terça-feira, 31 de julho de 2012

As curiosas semelhanças entre Abraham Lincoln e John Kennedy: fato ou farsa?

Existe uma lenda urbana nos Estados Unidos propagada desde os anos 70 que fala sobre terríveis semelhanças entre dos ex-presidentes norte-americanos: Abraham Lincoln e John F. Kennedy. Ambos são figuras emblemáticas na história daquele país e, por isso, a sucessão de coincidências assustou muitas pessoas entusiastas da teoria conspiratória da maldição da família Kennedy.

Esses tópicos voltaram à voga com a popularização da internet e falam que Lincoln (presidente entre 1861 a 1865) e Kennedy (presidente entre 1961 e 1963) têm um misterioso fio de tramas esquisitas. Mas será isso tudo um fato ou uma farsa? É o que poderemos descobrir a partir de agora. Voilà!



- Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso americano em 1846. John Kennedy, em 1946!
Kennedy foi eleito pela primeira vez em 1946 como deputado federal e Lincoln foi eleito em 1846. Porém, Lincoln foi reeleito para o cargo, enquanto Kennedy teve que terminar seu primeiro mandato na Casa Branca antes de assumir no congresso.

- Lincoln foi eleito presidente em 1860, Kennedy em 1960!
Ambos foram eleitos presidente com cem anos de diferença entre as eleições.

- Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
Os sobrenomes têm o mesmo número de letras! Aliás, vários presidentes dos Estados Unidos também tiveram (ou têm) sobrenomes com sete letras. Jones Madison e Andrew Jackson foram dois deles. A coincidência entre os nomes dos dois acaba aí! Os nomes de ambos têm quantidades diferentes de letras e, além disso, Kennedy tinha um nome do meio, Fitzgerald.

- Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
Essa afirmação foi criada para ser bastante abrangente. Qual o político que não seria tão inteligente ao ponto de não “lutar pelos direitos civis”? Acreditamos que esse seja um mote usado em todas as campanhas presidenciais. E cada um defendeu algo relativo ao seu tempo.

- As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca!
A esposa de Lincoln perdeu três filhos enquanto ainda eram crianças. Uma delas quando Lincoln já era presidente. A esposa de Kennedy teve um aborto quando o marido já estava na Casa Branca. Se na época de Kennedy, a mortalidade infantil era alta, imagine cem anos antes?

- Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
Segundo o escritor e pesquisador Josep Albaigès, Lincoln realmente queria era salvar a unidade da América e da libertação dos negros era uma mera consequência da guerra, enquanto para Kennedy os direitos dos negros não eram tão importantes assim como seriam para seu sucessor, Johnson.

- Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira!
Lincoln foi assassinado no dia 14 de abril de 1865 e Kennedy no dia 22 de novembro de 1963. Os dois dias caíram numa sexta-feira! Quantos outros presidentes também morreram numa sexta-feira?

- Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça!
Ambos foram assassinados com tiros na cabeça! Acredita-se que os alvos mais prováveis de um assassino são o peito e a cabeça. A “coincidência” foi que os dois assassinos optaram pela cabeça de suas vítimas, mas não por escolha. Kennedy estava dentro de um automóvel – que deixava sua cabeça desprotegida – enquanto que Lincoln estava sentado em uma poltrona – que o deixou também com a cabeça desprotegida.

- Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa!
Como os presidentes foram assassinados durante um evento publico, era de se esperar que estivessem em companhia de suas esposas.

- A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro. A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas!
De fato, Jonh Kennedy tinha uma secretária chamada Evelyn Lincoln. Porém, não há nenhum registro de funcionária chamada Kennedy trabalhando com Lincoln. Aliás, os únicos secretários documentados de Lincoln foram John G. Nicolay e John Hay.



- Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas!
John Wilkes Booth, o assassino de Lincoln, nasceu no estado de Maryland que fica na região nordeste dos Estados Unidos. Lee Harvey Oswald, assassino de Kennedy, nasceu no estado de Louisiana. Portanto, só Lee pode ser considerado sulista.

- Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas!
Sim, verdade.

- Ambos os sucessores chamavam-se Johnson!
Também é verdade.

- Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808. Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908!
Sim, verdade!

- John Wilkes Booth, que assassinou Lincoln, nasceu em 1839. Lee Harvey Oswald, que assassinou Kennedy, nasceu em 1939!
John Booth nasceu em 1838. Lee nasceu em 1939. Ou seja, são 101 anos de diferença!

- Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
Pelo menos na mídia impressa, tanto um como o outro assassino são mencionados de maneiras diferentes. John Wilkes Booth, por exemplo, é citado como “J. Wilkes Booth”, “John Booth” ou apenas “Booth”. Lee Harvey Oswald também foi mencionado de diversas formas pela imprensa. Essa frase foi meio distorcida para se adequar ao posto de coincidência.

- Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras!
Verdade.

- Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito. Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema!
Booth deu um tiro em Lincoln dentro de um teatro e, depois de vários dias fugindo, foi preso e morto dentro de um galpão de tabaco. Lee Oswald atirou de dentro (ele estava dentro, mas a vítima estava lá fora) de um depósito de livros e foi apanhado vivo em uma sala de cinema. Nesse tópico, a frase também sofreu uma leve distorção para se adequar à coincidência.

- Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
Sim, é verdade.

- O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham e teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
Abraham Zapruder filmou o assassinato de John Kennedy. O Teatro Ford pode ter sido propriedade de alguém chamado John, um nome comum...

- Lincoln foi morto no Teatro Ford. Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln...
Verdade.



Ou seja, essa lenda ainda permanece viva para várias pessoas que creem cegamente nela. Em um balanço geral, temos cinco afirmações falsas, cinco meias-verdades e onze pontos que podem ser verdadeiros. Coincidências à parte, é tudo muito interessante.

sábado, 28 de julho de 2012

Você já ouviu falar nos estranhos casos de autocombustão humana?

