sábado, 30 de junho de 2012

Os anjos de Mons: o misterioso exército de fantasmas numa guerra sangrenta...

Um mês após a dura batalha de Mons, na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi publicada no “Evening news”, de Londres, uma notícia que causou tremenda sensação na época e provocou uma controvérsia que ainda dura até os dias de hoje. A notícia, escrita pelo jornalista Arthur Machen, referia como uma pequena força expedicionária britânica, numa desproporção numérica de três para um para o exército alemão, fora aparentemente salva por reforços celestiais. Os anjos de Mons surgiram repentinamente entre os ingleses e os alemães, que se defrontavam nessa batalha. De acordo com a notícia, os alemães recuaram confusos e medrosos.


A batalha foi travada em 26 de agosto de 1914, e quando a notícia foi publicada, entre setembro e outubro, a maioria dos sobreviventes ainda se encontrava na França. No mês de maio de 1915, a filha de um pastor em Bristol publicou na revistinha da paróquia o que dizia ser a confissão de um oficial britânico, sob juramento. Nela, o homem declarava que, quando a sua companhia se retirava de Mons, fora perseguida por uma unidade da cavalaria alemã; o oficial procurou um lugar para os britânicos se abrigarem, mas os alemães os alcançaram.

Esperando uma morte certa, os ingleses voltaram-se e viram, então, para seu espanto, uma companhia de anjos entre eles e os inimigos. Os cavalos alemães, extremamente assustados, fugiram para lados diferentes enquanto os soldados berravam de medo. O capelão do exército, reverendo Chavasse, declarou ter ouvido a mesma história de três soldados que participaram dos pelotões que ficaram próximos a Mons.

Ainda de acordo com o relato dessa revistinha paroquial, o exército celestial escoltou os ingleses por cerca de meia hora até desaparecer tão misteriosamente como havia aparecido. Do lado alemão surgiu a notícia de que os combatentes germânicos haviam recusado a atacar em determinado ponto onde as linhas inglesas tinham sido cortadas, devido à presença de grande quantidade de tropas. Segundo os registros dos aliados, não havia nessa altura um único soldado inglês na área.


Um detalhe muito importante sobre os anjos de Mons é que nenhum deles foi divulgado em primeira mão através das próprias testemunhas do ocorrido. Sempre quiseram manter anonimato, com medo do deboche popular e do impedimento de promoção no exército. Nenhum nome é citado, sempre ficando no nível do incerto: um soldado, um general etc.

Anos depois, o jornalista autor da notícia reconheceu que tudo se passava por fantasia para tempos difíceis, pois ele queria que as pessoas acreditassem em Deus e na intervenção divina – naquela época já diziam que os alemães eram anticristos, e nem imaginavam que coisa pior pudesse vir: a Segunda Guerra, a partir de 1939. Machen terminou sua carreira escrevendo contos de ficção científica e suspense.

O mistério tornou-se, assim, mais intrigante. Apesar do desmentido, muitos soldados confirmaram boatos relacionados à batalha de Mons, e os investigadores do exército chegaram a acreditar que algo sobrenatural houvesse ocorrido lá. Será que eles realmente viram algo sobrenatural, ou apenas reproduziram uma história que lhes agradava?

Os anjos de Mons são personagens folclóricos britânicos e depois de 1915 foram lançados livros, filmes, novelas, documentários. Até mesmo uma ópera foi escrita para relembrar esse fato que mistura guerra e sobrenatural.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Você já ouviu falar nos Illuminati? Há várias teorias conspiratórias sobre eles...

Desde que Dan Brown popularizou várias teorias conspiratórias em seus livros best-sellers, cheios de anacronismos, as pessoas têm falado muito sobre os templários, a maçonaria e os illuminati. Hoje vou falar um pouco sobre esse grupo, fazendo algumas considerações que julgo serem importantes.

Você pode reler o post sobre a maçonaria clicando aqui!

Você pode conferir o post sobre os templários clicando aqui!

Você pode reler o post sobre a Rosa-Cruz clicando aqui!

Você pode conferir o post sobre o Priorado de Sião clicando aqui!

