quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Caleuche, o navio fantasma do folclore chileno...

Poucos brasileiros já ouviram falar nessa história, que faz parte do folclore chileno, da tribo indígena chilota, o Caleuche, também conhecido por “Navio fantasmagórico”, “Coisa do mar” e “Navio dos bruxos”. O nome do lendário galeão fantasma vem do idioma mapudungun “kalewtun”, “transformar” e “chey”, “gente”; ou seja, “gente transformada”. Essa nau é descrita como um barco fantasma de cor totalmente branca, sempre refletindo uma luz tênue em uma neblina, de onde se pode ouvir música, festa e gargalhadas.


Neste blog já publicamos dois posts bem interessantes sobre a história do Holandês Voador, o navio fantasma que aterroriza navegantes pelos mares. Você pode lê-los clicando aqui e aqui!

De acordo com os indígenas que passaram à frente a história do galeão fantasma, ele se oculta por baixo da água ou por trás da neblina. Quando se sente ameaçado, também pode transformar-se em outros objetos e seres: baleias, morsas, rochedos etc.

Segundo as diferentes versões do mito indígena, sua tripulação é formada por feiticeiros da vila de Chiloé (foto abaixo) e seus comparsas em maldades, também por aqueles que morreram no mar em outros naufrágios e suas almas salvas por esses bruxos, e pela tripulação escravizada pelos demônios do Caleuche. A nau também seria um cemitério ambulante para os piratas que assaltaram vilas em busca de riquezas e acabaram violentando mulheres, crianças e idosos. Ou seja, um verdadeiro inferno fantasmagórico.


As origens mitológicas do Caleuche...
A lenda do galeão fantasma chileno se relaciona de diferentes maneiras, e em muitos aspectos, com a história das crendices populares da região de Chiloé. Não há um consenso com a origem do mito, mas entre as várias hipóteses há aquela que sugira a adaptação local do Holandês Voador. Por volta de 1600, chegaram à região os primeiros navios holandeses, o que pode ter levado até lá tais histórias de naufrágios piratas e misteriosos avistamentos no Caribe.

Há, entretanto, ufólogos que estudam a possibilidade de o Caleuche não ser um navio fantasma e apenas produto da imaginação folclórica, mas sim uma série de Osni’s – Objetos submergíveis não-identificados, que não versões aquáticas dos Ovini’s, já conhecidos.


Por ser um folclore regional, existem várias versões para o aparecimento do navio fantasma chileno. Às vezes, há riqueza de detalhes, e por outras o relato é totalmente diferente do que as pessoas costumam contar. O certo é que encontrar o Caleuche não é bom sinal.

1) Barco dos mortos do mar!
Uma versão popular afirma que esse barco salva a alma das pessoas mortas no mar e lhes dá nova vida à bordo, e as pessoas passam a eternidade em festas e celebrações. Por isso sem explicam os avistamentos envolvendo gargalhadas e música.

2) Barco maldito de pescadores escravizados!
Outra versão conta que o mítico barco aparece para encantar os pescadores com uma música maravilhosa, atraindo e transformando em fantasmas escravizados pela eternidade. Essa versão se parece com o mito grego das sereias cantoras que atraíam os barcos para as pedras.

3) Barco mágico de transporte de feiticeiros!
Há também a versão de que o Caleuche seja um navio para transportar a alma dos feiticeiros das tribos indígenas da região de Chiloé. Assim, os bruxos passariam a eternidade em festas grandiosas e, claro, pregando peças assustadoras na população local.

4) Barco mágico de contrabando
É uma das versões mais antigas do mito. Nela, o Caleuche seria um navio pirata do diabo que faria contrabando com comerciantes que fizessem pacto com as forças obscuras. Assim, o galeão navegaria de vila em vila assustando tripulações inteiras, recolhendo o que era deixado para trás e entregando aos tais comerciantes nebulosos. Essa narrativa fez surgir a desconfiança de quem fizesse fortuna rapidamente: desconfiavam de pacto sinistro com o Caleuche; assim, hoje em dia, no Chile, há a expressão “fazer fé no navio”, “ter pacto com o Caleuche”, quando alguém enriquece com rapidez.


O mito da nau fantasma tem tanta força na região de Chiloé que durante os anos 60, após um terremoto violentíssimo, algumas residências de comerciantes não sofreram danos. Com isso, eles foram acusados de terem pacto com os feiticeiros do Caleuche, que os teriam protegido.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Conspiração jesuíta: você já ouviu falar nela?

Na história da humanidade sempre houve um lote de teorias da conspiração, algumas bem famosas: o homem não teria ido à Lua, a Área 51 é um local que o governo americano esconde o que sabe sobre alienígenas, os homens de preto realmente existem, os atentados às Torres Gêmeas foi uma orquestração internacional etc. Entretanto, há outras bem particulares mas não tão conhecidas, como é o caso da conspiração jesuíta, que refere-se a uma história envolvendo os padres da Companhia de Jesus, da Igreja Católica.


Um breve panorama...
A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma congregação religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes de teologia da Universidade de Paris, liderados por Inácio de Loyola (foto abaixo). Foi criada no auge do desencadeamento da Reforma Protestante no norte da Europa. A companhia estava inserida no que a história chamou de Contrarreforma Católica.

Com a expansão do protestantismo, a Igreja e o papado decidiram expandir a fé com um “exército”. Assim, em 1540, uma bula religiosa reconheceu a ordem que tinha como missão levar o catolicismo aos confins do planeta com trabalho missionário e educacional. Desta forma que o catolicismo pôs os pés nas colônias americanas e chegou até o Japão.


