo para a Igreja, ainda hegemônica naqueles tempos;

10º Os adeptos da cabala pecam ao dizer que a sua filosofia seja mais antiga do que realmente é. O mesmo acontece com os maçons. Segundo estudos históricos sérios, a cabala teve seu gérmen nos tempos de Abraão com o misticismo hebraico, mas o que conhecemos atualmente nasceu no início da Idade Média;

11º Uma das maiores críticas da cabala é promover o dualismo teológico dentro do sistema monoteísta mais antigo. Em alguns textos cabalísticos há a referência de que existe um poder do bem contra um poder do mal, ambos em eterno conflito. Assim, algumas interpretações dizem que a cabala afirma a existência de dois deuses, um bom e outro mau;

12º Muito da filosofia cabalística foi deturpada desde o século 19, quando pseudo-historiadores ocultistas promoveram um enorme ecletismo teórico dos textos originais. Assim, nasceram livros que fala até sobre um tarô judaico, uma forma de previsão do futuro, rituais de ocultismo etc.


No geral, podemos apontar que a cabala nada mais é do que um sistema filosófico que tenta compreender o mundo a partir da visão medieval das coisas, o teocentrismo. Não há nada de secreto ou de ocultista em seus ensinamentos.

sábado, 27 de outubro de 2012

A história dos negros argentinos: por que eles quase “sumiram” do mapa por lá?

Assim como o Brasil, Canadá, Austrália, Estados Unidos e África do Sul, a Argentina também é considerada um país de imigrantes, que viveu seu fluxo maior a partir de 1850, até 1950. De acordo com dados históricos, o país só perde para os Estados Unidos em número de imigrantes europeus que recebera ao longo deste tempo, em sua maioria italianos e espanhóis. Cerca de 85% dos argentinos de hoje se identificam como descendentes destes imigrantes europeus que aportaram em Buenos Aires há mais de um século.

No entanto, uma situação no mínimo interessante intriga muitas pessoas: o país, que foi colônia de exploração espanhola até o final da década de 1810, tinha uma população negra de escravos bastante densa. Entretanto, atualmente, menos de 4% dos argentinos de hoje são afrodescendentes. No interior do país essa margem vai aumentando, passando para 7% e até 21%, dependendo da cidade. O que será que aconteceu a esses escravos do Prata? Há heranças africanas por lá como temos aqui?


Durante os séculos 17 e 19, o tráfico negreiro era bem ativo no Atlântico Sul. Os portos de Salvador, do Rio de Janeiro e Buenos Aires recebiam milhares de escravos anualmente para serem vendidos em mercados populares a preços altíssimos. Durante a dominação espanhola do vice-reino do Rio da Prata, os negros compunham mais da metade da mão de obra. Para o europeu, era indigno que um branco fizesse uma série de serviços braçais e domésticos.

No entanto, de um modo geral, há que fazer ressalvas. A colonização hispânica das Américas preferiu forçar o indígena ao trabalho, optando pelos negros quando (1) não havia mão de obra indígena disponível, (2) quando os índios eram considerados selvagens para a catequização ou (3) quando a mão de obra dos índios diminuía consideravelmente por causa da fome, das doenças e das péssimas condições de trabalho. Na Argentina percebemos os dois primeiros motivos, sendo que era a Inglaterra quem fornecia os cativos ao Vicerreino do Prata.

Como, então, explicar que uma população que compunha o quadro demográfico em pelo menos 50% tenha sido reduzida para 4%, em média? Há vários motivos que convergem para essa diminuição absurda, que se torna caso histórico – como o quase desaparecimento dos índios nos Estados Unidos.

Com a abolição da escravidão na Argentina, em 1853, muitos negros foram deixados à própria sorte e a pobreza ficou extrema. Assim, muitos morreram de epidemias de cólera, hepatite etc. Situação que era bastante comum por falta de políticas públicas de saúde e saneamento básico;

Durante as guerras de independência e, principalmente, durante a Guerra do Paraguai, o exército argentino recrutou forçosamente os negros forros em situação de miséria, prometendo a eles um soldo. Isso se tornou um atrativo para combater a fome, mas grande parte foi dizimada pela falta de treinamento, ao contrário dos brancos que já conviviam com a cultura militar há décadas;

O enorme fluxo migratório europeu, a partir de 1850, fez com que os recém-chegados substituíssem a mão de obra negra em fazendas e nas fábricas instaladas há pouco tempo naquela nação. Os patrões e proprietários de terras entendiam que os colonos da Europa já estavam habituados àquele sistema;

O caso de miscigenação foi muito pequena perto do que vimos no Brasil. Os administradores hispano-argentinos não eram habituados à prática sexual recorrente com as escravas.

(Abaixo, fotos de Buenos Aires na virada do século 19 para o 20 e escravos para comércio na cidade)





Somente em 2006 que o governo argentino decidiu fazer um censo-piloto sobre esta questão. Foram selecionados alguns bairros periféricos de algumas cidades importantes do país. Mais de 5% dos entrevistados sabiam que tinham antepassados africanos. Outros 20% consideravam que poderiam ter, mas não havia certeza.

No interior do país a porcentagem de negros aumenta porque, no século 19, a Argentina ainda não estava reunida em um governo único; era uma reunião de províncias cuja capital, Buenos Aires, decidia alguns assuntos. Por isso que muitos deles não foram para as guerras e sofreram as duras consequências da falta de preparo.

A influência cultural...
De acordo com alguns historiadores da cultura, o efeito mais duradouro da influência africana na Argentina tenha sido o próprio tango (na foto abaixo, o tango em 1920), que fazia parte das cerimônias escravas conhecidas como tangós. Por volta de 1880, muitos dos primeiros compositores de tangos eram mestiços, inclusive.

Assim como no português brasileiro, o espanhol falado na Argentina também está repleto de palavras de origem africana. No âmbito religioso também há alguma influência dos ritos africanos, principalmente em locais onde se batem tambores, parecidos com os centros de umbanda e candomblé no Brasil. Nos últimos anos houve um crescimento muito grande de adeptos dessas crenças (as santerías). Contudo, é um país reconhecidamente racista em diversas práticas.


No período que Buenos Aires era capital da administração espanhola na região do Prata, as autoridades qualificaram algumas “raças”. Assim, as pessoas tinham direitos e deveres diferentes perante a sociedade e a administração pública.

MULATO – nascimento de negro com branco;
TERCERÓN – nascimento entre branco com mulato;
QUARTERÓN – nascimento de branco com “tercerón”;
QUINTERÓN – nascimento de branco com “quarterón”;
ZAMBO – nascimento entre negro com índio
ZAMBRO NEGRO – nascimento entre negro com índio, cujo indivíduo tinha forte característica física africana;
SALTO ATRÁS – quando a criança mulata ou “tercerón” era mais negra que os pais.