Numa noite de outubro de 1958, uma secretária de 19 anos dançava com o seu namorado numa boate em Londres quando, de repente, irrompeu em chamas. Como que provocado por uma tempestade interior, o fogo irrompeu furiosamente das costas e do seu peito, envolvendo sua cabeça. Em poucos segundos virou uma tocha humana e morreu, antes mesmo de as pessoas presentes terem tempo de ajudá-la. Com as mãos queimadas, o namorado entrou no inquérito policial e declarou que na boate era proibido fumar, não havia velas; outras pessoas também declararam o mesmo, e o pior: misteriosamente parecia que as chamas vinham de dentro do corpo, um exemplo de autocombustão. A causa da morte foi combustão por origem desconhecida.

Casos raríssimos, misteriosos, porém verdadeiros...
A autocombustão humana é muito rara, mas aparece frequentemente na história. Na Inglaterra do século 17, uma idosa foi encontrada totalmente carbonizada em sua cabana; o corpo estava queimado, nada mais ao redor. Nem mesmo as cortinas ou o lençol da cama ao lado. Outros dois casos parecidos foram relatados na Inglaterra entre 1850 e 1960. Nos Estados Unidos da década de 1940 também há o relato de um homem que pareceu explodir na rua. Do nada, o fogo saiu de dentro do seu corpo causando verdadeiro terror entre as pessoas da rua.



Já o professor Robin Beach, da Engineers Associated, acredita que a autocombustão possa ser a causa de alguns incêndios ao longo da história humana. Mas outros pesquisadores que acreditam nesse fenômeno apontam que ele é raro demais para ser o causador de tantos incêndios. A grande maioria dos cientistas não acredita no ser humano autoincendiário.

Alguns físicos explicam que, aparentemente, algumas pessoas têm maior poder de deter eletricidade estática do que outras. Assim, tornar-se-iam “pilhas ambulantes” e ao menor sinal de fogo ou faísca, irromperia a combustão. No entanto, o assunto é controverso demais e por vezes permeia o campo do sobrenatural e religioso.


O professor Beach é um entusiasta no assunto e diz ter relatos de mais de 500 casos de autocombustão humana. Pesquisadores mais céticos dizem que, comprovadamente, há apenas seis ocorridos desde 1850 até os dias de hoje. O maior problema até 2004 é que as vítimas nunca sobreviviam para relatar, até que um caso intrigante ocorreu na Bélgica: uma mulher começou a se incendiar e foi salva pelos filhos; ela disse que sentiu um calor muito forte no braço e quando notou, havia fogo na sua pele.

O assunto é controverso e ainda encontra dificuldades de pesquisas sérias por causa do preconceito com a teoria de que alguns seres humanos poderiam ser como bombas relógio.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Skull & Bones: a sociedade secreta contemporânea...

Ultimamente tem ganhado o gosto popular um tipo de literatura sobre sociedades secretas que foram formadas ao longo da história. O problema é que nem sempre esses textos são confiáveis, misturando romances e ecletismo teórico, fazendo uma verdadeira salada. Hoje vou abordar a Skull & Bones.

Recentemente, publiquei alguns posts sobre outras sociedades secretas e suas considerações. Maçonaria (clique aqui e leia); Ordem Rosa-Cruz (clique aqui e leia); Illuminati (clique aqui e leia); Cavaleiros templários (clique aqui e leia).

A sociedade Skull & Bones é do tipo estudantil e foi fundada nos Estados Unidos em 1832, introduzida na Universidade de Yale por William Hungtington Russell e Alphonso Taft. Segundo alguns historiadores, Russell estudou na Alemanha, onde teria conhecido pessoas que se interessavam pela sociedade dos Illuminati. Mesmo sendo considerada extinta, ainda tinha adeptos ufanistas.


Tanto Russell quanto Taft se graduaram em Yale e venceram na vida. O primeiro virou deputado estadual por Connecticut e depois acabou nomeado general da Guarda Nacional Norte-Americana. Já o segundo foi ministro da Guerra e embaixador na Rússia. A partir daí que começam a surgir as teorias conspiratórias dos Skull & Bones.

Vale fazer um parágrafo para dizer que Yale é uma universidade particularmente interessante. Além da Skull & Bones, há outras duas sociedades secretas, mas com importância menor: a Scroll & Key e a Wolf’s Head.



Os candidatos a Skull & Bones são sempre homens brancos, de heranças protestantes e originários de famílias muito ricas, ou de importância na história dos Estados Unidos. Geralmente há uma linhagem: seus pais, ou avós, ou tios já foram membros da Skull & Bones. Trata-se de uma forte herança da colonização britânica e protestante do território americano.

Fora do ambiente de teoria da conspiração, a Skull & Bones tem uma ligação muito forte com a maçonaria. Quase todos os seus membros são, também, adeptos da maçonaria. Graças a isso, a sociedade secreta entrou para o patamar das lendas urbanas americanas e, vez ou outra, aparece em filmes.

Outro fato curioso é que durante as eleições presidenciais de 2004, nos Estados Unidos, todos os candidatos democratas e republicanos eram membros da Skull & Bones, portanto já se conheciam desde os tempos de faculdade. O vencedor, George W. Bush, é um dos membros mais proeminentes, integrado lá graças ao seu pai e também ex-presidente, George Bush.

Desde 1840 a política norte-americana tem sido pautada entre os membros da Skull & Bones. Vários governadores, senadores e ex-presidentes fazem parte dessa sociedade secreta, o que aumenta ainda mais as conspirações sobre certas atitudes em relação à política mundial.

terça-feira, 24 de julho de 2012

As misteriosas linhas de Nazca: desenhos feitos para serem vistos do céu!