A conspiração e a trama...
Os primeiros registros de conspirações são encontrados na “Monita secreta”, produzidos no início do século 17. São documentos fictícios alegando que os padres estariam ganhando riqueza por meios ilícitos. Na mesma época, a Ordem da Santa Inquisição, na Espanha, já havia alertado a coroa de que os jesuítas eram um pouco “secretistas”.

A Reforma Protestante, e, sobretudo, a Reforma Anglicana, trouxe novas suspeitas contra os jesuítas que eram acusados de infiltração políticas nos reinos e igrejas evangélicas. Na Inglaterra, foi proibido de pertencer aos jesuítas, sob graves sanções, incluindo a pena de morte.

O desenvolvimento do jansenismo na França do século 18 levou a rivalidades internas na Igreja entre jesuítas e os jansenistas e, embora os jesuítas pró-papais, em última instância, prevaleceram, custou-lhes caro no que diz respeito à sua reputação na galicana largamente influenciada pela Igreja francesa.


Nas colônias ibéricas na América não foi diferente: os padres jesuítas começaram a ganhar forte influência entre os nativos e fundavam colônias de trabalho praticamente independentes aos regimentos das coroas. Além de catequizar os indígenas, também passaram a aprender os idiomas locais, mas esse processo não era pacífico e muitos índios morreram nas torturas acusados de adoradores de Tupã. Entretanto, esses índios “civilizados” eram bem vistos como escravos já domesticados e, vez por outra, colônias jesuítas eram invadidas por bandeirantes.

No século 18, a situação estava insustentável em todo o planeta colonizado. Os jesuítas tinham mais poder do que os líderes locais nas colônias e até mais dinheiro que a metrópole. Dizia-se haver ali uma conspiração jesuítica contra a burguesia e a maçonaria, quando esses setores pressionaram governos e a própria Igreja.

A solução passageira do caso...
Sob enorme pressão política e social, as coroas de Portugal, Espanha e França começaram a expulsar os jesuítas de seus territórios além-mar a partir de meados de 1770. Esperta foi a coroa russa, que atraiu para seu território os padres exilados, uma vez que eram conhecidos literatos e, então, poderiam melhorar o nível educacional da população burguesa daquele reinado. O mesmo ocorreu em alguns pequenos reinos independentes da Prússia.


Muitas conspirações antijesuíticas emergiram ao longo do século 18, com o Iluminismo, como parte de uma suposta rivalidade secular entre a maçonaria e a Companhia de Jesus. Os ataques dos intelectuais aos jesuítas foram vistos como uma contraprova eficiente para o movimento antimaçonaria promovido por conservadores, e este padrão ideológico de conspiração persistiu até o século 19 com a publicação de “O judeu errante”, clássico do melodrama de Eugène Sue.

Teorias de conspiração de épocas anteriores frequentemente incidiram sobre a personalidade de Adam Weishaupt, um professor de direito que foi educado em uma escola jesuíta e criou a Ordem Illuminati. Weishaupt era acusado de ser o líder secreto da Nova Ordem Mundial, e mesmo de ser o próprio demônio. Augustin Barruel, um ex-jesuíta, escreveu longamente sobre Weishaupt, alegando que estes illuminati tinham sido os promotores secretos da Revolução Francesa.

Recentemente, escrevi sobre a Ordem Illuminati. Você pode conferir clicando aqui!


Na China e no Japão, os jesuítas foram acusados por vários imperadores de jogar política imperial, e o seu envolvimento no caso dos ritos chineses, em última análise, a ordem foi obrigada a reduzir as suas atividades no Extremo Oriente.

Na década de 1980, reivindica-se que líderes radicais jesuítas conduziam movimentos revolucionários na América Latina que levou a suspeita generalizada contra a Companhia pela ala direita dos governos latino-americanos, e também uma repressão gerada pela Teologia da Libertação do Santo Ofício.

O fato é que a conspiração envolvendo o nome dos jesuítas ganha a internet aos poucos, e eu não vou ficar assustado se alguém começar a associá-los a tramas à la Dan Brown: Illuminati, Rosacruz, Templários etc. Inclusive já há um site que declara a Ordem Jesuíta herdeira direta dos Cavaleiros Templários. É dose?!

sábado, 25 de agosto de 2012

As logomarcas da KFC e do Firefox vistos do céu: fato ou farsa?

A publicidade sempre foi inovadora e contou com uma arma de sedução e novidade para convencer seu público-alvo daquilo que mais almeja: vender seu produto e/ou serviço. Não é de hoje que ela existe; abaixo podemos ver alguns exemplares de cartazes da Coca-cola do início do século 20, hoje artigo caríssimo de colecionador. No entanto, a TV, o rádio e até mesmo a internet não são capazes de prender a atenção das pessoas em determinadas publicidades que acabam caindo no clichê.


Em meados dos anos 80, propagou-se por todo mundo o mito de que a Coca-Cola inovaria e – pasme – compraria alguns lotes de terrenos na Lua e lá colocaria a sua marca, visível em todo o planeta no período de lua cheia. Vários religiosos interpretaram a boataria como sinal do fim dos tempos. Entretanto, claro, tudo não passou de um boato que surgiu nos Estados Unidos durante um concurso de rádio: qual seria a publicidade mais louca, polêmica e bem sucedida? Ganhou essa da Coca-Cola na Lua!

Recentemente, surgiram na internet duas fotos bem curiosas, retiradas do Google Earth: logomarcas gigantescas da KFC e do Firefox. Mas será que isso é truque publicitário dentro do programa, financiado pela empresa, ou realmente existiu tal proposta, publicidade que pode ser vista do espaço? Vamos lá compreender!