Estas classificações eram utilizadas para estigmatizar as pessoas e impedir seu acesso social a bens comuns como educação e saúde, ou a entrada no exército (em períodos de relativa paz). Na imagem abaixo temos uma imagem de uma celebração de tangó em Buenos Aires na década de 1820, logo após a independência argentina.


A história dos negros na Argentina mostra que não somente no Brasil houve uma situação bastante cruel no reconhecimento da existência, da cidadania e da individualidade destas pessoas. Talvez o choque maior se dê no pensamento de que eles tenham sido usados como soldados de front, sem o mínimo preparo, em guerras que os governos brancos e europeizados estiveram. Para alguns historiadores argentinos, é de chocar quando imaginamos que um grupo gigantesco que um dia compôs 50% da mão de obra para o nascimento de uma nação livre tenha sido drasticamente reduzido a, talvez, 4% em 200 anos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Você já ouviu falar no estranho fenômeno do “foo fighter”?

No post de hoje não estamos tratando da banda norte-americana como fenômeno da música, mas sim de algo ainda inexplicável para muitas pessoas e pauta de discussão de diversos ufólogos e físicos. Você sabe o que é um “foo fighter”?

Foo fighter” é uma expressão do inglês que surgiu na Segunda Guerra (1939-1945) para tentar dar um nome ao fenômeno onde estranhas esferas luminosas (esbranquiçadas ou alaranjadas) eram vistas por pilotos perseguindo ou acompanhando seus aviões. Alguns pilotos aliados achavam que poderia ser uma espécie de arma psicológica dos alemães, que visava atordoar e confundir os pilotos.


Terminada a guerra, a hipótese de ser uma arma nazista foi descartada pelos estudiosos, uma vez que os documentos descobertos mostram o inverso: o estranho fenômeno também importunava os alemães, que acreditavam ser tecnologia militar secreta dos aliados. O assunto foi tratado com tanta seriedade pela alto comando da Luftwaffe que, em 1944, foi criada a “Base especial número 13”, um projeto secreto de investigações, que se ocultava sobre o nome de Operação Uranus, e tinha o objetivo de recolher, avaliar e estudar os relatórios de observações dos pilotos sobre estranhos objetos voadores que apareciam perto dos aviões alemães.

Segundo os documentos encontrados após a rendição nazista, acredita que a Alemanha decidiu investigar os “foo fighters” em 1943. Isso comprova que para os dois lados da guerra o fenômeno era um mistério que deveria ser solucionado.

Um dos primeiros relatórios norte-americanos sobre o fenômeno, datado de outubro de 1943, relatou que quando B-17’s estavam voando sobre Schweinfurt, na Alemanha, durante voos de bombardeio, dúzias de discos pequenos e prateados apareceram repentinamente; esses discos tinham cerca de 2,5 cm de espessura e 10 cm em diâmetro. Um dos tripulantes de uma aeronave viu um dos discos atingir a cauda de um dos aviões, mas não provocou nenhum efeito na aeronave.



No dia 27 de novembro de 1944, dois pilotos americanos, Henry Giblin e Walter Cleary, se encontraram com uma bola de luz laranja quando voavam nos arredores da cidade de Speyer, na Alemanha. O objeto voava a cerca de 400 quilômetros por hora e a cerca de 500 metros sobre o seu avião. Decidiram iniciar uma perseguição ao inusitado objeto e notificaram à estação de radar em terra sobre o fenômeno, que lhes respondeu não estar captando absolutamente nada. O radar de bordo do avião começou a apresentar falhas, levando-os a abortar a missão e a regressar à base.

Em Antuérpia, na Bélgica, em setembro de 1944, por volta da 21h00, um soldado canadense observou uma esfera luminosa no céu indo à direção da fronteira. Ele estimou que o objeto não deveria ter mais que um metro de diâmetro e, ainda, parecia ser feita de vidro fumê. A esfera emitia uma forte iluminação que não parecia vir de sua superfície, mas de seu interior. Nenhum som foi ouvido. Menos de um minuto após o avistamento da esfera, outras cinco, aparentemente iguais a primeira, também foram avistadas pelo soldado e seguindo a mesma rota.

Em janeiro de 1945, o editor científico da Associated Press, Howard Blakes, disse que os “foo fighters” eram apenas o fenômeno dos fogos de Santelmo. Ou seja, luzes naturais produzidas por indução eletrostática das asas e extremidades dos aviões. Segundo Blakes, como não eram objetos materiais, eles não poderiam aparecer mesmo nos monitores dos radares, tal quais os relatórios militares afirmavam.


Dentre aqueles que defendem que esse fenômeno era uma arma secreta alemã, sobressai o nome de Renato Vesco, um engenheiro aeronáutico e escritor alemão. Segundo Vesco, os “foo fighters” eram veículos voadores não tripulados com o nome código de “Feuerball”. A principal finalidade desses engenhos era interferir nos radares aliados através da ionização da atmosfera obtido a partir de fortes campos eletrostáticos e impulsos eletromagnéticos gerados.

Desde então, têm sido criadas várias teorias para os “foo fighters”: tecnologia alienígena, arma secreta de mercúrio, relâmpago globular, fogo de Santelmo etc. Até hoje, por não haver consenso e explicação satisfatória, o caso permanece aberto e, por isso, recebe explicações bem variadas. O que há de interessante é que o número de relatos deste fenômeno diminuiu muito após 1945, apesar de, por vezes, um piloto ou outro relatar casos semelhantes mesmo nos dias de hoje.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (12)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Qual a origem de “irmão” e “fraternidade”?
No idioma latino, “frater” significava “irmão” nos tempos antigos – daí vieram fraternal, fraternidade e “irmão” em italiano, que é “fratello”. Também do mesmo idioma veio “germanu”, de “germen”, que significava “legítimo” e “puro”. Assim, na Roma Antiga, “frater germanu” significava o irmão puro, com mesmo pai e mesma mãe. Com o tempo, na Espanha, “germanu” ganhou o significado de “irmão” e virou “hermano”, chegando ao português “irmão”.

O nosso famoso jegue tem origem lá fora?
Sim, tem. Veio do inglês “jackass”, o mesmo que “burro”. “Jackass” é formado por duas palavrinhas: “Jack”, indicando somente o sexo do animal, pois no idioma inglês “Jack” também serve como se fosse o nosso “Fulano”; e “ass”, que além de “bunda” também é “burro”. Da corruptela “jackass” veio o nordestino “jegue”.


Kolynos tem origem grega?
No início do século 20 o Dr. Jenkins desenvolveu a fórmula que conhecemos da pasta de dente e a lançou com sua marca. A palavra realmente foi composta com elementos gregos: “kolobo” (diminuir) e “nósos” (doença). Isso porque até as pastas de dentes modernas surgirem, as bocas imundas causavam muito mais que hálito ruim e falta de dentição, mas também câncer de boca, de língua, de garganta etc.