Quem é adepto da teoria dos deuses astronautas do passado já leu muito sobre esses misteriosos desenhos enormes criados pelo ser humano. As linhas de Nazca são um conjunto de geoglifos muito antigos localizados no deserto de Nazca, ao sul do Peru. São tão exóticos que em 1994 foram designados como Patrimônio Mundial pela Unesco.


Num espaço de 80 quilômetros de extensão estão as dezenas de desenhos, que embora lembrem a cultura paraca, arqueólogos dizem que foram feitos pela etnia nazca, entre os anos 400 e 650 d.C. A partir de simples linhas há formas de beija-flor, aranha, macaco, peixe, lhamas, lagartos etc. No Google Maps você pode ver por satélite essas linhas colocando na barra de procura essas coordenadas: -14.725833, -75.148611.

As linhas são desenhos rasos feitos no chão, removendo as pedras avermelhadas onipresentes na região e descobrindo o chão esbranquiçadas por baixo. Centenas são simples linhas ou formas geométricas, com mais de setenta desenhos de animais, aves, peixes ou figuras humanas. Os maiores têm mais de 200 metros de diâmetro. Os estudiosos divergem na interpretação dos efeitos dos projetos, mas eles geralmente atribuem um significado religioso. Devido ao clima seco, sem vento e estável do planalto e ao seu isolamento, a maior parte das linhas foram preservadas.



Os desenhos foram descobertos há pouco tempo, quando as pessoas começaram a viajar de avião a partir da década de 1930, quando os antropólogos se surpreenderam e começaram a estudá-las com auxílio dos arqueólogos. Uma das principais questões que deixaram os estudiosos mais intrigados foi a maneira como essas linhas foram construídas, algumas com precisão como se tivessem sido feitas com régua, papel e caneta, mas com dimensões gigantescas.

A maioria das linhas formam uma trincheira de aproximadamente seis centímetros de profundidade. Os estudiosos teorizam que o povo de Nazca poderia ter usado ferramentas simples e equipamento de levantamento para a construção das linhas. Estudos descobriram estacas de madeira no chão no final de algumas linhas, que apoiavam esta teoria.

O povo de nazca desenhou várias centenas de animais simples, mas enormes, e figuras humanas com esta técnica. No total, o projeto de terraplenagem é enorme e complexo: a área que abrange as linhas é de cerca de 500 quilômetros quadrados e os maiores desenhos podem abranger cerca de 270 metros.


Os arqueólogos, etnólogos e antropólogos têm estudado a antiga e complexa civilização de Nazca para tentar determinar o efeito das linhas e figuras. Uma teoria é que eles criaram tais figuras para que pudessem ser vistos por seus deuses no céu. Os pesquisadores Kosok e Reiche propõem um objetivo relacionado com a astronomia e cosmologia: as linhas tinham a intenção de atuar como uma espécie de observatório, para apontar para os lugares no horizonte onde o sol e outros corpos celestes nascem ou se põem. Muitas culturas pré-históricas indígenas nas Américas e em outros lugares construíram monumentos em terra para observação astronômica combinada com a sua cosmologia religiosa.

Os adeptos de que alienígenas desceram à Terra na forma de deuses acreditam que esses desenhos foram feitos em homenagem a esses seres, uma vez que em 600 d.C. ninguém voava, a não ser supostas naves espaciais com turistas interplanetários. O caso é extremamente controverso, até porque a figura do astronauta saudando o céu (foto abaixo) causa dúvida em qualquer pesquisador. Um dado interessante, que vale como nota: é farsa dizer que os desenhos de Nazca podem ser vistos do espaço sideral; eles só se tornam visíveis quando a altura de uma aeronave comercial.


Em 1985, o arqueólogo Johan Reinhard publicou dados arqueológicos, etnográficos e históricos que demonstram que o culto às montanhas e outras fontes de água predominaram na religião e na economia de Nazca, dos mais antigos aos tempos mais recentes. Ele teorizou que as linhas e as figuras eram parte das práticas religiosas que envolvem o culto à divindades associadas com a disponibilidade de água.

Seja o que for, as linhas que recortam e desenham o deserto de Nazca, em uma área extremamente remota do Peru, ainda irão deixar o ser humano intrigado divulgando diversas teorias.

sábado, 21 de julho de 2012

Você já ouviu falar nas pedras com inscrições fenícias encontradas no Brasil?

Recentemente, escrevi um post que comenta algumas considerações sobre a possibilidade de os fenícios terem chegado à América do Sul séculos antes dos europeus. (Leia clicando aqui) E também sobre as viagens vikings à América do Norte. (Leia clicando aqui) Há várias referências à presença de colonizadores na América antes das Grandes Navegações, que ocorreu após o século 15.

Nas últimas décadas há um grande enigma: será que os fenícios chegaram em território brasileiro séculos antes de Cabral e sua esquadra? Algumas pessoas insistem que sim, e que há provas suficientes para crermos que os livros escolares estão errados. Na foto abaixo, supostas inscrições fenícias encontradas na Paraíba na década de 1870.


No início da década de 1870, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB) recebeu uma carta vinda da Paraíba que descrevia o encontro de uma pedra com inscrições supostamente misteriosas; a carta tinha uma reprodução de como eram essas letras desconhecidas da população local. O caso ganhou o mundo quando o então diretor do Museu Nacional, Ladislau Neto, enviou aos jornais cariocas uma tradução dessas letras, que descreveriam uma expedição saída de Sídon (na Fenícia), durante o reinado de Hiran I, que se perdeu no Atlântico e veio parar no Brasil.