O caso da KFC...
A KFC é uma grande rede de fast-food que trabalha com um prato tipicamente norte-americano: o carro-chefe do cardápio é o balde de frango frito empanado. Em 2006, os jovens executivos tiveram a ideia de chamar publicidade gratuita construindo a logomarca com 65 mil azulejos no meio do Deserto de Mojave. O trabalho durou seis dias e hoje é uma atração turística na pequena cidade de Rachel, no estado de Nevada.


A logomarca do senhor de bigodes ainda pode ser vista no Google Earth a partir das seguintes coordenadas: 37° 38’ 48.81” N 115°45’ 0.89” W. Mais interessante ainda é ver o vídeo mostrando como foi produzida essa obra de arte da publicidade.



O caso do Firefox...
Para se divertir com a história dos supostos misteriosos círculos em plantações ao redor do mundo, executivos do Firefox decidiram apelar para esse tipo de publicidade que rendeu muitos debates na internet. Este foi o caso da logo em uma plantação nos Estados Unidos. Mais uma vez levou à publicidade gratuita da empresa e muitas idas ao Google Earth para conferir.

A campanha publicitária aconteceu na cidade de Amity, no estado de Oregon. Atualmente não há mais o símbolo nas plantações por conta da atualização da imagem. O que restou foi apenas o registro na internet. Mas o mais interessante é que a equipe registrou todo o trabalho de confecção da logomarca. Você confere no vídeo abaixo...



Mas vale ressaltar que este não é um pioneirismo da KFC ou Firefox. Desde 1965, a empresa de concretos Readymix já possui uma publicidade no meio do deserto com objetivo de ser vista do espaço. O problema é que ela é bastante rudimentar em relação às outras citadas neste texto, mas valeu a intenção.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O estranho comportamento de um poltergeist...

Os pesquisadores que vêm ao longo das décadas pesquisando os chamados poltergeists chegaram a uma curiosa conclusão: a atividade acontece, geralmente, na presença de crianças e/ou adolescentes no ambiente afetado. Os fenômenos registrados são variados, mas seguem um padrão: arremesso de objetos, destruição de louça e ruídos durante a noite. No entanto, de acordo com os parapsicólogos, grande parte dos registros de poltergeists são erros de identidade (animais noturnos circulando a residência, por exemplo) ou pura armação de algum membro da casa; portanto, poucos são os casos reais que podem ser identificados.

Recentemente escrevi um post que explica um pouco sobre a natureza de um poltergeist. Clique aqui!

Também recentemente fiz um texto com considerações referentes a supostos lugares mal-assombrados. Clique aqui!

Recentemente escrevi um post que explica um pouco da parapsicologia. Clique aqui!



Em novembro de 1967, o advogado alemão Adam Hötch presenciou uma série de acontecimentos insólitos. Ele era um homem respeitado na sua cidade, Rosenhein, e tinha poucos conhecimentos acerca de assuntos sobrenaturais. Subitamente, as lâmpadas do seu escritório quebraram, abajures caíram e os quatro telefones começaram a tocar insistentemente; tudo ao mesmo tempo. Assustado, chamou os técnicos que perceberam algo estranho: o voltímetro variava muito, cuja corrente irrompia e depois desaparecia.

Depois de muita insistência dos amigos, Adam recorreu ao professor de parapsicologia Hans Bender, uma das autoridades locais no assunto. Bender instalou pequenas armadilhas para verificar se era obra de um funcionário zombeteiro a fim de brincar com Adam, o que mostrou não ser verdade.

Após quase um mês de investigação, o professor sugeriu ser atividade de um poltergeist, concentrando sua atenção em uma aprendiz de secretária de 19 anos. Ao verificar novamente os ocorridos, reparou que em todos eles a jovem estava no prédio. Quando ela ficou doente por duas semanas as atividades cessaram; com o retorno, tudo começou.

Adam Hötch e seus colegas ficaram assustados, mas ainda imperava o ceticismo de que a jovem secretária estivesse pregando uma peça em todos. Entretanto, o professor Bender fez vários testes e provou que a moça era inocente na história. Despedida, os fenômenos cessaram no escritório, quando começaram – de maneira mais atenuada – em outro ponto da cidade, justamente no novo emprego da secretária!



Outros tantos casos de poltergeists chegam diariamente aos centros de pesquisas de parapsicologia em todo o planeta. O grande problema é separar os casos que merecem ser investigados dos outros que já podem ser descartados por serem frutos da invencionice humana.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

As curiosidades envolvendo a lenda de Excalibur, a espada milagrosa...

Excalibur é a espada mágica do Rei Artur, atribuída à soberania de toda a Grã-Bretanha. Faz parte do folclore daquele povo, assim como o Saci faz parte das nossas histórias folclóricas. O problema surge quando alguns estudiosos apontam que a lenda seria verdadeira. Em cada região da Bretanha há uma versão diferente desse mito, mas em geral há uma linhagem comum: o rapaz que retira da pedra uma espada poderosa que lá estava fincada.


O nome Excalibur, aparentemente, tem origem na palavra galesa “Caledfwlchs”, que é a combinação das palavras “batalha/dura” e “violação”. O autor Monmouth, ao traduzir o mito para o latim traduziu para “Caliburnus”, influenciado pela palavra latina “chalybs”, que significava “aço”. Essa tradução foi feita no início do século 13 e, então, ganhou o mundo.

Caledfwlchs aparece primeiramente em várias obras mitológicas galesas, como sagas, poemas, prosas e coros. Parece ser um artefato muito importante para esse grupo étnico. Historiadores e professores de literatura inglesa medieval apontam que o termo “Caledfwlchs” aparece centenas de vezes em contos diversos escritos entre 950 e 1350, não somente no enredo do Rei Artur.