Illuminati tem origem no latim, e significa “aquele que é iluminado”. Refere-se a uma sociedade secreta fundada na Alemanha em 1776. Atualmente, as pessoas dizem que essa organização comandaria os assuntos mundiais através de indivíduos muito ricos e políticos associados a ela. Aponta-se que os dirigentes dos Illuminati são pessoas por detrás dos acontecimentos que nos levariam à Nova Ordem Mundial, termo bem aplicado à geopolítica internacional desde o fim da União Soviética, em 1991.

Vale ressaltar, desde já, que o termo Illuminati nada tem a ver com os iluministas franceses da época da Revolução, em 1789. Claro, há várias teorias que apontam revolucionários ligados a essa organização secreta. Mas vamos às considerações!


Historiadores apontam que o grupo foi fundador por livres pensadores radicais que acreditavam nos dogmas pregados pelo Iluminismo, assim foi fundado sob o seguinte nome: Antigos e Iluminados Profetas da Baviera;

O grupo não durou muito. Em 1784, o governo bávaro – católico e aristocrata – proibiu sociedades secretas sob forte vigilância. Até mesmo a maçonaria sofreu um duro golpe com esse decreto. Foi, assim, que muitos intelectuais fugiram para outros territórios na esperança de deixar viva a filosofia Illuminati. O auxilio da maçonaria foi de grande importância, principalmente para que se espalhasse por toda Europa;

Os planos dos Illuminati foram divulgados quando um de seus membros morreu vítima de um relâmpago e alguns documentos foram encontrados em uma bolsa de couro que estava com ele. Nessas cartas, falava-se de derrubar monarquias – o que mais tarde se tornaria realidade através da Revolução Francesa;

Apesar de ter sido um movimento de curta duração, os Illuminati deixaram um legado muito forte nos movimentos sociais e de independência em todo o mundo no século 19. É por isso que, desde então, a sociedade secreta esteve envolvida em mistério e a aristocracia;


A organização Illuminati foi extinta oficialmente em 1798, mas alguns teóricos da conspiração costumam querer associá-la a alguns movimentos contemporâneos, como a Revolução Russa, o levante comunista alemão e a queda do muro de Berlim, como uma “trama diabólica” para a implementação de um governo mundial. Também tentam associar a organização Skull & Bones aos Illuminati, o que teoricamente não procede;

Há pessoas que creem em um ressurgimento global dos Illuminati, o que também não procede. Desde a publicação de “O código Da Vinci”, o mundo literário vem sendo totalmente deturpado através destas teorias loucas. Alguns chegam a dizer que os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, foram orquestrados por Illuminati e templários;

Historiadores com trabalho sério e com verdadeiros métodos científicos acreditam – e provam – que os Illuminati tiveram atividade até, no máximo, 1801, e somente na Europa. Esses pesquisadores apontam que teorias da conspiração e apontamentos apocalípticos impedem o mundo de viver uma era de possibilidades, enquanto a sociedade é contaminada com folclores;

Já no Brasil, é comum falarem nos “aquisitores”, ou seja, o ramo nacional dos Illuminati, que estariam por trás da renúncia de Jânio Quadros e implementação da ditadura militar em 1964. Quem defende essa teoria aponta a carta do então presidente que renunciava ao falar do peso dessas “forças terríveis”. Esses mesmos defensores propagam que houve uma orquestração para matar os ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek.

Este é um assunto extremamente controverso e amplo. Há muitos temas relacionados aos Illuminati em nossa história mundial, e por isso vou escrever sobre eles futuramente. Um dos principais se refere à Nova Ordem Mundial e ao neoliberalismo econômico. Então, até a próxima!

sábado, 23 de junho de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (7)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