Um ladrão que é um tremendo larápio tem origem na história de um homem?
De acordo com o folclore inventivo, que cria falsas etimologias para as palavras, na Roma dos tempos de Cristo havia um juiz chamado Lucius Amarus Rufus Apius, que sempre julgava as causas a favor de quem pagasse melhor. Com isso, ele assinava as suas atas dando importância ao sobrenome, como era comum a todos homens de importância na época: L.A.R. Apius. Assim chegou ao português “larápio” (único idioma que tem esta palavra, aliás). A palavra “larápio” permanece com origem obscura para os etimólogos da língua portuguesa, uma vez que a historiografia comprova que nunca houve o tal juiz corrupto e famoso.


A lua-de-mel dos recém-casados tem mel na história?
Na realidade, a expressão teve início no inglês “honeymoon” e chegou aos outros idiomas, como português, francês, italiano e espanhol. Há várias histórias para este costume. Uma diz que os persas acreditavam que a primeira lua do casamento (primeiro mês) era só doçura.  Outra diz que havia um costume antigo de beber mel na primeira semana após o casamento, acompanhando as fases da lua, para ter uma vida doce.

Um lunático tem algo a ver com a Lua e suas maluquices?
Desde os tempos mais remotos os médicos acreditavam que a Lua influenciasse na saúde das pessoas, como dizer que “Beltrano é maluco de lua” – ou seja, passando de uma fase para outra, sua sanidade mudaria. Desta forma, “lunático” veio do latim “lunaticu”, que significava aquilo que não dura o mês inteiro, quem vive em um mundo de fantasias e quem sofria de epilepsia. Essa associação veio dos gregos, que chamavam os epiléticos de “epileptikós”. Eles pensavam que realmente a Lua pudesse influenciar nesses assuntos médicos.


Colocar a mão no fogo...
Durante a Idade Moderna, a Igreja Católica fez uma verdadeira cruzada contra os ditos hereges. Assim, vizinhos eram chamados compulsoriamente para testemunhar sobre os acusados. Quando estes vizinhos diziam que os acusados não eram hereges (ciganos, judeus, bruxos, pagãos), havia uma prova de fogo, literalmente. Os inquisidores colocavam uma brasa de ferro em frente à pessoa e perguntavam: “Você coloca a mão no fogo por Fulano?”, na tentativa de conseguir uma rápida acusação contra essas pessoas. Há poucos registros de quem realmente colocou a mão no fogo por alguém.

sábado, 20 de outubro de 2012

Vampiros: lenda europeia cuja defesa varia de país para país...

Os visitantes que regressaram do território onde hoje está a Romênia, no século 14, trouxeram consigo relatos estranhos sobre seres que não eram deste mundo. Seres diabólicos que perambulavam pela noite em busca de sangue, principalmente humano. Os monstros eram conhecidos por nomes como wampyres, vurculacs, ou vampiros. Embora as mitologias grega e hebraica tenham relatos de bestas parecidas com vampiros, o mito é quase totalmente europeu medieval, nascido na Europa do Leste. Junto a essa lenda, encontram-se duas crenças: um espírito diabólico pode apoderar-se do corpo de um defunto inocente e praticar malvadezas por aí, ou o morto é tão pestilento que não ganha o direito de ficar no inferno e, por isso, é condenado a vagar pelo mundo na forma de um vampiro.

A mitologia do vampiro é bem detalhada. A espécie romena, por exemplo, é reconhecível pelos seus aspectos noturnos, cor pálida, lábios sanguinolentos, dentes grandes, olhos com cor de fogo e mãos peludas. Esses seres têm hálito desagradável, unhas longas e aspecto cadavérico aterrorizante.


Na Rússia, os vampiros em geral são sacerdotes que se revoltaram contra a Igreja, têm lábio leporino e cabelos ruivos. Na Bulgária, eles também consomem sangue de gado e têm doze dedos. Na Polônia, atacam pessoas nuas (geralmente durante o banho ou o ato sexual) consumindo sangue por trás das orelhas. Enfim, é um mito riquíssimo que encontra variantes em toda a Europa.

O folclore de cada país também dá a receita para combater esses seres satânicos. Na Romênia, o melhor dia para o combate é o sábado, e a garantia de que o vampiro jamais volte é jogar água fervendo sobre sua sepultura ao meio-dia. Algo bem diferente daquilo que conhecemos através dos contos de terror: alho, estaca de madeira virgem, bala de prata, cruz e água benta, por exemplo. Na Bulgária, o método mais recomendado era jogar água benta e cal sobre a sepultura. A história do alho e da estaca de madeira vem da Rússia e Ucrânia.


Interessante era o ritual romeno para se identificar a sepultura de um vampiro: um rapaz virgem montava um cavalo negro, também virgem, e uma procissão ia pelo cemitério, atrás deles, entoando orações. Onde o cavalo empacasse indicaria a morada diurna do ser diabólico.

Em 1727, em Belgrado, capital da Sérvia, houve uma verdadeira caça a vampiros depois que várias pessoas disseram terem sido atacadas. Vários rituais foram celebrados com auxílio de sacerdotes locais e pelo menos quatro mil defuntos foram queimados em praça pública e seus restos atirados ao Rio Danúbio.

E assim veio a popularidade...
De acordo com historiadores e antropólogos, o mito do vampiro surgiu entre os cristãos medievais que visitavam as áreas de conflitos entre ortodoxos e muçulmanos turco-otomanos. Os cristãos tentavam demonizar os rivais dizendo que estes tinham belo prazer por matar suas vítimas e beber seu sangue. Isso espalhou o terror nas vizinhanças dos campos de batalha, justamente a Europa Oriental. Mais tarde, a tuberculose se espalhou por toda Europa e os doentes foram acusados de serem vampiros porque, naquela época, a doença era extremamente mortal. A vítima adquiria as características dadas a um ser diabólico: fraqueza, palidez, lábios mais vermelhos, pouca resistência à luz do sol etc.


No final do século 18, quando os romances góticos se tornaram populares, o vampiro era o personagem ideal para histórias cuja ação decorria em castelos, masmorras, calabouços, florestas escuras etc. No século 19, os vampiros surgiram com tudo em folhetins e contos nebulosos, principalmente pelas mãos de Alexandre Dumas e Bram Stoker, criador do Drácula.

Recentemente, escrevi sobre o Conde Drácula, personagem mais popular dos contos de terror da atualidade. Para ler, clique aqui!

A riqueza de detalhes e de variações deste mito mostra como é interessante estudar o folclore das regiões, além da forma de como a religião influenciou na sua construção (como o medo do inimigo e tentativa de difamação dele) e erro de identidade (evidenciar uma doença da época como sinal de vampirismo). Enfim, trazendo as devidas proporções, os vampiros são seres folclóricos do Leste Europeu, assim como Saci e Curupira são personagens do nosso.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A incrível história da palavra mágica mais conhecida: Abracadabra!