Mas já sabemos como Caledfwlchs virou Caluburnus. Mas e Excalibur? Simples. Isso aconteceu com as traduções francesas das sagas britânicas. Os primeiros registros de traduções aparecem como “Escalibor”, depois “Excaleibor” e, finalmente, “Excalibur”.


A partir da França, a lenda do Rei Artur ganhou a Europa. Dizia-se que nas ilhas britânicas havia um rei cuja espada cortava ferro como um machado afiado corta madeira. Assim nasceu a antropomorfização do mito: espalhou-se rapidamente a história desse reinado, da espada e de tudo mais. É por isso que muitos pseudo-historiadores creem na existência deste tempo lendário. E não é de se assustar que os europeus do continente acreditassem nessa história que ouviam: o período medieval foi repleto de boatos envolvendo o sobrenatural, religiões e muito misticismo.

A história de Excalibur e o Rei Artur...
No romance arturiano, há uma série de explicações sobre a posse de Artur em relação à espada poderosa. Como havia dito, no entanto, por ser grande parte de relato oral registrado mais tarde, a cada canto da Bretanha há um detalhe ou outro diferente. (1) Na versão mais conhecida, Artur obteve o trono puxando a espada de uma pedra, coisa que ninguém nunca havia conseguido, isso só porque o “verdadeiro rei puro de coração” poderia fazê-lo. (2) Numa outra versão, Excalibur é dada a Artur pela Dama do Lago, logo após seu reino começar. (3) Em outra versão, a espada é dada a Artur quando ele joga um dragão em um lago, e como oferenda as ninfas deram-lhe esse presente. (4) Por fim, há uma versão explicando que havia duas espadas, e Artur com sua sabedoria escolheu a verdadeira, Excalibur, a da justiça universal.

Curiosamente, nos séculos 15 e 16, várias pessoas se comprometeram a encontrar Excalibur. Alguns reis da Inglaterra tiveram essa mania cega, crendo que, assim, poderiam dominar toda a Europa e algumas colônias americanas. Esse foi mais um motivo para suscitar a busca recente, após a década de 1950, entre historiadores a favor da corrente chamada história alternativa.

Junto à história de Excalibur, o Rei Artur também carrega outro mito bastante forte envolvendo um objeto sagrado: o Santo Graal. Recentemente escrevi um post abordando as origens desse mito, que se intercala com os Cavaleiros Templários e a miscelânea teórica promovida por Dan Brown. Você pode ler clicando aqui.


No balanço geral desses apontamentos, podemos afirmar que Excalibur é um mito contíguo ao do Santo Graal e outros tantos. Folclore de um canto da Europa que ganhou tons de realidade por conta do fanatismo medieval e apego material aos objetos tidos como milagrosos, e isso retoca e retoma os dias de hoje, quando as teorias da conspiração nunca estiveram tão em voga.

sábado, 18 de agosto de 2012

A história do sonho do presidente que previu a própria morte!

Poucas vezes são consideradas dignas de crédito as afirmações de pessoas que dizem que seus sonhos se tornaram realidade. Até mesmo quando, em 1863, o então presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln previu em um sonho a sua própria morte, a visão não foi levada em crédito pelos seus amigos, familiares e correligionários. Para eles, tudo passava de um temor recente.


Você já ouviu falar na história das estranhas coincidências envolvendo vida e morte dos ex-presidentes americanos Lincoln e Kennedy? Pois é, recentemente publiquei um post falando sobre isso. Confira clicando aqui!

Lincoln contou esse estranho sonho a seu amigo íntimo, Ward Hill Lamon, que, nessa mesma noite, registrou em seu diário as palavras do presidente:

“Há cerca de dez dias me deitei muito tarde, e em breve comecei a sonhar. Parecia haver uma quietude de morte à minha volta. Depois ouvi alguns soluços abafados, como se houvesse muita gente chorando. Levantei-me, ainda no sonho, e desci as escadas. Lá embaixo o silêncio era quebrado pelo mesmo soluçar impressionante, embora quem quer que chorasse permanecesse invisível a mim. Fui passando de sala em sala. Não encontrava ninguém, tudo estava vazio, mas ainda ouvia soluços e choros.
Sentia-me confuso e alarmado, muito angustiado, resolvido a descobrir a causa de um estado tão misterioso e tão desconcertante. Continuei até chegar à Sala Leste, onde me deparei com uma coisa surpreendente. Em torno de uma urna, na qual jazia um cadáver, um corpo de soldados formava guarda com farda de gala e apinhava-se uma multidão compacta ao redor da urna, cujo rosto do morto estava tapado com um véu negro.
‘Quem morreu aqui na Casa Branca?’, perguntei a um dos soldados. ‘O presidente! Foi morto numa emboscada, num assassinato!’, respondeu um dos rapazes”.



Cinco dias após este relato, em 15 de abril, Lincoln foi morto com um tiro na nuca, disparado por John Wilkes Booth, no Teatro Ford, em Washington. O seu corpo foi velado na Sala Leste da Casa Braca, e o seu relato minuciosamente escrito por seu amigo entrou para o rol fantasmagórico do folclore norte-americano.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A incrível história do homem que, na ficção, previu o naufrágio do Titanic!

Um verdadeiro palácio grandioso fez-se ao mar na cidade inglesa de Southampton em 1898, na sua viagem inaugural. Era o maior e mais luxuoso transatlântico até então construído. Mas o navio, onde grande parte dos passageiros eram milionários de enormes posses, nunca chegou ao seu destino, a América; no meio da viagem, o seu casco foi destroçado por um iceberg e afundou, levando consigo um número gigantesco de vidas.