O símbolo @ virou “arroba” por um erro de interpretação...
Antes da invenção da imprensa, o trabalho de escrever livros era todo feito a mão por monges pacientes. Para isso, eles criaram uma série de códigos para simplificar este trabalho penoso. Foi assim que, em espanhol medieval, Phrancisco era grafado “Phco” e virou Paco. Já para substituir “et”, “e”, eles criaram o “&”. Foi assim que, também, nasceu a @, que significa em latim “ad”, “vindo de”. Com o tempo, o comércio se expandiu e começaram a chegar a Portugal e Espanha caixas assim: “10 @ £3”, ou seja dez unidades ao preço de três libras cada uma. Foi assim que, em inglês, o símbolo @ ficou conhecido como é atualmente: “at”. Na Espanha não conhecia-se o uso real do @ e atribuíram a unidade de peso, e como lá a unidade era a arroba, assim ficou; desta forma, “10 @ £3” eles entendiam como dez arrobas ao preço de três libras cada uma. Em 1875 o símbolo @ entrou para as máquinas de escrever e em 1975, passou ao uso em correios eletrônicos: assim, BELTRANO@PROVEDOR, em inglês, significaria Beltrano NO Provedor. Em outros idiomas a invencionice é maior: em italiano é “chiocciola” (caracol), em sueco é “snabel” (tromba de elefante), em alemão é “klammeraffe” (rabo de macaco), em hebraico é “shtrudel” (nome de um doce típico judaico).

“Abre-te, Sésamo!”
Frase clássica dita por Ali-Babá para deslocar a enorme pedra que bloqueava a entrada de sua caverna com tesouros incríveis, foi perpetuada na série de contos folclores árabes “As mil e uma noites”. Sésamo vem do latim e é uma plantinha cuja semente comestível sai facilmente de uma cápsula, tão facilmente como Ali-Babá para tirar o enorme rochedo. Mas há mais história: na Idade Média acreditava-se que o sésamo tivesse poderes místicos assombrosos, principalmente aquele que nós mais conhecemos, o gergelim!


Chamar um rapaz de “almofadinha” era uma maneira jocosa de ofendê-lo...
Segundo consta, em 1919, rapazes ricos e elegantes – e também delicados – promoveram um estranho concurso na cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O tal concurso era beneficente e premiaria o jovem que bordasse e pintasse a mais bela almofada. Foi a partir deste evento social que “almofadinha” passou a designar o homem rico que se veste com muito apuro. O concurso foi tão exótico que virou comentário em toda imprensa brasileira na época, merecendo até comentários de Lima Barreto.

O arranca-rabo nasceu de uma proeza militar medieval...
Arranca-rabo é uma discussão muito feia, envolvendo várias pessoas. Expressão muito usada em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Nos tempos medievais, arrancar o rabo do cavalo do inimigo era uma façanha gigantesca e que poucos conseguiam. A prática era comum em Portugal e chegou ao Brasil com a colonização, e se tornou popular até entre os bandos cangaceiros no Ceará.

Ser expulso a toque de caixa tem a ver com música?
Sim, tem. O termo significa, para nós, sair a toda pressa. Nos tempos de invasão moura da Península Ibérica, o tambor era usado pelos muçulmanos para fazer anúncios importantes. Assim, as pessoas indesejáveis naquela época (baderneiros, bêbados, ladrões, ciganos, judeus) eram expulsas das vilas em cerimônias grandiosas, ao som de tambores de anunciação, “a toque de caixa”, como diziam os lusos.


“Baderna”, no sentido de bagunça, teve origem numa pobre moça italiana...
Em 1828, na Itália, nasceu Marietta Baderna (foto abaixo), filha de um médico e que tinha um sonho de ser bailarina, incentivado pela família. Aos 12 anos estreou nos palcos e logo fez sucesso por todo sul da Europa. Em 1849, a família veio embora para o Brasil e Marietta seguiu fazendo seus shows no Rio, quando arrebanhou uma legião de fãs entusiasmados com seu talento para dança. A imprensa carioca os chamava de “badernistas”, e com o tempo “baderna” virou sinônimo para bagunça e desordem. Pobre moça.


De onde vem o nome do jogo bingo?
O primeiro tipo de bingo que se tem notícia nasceu na Itália, por volta de 1530. Os cartões eram numerados de 1 a 90, mas o nome ainda não era este. Somente em 1929, Edwin Lowe, um vendedor de brinquedos de Nova York, parou de carro num parque de diversões de Atlanta quando viu um grupo de pessoas jogando com cartelas enumeradas e feijões. Quando alguém completava a cartela, gritava “Beano!”. “Beano” era a mistura de “bean”, “feijão”, com “quino”, “vencedor de cinco números”. Lowe gostou tanto da ideia que levou o jogo para o resto do país, mas como entendeu errado, “Beano!” virou “Bingo!”.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A lenda do navio fantasma que jamais atracou!