Quem nunca pronunciou a mística palavra mágica durante uma brincadeira de criança? Abracadabra! Então, na fantasia, a magia se tornaria realidade, sendo mágico ou feiticeira. Nos filmes e contos de fadas não é diferente: esta é a palavra mística mais comum e usada, geralmente sem tradução. Abracadabra nos remete a um mundo do passado, de quando éramos crianças e líamos os enredos envolvendo princesas, grandes castelos e bruxarias sem fim.

No entanto, abracadabra tem muito mais a oferecer no âmbito das curiosidades do que podemos supor. Um fascínio que remonta tempos muito mais distantes do que a Idade Média, tempo em que se passam os contos de fadas repletos de magia e alquimia.

Recentemente, escrevi um post falando sobre o que é a alquimia. Para ler, clique aqui!


Atualmente, a palavra abracadabra é usada como encantamento de mágicos de palco, principalmente espetáculos de ilusionismo. Entretanto, há muitos séculos, o povo acreditava no poder desta palavra para curar febres e inflamações.

A primeira menção conhecida à mesma foi feita no segundo século depois de Cristo, durante o governo de Septímio Severo, num poema chamado “De medicina Praecepta”, que é um tratado médico escrito em versos pelo médico Serenus Sammonicus, ao imperador de Roma Caracalla, que prescreveu que o imperador usasse um amuleto com a palavra escrita num cone vertical para curar sua doença.

A palavra em si já era considerada mágica, e no formato triangular, o amuleto teria muito mais poder. O triângulo era considerado a forma geométrica mais perfeita. O amuleto, então, “juntava a fome e a vontade de comer”.

ABRACADABRA
ABRACADABR
ABRACADAB
ABRACADA
ABRACAD
ABRACA
ABRAC
ABRA
ABR
AB
A


Segundo os estudos propostos por Godfrey Higgins, tem origem em Abrah, um deus de origem celta, e “cadhë”, que no idioma céltico significa “aquele que é santo”. Seria usada como amuleto pelos antigos habitantes das ilhas britânicas antes dos romanos. Já segundo Elena Petrovna, o termo é uma palavra de origem egípcia que significaria “Não me firas”. O comum é que em ambos os casos apresentados, as pessoas usavam amuletos com inscrições sobre o peito com o intuito de proteção.

Pelo jeito, a etimologia de abracadabra é desconhecida e não há um consenso entre os estudiosos. Uma possível fonte é o aramaico “avrah kahdravan”, que significa “Eu crio enquanto falo”. Do aramaico antigo, a palavra foi agregada ao idioma hebraico da época de Jesus. Com invocação de proteção, o seu uso se espalhou pelo Império Romano.


Segundo a versão mais aceita, assim, abracadabra era usada pelos médicos e curandeiros do Oriente Médio para curar as pessoas. Seria uma bênção aos doentes de gripe e, com o tempo, como ficavam curados, acreditou-se que a palavra tivesse poderes sobrenaturais.

Abracadabra ganhou o sentido mais comum, ordinário, a partir do início do século 19 com os primeiros shows de ilusionismo que se tornaram bastante populares na França e na Inglaterra. Desta forma que ganhou a conotação que conhecemos atualmente.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

As teorias conspiratórias sobre os atentados de 11 de setembro de 2001...

Teorias conspiratórias existem desde sempre, uma vez que o ser humano sempre procurou enxergar nas entrelinhas fatos que poderiam estar ocultos; haja vista o assassinato de Abraham Lincoln, a morte do mágico Harri Houdini, o caso Roswell, a Área 51, o assassinato do presidente Kennedy etc. Não tem sido diferente desde setembro de 2001, logo após os ataques terroristas mais destrutivos da história, envolvendo os Estados Unidos.


Desde 11 de setembro daquele ano, surgiu uma variedade de teorias conspiratórias que disputam com o discurso oficial a narrativa dos eventos que ocorreram naquele dia que assustaram todo o planeta. O discurso oficial fala de uma conspiração, mas terrorista envolvendo os membros do Al-Qaeda. Entretanto, quando falamos de teorias conspiratórias deste evento, nos referimos ao que poderia ser uma espécie de operação interna.

De acordo com os defensores da conspiração, os indivíduos responsáveis tinham um bode expiatório – o grupo extremista afegão sob liderança de Osama Bin Laden – mas estavam associados ao governo norte-americano, que há pelo menos dois anos sabiam dos ataques iminentes e se recusaram a agir, durante a governança de George Bush, republicano. Neste ponto há divergências:

1ª divergência – Os terroristas muçulmanos, sim, orquestraram os atentados e o governo tinha essa ideia, mas achou que seria audácia demais e teria atribuído os relatórios a ficcionais e fantasiosos demais;

2ª divergência – É a considerada mais louca. Aponta que os atentados foram forjados pelo próprio governo americano, com o objetivo de incitar os ânimos mundiais contra o controle do petróleo no Oriente Médio e angariar apoio para uma guerra, uma vez que a indústria belicista estaria em baixa. Os defensores deste ponto mostram que a família Bush tinha ações em companhias de armas e de petróleo.


Algumas teorias conspiratórias afirmam que o desabamento das torres do World Trade Center foi o resultado de uma demolição controlada. Outras teorias também argumentam que um avião comercial não impactou contra o Pentágono, mas sim um míssil (uma vez que o rombo feito no edifício era “pequeno demais”), e que o voo 93, da United Airlines, foi abatido em pleno ar. Relatórios publicados pelo National Institute of Standards and Technology não confirmam a hipótese da demolição controlada. A grande maioria das autoridades estadunidenses, jornalistas e pesquisadores independentes concluíram que a Al-Qaeda é a única responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 e a destruição resultante.


Desde os ataques, vários sites, livros e filmes têm desafiado o relato oficial dos acontecimentos. Embora a mídia tradicional afirme que a Al-Qaeda conspirou para efetuar os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, as teorias conspiratórias asseguram que os relatos oficiais são imprecisos ou incompletos.

Inicialmente, as teorias conspiratórias sobre 11 de setembro despertaram pouca atenção na mídia. Em um discurso nas Nações Unidas em 10 de novembro de 2001, o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, denunciou o surgimento de “ultrajantes teorias conspiratórias que tentam tirar a culpa dos terroristas, afastá-los dos culpados”.

Posteriormente, à medida que aumentou a exposição na mídia das teorias conspiratórias sobre os eventos de 11 de setembro, as agências governamentais estadunidenses e a administração Bush emitiram respostas para as teorias, incluindo uma análise formal pelo National Institute of Standards and Technology das questões sobre o desabamento do World Trade Center.