Parece ser realidade, não? É a história do Titanic? Não, de modo algum. O Titanic afundou em abril de 1912, e esse ano completa o primeiro centenário dessa tragédia que ganhou algumas versões para o cinema. Veja acima que o navio em questão afunda em 1898. Na realidade, esse transatlântico ao qual me refiro existia apenas no papel, fruto da imaginação do novelista Morgan Robertson (foto abaixo), que curiosamente chamou Titan ao seu navio na ficção no seu folhetim “Futility”.




Essa novela de 1898 poderia passar despercebida na literatura se não ocorresse uma tragédia alguns anos depois, curiosamente da mesma forma narrada pela história. Quatorze anos depois, um enorme transatlântico luxuoso partiria para a mesma viagem inaugural e não chegaria ao seu destino. Não é preciso nem descrever a história do Titanic, que tornou-se ainda mais popular depois do filme estrelado por Kate Winslet e Leonardo DiCaprio.

A história de Robertson não obteve nenhum sucesso à época do lançamento e só foi recordada em 1913, um ano após a tragédia real. O autor teve seus minutos de fama e, desde então, ficou conhecido pela vidência em uma história cuja realidade imitou a ficção.

O navio Titan da novela de Robertson apresentava, para além do nome, muitos outros aspectos que o tornaram um duplicado do verdadeiro Titanic. Ambos tinham sensivelmente o mesmo tamanho, alcançavam a mesma velocidade e possuíam a mesma capacidade, que lhes permitia transportar três mil pessoas. Ambos eram conhecidos como “insubmersíveis” e também afundaram no Atlântico Norte.


Mas as estranhas coincidências não se resumem a essas. Vão muito além. O famoso jornalista W. T. Stead publicou, em 1892, um conto que se revelou uma previsão inquietante do desastre do Titanic. Ele era espírita e foi um dos 1513 passageiros que morreram no naufrágio do transatlântico, em 10 de abril de 1912.

Nem a novela de horror de Robertson, nem as previsões estranhas de Stead serviram para impedir a tragédia com o navio. Mas a recordação desse caos serviu para salvar outro navio em circunstâncias semelhantes 23 anos depois. O jovem marinheiro William Reeves encontrava-se em vigia à proa em um navio de cargas que rumava do norte da Inglaterra para o Canadá em 1935; o mês era abril, conhecido pelos naufrágios e icebergs pelo caminho. Desde o Titanic, os navegantes tinham medo dessas águas nessa época.

O turno de Reeves deveria terminar à meia-noite, hora que o Titanic batera e também em águas calmas. Com esse pensamento, ele decidiu continuar mais um pouco em sua vigia solitária. Já estava cansado e não via mais nada, com muito sono. Temendo o pior, decidiu soar o alarme que foi atendido pelo comandante da embarcação; Reeves não havia visto nada, mas a algumas centenas de metros havia um iceberg na escuridão.


O dia raiou e foi possível ver que à frente havia centenas de icebergs menores e uma dezena de outros grandes, capazes de afundar o cargueiro. Na escuridão da noite eles não poderiam ser vistos com tanta clareza, ainda mais no horário – no final do turno cansativo de um rapaz. Mas o desespero e até despreparo de Reeves salvou o destino de várias pessoas.

A história de William Reeves se torna interessante quando divulgamos o nome do cargueiro: Titanian. A data do ocorrido: 10 de abril de 1935, a mesma que havia afundado o Titanic.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Peste bubônica, uma doença cheia de histórias...

A peste bubônica, doença que se alastrou pela Europa medieval, ceifou a vida de mais de 50 milhões de pessoas naquele tempo negro, o equivalente a um terço da população da época. Tão catastrófica, entrou para a história e mudou o curso da humanidade. Recentemente escrevi um post com algumas considerações sobre a doença. O post pode ser lido aqui!


A peste teria chegado primeiro à Europa através de uma espécie de rato indiano. Vivendo sempre próximo aos humanos, encontrou o meio mais fácil de transmissão; por ser um continente frio, com casas sempre fechadas e poucos hábitos de higiene, isso foi fundamental para a praga se disseminar ao longo dos séculos. Há registros na Rússia, no século 12, de que os mongóis já haviam sofrido gravemente com a peste bubônica nas pradarias da Sibéria.

A seguir, algumas considerações e curiosidades sobre a peste negra:

Em 1347, havia tantos mortos em Gênova, na Itália, que não havia mais sepulturas para o enterro. Com isso, foram construídas piras enormes cujos corpos eram cremados. Alguns eram atirados ao mar;

O mesmo aconteceu em outras cidades europeias. Os rios de Paris e Londres se tornaram cemitérios flutuantes. Além da sujeira pela falta de higiene e do mal-estar da própria peste, outras doenças se proliferaram por causa da exposição dos cadáveres. A água ficou contaminada. Se a pessoa não morresse de peste, com certeza seria ceifada por diarreia ou cólera;

Era chamada “peste negra” porque as pessoas adquiriam bolsões negros pelo corpo. Por fim, a circulação ficava totalmente comprometida e havia o quadro de gangrena. Os dedos e mãos ou pés ficavam totalmente enegrecidos. Era um quadro horrível;


Muitos médicos corajosos se dispuseram a atender as pessoas doentes, enquanto a maioria fugia das cidades acreditando que não havia mais o que ser feito. Na mentalidade medieval, os demônios estavam sobre a terra castigando a todos. Por isso, os médicos usavam uma roupa muito estranha e uma lança de dois metros de comprimento para furar os bubos (foto abaixo);


Muitos médicos acreditavam que a doença viesse pelo ar, graças ao mau cheiro das cidades, que não contavam com nenhum tipo de higiene e sistema de saneamento básico. Por isso, a recomendação médica da época era fechar a residência a fim que o miasma não entrasse. Justamente era o risco maior: com o calor e a comida, os ratos se proliferavam e a doença passava de pessoa para pessoa. Outra solução encontrada, e sem eficácia alguma, era usar cânfora no pescoço para evitar a inalação desse ar pesado;