Uma cintilante neblina pairava sobre as águas azuis de False Bay, uma estância marítima de recreação na África do Sul, em um dia de extremo calor, em março de 1939. Na praia, mais de 60 pessoas aproveitavam a praia. Subitamente, em meio à neblina, surgiu um galeão, como os que haviam navegado ali séculos antes, saindo da Europa em direção à Índia. Todas as pessoas viram o enorme navio e logo virou o assunto do lugar. De acordo com a notícia publicada em um jornal local à época, o navio seguia viagem mesmo sem nenhuma brisa.

O British South Africa Annual referente a 1939 registrou: “Com uma intenção misteriosa, o navio navegava em linha reta, enquanto os banhistas, sacudidos da sua letargia, discutiam vivamente o fenômeno do aparecimento do navio, que parecia caminhar para a autodestruição. Porém, o navio desapareceu tão rapidamente como havia aparecido”.

O fenômeno ganhou a África do Sul e surgiram várias teorias: alguns explicavam que os banhistas viram uma miragem, outros falaram se tratar de um reflexo na neblina de um galeão viajando um pouco mais distante. No entanto, as testemunhas disseram não se tratar de uma embarcação moderna, mas sim do século 17. As matérias jornalísticas reproduzem o que as pessoas viram: “Para mim os cientistas podem dizer o que quiser, mas aos meus olhos é um típico navio fantasma”, diz uma senhora no texto.


Desde o início das Grandes Navegações europeias, no final do século 15, as lendas sobre navios fantasmas são conhecidas. Segundo registros bem antigos, em 1680, um navio holandês que navegava sob a ordem de Hendrik Decken, zarpara de Amsterdã rumo a Jacarta. Contam os registros que Decken era muito ousado e pouco cuidadoso. A viagem seguiu sem problemas até chegar na África do Sul, quando uma tempestade tropical fortíssima destruiu o leme da embarcação. Passaram dias e mais dias com o galeão totalmente perdido no mar, viajando ao sabor das ondas. Conta a lenda que Decken ficou muito irritado quando a tripulação cogitou que ele não tinha conhecimento suficiente para cruzar o sul da África.


A partir daí surge a lenda com vários aperitivos folclóricos. O comandante teria conversado com o diabo em um sonho, que fez um desafio: se Decken desafiasse Deus, conseguiria tomar um rumo na viagem. Ele aceitou o desafio, terrível para uma tripulação composta por homens religiosos convertidos ao Protestantismo.

Diz o folclore que Deus não gostou de ser desafiado e, desde então, Hendrik Decken é um condenado a vagar infinitamente pelos mares sul-africanos em seu navio. Desde 1710, há vários registros de pessoas que dizem ter visto a referida nau fantasmagórica naqueles mares. Assim aconteceu com o hoje falecido rei Jorge V, ainda aspirante da Marinha a bordo do Bacchante, viu o navio fantasma em águas próximas à Cidade do Cabo.

O último avistamento em massa ocorreu em 1942, quando mais de 200 pessoas numa praia viram na neblina o tal galeão antiquíssimo. Desde então são registrados casos isolados.


E o que a ciência explica?
Os físicos insistem em explicar que esse fenômeno registrado por tantas pessoas na África do Sul trata-se de uma miragem como a que ocorre nos desertos. Acredita-se que o navio de Decken nem tenha afundado próximo à Cidade do Cabo, mas sim a quase 700 quilômetros à frente. Mas a ciência ainda não explicou o porquê de essas miragens serem, sempre, parecidas com uma nau tão antiga.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Atenção, vem mudança por aí...

É muito bacana continuar postando no blog FATO E FARSA, que sempre temos o objetivo de abrir um canal de debate com nossos leitores. O sucesso com nossos leitores e feedback tem ajudado muito nas pautas dos temas que estamos abordando nas últimas semanas. Só temos a agradecer.

Portanto, a partir do mês de julho vamos mudar os dias das postagens e passaremos a publicar em mais um dia da semana. Atualmente, nossos queridos leitores podem conferir curiosidades, fatos e farsas às quartas e sábados. Em breve mudaremos o sistema de postagens para terças, quintas e sábados, sempre com posts interessantes e temas fresquinhos, mas ainda com aquele cheirinho de mofo da história.