Explicando o caso...
O grande problema das teorias de conspiração em relação a esta série de atentados é sustentar-se sobre bases pouco sólidas e muita boataria, bem como erros de identificação. São sempre testemunhas que preferem não aparecer, nenhum nome cientificamente reconhecido no meio, muitas situações na condicional: teria feito, teria sido, teria falado etc. Uns chegam a apontar que haveria um cofre cheio de ouro do subsolo do WTC e que, uma semana antes dos atentados, ele foi completamente esvaziado. Ou então que nos destroços do Pentágono não há restos de aeronave, como turbinas, cabine ou poltronas.

Há no You Tube uma série gigantesca de vídeos que as pessoas tentam analisar esses fatos com as explicações mais inventivas que possam existir!

Essa situação de teoria conspiratória sobre 11 de setembro nasce, se desenvolve e se perpetua por um número grande de dividendos:

1) A vítima da vez foi o país mais poderoso do mundo;

2) Os atentados foram tão bem orquestrados que nem mesmo o cinema foi capaz de produzir um roteiro tão catastrófico;

3) Graças às tecnologias emergentes, vimos tudo ao vivo em nossas casas e em ângulos diversos;

4) Os Estados Unidos têm um histórico de providenciar medidas urgentes e catastróficas para atingir os seus objetivos, como patrocinar os golpes de estado nos países latinos nos anos 60;

5) Há uma cultura entre os governos norte-americanos de escamotear a verdade dos fatos e emitir relatórios que encobrem o que realmente houve. Assim, desde o ocorrido em 1947, em Roswell, vários teóricos da conspiração desconfiam de boletins emitidos pelo governo norte-americano.



Recentemente, publiquei um post falando sobre a sociedade secreta Skull & Bones. Para ler, clique aqui!

Recentemente, escrevi um post sobre a Comissão Trilateral, que supostamente decidiria o futuro do mundo. Confira!

Recentemente, publiquei um texto sobre o famoso caso de Roswell. Leia clicando aqui!

Recentemente, escrevi um post falando sobre os Illuminati. Confira clicando aqui!

Recentemente, publicamos um texto falando sobre a Área 51. Leia clicando aqui!

Desde então, várias pesquisas de opinião sobre os atentados foram efetuadas para tentar estabelecer, grosso modo, quantas pessoas duvidavam do relato oficial, e quão prevalentes são as teorias conspiratórias. Pouco antes do quinto aniversário dos ataques, a grande imprensa produziu uma série de artigos sobre o crescimento das teorias conspiratórias. A “Time Magazine” declarou que este não é um fenômeno periférico, mas uma realidade política de primeiro nível. A cobertura da grande imprensa geralmente apresenta tais teorias como um fenômeno cultural e é frequentemente crítica quanto ao seu conteúdo.
 
No geral, por algumas vezes, acredito que algumas teorias conspiratórias são divertidas porque percebemos o nível crítico exagerado de algumas pessoas. Entretanto, elas se tornam extremamente tóxicas quando se transformam em um discurso cego.

sábado, 13 de outubro de 2012

Os filmes snuff são um fato ou uma farsa?

ATENÇÃO! ESTE POST ESPECIALMENTE TRAZ FOTOS FORTES E FATOS CHOCANTES!

Talvez seja uma das maiores lendas urbanas envolvendo a indústria da mídia, os filmes do tipo snuff. Mas será que esse tipo de filme é realmente uma farsa, uma lenda, um embuste? Aliás, você tem ideia do que seja um filme snuff?

De acordo com os teóricos da cinematrografia, os filmes snuff (snuff movies) são filmes que mostram mortes ou assassinatos reais de uma ou mais pessoas, sem a ajuda de efeitos especiais, para o propósito de distribuição e entretenimento ou exploração financeira. Pois é, bizarrices à parte, há quem tente fazer isso para obter foco na mídia e lucratividade. Embora existam muitos filmes que de fato mostram mortes reais, a existência de uma indústria financeira em torno deste tipo de filme geralmente é vista como uma lenda urbana.

O snuff movie no cinema...
Esta temática começou a surgir com força na indústria cinematográfica no final da década de 70 com o filme “Hardcore”, de Paul Schrader. Entretanto, o clássico mesmo é a produção italiana de 1980, “Cannibal holocaust(fotos abaixo), cujo diretor, Ruggero Deodato, chegou a ficar preso até comprovar que os atores estavam vivos e tudo não passava de truques cenográficos. Depois deste caso do cinema italiano, esse país passou a tentar explorar  gênero e nos anos 80 a Itália chegou a produzir cinema pornográfico com nuances de snuff, uma bizarrice sem tamanho.

Outras produções mais recentes tentaram falar sobre os snuffs: “8 milímetros” e “Pânico 4”, por exemplo. O mais recente, de 2010, “A serbian film” tratou o tempo todo desta lenda urbana e chegou a ser proibida sua exibição em inúmeros países.

No que envolve morte documentada, a série “Faces da morte” é a maior referência. Trata-se de várias fitas de VHS comercializadas em vários países que mostram vídeos de mortes de várias formas. A série foi vetada em mais de 40 países.




De acordo com os professores dos cursos de cinema de todo o mundo, dentro da indústria em si, só podemos classificar um caso de filme snuff, e que mesmo assim não foi parar nas telas grandes de todo planeta: a morte em cena do ator Brandon Lee (foto abaixo), em 1993, enquanto filmava “O corvo”.

Uma das cenas filmadas para o filme requeria que uma arma fosse carregada, engatilhada e apontada para a câmera, mas, por causa da curta distância do tiro, a munição carregada era de verdade, mas sem pólvora. Após a realização desta cena, o assistente do armeiro limpou a arma para retirar as cápsulas, derrubando um dos projéteis no cano. A arma foi carregada com festim (que normalmente tem duas ou três vezes mais pólvora do que um projétil normal, para fazer um barulho alto). Lee entrou no set com um saco de supermercado contendo uma bolsa explosiva de sangue artificial. O projétil que estava preso no cano foi involuntariamente disparado em Lee, atravessando o saco que ele trazia, causando perfurações em seus órgãos internos e partindo sua coluna vertebral, causando sua morte por hemorragia interna, mesmo com a desesperada tentativa de uma cirurgia de seis horas para retirar a bala. Houve rumores de que os negativos com a filmagem de sua morte teriam sido destruídos sem que nunca fossem revelados, surgindo outra lenda urbana do cinema – que poderemos debater mais tarde, noutra postagem.