A notícia correu o mundo e foi um abalo historiográfico. Em 1874, especialistas europeus demonstraram que as tais inscrições eram uma fraude mal feita. Só em 1885 que Ladislau Neto admitiu o erro, em uma carta enviada ao francês Ernest Renan, o maior especialista na cultura fenícia naquela época. Com esse problema acadêmico tornando-se um impasse, o IHGB tentou localizar a tal fazenda na Paraíba, não encontrando. Hoje em dia os historiadores explicam que foi uma farsa criada com a intenção de desmoralizar o meio acadêmico brasileiro; hoje em dia alguns estudiosos creem que o próprio Ladislau forjou tudo na tentativa de virar um nome fabuloso no meio acadêmico internacional.

A partir de 1950, muitos historiadores de todo o mundo começaram a apontar que a inscrição da Paraíba poderia ser verdadeira, sim, mas o meio acadêmico europeu havia tentado negar a existência de fenícios por considerar, cedo demais, uma teoria absurda. Até hoje há controvérsias...

Na cidade de Diamantina, Jair Emídio Ferreira mudava o assoalho de sua casa, quando subitamente encontrou um estranho objeto: uma pequena rocha do tamanho de um prato, com desenhos e letras esculpidas em sua face. Jornais locais e nacionais da década de 1970 noticiaram com grande alarde que este vestígio teria origem fenícia. Segundo nossas análises, a figura tenta imitar uma espécie de sacerdote fenício-semita e as letras uma mistura do alfabeto hebraico com o latim: trata-se de uma fraude muito mal realizada que não despertou maiores atenções dos acadêmicos. A pedra de Diamantina (foto abaixo) encontra-se atualmente desaparecida. Segundo notícias veiculadas na região, ela teria sido vendida por Jair Ferreira para um colecionador norte-americano.


No sítio arqueológico denominado Sambaqui de Poço Grande (na cidade de Gaspar, em Santa Catarina), propriedade de Olimpio Hanemann, foi encontrada uma rocha com traços de alfabeto semítico (foto abaixo). Em 1972, a imprensa local noticiou a descoberta do vestígio, afirmando tratar-se de um resto fenício. Segundo o professor Evaldo Pauli da UFSC, estas inscrições poderiam constituir a prova de que navegantes semitas estiveram antes de Cabral no nosso país, tese compartilhada pelo frei Simão Voigt, ambos em meados da década de 1970. Após muitos anos de debates e especulações, o renomado epigrafista Frank Moore Gross declarou que se tratava de uma falsificação. O autor da fraude teria modificado as letras de um conhecido documento semítico, a inscrição Baal Libanon. O paradeiro atual da pedra de Gaspar é o Museu do Homem do Sambaqui, em Florianópolis.


As pessoas que compartilham da teoria de que os fenícios estiveram no Brasil denunciam que as investigações nunca foram realizadas com a devida atenção e o devido respeito. Para muitos, a maior evidência seria relacionada à Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, mas isso fica para um post no futuro, pois o assunto é muito grande e um pouco complexo. Até lá!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A incrível lenda do Holandês Voador, o navio fantasma mais famoso de todos...

Entre as lendas de piratas e navios fantasmas, a do Holandês Voador é a mais popular. Trata-se de um lendário galeão holandês que supostamente vagará pelos mares até o fim dos tempos. Uma das características fantasmagóricas mais marcantes é o fato de ele navegar contra o vento. O folclore ainda narra que o navio que se deparar com ele terá má sorte na viagem!


Em antigos documentos pode-se encontrar o registro de um navio real que zarpou de Amsterdã, em 1680, e foi alcançado por uma tormenta no Cabo da Boa Esperança. Como o capitão insistiu em dobrar o cabo, foi condenado a vagar para sempre pelos mares, atraindo outros navios e, por fim, causando sua destruição. Vários relatos sobre o tal navio foram considerados miragens, embora haja uma grande variedade de detalhes descritos pelas testemunhas. No entanto, não é o primeiro mito destas águas, depois do Adamastor descrito por Camões nos “Lusíadas”.

Existem histórias que citam o capitão de um navio que, ao atravessar uma tempestade, foi visitado por Nossa Senhora, que atendia às preces dos marinheiros desesperados. Culpando-a pelo infortúnio, atacou a imagem (ou amaldiçoou-a), atraindo para si a maldição de continuar vagando pelos sete mares até o fim dos tempos.


Como um fato real, durante a Segunda Guerra Mundial, o almirante alemão Karl Donitz reportou ao governo nazista e enviou carta a Adolf Hitler informando que uma das suas tripulações mais rebeldes e atuantes de submarinistas tinha comunicado e confirmado no diário de bordo que não iria participar de uma batalha de corso em Suez, pois havia visto o Holandês Voador, e isso significaria um sinal sinistro de fracasso na batalha. Cerca de 25 rapazes no submarino afirmaram ter visto a embarcação fantasma!

Recentemente, publiquei no blog um post falando sobre o Holandês Voador em uma aparição em massa, ocorrida em 1939 na África do Sul. Leia clicando aqui...


No entanto, a lenda varia muito conforme passa o tempo. A mais corrente é do século 18 e narra que o capitão do navio se chamava Bernard Fokke, o qual, em certa ocasião, teria insistido, a despeito dos protestos de sua tripulação, em atravessar o conhecido Estreito de Magalhães, na região do Cabo Horn, que vem a ser o ponto extremo sul do continente americano. Ora, a região, desde sua primeira travessia, realizada pela navegador português Fernão de Magalhães, é famosa por seu clima instável e sua geleiras, os quais tornam a navegação no local extremamente perigosa. Ainda assim, Fokke conduziu seu navio pelo estreito, com suas funestas consequências, das quais ele teria escapado, ao que parece, fazendo um pacto com o diabo, em uma aposta em um jogo de dados que o capitão venceu, utilizando dados viciados. Desde então, o navio e seu capitão teriam sido amaldiçoados, condenados a navegar perpetuamente e causando o naufrágio de outras embarcações que porventura o avistassem, colocando-as dentro de garrafas, segundo a lenda.