Ah! Divulgue nosso blog para seus amigos. Sempre que tivermos um post que você julgar interessante, envie-o por email ou clique nos botões das redes sociais logo aqui abaixo, para Facebook e Twitter. Assim, mais pessoas terão o prazer de descobrir um mundo novo, estranho e até intrigante!

Então já estamos combinados. Graças ao feedback conseguido com nossos leitores postaremos, a partir de julho, às terças, quintas e sábados. Para não perder nenhum texto novo, assine nosso newsletter!

sábado, 16 de junho de 2012

Você conhece a verdadeira história por detrás da lenda dos zumbis?

Hollywood sempre gostou de zumbis para seus filmes de terror e suspense. Cinemas trash sempre foram povoados por essas criaturas, conhecidas por serem mortos-vivos ou seres humanos irracionais. Tornaram-se populares para a geração atual através da série “Walking dead”. Mas esse folclore é muito mais antigo: remonta a crença haitiana do vodu. Recentemente, escrevi algumas curiosidades sobre a religião vodu, e você pode lê-las clicando aqui.


O maior problema é que Hollywood simplificou e estereotipou demais a religião vodu. Os zumbis são, dentro desse universo religioso, uma pessoa morta que pode ganhar vida através do poder de um feiticeiro; na África, zumbis também são cobras gigantescas que se alimentam de homens. De acordo com a religião vodu caribenha, quem alimenta um ser desses com sal garante que ele volte à tumba – o elenco da série deveria saber disso, né.

Onde começa a história...
Em 1937, enquanto pesquisava o folclore do Haiti, Zora Hurston encontrou o caso de uma mulher que apareceu em uma aldeia e uma família alegou que ela era Felicia Felix-Mentor, uma parente que havia morrido e sido enterrada em 1907 com idade de 29 anos. Hurston alegou que os rumores se deveram ao uso de uma poderosa droga psicoativa por parte das testemunhas do fato, mas ela foi incapaz de localizar os indivíduos para obter mais informações.

Várias décadas depois, Wade Davis, um etnobotânico, apresentou um caso farmacológico de zumbis em dois livros, “A serpente e o arco-íris” e “Passagem das trevas: a etnobiologia do zumbi do Haiti”. Davis viajou para o Haiti em 1982 e, como resultado de suas investigações, afirmou que uma pessoa viva pode ser transformado em um zumbi injetando duas substâncias específicas na sua corrente sanguínea. A primeira, chamada pelos nativos de “coup de poudre”, inclui a tetrodotoxina, uma poderosa neurotoxina e frequentemente fatal encontrada na carne do baiacu. A segunda consiste numa poção com drogas dissociativas tais como a datura. Acredita-se que estas substâncias associadas induzem um estado de morte no qual ficam inteiramente sujeitas às vontades do bokor. Davis também popularizou a história de Clairvius Narcisse, que alegou ter sucumbido a essa prática.


Davis sugeriu que a psicose induzida por drogas e pelo trauma psicológico de ter sido enterrado, reforçavam as crenças culturalmente aprendidas e levavam os indivíduos a reconstruir sua identidade como a de um zumbi, uma vez que, após a experiência a que eram submetidos, eles passavam a acreditar que estavam mortos e não teriam mais outro papel para desempenhar na sociedade haitiana. Segundo Davis, os mecanismos sociais de reforço desta crença serviam para confirmar para o indivíduo a sua condição de zumbi e tais indivíduos passavam a ser conhecidos por passear em cemitérios, exibindo atitudes e emoções deprimidas.

As comunidades que creem no vodu como religião e, por extensão, acreditam na existência dos zumbis, dizem que não existe nenhum tipo de engodo nesses casos. Ou seja, os feiticeiros negam o uso de chás alucinógenos na prática religiosa. Entretanto, testes científicos realizados na África do Sul comprovam as teorias científicas de que os zumbis nunca estiveram “mortos”, mas sim o uso de substâncias químicas retiradas de plantas.


Hollywood fez com que os zumbis ganhassem aparência de mortos vivos, por terem supostamente se levantado de uma tumba: roupas rasgadas, pele apodrecida, odor forte. No entanto, a religião vodu e o folclore caribenho nunca afirmaram que esses seres saíram de uma tumba. O feiticeiro clama pelo zumbi logo depois da morte dessa pessoa, dentro de um ritual.