A partir da popularização da internet e do advento das tecnologias de filmagem portáteis, como celulares e máquinas digitais, o filme snuff deixou de ser lenda urbana nos cinemas e passou a ser real no mundo da internet. Há vários vídeos de mortes, alguns muito populares. Alguns dos casos que estão no You Tube (para quem tem estômago forte, basta procurá-los):

Entre 1983-1985, Charles Neg e Leonard Lake gravaram torturas cometidas contra algumas mulheres, que mais tarde morreram;

Em meados dos anos 90, os assassinos em série Paul Bernardo e Karla Homolka gravaram separadamente algumas de suas vítimas de estupro. As cenas dos assassinatos foram vistas apenas pelas autoridades policiais e corpo de jurados;

Em 1997, Ernst Dieter Korzen e Stefan Michael Mahn gravaram as suas sessões de torturas contra duas prostitutas. A segunda vítima escapou e os dois foram sentenciados a prisão perpétua. Os executores alegaram que foram contratados por uma empresa que revendia os vídeos para a internet;

Em 2001, Armin Meiwes gravou o assassinato de Bernd Jürgen Armando Brandes;

Em julho de 2007, um vídeo surgiu na internet onde um homem de 48 anos foi assassinado com diversos golpes de martelo na cabeça, mais tarde foram identificados os assassinos: Viktor Sayenko e Igor Suprunyuck, mais conhecidos como “maníacos de Dnepropetrovsk(foto abaixo). O vídeo de cerca de sete minutos mostrava Sergei Yatzenko levando repetidas marteladas na cabeça, e posteriormente perfurado com uma chave de fenda. Neste caso, para quem tem estômago, há vários vídeos destes dois delinquentes matando gatos e cães de maneira cruel.


No geral, podemos concluir que o filme snuff como indústria cinematográfica ainda é uma lenda urbana, sendo uma farsa. No entanto, com o acesso às tecnologias de veiculação na internet, eles se tornaram uma realidade cruel entre maníacos sádicos que filmam o assassinato como se fosse um troféu a ser exibido.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Você já ouviu falar na Operação Ratlines dos oficiais nazistas?

Nos últimos anos, muitos antigos generais nazistas têm sido descobertos ao redor do mundo enquanto curtiam seus últimos anos de vida em total anonimato, como velhinhos simpáticos em cidades pequenas no Brasil, na Argentina, na Austrália e na África do Sul. Com identidades falsas, o passado destas pessoas parecia impossível de suposição. Assim foi com Joseph Mengele (foto abaixo), o famoso médico nazista que morreu no Brasil em 1979, em quase total anonimato. Isso tudo ocorreu graças a uma operação muito bem elaborada pelos nazistas com o final da guerra, as chamadas Ratlines.


As Ratlines – “linhas de ratos” – eram sistemas de fuga para os nazistas que deixavam a Europa com a derrocada de Hitler a partir de 1944, com a iminente derrota alemã. Os destinos variavam pouco e os antigos membros do partido tinham em mente locais seguros onde pudessem viver sob nova identidade. Em geral, os destinos mais procurados foram Argentina, Brasil, Paraguai, Chile e Austrália; em menor escala: Canadá, Estados Unidos, África do Sul e territórios do Oriente Médio.

Tudo isso foi feito com meticuloso trabalho da Odessa, sigla de Organização de Ex-membros da SS, num plano arquitetado por Otto Skorzeny. Ao que tudo indica, governos nacionais, alguns clérigos católicos e luteranos e instituições internacionais tiveram papel importante nas Ratlines. O objetivo era fugir da Alemanha e das condenações por crimes de guerra e demais atrocidades.


De acordo com documentos, o bispo católico Alois Hudal, membro honorário do Partido Nazista, era reitor de um seminário próximo a Roma e, lá dentro, passou a proteger alguns homens da SS. De dentro deste seminário, Hudal começou a emitir documentos falsos destes homens para que ganhassem vida nova como supostas vítimas da guerra, enquanto havia uma verdadeira marcha de emigrantes saindo do continente europeu.

Há comprovações de que as Ratlines foram bem mais distante do que podemos supor sem que a comunicação fosse interceptada pelos aliados da Grã-Bretanha e União Soviética. Pastores luteranos no continente americano recebiam instruções de como prosseguir e até alguns membros da Cruz Vermelha Internacional auxiliaram com essas fugas em troca de quantidades imensas de dinheiro.

A grande massa de nazistas acabou aportando nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, uma vez que esses países vinham recebendo grande quantidade de imigrantes europeus desde meados de 1830. Foi assim que nazistas como Adolf Eichmann (foto abaixo) ganhou uma longa vida em Buenos Aires até ser descoberto no início da década de 1960.


No polêmico livro “A verdadeira Odessa”, o argentino Uki Goñi aponta que o governo do seu país sabia da Operação Ratline e, inclusive, o então presidente Perón incentivou a ida de nazistas para a Argentina. É fato que os governos de Perón e Getúlio Vargas eram simpatizantes do fascismo antes de 1942, quando declararam guerra ao Eixo por pressão dos Estados Unidos.

Em fevereiro de 1946, na Argentina, o governo chegou a criar uma comissão de imigração para controle de entrada de europeus vindos da guerra. Tudo era um embuste para, secretamente, resgatar e salvar algumas figuras do alto escalão do Partido Nazista. No Brasil não houve incentivo enorme como o caso argentino. Entretanto, os incentivos foram muito grandes.

Nos últimos anos, as Ratlines têm sido estudadas por pessoas conhecidas como “caçadores de nazis”. Eles tentam interceptar a comunicação realizada na época a fim de prender esses homens e requererem as recompensas prometidas, que chegam às dezenas de milhares de dólares. O que impressiona é como uma verdadeira rede de fuga e falsificações ocorreu na Europa debaixo dos olhos dos aliados que guerreavam naquele território.


Alguns dos famosos nazistas que escaparam usando a Operação Ratlines: Adolf Eichmann, Franz Stangl, Gustav Wagner, Erich Priebke, Klaus Barbie, Edward Roschmann, Aribert Heim, Andrija Artukovic, Ante Pavelic, Walter Rauff, Alois Brunner e Joseph Mengele.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Invasão alienígena: um assunto que o ser humano adora!

A invasão alienígena é um tema comum nos enredos de ficção científica; vários filmes e romances foram produzidos sobre essa temática ao longo dos últimos 200 anos, e a situação é sempre a mesma: uma sociedade superior tecnologicamente nos elimina com o intuito de fazer de nós seus escravos. O homem tem medo disso, mas ao mesmo tempo verdadeiro fascínio, pois são muitos filmes de sucesso. Parece ser uma relação sadomasoquista.



O clichê mais comum já foi dito: o medo de uma invasão surpresa com total destruição. Assim foi em 1938, quando Orson Welles transmitiu pelo rádio, nos Estados Unidos, o enredo de “A guerra dos mundos” como se fosse uma reportagem real; inúmeros foram os casos de histerias e suicídios. São retratados como seres demoníacos e apavorantes. Entre os adeptos da teoria dos deuses astronautas, os aliens já invadiram a Terra há milênios e ainda estão aqui na forma de seres humanos híbridos ou alienígenas disfarçados. Já entre os astrônomos, a invasão alienígena mais real que um dia possa ocorrer, pode vir na forma de micro-organismos – como vírus e bactérias.