Nos trópicos equatoriais existem lendas que surgiram no século 17 sobre Davy Jones ser o capitão do Holândes Voador; nessa lenda Davy Jones seria o capitão amaldiçoado do navio e estaria condenada a vagar para sempre no mar pela ninfa do mar Calypso, podendo desembarcar por um dia a cada dez anos, essa é também a lenda utilizada no filme “Piratas do Caribe”.


Atualmente, a lenda do Holandês Voador faz parte do folclore de dois países: Holanda e África do Sul. Histórias envolvendo navios fantasmas estão presentes nas culturas de países colonizados por europeus, principalmente em pontos críticos onde o mar é bravo. Embarcações que vagam eternamente, piratas com pactos satânicos, pessoas suplicantes no mar: tudo isso faz parte de lendas ainda contadas no Caribe, no sul dos Estados Unidos, na África do Sul, na Austrália etc.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Santo Sudário: a quem pertence a suposta imagem de Jesus?

Num relicário existente na Catedral de Turim encontra-se um pano, de 3m90 por 1m05, que apresenta vagamente gravada a imagem de um homem de frente e de costas. A cada 33 anos o pano é exibido perante milhares de peregrinos e turistas que o contemplam, acreditando serem os traços de Jesus. O Santo Sudário é uma das relíquias do cristianismo mais importantes para alguns católicos, mas muitos outros não acreditam na sua originalidade.


Acredita-se que tenha sido o pano que envolveu o corpo de Jesus após a crucificação e que a imagem ficou impressa no pano por um milagre incrível. Desde sempre esse pedaço de pano tem sido motivo de controvérsias científicas, tem passado por exames minuciosos; e quanto mais se estuda, mais intrigante fica a história.

Crê-se que o Santo Sudário tenha ficado escondido por mais de três séculos, quando, mais tarde, foi adquirida pelos monarcas bizantinos como relíquia, onde permaneceu até 1205. Foi levado pelos cruzados para a Catedral de Besançon, quando foi retirado durante um incêndio em 1349. Finalmente o Santo Sudário foi oferecido aos duques de Saboia em 1432, depois de ter ficado um pouco avariado após outro incêndio. Em 1578 foi guardado na Catedral de Turim, onde está até hoje.

Desde o final do século 19 ele é motivo de estudos. Em 1902, o doutor Yves Délange apresentou algumas conclusões à Academia de Ciência da França. Depois outros estudiosos franceses insistiram na pesquisa. Todos insistiram no óbvio: a imagem de um homem que sofreu uma brutal tortura; o nariz estava quebrado, rosto inchado, testa ferida, marcas de ferimentos profundos por todo o corpo. Uma situação degradante. Chegaram a dizer que os ombros estavam machucados por ter carregado algo pesado – associando à cruz – e os joelhos contundidos por quedas frequentes.


No início do século 20, os cientistas franceses disseram que a imagem do Santo Sudário mostraria ferimentos nas mãos. O corpo não fora lavado para o enterro, o que contraria a base judaica, ou seja, foi um enterro apressado tão logo a morte foi constatada.

Depois dessas análises, os cientistas franceses declararam que o pano havia, sim, coberto o corpo de Jesus, o que causou um alvoroço no mundo acadêmico e alegria dos fiéis de todo o planeta. Muitos cientistas creem ser ele uma falsificação muito bem feita, uma vez que relíquias religiosas existiam aos montes na Idade Média europeia. O maior problema da análise se dá por conta dos dois incêndios que o Santo Sudário passou, uma vez que os testes de carbono 14 o datam da era medieval.

Quem defende a santidade do sudário aponta que não havia recursos técnicos tão detalhistas e impressionantes no período que ele poderia ter sido criado, no início do século 13. Em 1931, outros cientistas fizeram novas análises e informaram que seria difícil fazer um estudo conclusivo por conta, justamente, do incêndio. Em 1959, cientistas alemães pediram para retirar um pequeno pedaço do pano para fazer exames mais modernos, mas o arcebispo de Turim negou.


A medicina explica que, se realmente é o pano de Jesus, seu coração ainda batia quando desceu da cruz e foi enterrado, pois explicaria as manchas de sangue que continuaram a escorrer. Assim, quando enterrado ele estaria em estado de coma profundo por causa dos ferimentos e pancadas que recebera.

Para fechar o caso, extremamente inconclusivo, é válido apontar que a Igreja Católica não reconhece oficialmente o Santo Sudário como o pano que envolveu Jesus. Ela é extremamente cautelosa nesses assuntos. No entanto, a cidade de Turim continua a receber anualmente milhares de pessoas que creem naquela imagem impressa em um pano muito antigo. O pano vai continuar sendo controverso.

sábado, 14 de julho de 2012

A maldição terrível de Barney Duffy...

Barney Duffy era um homem de estatura quase gigantesca, que passava dos dois metros de altura. Quando foi preso, aos berros, lançou uma terrível maldição: “Levem-me ou denunciem-me, seus piolhos desgraçados de farda encarnada. Serei enforcado, mas ouçam-me muito bem: se o fizerem, ainda o meu corpo não vai balançar uma semana e duas mortes serão notadas entre o grupo de vocês, covardes”.

Duffy, de nacionalidade irlandesa, fora aprisionado pelos ingleses e enviado para a Ilha de Norfolk (foto abaixo), no Oceano Pacífico, a muitos quilômetros de Sydney. Embora a ilha seja extremamente bela, com praias paradisíacas, seu passado é escrito com muito sangue. Isso porque durante muitas décadas a Austrália e territórios adjacentes foram usados pela coroa britânica como despejo de criminosos, uma colônia penal degradante no meio do nada.


Muitos de seus habitantes atuais afirmam terem visto fantasmas, principalmente de antigos presidiários em situação degradante. Na ilha, no século 19, vários irlandeses foram enforcados sob a acusação de terem traído a rainha da Inglaterra e convocado motins perigosos.