O cinema dos anos 60 aos 80 sempre os mostrou como seres imbecis, cambaleantes, letárgicos, porém sanguinolentos. A partir do ano 2000 que a indústria cinematográfica passou a mostrá-los com agilidade e muita crueldade.


Para fechar, o mais interessante é a forma como o cinema concebeu em relação à eliminação desses seres, uma vez que já estão mortos e não há como matá-los novamente. Para ter mais ação, diz-se que é preciso cortar a comunicação neurológica do morto vivo, ou seja, dando-lhe um tiro na cabeça ou a decepando. Entretanto, o folclore vodu mostra ser muito mais simples: basta jogar sal no zumbi.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Três Magos e uma estrela: o horóscopo que entrou para a história do mundo...

A Estrela de Belém que, segundo o Novo Testamento teria guiado os Três Reis Magos até o menino Jesus, tem, durante tantos séculos, intrigado astrônomos e astrólogos. Que fenômeno seria esse descrito pelo Evangelho? Uma das teorias é que poderia ter sido o Cometa Halley, que teria aparecido nos céus do Oriente Médio por volta dos tempos do nascimento de Cristo. Outros cientistas contestam essa informação. É um caso que parece impossível de ser resolvido...


Entretanto, sabe-se que o Halley teria aparecido por volta do ano 11 a.C. e que seu ponto de melhor visão era o Oriente Médio, justamente próximo ao território onde hoje se situa Israel. Ao que tudo indica, o cometa teria intrigado todas as sociedades daqueles tempos – houve registros em códices chineses e japoneses sobre seu aparecimento.

De acordo com a tradição, os Reis Magos teriam seguido a estrela até encontrarem Herodes e perguntarem onde se encontrava o menino-deus. De acordo com a historiografia, o nascimento de Jesus se deu durante um censo populacional romano, que ocorreu no ano 4 d.C. e, entretanto, não há nenhum registro astronômico do aparecimento de um cometa nesta época.


Uma outra teoria diz que a Estrela de Belém poderia ser uma supernova, que teve um brilho extraordinário que poderia ver ofuscada até mesmo durante o dia! Mas caímos no mesmo problema: não há qualquer registro astronômico deste fenômeno na época do nascimento de Cristo, a não ser esses registros chineses e japoneses do comenta em 11 a.C.

Há teólogos que tentam explicar o fato dando crédito a meteoritos. No entanto, quando esses corpos entram em contato com a nossa atmosfera logo se desintegram e, portanto, duram poucos míseros segundos. Já uma outra corrente crê que os Reis Magos eram astrólogos que conheciam muito bem o céu e a dinâmica dos corpos celestes e, portanto, sabiam qual era aquela estrela e já esperavam o seu aparecimento. Assim, vários astrólogos do Oriente Médio acreditavam que determinada conjunção seria um sinal do nascimento de um messias.


A teoria de um cardeal...
O cardeal jesuíta Danielou acreditava na teoria dos Reis Magos astrólogos, que esperavam no céu algum sinal planetário para o nascimento de uma criança importante. Para ele, os documentos romanos mostram que era uma atitude comum entre aquela sociedade.

Segundo Danielou, quando a Bíblia narra que os Magos disseram a Herodes que seguiram a estrela prova-se que eles olhavam constantemente para o céu na procura de algum tipo de sinal já previamente conhecido. Um código tão conhecido que Herodes não estranhou quando eles citaram a viagem ao longo do deserto.

Há várias pesquisas referentes à origem do fenômeno astronômico que gerou a Estrela de Belém. Nos últimos anos houve grande avanço através de programas de computador que, através de cálculos, podem simular o céu em qualquer parte do mundo em qualquer época desejada. Mas isso fica para um post no futuro.

sábado, 9 de junho de 2012

O incêndio do Reichstag: o pretexto de Hitler para aniquilar a oposição e ter poder total...

Marius van der Lubbe (foto abaixo), um holandês de 24 anos, foi executado em 10 de janeiro de 1934, acusado de ter ateado fogo no Reichstag, o impressionante edifício-sede do parlamento alemão, em Berlim. Mas seria ele verdadeiramente o culpado? Ou seria um mero pretexto de Hitler para subir ao poder e massacrar sua oposição comunista? Esse incêndio proposital levou a Alemanha ao buraco e o mundo a uma guerra mundial, pois deu plenos poderes ao ditador alemão.