Recentemente escrevi sobre o famoso livro de Däniken, "Eram os deuses astronautas". Para ler, clique aqui!

Recentemente escrevi sobre os supostos mistérios da Área 51. Clique aqui!

Recentemente postei um texto sobre a polêmica negação da existência dos marcianos. Para ler, clique aqui!

Recentemente publiquei um post falando sobre a sociedade que tem um gosto peculiar sobre contos e filmes fantasmagóricos e apocalípticos. Para conferir, clique aqui!

Recentemente escrevi sobre os supostos canais marcianos. Clique aqui!

Recentemente publiquei um texto sobre o Programa Voyager, que descobre as fronteiras do nosso Sistema Solar. Clique aqui!

Recentemente escrevi sobre a verdadeira batalha de Los Angeles, em 1942. Confira aqui...

Recentemente publiquei um post polêmico sobre a Operação Prato, realizada aqui no Brasil. Confira!

Recentemente falei sobre a formação humanoide dos ET's. Clique aqui!

Recentemente escrevi os passos sobre como se tornar um ufólogo. Para saber como, confira!

Recentemente contei a história do famoso caso de Roswell, que inaugura a ufologia contemporânea. Clique aqui para ler!

Recentemente esclareci o que é e como trabalha a Mufon. Para conferir, veja aqui...

Recentemente publiquei um texto que esclarece o que é e como trabalha a ufologia. Confira...

Recentemente escrevi um post esclarecendo como funciona a chamada astrobiologia. Leia aqui...

Recentemente abordei o assunto dos contatos imediatos. Confira...


Infiltração alienígena...
A temática de infiltração é atualmente propagada pelos adeptos das teorias dos deuses astronautas, que creem no hibridismo da raça humana. Um dos filmes mais conhecidos que tratam deste tema é “MIB: homens de preto”. Entretanto, essa paranoia tem origem política, quando havia pavor de infiltração de agentes soviéticos nos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Desta maneira, nos anos 1960 e 1970, os aliens dos filmes que suscitavam suspeitas poderiam ser os comunistas da vida real; teóricos da comunicação percebem neste discurso o alerta à população: “fiquem de olho no vizinho estranho, ele pode ser um inimigo da pátria”.

Ocupação alienígena...
Neste caso, os alienígenas são os vencedores depois da grande batalha. Os enredos de cinema acabam sendo influenciados por casos reais, mas de batalhas de guerra, como o que houve na Segunda Guerra Mundial, quando os alemães promoveram a blitzkrieg. Os ufólogos acreditam que esse poderá ser o destino da humanidade num caso de invasão no estilo “Independence day”, uma vez que eles creem na superioridade alien com o mote: “se conseguiram cruzar galáxias, então para nos escravizar custa pouco”.

Incursões extraterrestres...
São invasões extraterrestres de curta duração. Os alienígenas são incapazes de suportar uma invasão em larga escala devido ao seu número reduzido e em vez disso, usam o choque de sua chegada para espalhar o terror. Outras histórias seguindo esta linha de raciocínio mostram os alienígenas conduzindo incursões de reconhecimento e sondagem da população da Terra e, especialmente, de suas forças militares. Também, os invasores tentam escolher pontos isolados, tais como desertos, fazendas em áreas rurais e florestas, como área de observação ou zona de pouso. Este tipo de “invasão” é a mais estudada pelos ufólogos e tomada por eles como mais possível e real.

Invasão benevolente...
Um tema pouco explorado pela indústria do cinema, mas bem comum entre os teóricos dos deuses astronautas. Aqui, os aliens observam o homem e ajudam com sua tecnologia o desenvolvimento planetário. É aí que esses teóricos colocam a questão: em pouco tempo, o ser humano saiu das cavernas e já estava construindo enormes pirâmides no Egito; sem ajuda externa, isso seria impossível. A invasão benevolente no futuro é mais um tema de pequenos grupos religiosos norte-americanos, que propagam a ideia de que seres superiores vão conscientizar-nos a uma nova era de harmonia.


Qualquer que seja a teoria de como seremos invadidos, o tema fascina o homem desde a era vitoriana, quando os contos de ficção futurística deram um enorme salto de qualidade e de popularidade. No geral, se tivermos que enumerar a possibilidade mais bem-sucedida no meio comum, as incursões ganham de lavada, haja vista a quantidade de relatos de avistamentos e contatos imediatos.

A ciência no modelo como conhecemos, cartesiana, aponta que a invasão mais plausível poderá ocorrer na forma microbiótica. Não poderemos ver os aliens, mas eles poderão nos afetar mortalmente com doenças estranhas. Mas para isso ocorrer, o vírus deverá ser muito forte, pois terá que passar a milhares de quilômetros por hora na nossa atmosfera enquanto seu “veículo” (uma rocha) é danificado com o atrito.

Seja como for, Hollywood vai continuar a render muitos milhões de dólares com novas versões de homens estranhos que tentam fazer da raça humana escravos espaciais.


sábado, 6 de outubro de 2012

Um ano de muito sucesso...

Neste sábado, 06 de outubro, completamos nosso primeiro ano de vida. Um blog cujo princípio é debater fatos e farsas e (pelo menos tentar) desbanalizar a realidade e tudo aquilo que está atrás do nosso cotidiano, ou aquilo que entrou para os anais da história.

Ao longo desses doze meses recebi vários emails, elogios, críticas importantes, dicas de pauta para temas de postagens. Todos eles foram lidos com bastante carinho - mesmo os mais acusatórios - e vi positivamente, uma vez que a crítica faz com que nós caminhemos para frente e reflitamos nossas ações.


Neste sábado, o blog FATO E FARSA só tem a agradecer ao seu público, aos seus leitores assíduos, aos seus leitores periódicos e àqueles que virão a ser leitores, uma vez que o conhecimento e a curiosidade nos levam a caminhos distantes, a viagens maravilhosas.

Gostaríamos de, mais uma vez, agradecer o prestígio da visita. Há um ano contávamos com pouco mais de 30 visitas semanais; hoje já somamos a média de 650 visitas diárias, o que mostra o interesse e a confiança naquilo que propomos no debate - textos que poderiam ser muito maiores, mas nossa proposta é fazer com que a curiosidade leve à pesquisa, ao além do mundo virtual, à busca de livros etc.

Que venham mais doze meses e muitas postagens. Muito obrigado pela audiência!

Considerações importantes sobre o cristianismo e a maçonaria: será que houve ali um “casamento”?