Historiadores explicam que a vida de um detento nas colônias da Austrália era degradante e um pesadelo contínuo, muitas vezes comparável à situação dos prisioneiros dos campos de concentração na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. As pessoas que fumassem ou até mesmo cantassem seriam castigadas com 50 chibatadas; lhes eram negados talheres e copos, comendo com as mãos e bebendo água suja em baldes que também eram usados para alimentar cavalos. É por isso que, muitas vezes, os condenavam davam graças por serem enforcados e terminarem esse suplício sem fim.

Nessas condições estava Barney Duffy que, cansado, fugiu e se refugiou em um tronco de árvore oco, dentro da floresta densa. À noite assaltava as hortas da colônia e caçava pequenos animais selvagens. Tinha barba e cabelos enormes, vestia trapos e passava frio à noite. Acabou sendo descoberto por dois jovens soldados que foram pescar.

Forçado a voltar para a colônia, retomou a vida penosa e lançou a maldição dita acima. Teve seu “descanso” uma semana depois de preso, quando foi enforcado. Dois dias após o enforcamento, esses dois soldados voltaram ao bosque para pescar. No dia seguinte, uma infantaria encontrou seus corpos boiando em um brejo, totalmente desfigurados, após um espancamento e sessões de mutilações.

Na foto abaixo, uma das colônias penais do século 19 em Norfolk.


O caso entrou para o folclore australiano por causa dos soldados que ignoraram a maldição de um homem vivendo um verdadeiro inferno. Na Ilha de Norfolk ainda há o riacho, cujo nome hoje em dia é Regato Barney Duffy. Várias pessoas fazem referência ao aparecimento de sombras fantasmagóricas por lá.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (8)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

O biquíni das moças tem a ver com testes nucleares...
Em 1946, os Estados Unidos escolheram o atol de Bikini, na Oceania, para testes atômicos. Naquele verão, o francês Louis Réard lançou o maiô de duas peças chamado “minimum”, depois chamado de “bikini”, por causa da pequena dimensão da ilha. Algumas pessoas dizem que o nome tem a ver com o efeito explosivo da nova moda, ou que a explosão atômica partiu o atol em duas partes.



A palavra “fuck” é mesmo uma sigla real?
Não! Recentemente na internet veio um email engraçadinho com a possível origem da palavra inglesa “fuck” – que todos nós já sabemos o que significa. Na realidade, a origem vem do alemão medieval “fökken”, que significa “empurrar” e por extensão “copular”. A mentirinha do email diz que antigamente os casais só poderiam fazer sexo para procriação, caso o rei permitisse o sexo por prazer. Assim, o casal seria obrigado a pendurar uma placa com os dizeres “Fornication under consent of the king”, que depois passou a uma sigla: “F.U.C.K.”.

O que um sujeito boêmio, de noitadas, tem a ver com os tchecos?
A região da Boêmia, onde hoje está a República Tcheca, sempre foi repleta de ciganos que viviam a cantar, festejar e beber muito; este hábito passou para a juventude universitária de Praga ainda nos tempos medievais. Como eles iam estudar em Paris e levavam tais hábitos, os franceses passaram a chamar jovens arruaceiros dados às noitadas de “bohèmes”. Assim, o sentido da palavra ganhou toda a Europa medieval e chegou até o Brasil.

O ato de boicotar algo (ou alguém) teve origem no nome de um homem?
Sim! O capitão Charles Cunningham Boycott (foto abaixo), após dar baixa no exército britânico, foi contratado para administrar algumas fazendas na Irlanda a pedido do Conde Erne, que não morava nestas terras. Boycott era simplesmente odiado pelos colonos por despejar quem atrasasse com os pagamentos. Em 1880, a Liga Rural Irlandesa, para tentar motivar a reforma agrária, propôs a redução dos arrendamentos e estabeleceu que todo proprietário que não aceitasse tais termos deveria ser abandonado à própria sorte com sua imensidão de terras. Boycott, claro, rejeitou o termo e seus empregados foram forçados a abandoná-lo e nenhum comerciante poderia lhe vender nada. A represália foi tão dura que a família Boycott teve que voltar à Inglaterra.


“Cheio de nove horas”, uma expressão com história...
No Brasil colonial, as nove horas da noite marcava a hora de recolhimento. As visitas deveriam ir embora, os bares deveriam ser fechados, as festas deveriam parar – tudo para o bem da ordem e da moral. Com isso, no século 19, no Rio de Janeiro, havia uma portaria policial dizendo que depois das nove da noite, ninguém estaria isento de ser revistado pelas ruas. Foi assim que surgiu a expressão “cheio de nove horas” para aquela pessoa cheia de regras e de limites.

Por que o cinema é a sétima arte?
Cada uma das seis artes tem como característica um tipo de signo: música (som), pintura (cor), escultura (volume), arquitetura (espaço), literatura (palavra) e dança (movimento). Quando o cinema surgiu, em 1895, surpreendeu a todos como uma novidade tecnológica. Desta forma, o escritor italiano de cultura francesa, Ricciotto Canudo, foi quem primeiro compreendeu, por volta de 1911, o enorme potencial do cinema. Foi ele quem usou pela primeira vez a expressão “sétima arte”. Abaixo um dos primeiros filmes gravados; de 1895, o simples enredo de “O regador regado”...



O iogurte Danone tem a ver com uma criança em especial?
Em 1919, o espanhol Isaac Carasso começou a fabricar iogurtes de sabor inigualável. No início, as pessoas chamavam de Iogurte Carasso; entretanto, ele decidiu criar um nome para a sua marca: as primeiras letras do nome de seu filho Daniel, e “one”, “um” em inglês, por ele ser filho único. Daí nasceu a famosa Danone.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Comissão Trilateral, onde o destino do mundo pode estar sendo decidido por poucos...