Foi um estudante de teologia, Hans Flotter, que deu o alarme do incêndio às 21h do dia 27 de fevereiro de 1933. Passando pela esquina do parlamento, ouviu um barulho de vidro quebrando e olhou para cima; viu um homem entrar no Reichstag com algo que parecia uma tocha nas mãos. Correu e avisou a um policial, que ainda disparou um tiro em direção a esse homem. Por volta das 22h já havia mais de 600 bombeiros tentando debelar o fogo.

Numa das salas do parlamento, um policial prendeu um homem banhado de suor e sem camisa. O seu passaporte tinha identificação: o holandês Marius van der Lubbe. Detido e interrogado, afirmou que agia em protesto e que já havia tentado atear fogo em outros três prédios públicos.

O efeito político foi tremendo, e levou Hitler ao poder totalitário em apenas 27 dias depois de assumir a chancelaria, tornando-se o III Führer. Afirma-se, inclusive, que quando ele soube do incêndio e da prisão de um comunista estrangeiro, Hitler teria dito: “Não acredito! Isso é um sinal dos céus em meu favor”.


Um poder absoluto em suas mãos...
“Todos os oficiais comunistas devem ser executados. Todos os políticos comunistas devem ser enforcados. Tudo isso ainda essa noite. não pode haver misericórdia”. Essa foi a ordem dos nazistas; eles queriam disseminar no povo o ódio contra os comunistas, que há muito tempo impedia Hitler de assumir o poder supremo na Alemanha. Em poucas horas, cinco mil comunistas foram detidos e sete dirigentes do partido foram executados por cumplicidade com o ato incendiário.

Na eleição de março de 1933, Hitler obteve somente 44% dos votos. Mas com a ausência dos deputados comunistas e independentes, que estavam presos, o partido nazista conseguiu uma lei dando plenos poderes ao chefe e começou-se a estrutura para começar a Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939.


Os comissários do corpo de bombeiros de Berlim acreditaram que o incêndio monstruoso não era obra de apenas um homem, mas sim de pelo menos sete pessoas para arquitetar um plano tão bem construído. No entanto, o tribunal absolveu cinco supostos colaboradores de Lubbe. Assim, começou a teoria de que os nazistas plantaram provas para chegar ao poder e atingir objetivos antigos.

Atualmente, historiadores acreditam que os nazistas chegaram ao Reichstag através de uma passagem subterrânea, ateado fogo, e retornado pela mesma passagem – até hoje existente. Durante o julgamento de Nuremberg, em 1945, após o fim da guerra, o general Halder, recordou que, em 1942, Goering afirmou sob gargalhadas: “A única pessoa que sabe o que realmente se passou no Reichstag sou eu, pois coloquei fogo lá”.

Também se acredita que Lubbe tenha sido traidor do partido comunista. Os nazistas teriam prometido a ele uma vida boa e tranquila depois que assumisse a culpa pelo ocorrido. Entretanto, ele acabou sendo traído e executado.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Edgar Allan Poe: seria o autor um criminoso brutal?

O famoso autor de contos emocionantes e clássicos passa um lenço em torno do pescoço de uma linda jovem. Depois aperta cada vez mais. Naturalmente decorre tudo da sua imaginação: esse autor trabalha na sinopse de mais um conto que vai render enorme sucesso. Ou será que realmente aconteceu esse crime? É possível que um autor tão conhecido tenha cometido um crime tão brutal e escandaloso? Além disso, teria ficado impune e tido a audácia de escrever e publicar esse crime que cometera?


Essa é a conclusão espantosa de investigadores modernos sobre um crime cujo autor permaneceu oficialmente por ser descoberto desde que foi encontrado no Rio Hudson, em Nova Jersey, em julho de 1841, o corpo de uma linda jovem morena. Chamava-se Mary Rogers e tinha 21 anos. As mãos estavam atadas atrás das costas, foi estuprada e estrangulada com um pedaço de lenço.

Ela era empregada em uma tabacaria na Broadway, que já começava a ser um lugar de diversão, mas que no século 19 ainda era um reduto imundo de Nova York. Havia relatos de que ela era sempre cortejada por diretores, atores, cafetões.