Segundo relatos, durante a grande epidemia em Portugal havia uma média de 400 mortes todos os dias;

A peste negra resultou num efeito cultural enorme em toda Europa, principalmente o antissemitismo. Na Alemanha, os judeus foram acusados de espalhar a doença através do envenenamento de poços. Foram relatados vários pogroms em toda Alemanha e territórios próximos. Cerca de 150 cidades em territórios germânicos registraram violência contra judeus por conta da peste;

Os efeitos econômicos da peste negra na Europa foram gigantescos. Havia menos terra para ser cultivada – muitas foram usadas como cemitério – e a mão de obra também diminuiu em número. Os preços aumentaram absurdamente; com isso, quem não morreu pela doença ou por cólera, morria de fome;

Os judeus e ciganos foram vítimas menores da peste por conta de suas leis religiosas que envolvem a prática de higiene. Ambos devem lavar as mãos a cada refeição e separar os gêneros alimentícios. Com menos mortes, os cristãos os acusaram de terem criado a doença a fim de dizimar a cristandade em prol do diabo;


10º A última pandemia da peste negra ocorreu na segunda metade do século 19, na Ásia, e rapidamente se espalhou pelo mundo, chegando à Califórnia. Mas graças às medidas sanitárias já em voga na época, o número de vítimas foi muito reduzido;

11º Desde 1916, a peste negra não é considerada um grande problema de saúde. Há alguns casos em aldeias e cortiços, mas logo os medicamentos são suficientes para cessar o contágio;

12º No século 15, os turcos em guerra usaram cadáveres com peste como arma biológica. Os mortos eram catapultados para dentro das muralhas de cidades inimigas, ou então postos dentro do leito de rios para que a água fosse contaminada. Atualmente, não existe essa preocupação porque os medicamentos são fortes o bastante.

sábado, 11 de agosto de 2012

Fatos arrepiantes ligados ao desastre de um dirigível: fato ou farsa?

No dia 04 de outubro de 1930, o orgulho da engenharia aeronáutica britânica, o dirigível R-101, deixou a Inglaterra na sua viagem inaugural sem escala, rumo à Índia. Mas as condições atmosféricas não eram das melhores; ao cruzar o Canal da Mancha, o R-101 foi sacudido por rajadas de vento cuja intensidade aumentava a cada momento. A visibilidade ficou reduzida a quase zero, e o dirigível, deslocando-se a cerca de 300 metros de altitude, entrou em bumping, chegando a perder 90 metros de altitude, que não conseguia recuperar. Às 2h30 da manhã, a nave, em forma de charuto, despencou no bosque em Beauvais, no norte da França, e acabou em chamas. A viagem foi extremamente curta.


Apenas seis pessoas sobreviveram. Outros 48 morreram carbonizados. As testemunhas dizem que as chamas atingiram surpreendentes 80 metros de altura no meio da floresta. O desastre fez surgir um inquérito policial enorme, apurando as causas da tragédia e os culpados. Mas a imprensa sensacionalista levantou um outro relatório que causava arrepios naquela época.

Os jornalistas investigadores descobriram que em 1925, cinco anos antes, quando o dirigível ainda estava em projeto, Shefton Branckers, diretor da Aeronáutica Civil extremamente supersticioso, consultara um astrólogo que lhe declarara que não se via nada na sua vida decorridos seis anos. Juntamente com Lord Thompson, secretário-geral de Aeronáutica, Shefton morreu nesse acidente.


Os investigadores averiguaram, também, que quando Walter Radcliffe, um dos montadores que voaram no dirigível, saiu de casa na manhã de 04 de outubro, o filho, ainda menino, começou a chorar dizendo: “Já não tenho pai. O meu pai não vai voltar, ele me deixou”. Curiosamente, Radcliffe chegou a voltar para casa à tarde porque havia esquecido alguns documentos, mas partiu na viagem que o matou.

Quando um amigo do comandante do R-101, o tenente-aviador Carmichel Bird Irwin, chegou à casa desse para comunicar à viúva a trágica ocorrência, a mulher de Irwin adiantou-se: “Não precisa de preocupações. Eu já sei. Sabe, o Carmichel é irlandês e eu sou escocesa. Ambos sabíamos que ele não voltaria”. Esta afirmação porque, tradicionalmente, os irlandeses e escoceses são conhecidos no Reino Unido como bastante supersticiosos. Mais estranho ainda foi o fato de, no momento exato em que o dirigível se despencou, a telefonista do serviço na base de Cardington ter ouvido um clique na linha de telefone ligada ao gabinete de Irwin. O oficial de serviço que foi investigar o fato comprovou que o gabinete estava vazio.


Mais perturbante ainda, porém, foi o relato de uma sessão espírita realizada em Londres três dias depois dessa tragédia. Uma médium conhecida como Eileen Garrett teria entrado em transe e se comunicado com voz de homem, mencionando o nome de Carmichel Irwin. A voz divulgou defeitos técnicos no dirigível, que só foram tornados públicos no ano seguinte, com a investigação oficial do caso pela Aeronáutica Britânica.

Até hoje o caso é explorado de maneira sensacionalista pela mídia britânica e por pessoas que creem no dom de comunicação com o mundo dos mortos. Muitos céticos apontam que a sucessão de presságios poderiam ser “forçadas” e elaboradas pelos jornais sensacionalistas.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Teria o fantasma de Dante Alighieri indicado o manuscrito de “A divina comédia”?