Podemos dizer que das sociedades ditas secretas a mais nova é a Comissão Trilateral. Poucas pessoas conhecem a sua existência, até Dan Brown decidir escrever loucuras sobre ela em algum best-seller, fazendo ecletismo teórico, provavelmente relacionando-os à maçonaria e aos templários. Essa organização é um fórum de discussão privado fundado em 1973 por David Rockfeller.

A primeira reunião da Comissão Trilateral se realizou em Tóquio, no Japão, no final do ano de 1973. Em 1975 já era um grupo bem ativo e realizou sua primeira grande plenária em Quioto. Atualmente, consiste em um seleto grupo de homens públicos – empresários, políticos e intelectuais – composto por 350 pessoas da Europa, da Ásia, da Oceania e da América do Norte. Somente os Estados Unidos é representado por 85 membros, o de maior peso na Comissão.

De acordo com as teorias conspiratórias, a cada reunião da Comissão Trilateral esses homens decidem os rumos do planeta, tendo mais poder por trás do cenário mundial que a ONU, isso porque são pessoas que comandam o jogo político e o capitalismo mundial. Assim, os adeptos a essa teoria pregam que a Comissão:

- Debateria a valorização e desvalorização das principais moedas mundiais, como o euro e o dólar;

- Negociaria rixas políticas e territoriais, bem como definiria os antagonistas mundiais, como atualmente o terrorismo árabe é considerado inimigo público global;

- Defenderia o protecionismo econômico e as guerras fiscais mundiais;

- Negociaria resoluções de guerra e de paz, entre outros.

Há quem afirme que a Comissão estaria envolvida até mesmo nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, para fazer movimentar a indústria armamentista, parada desde os conflitos nos Bálcãs em 1999 (em menor escala) e na Guerra da Bósnia, em 1994/1995 (em maior escala).

Em seu site, a Comissão Trilateral define ser uma organização capitalista que debate a economia mundial. Mas as pessoas que defendem a teoria conspiratória contra ela aponta que em 2000 a China foi aceita com alguns membros do alto escalão do PCC, o Partido Comunista Chinês.

Por ser um grupo tão recente em relação aos outros que vemos na história mundial, ainda há muito que pesquisar e analisar em relação à Comissão Trilateral. Você pode conhecer um pouco em relação a eles visitando o site oficial clicando aqui!

sábado, 7 de julho de 2012

O dia em que o diabo passeou pela terra: fato ou farsa?

Em todo o sul da Inglaterra, o inverno de 1854 foi o mais frio até então registrado. Durante a noite de 05 de fevereiro de 1855, verificou-se uma forte nevasca que cobriu o pasto com mais de dez centímetros de neve no condado de Devon. Quando a manhã raiou, o campo era um vasto lençol branco e frio e chamou atenção um rastro de 160 quilômetros de pegadas que faziam ziguezague por cinco paróquias, atravessando jardins, pastos, passando por cima de telhados etc.

As marcas tinham 10cm de comprimento e 7cm de largura, eram distanciadas entre si cerca de 20cm e pareciam ter sido feitas por um animal com cascos fendidos, deslocando-se ereto por duas patas. Os camponeses, apavorados, não tiveram dúvidas: o diabo havia subido à terra e passeado pelo Devon, observando pelo menos cinco igrejas por um caminho irregular de 160 quilômetros!


As misteriosas pegadas começavam no meio de um jardim perto à igreja de Totnes e terminava tão misteriosamente como havia aparecido, num campo em Littleham. Quem quer que tivesse feito, passou silenciosamente sobre telhados de pelo menos 35 casas e 18 celeiros. Na igrejinha de Woodburry, as marcas deixadas na porta surpreendiam: parecia que foram feitas com ferro em brasa. Em Dawlish, local por onde o diabo teria passado naquela noite, os habitantes disseram que os cães uivaram na madrugada, mas ninguém deu atenção.

Rapidamente a notícia se espalhou por toda Inglaterra e ganhou os jornais, uma vez que centenas de pessoas da região viram o rastro misterioso. Várias cartas chegaram às redações com possíveis teorias mirabolantes, interpretando o passeio do diabo por aquele recanto monótono do mundo.

O naturalista Richard Owen, numa carta endereçada ao “Illustrated London News”, sugeriu que as pegadas pertenciam a um texugo (foto abaixo), que coloca as suas patas traseiras nas marcas deixadas pelas dianteiras, fazendo que pareça ser bípede em suas pegadas. Embora hiberne, esse bicho arrisca-se por vezes a sair em busca de alimentos.


Outros cientistas identificaram o animal sendo uma raposa, ou uma lontra, ou gatos selvagens ou até mesmo um pônei com o casco defeituoso. Um naturalista amador chegou a sugerir que as pegadas eram de um canguru e que o animal poderia ter escapado de um circo. As pegadas foram atribuídas a ratos, coelhos, sapos.

Entretanto, o problema é que as pegadas aparecem sem explicação e terminam muitos quilômetros à frente misteriosamente. O animal ainda passou por vários telhados sem ser percebido por ninguém, em uma madrugada extremamente fria e silenciosa.

A Igreja Anglicana não entrou na teoria folclórica do diabo passeando pela terra. Preferiu aderir à teoria ao passeio de um animal selvagem. Um grupo de aldeãos do Devon, com medo do suposto bicho desconhecido, organizou vigílias de captura, mas sem nenhum sucesso.

Mesmo com a igreja afirmando tratar-se de um animal, muitos habitantes da região não ficaram convencidos e recusaram-se a sair de casa depois do pôr do sol, e as crianças passaram a dormir dentro de armários. Algumas pessoas passaram a fechar suas lareiras com tijolos, com medo de o diabo entrar em casa.