Há muitos anos existe uma verdadeira onda de boatos e teorias da conspiração sobre a maçonaria. O mais célebre é o seu “segredo”. Vários escritores romancearam sobre conspirações armadas dentro de lojas maçônicas ao redor do mundo, o que é bem verdade: a Revolução Francesa, a independência de várias colônias americanas (Estados Unidos, Brasil, Argentina, Colômbia) são alguns exemplos verdadeiros. São sempre tramas políticas e esse status de ser um ambiente fechado deixou a Igreja com enormes suspeitas.

Recentemente, escrevi um post sobre algumas considerações da maçonaria. Para ler, clique aqui!

O maior problema é quando autores, como Dan Brown, decidem misturar situações e teorias diferentes, causando anacronismos e ecletismos desnecessários, como associar a maçonaria aos templários e outras ordens secretas. No entanto, isso tudo nasce pelo próprio medo da Igreja, que via movimentos populares derrubando monarquias nascidos de dentro de lojas maçônicas, por isso decidiu demonizá-la e a lenda perpetuou-se.


1º O primeiro documento católico que condena a maçonaria data de 1738, tratando-se da bula “In eminenti apostolatus specula”, que pode ser lido no site oficial do Vaticano, clicando aqui;

2º Há pelo menos 20 documentos clericais condenando a maçonaria e seus membros. O Papa Leão XIII foi um dos mais ferrenhos combatentes desse grupo;

3º Há boatos de que o Papa Paulo VI tenha sido associado a uma loja maçônica, mas não há provas que comprovem essa teoria. Entretanto, vários padres, bispos e cardeais frequentam clubes de serviços maçons em todo o mundo, apesar do combate religioso do catolicismo;

4º Historiadores apontam que o pavor religioso ante a maçonaria tem origem na Revolução Francesa, quando uma das propostas era romper com o Antigo Regime (rompendo com a aristocracia e o clero). Com um “inimigo” desconhecido por conta das reuniões nas lojas, o Vaticano propagou a ideia de a maçonaria ter propaganda anticristã;

5º No Brasil, todo o movimento de independência foi orquestrado por maçons (Dom Pedro I era um deles), e por isso a Igreja brasileira tomou partido de Lisboa enquanto Dom João VI era um religioso fervoroso;


6º Até 1983, a pena para católicos que se associassem à maçonaria era a excomunhão, mas desde os anos 40 a medida não era tomada em prática. No entanto, é sabido que a Igreja fez vista grossa inúmeras vezes porque muitos dos homens da elite e doadores de grandes quantidades de dízimo eram maçons;

7º No meio protestante também há os impedimentos quanto à maçonaria, principalmente entre os neopentecostais. Por ser um ramo religioso bastante fragmentado, cada denominação tem a sua interpretação: uns mais leves, outros com a expulsão da congregação;

8º O movimento de independência dos Estados Unidos foi todo embasado em homens da maçonaria, e por isso que também podemos afirmar que o protestantismo fez vista grossa a essa questão na América do Norte. Atualmente, vários pastores participam de reuniões em lojas maçônicas;

9º A Catedral de Helsinque (foto abaixo), na Finlândia, é o único monumento religioso que conta, oficialmente, com elementos maçons em sua estrutura.


O que podemos dizer é que, de modo geral, o cristianismo sempre condenou a maçonaria e seus praticantes por interesses próprios e não religiosos. O pavor do que se viu na Revolução Francesa e nos movimentos de independência serviu de base para uma total demonização. É interessante notar, com isso, que a excomunhão católica (ou a expulsão protestante) nunca fora praticada enquanto os atores maçons eram importantes burgueses que financiavam a prática religiosa.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Será que a Igreja um dia teve um cachorro como santo? Fato ou farsa?

De primeira, poderemos dizer que o resultado é um empate: um fato e uma farsa. A história é bastante interessante, e hoje suscita um debate muito grande, principalmente entre os críticos iconoclastas do catolicismo, acusando que atualmente a instituição tentaria esconder esse passado de adoração a um cachorro.

Desde os tempos que o ser humano se organizou em pequenas vilas, há dezenas de milhares de anos, os cães foram domesticados por suas características peculiares e úteis: companheirismo e vigilância. Auxiliavam no pastoreio, ajudavam na caça e ainda faziam papel de vigilantes durante a noite. Assim, os caninos sempre estiveram presentes na nossa cultura. Sempre gostamos deles e tivemos imenso carinho por eles.


Entretanto, um dos fatos mais intrigantes é o do ícone do cristianismo oriental que mostra um cão com auréola. Seria ele um santo adorado e devotado, que hoje a Igreja renega por ter características pagãs? A história é um pouco comprida...


Na Idade Média, havia inúmeros relatos fantásticos sobre ilhas distantes onde seres humanos tinham cabeça de cachorro. O inglês John Mandeville faz um desses relatos e os chama de “cinocéfalos” – ou seja, “aquele com cabeça de cão” – e outro é o famoso explorador Marco Polo, que em seu diário de bordo fala de uma ilha com homens cavernosos, de cabeça canina, e comportamento estranho. Entretanto, tudo não passava de um simples erro de identidade: os seres humanos de cruzamento bizarro eram relatados erroneamente; esses europeus viram, pela primeira vez, os macacos babuínos.


Explicando o caso de “São Cachorro”...
São Cristóvão aparece em algumas representações das igrejas orientais ostentando uma curiosa cabeça de cão. De acordo com a tradição, ele transportou Jesus menino de uma margem a outra de um rio e, por isso, ganhou a alcunha de padroeiro dos motoristas na Europa e nas Américas.



Já no cristianismo do Oriente, segundo a lenda, Cristóvão era muito bonito, razão pela qual era constantemente assediado pelas mulheres, enquanto ele queria seguir uma vida monástica distante dos pecados da carne. Com isso, orou muito e pediu a Deus que lhe desse a cabeça de um animal como forma de proteção de tanto assédio. Assim, foi-lhe dada a cabeça de cachorro, que já era símbolo da fidelidade e do companheirismo – nesse caso, fidelidade ao devotamento cristão.

De acordo com a historiografia teológica, a história remonta os primeiros séculos do cristianismo, quando ainda não havia uma liturgia definida nem mesmo um dogma certo. Cada comunidade vivia a religião da sua maneira, adotando práticas locais “cristianizadas”. O catolicismo como conhecemos hoje foi todo moldado durante os mil anos da Idade Média. Desta maneira, o culto do santo com cabeça de cachorro foi cristianizado a partir do culto egípcio a Anúbis, deus que tem cabeça de cão.


O folclore do santo com cabeça de cachorro prova como o culto do cristianismo foi sofrendo remodelações ao longo dos séculos e que até mesmo a religião é viva, e que ela permanece se modificando com a lógica dos tempos. São Cristóvão “canino” é praticamente um estudo antropológico interessantíssimo que evidencia como a população tem certa dificuldade de abandonar os seus cultos mais antigos e trata de adequá-lo aos cultos mais novos.