Quando, em 1321, Dante Alighieri morreu, não foi possível encontrar algumas partes do manuscrito de sua obra-prima, referência para o teatro moderno, “A divina comédia”. Durante vários meses, os seus filhos Jacobo e Pierro reviraram a casa do pai na procura pelos pedaços que faltavam. Então surgiu uma dúvida: será que Alighieri foi tão louco de escrever um texto em pedaços? As pessoas começaram a suspeitar de que não havia papel algum.


Jacobo e Pierro desistiram da busca, quando o primeiro sonhou que vira seu pai vestido de branco e com uma luz azulada muito forte. Perguntou, no sonho, se a obra estava completa. Dante disse que sim, e indicou onde guardava seus escritos em um canto secreto da casa, dentro do quarto onde dormia.

Tendo como testemunha um advogado amigo da família, Jacobo e o irmão dirigiram-se para o local indicado no sonho. Por detrás da cortina havia uma pedra solta, que removida tinha uma câmara com uma pequena caixa de madeira. Dentro dessa caixinha havia vários papéis mofados com a letra de Dante (foto abaixo). Assim, finalmente, estava terminada e completa “A divina comédia”.


Muitas pessoas dizem que se não fosse a visão fantasmagórica em um sonho, a obra-prima do primeiro período do Renascimento estaria incompleta. Algumas pessoas creem que essa história seja puro golpe da época para envolver os escritos em torno de algo mais valoroso. Seja como for, é uma anedota muito interessante para contar para os filhos e netos.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (9)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

“Fulano é o diabo a quatro!”
Significa que alguém é muito arredio, dado a arte e bagunça. Nasceu na França, “faire le diable a quatre”, originada do teatro da Idade Média, quando o diabo aparecia para atormentar os personagens indicando vingança, desejo, luxúria etc. Geralmente, os autores compunham as cenas com quatro diabos rondando o personagem indicando a consciência exageradamente maléfica. No Brasil acabou ganhando a variação com palavrão: “o caralho a quatro”.

De onde vem a expressão “o dia D”?
Trata-se de uma expressão histórica muito importante na contemporaneidade. Este foi o dia 06 de junho de 1944, quando os aliados invadiram a Europa pela Normandia, na França, em plena Segunda Guerra Mundial, fazendo com que os nazistas se enfraquecessem em duas frentes, esta e outra soviética, a leste. Militarmente já era uma expressão conhecida, indicando o dia fatal de determinada operação, cujo “D” vem de “day”, “dia” em inglês. Para quem não sabe, a França adota a expressão com mais carinho a seu idioma: “le jour J”.


Dourar a pílula...
Expressão que significa aliviar alguma coisa para alguém. Dizer algo com voltas e eufemismos. “Pílula” vem do latim e significa “bolinha”. A expressão já aparece nos idos de 1680, na Europa, quando os farmacêuticos embrulhavam purgante e laxante em bonitos embrulhos coloridos e brilhantes. Desta maneira, as pessoas passaram a associar o remédio ruim com o embrulho (disfarce) bem feito.

Um elefante branco tem alguma coisa a ver com o bicho?
Sim, tem tudo a ver. Há muitos séculos no Sião, onde hoje é a Tailândia, quando o governante antipatizava com alguém da burguesia, presenteava-o com um caríssimo elefante branco (foto abaixo), dito sagrado por aquela sociedade. Pode parecer contraproducente, mas tem um fundamento: quem iria negar um presente real, cujo animal era sagrado para todos? A ideia era levar à falência o burguês inconveniente, uma vez que o animal deveria ser muito bem tratado e estar sempre limpo e bem alimentado. Algumas vezes o governante fazia visitas surpresas a essas pessoas a fim de conferir pessoalmente se o presente estava sendo bem tratado como deveria. A expressão existe em todo mundo e ganhou popularidade no século 18.


“A emenda saiu pior que o soneto”
Um jovem aspirante a poeta entregou um soneto que havia composto a Manuel Maria Barbosa, grande figura portuguesa; o pedido era simples: marcar com uma cruz cada erro encontrado a fim de aprimorar sua técnica como futuro poeta de sucesso. Manuel Maria leu o poema com alegria e o devolveu sem nenhuma cruz vermelha indicando erros, dizendo que havia tantos erros ali que as cruzes seriam tantas que a emenda sairia muito pior que todo soneto.

Esparadrapo também tem história?
Quem estuda ou estudou história sabe que tudo pode ter uma história interessante que a maioria desconhece ou ignora por causa da rotina e da vida corrida, e este é o caso do esparadrapo. A palavra tem origem no italiano “sparadrappo”, que curiosamente são duas palavras que remetem a uma ordem lógica de funcionamento: “rasgue” (“spare”) e “pano” (“drappo”). “Drappo” também deu origem a “trapo” no nosso idioma.

O café expresso, que nada tem a ver com a rapidez com que é feito...
O café expresso é a segunda bebida mais consumida em todo o mundo, ficando atrás somente da água. Feito com rapidez, é um ótimo companheiro para quem vive na correria do dia a dia. Entretanto, seu nome não tem nada a ver com essa vantagem. Vem do latim “expressu”, que significa “comprimido”, “espremido”; seu nome nasceu assim porque foi inventado na Itália (“caffè espresso”, “café comprimido”), uma vez que é passado pela compressão de vapor de água quente pelos pequenos grãos de café forte.


Fazer a barba, uma expressão sem lógica hoje em dia...
Reinaldo Pimenta, em seu primeiro volume do livro “A casa da mãe Joana”, tem razão ao dizer que falar que vai fazer a barba é uma expressão sem a menor lógica, uma vez que o indivíduo vai usar a gilete para tirá-la totalmente. Então a pessoa vai desfazer a barba que fez-se sozinha, certo? Mas essa expressão surgiu no século 19, quando a moda era usar barba; com isso, aparava-se a barba semanalmente para que ela ficasse de boa aparência, com formato único e não cheia de pontas. Assim, “fazia a barba”.

sábado, 4 de agosto de 2012

Curiosidades sobre o olho de Hórus, ou “Udayt”...