Atualmente, o diabo de Devon é um personagem folclórico do Reino Unido. Há muitos outros bastante famosos e que conhecemos: recentemente, escrevi sobre Jack Estripador (leia o post clicando aqui) e sobre Jack dos saltos de mola (leia o post clicando aqui).

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Conde Drácula: o personagem de terror mais popular da história...

Quando se fala em vampiros não tem para ninguém. Nem “Entrevista com vampiro”, nem a saga “Crepúsculo”. O mais clássico e conhecido de todos é o Conde Drácula, personagem fictício que dá título ao clássico livro de Bram Stoker, escrito em 1897. De tão pop que é, está no Guinness há várias décadas como o monstro fictício com maior número de aparições na mídia.


Há muitas especulações, mas o mais certo é que Drácula literário tenha sido inspirado no príncipe romeno Vlad Tepes (foto abaixo), e que viveu no século 15, onde hoje se encontra a Romênia e que, na época, era um território rachado entre a cristandade oriental (ortodoxos) e os turcos (muçulmanos). Vlad III ficou conhecido pela perversidade com que tratava seus inimigos. Embora não fosse um vampiro, sua crueldade alimentava o imaginário de modo que logo passou para o conhecimento popular como tal.

O pai de Vlad III, Vlad II, era membro de uma ordem cristã ocidental chamada Ordem dos Dragões, criada por nobres da região para defender o território da invasão dos turcos. Por isso, Vlad II era chamado de Dracul – “dragão” no idioma romeno – e, por consequência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão). A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (“diabo”) que foi aplicado aos membros da família Draculea por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos.


Vlad III era conhecido por sua perversidade e crueldade. Certa vez, dois súditos se esqueceram de tirar o chapéu para reverenciar sua chegada e, por causa disso, Vlad mandou pregar o chapéu em suas cabeças. Também dizem as lendas que um dia Vlad viu um aldeão com a camisa toda suja e lhe perguntou se sua esposa era saudável. O aldeão respondeu que sim e sua mulher teve ambas as mãos decepadas; e Vlad arrumou outra esposa para o aldeão e a mostrou o que acontecera com a antiga para que servisse de exemplo. Vlad tinha prazer em comer em frente de suas vítimas com os corpos empalados (foto abaixo) ouvindo seus gritos de agonia.


Muitas dessas histórias e folclores levam a crer que Vlad III seja a principal inspiração para Conde Drácula. Além disso, a cultura popular também colocou no conhecimento comum referências da Transilvânia, da Romênia e do nome Vlad à cultura do vampirismo moderno.

Já a crença de que Drácula é um morto-vivo meio zumbi nasceu de um fato pitoresco: em uma batalha, Vlad Tepes teria levado um golpe na cabeça, que o deixou em coma; alguns dias depois ele teria acordado como se nada tivesse ocorrido e voltou para o campo lutar contra os muçulmanos junto aos seus soldados. Detalhe: Vlad III venceu essa batalha e decepou os corpos dos soldados inimigos, criando na região o folclore de que ele havia retornado do inferno auxiliado pelas forças ocultas do diabo.

É fácil imaginar como essa lenda rapidamente se espalhou e ganhou formas de verdade. Durante a Idade Média a vida dos camponeses era rodeada pelo sobrenatural; a Igreja exercia uma força ideológica muito grande em toda a Europa; o demônio era visto diariamente em qualquer manifestação estranha ao entendimento do ser humano e daquilo que a Igreja dizia ser um “mistério da fé”.


O personagem da literatura...
A biografia de Drácula e sua trajetória muda conforme há uma adaptação do original – seja para o cinema, ou para o teatro. Mas, no geral, o seu passado está relacionado à Romênia e a Vlad III. No livro de Bram Stoker, ele é a reencarnação do mal que assola virgens indefesas na Inglaterra no século 19.

Nessa época, os contos de suspense e terror faziam o maior sucesso entre os jovens ingleses e norte-americanos. A história do Conde Drácula se tornou referência, tanto que o gênero de novela melodramática em ambientes obscuros ganhou o nome de “novela draculiana”. Recentemente, publiquei um post debatendo esse mirabolante gosto particular por contos de terror. Você pode conferi-lo clicando aqui!

Desde que os irmãos Limère inventaram o cinema, em 1895, Drácula apareceu várias vezes na tela grande. Primeiramente em 1922, em “Nosferatu”. A indústria da cultura sempre exerceu enorme fascínio por esse personagem macabro que teria um verdadeiro pacto com as forças do mal. Ao longo das décadas, os vampiros ganharam o cinema, o teatro, a televisão, os gibis, os animes e, depois de mais de 150 anos, Drácula está vivo em uma inspiração recente: a saga “Crepúsculo”.

Características físicas...
Bram Stoker nos deixou em sua obra clássica a receita básica para que Drácula deixe em paz os seres humanos, mas conforme a história ganha nova roupagem uma característica lhe é entregue de presente. De acordo com o livro original, Drácula:

- Nutre-se de sangue para sobreviver;

- Não é visto em espelhos;

- É morto com uma estaca de carvalho cravada em seu coração, ou quando sua cabeça é decepada;

- Símbolos cristãos, como a cruz e a água benta, podem afastá-lo, mas nunca feri-lo. É interessante notar um anacronismo, uma vez que originalmente Vlad III era um soldado cristão, cruel, mas em defesa dos interesses religiosos do cristianismo oriental ortodoxo;

- Odor de alho pode afastá-lo e queimar a sua pele;

- Não cruza água corrente, como um rio. Só o faz usando um barco;

- Se transforma em qualquer criatura da noite, não somente um morcego: lobo, coiote, mariposa etc;

- Não entra em casas sem ser convidado;

- Um ramo de rosa silvestre em seu caixão o impede de sair.