Sempre que se fala em ocultismo, bruxaria e misticismo ele estará lá: o famoso olho de Hórus, que para muitos céticos estudiosos é um símbolo presente na escrita hieroglífica do Egito Antigo. Também conhecido por alguns como Udyat, ele simboliza muito mais que um significado egípcio, mas também proteção e poder. Na época dos faraós era considerado um amuleto sagrado capaz de tirar o mau olhado e desviar a inveja.


Segundo a lenda do Egito Antigo, o olho esquerdo de Hórus simbolizava a Lua e o direito, o Sol. Durante uma luta, o deus Seth arrancou o olho esquerdo de Hórus, o qual foi substituído por este amuleto, que não lhe dava visão total, colocando então também uma serpente sobre sua cabeça. Depois da sua recuperação, Hórus pôde organizar novos combates que o levaram à vitória decisiva sobre Seth. Era a união do olho humano com a vista do falcão, animal associado ao deus Hórus. Era usado, em vida, para afugentar o mau-olhado e, após a morte, contra o infortúnio do além.

O olho direito de Hórus representa a informação concreta, factual, controlada pelo hemisfério cerebral esquerdo. Ele lida com as palavras, letras, e os números, e com coisas que são descritíveis em termos de frases ou pensamentos completos. Ele aborda o universo de um modo masculino. Já o olho esquerdo representa a informação estética abstrata, controlada pelo hemisfério direito do cérebro. Lida com pensamentos e sentimentos e é responsável pela intuição. Ele aborda o universo de um modo feminino.


Por representar um deus muito forte, potente e importante, ganhou outros significados, como a matemática. O olho de Hórus, em fragmentos, entrava no sistema numérico simbolizando frações; assim, meio olho era ½, por exemplo.

Hoje em dia ele é muito usado na superstição para espantar o mal e a inveja para cima de quem utiliza-se do amuleto, atraindo poder, vigor, proteção e saúde. No entanto, é muito confundido com o olho da Providência Divina, o olho que tudo vê e tudo sabe. Por ser um símbolo comum do ocultismo e do desconhecido, acabou também sendo misturado a teorias conspiratórias, associando-o a ordens secretas.


O uso do “udyat” na medicina...
Um dado interessante é que o olho de Hórus está, também, presente na medicina e sua origem é bem especulada. Uma das explicações é a que aponta uso do amuleto como proteção e busca de boa saúde; assim, os faraós usavam o símbolo para a boa recuperação em um período de doença. Por ser ainda considerado o olho poderoso de um deus, tornou-se o símbolo da radiologia; é muito comum encontrarmos olhos de Hórus em algumas clínicas de raio-x em algumas partes do mundo simbolizando essa prática médica. O símbolo une um olho humano com as marcas de um falcão, ou cicatrizes da restauração, pois Hórus tinha a cabeça de falcão. Tem sido usado por séculos, representando saúde e proteção.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A história dos rostos de fantasmas no chão da cozinha...

Numa manhã de agosto de 1971, na cidade de Bélmez, no sul da Espanha, encontravam-se sentados na cozinha da sua casa uma mulher já bastante idosa e o seu neto, uma criança de sete anos, quando ele descobriu, com muita alegria, uma nova e divertida brincadeira. A tal brincadeira aterrorizou a idosa, extremamente mística e supersticiosa, além de várias pessoas da comunidade científica que não haviam encontrado resposta para o tal fenômeno da cozinha da pobre casa.

A criança havia descoberto um rosto humano que se imprimira espontaneamente no chão da cozinha – um rosto com expressão de angústia. Não se encontrou nenhuma espécie de pigmentação no tijolo, e os moradores, receosos, tentaram removê-lo quando o desenho se acentuou mais ainda. Alarmado pelas figuras que apareceram na cozinha – eram cinco –, o marido da idosa removeu os tijolos e substituiu por cimento. No entanto, três semanas depois, surgiu um novo rosto impresso no novo pavimento.



O estranho fenômeno ganhou a Espanha e chegou a ser noticiado por jornais sensacionalistas por toda a Europa. As autoridades de Bélmez decidiram remover a família da casa, arrancar o chão de cimento e iniciar uma investigação oficial a fim de acabar com a boataria. Teve, então, início uma escavação que descobriu as ruínas de um cemitério medieval e outros rostos apareceram em partes diferentes da casa, que já ganhava a fama de ser residência fantasma.

A histeria por conta dos rostos no chão da casa fez com que começassem a surgir histórias de fantasmas, ruídos, aparições. Mas da mesma forma como apareceram de repente, também sumiram sem nenhuma explicação. Os cientistas cogitaram a possibilidade de ter sido uma farsa forjada pela família habitante da residência, mas mesmo quando ela saiu do imóvel, o fenômeno permaneceu.

Diante do impasse dos rostos de Bélmez, parapsicólogos visitaram o espaço da vila e fizeram uma sessão de EVP na residência. Recentemente, escrevi um post que explica o que é uma EVP. Leia clicando aqui. De acordo com os acervos dos pesquisadores, as gravações teriam captado murmúrios e choros, além de algumas falas em idioma medieval.



Até hoje a aldeia de Bélmez é visitada por místicos, cientistas e parapsicólogos que procuram conhecer o local onde os misteriosos rostos apareceram e sumiram. A ciência ainda tenta explicar o que o senso comum acredita ser fenômeno sobrenatural.