Desaparecera uma vez em outubro de 1838, quando trabalhava na tabacaria e acabou ganhando a primeira página dos jornais. Duas semanas depois reapareceu alegando que estava cansada demais e que viajou para a casa de uns amigos, em um sítio próximo a Nova York.

O seu assassinato em um verão extremamente quente em 1841 rendeu novamente essa suspeita: viagem misteriosa. No entanto, com o aparecimento do corpo o patrão foi o primeiro suspeito, pois sempre era visto em sua companhia. Outros três homens foram investigados pelo crime, todos admiradores da moça. A polícia trabalhou com dureza, mas sem pista alguma acabou arquivando o caso.


Quase dois anos depois do homicídio, Mary ficou imortalizada em uma famosa história policial: “O mistério de Mary Roget”, publicado como folhetim barato em uma revista para a população pobre de Nova York. O autor, Edgar Allan Poe, descreveu com detalhes todo o caso – inclusive o assassinato – mas transferiu o caso para Paris e mudou sensivelmente o nome dos envolvidos.

Um final muito estranho...
O detetive parece revelar o nome do homicida quando a história termina sem um ponto final. Ao que tudo indica, o conto havia sofrido censura na revista onde era publicado. Ao que tudo indica, Poe conhecia a identidade do assassino.

De acordo com especialistas em Poe, é muito estranho que ele não tenha aparecido nos inquéritos policiais, uma vez que realmente conhecia Mary da época em que ela vendia charutos. Ele era conhecido por sempre andar de casaco preto e usar botas militares, enquanto passeava pelos becos sujos da Broadway. Dizem que ele tinha um temperamento forte e cruel, e andava sempre solitário. Foi expulso da academia militar por sempre andar bêbado, ser explosivo e criar muitas desavenças. Alguns biógrafos apontam, ainda, várias perversões sexuais e comportamento doentio em bordéis, além das aventuras sexuais com mulheres casadas.


Personalidade doentia e perigosa...
Em seus contos há várias referências a personagens que parecem descrevê-lo: egocêntricos, que se acham superiores, com estranhas fantasias sexuais e incestuosas e, às vezes, homicidas. A morte atraía Poe em seus contos, principalmente quando eram assassinadas moças atraentes.

Acredita-se que em 1838 Poe tenha entrado na tabacaria e conversado muito com Mary. A data coincide justamente com o período do primeiro desaparecimento. Será que ela e o autor teriam vivido duas semanas de devaneios sexuais? Uma vez mais – três dias antes de seu corpo ser descoberto no rio – ela foi vista passeando pelos bosques próximos às margens com um homem alto, moreno, com quase 30 anos, vestindo uma capa preta. Poe correspondia fielmente à descrição. Seria ele mesmo?

Alcoólatra e viciado em drogas, o escritor morreu em 1849, com 40 anos, suspirando: “Deus, por favor, ajude a minha pobre alma pecadora”. Morreu sem jamais ter sido interrogado sobre o crime que publicou e que tinha conhecimentos muito profundos. Atualmente, há quem acredite que o assassinato de Mary Rogers pode ser totalmente reconstruído peça por peça através dessa novela de Poe.

sábado, 2 de junho de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (6)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Voltar o polegar para baixo era sinal de morte na arena romana...
Um quadro de Jean León Gerome (foto abaixo), exposto pela primeira vez em 1873 e que se difundiu largamente sob a forma de gravura, representa um imperador romano com o polegar virado para baixo, indicando assim ao gladiador que matasse o seu oponente caído. É aí que nasce a lenda sobre o gesto, pois os historiadores especialistas em Roma Antiga dizem que o polegar para baixo não representa o desejo da morte. Uma tradução feita em 1693 das “Sátiras” de Juvenal transcreve a frase “onde com polegares dobrados para trás a plebe mata”. A tradução de 1853 feita por John Mayor explica melhor: “Aqueles que desejam a morte do gladiador vencido voltavam os polegares em direção ao peito, como sinal para seu oponente trespassar com a espada; aqueles que desejavam que ele fosse poupado voltavam os polegares para baixo, indicando que a espada deveria cair”. Os historiadores também dizem que os imperadores anteriormente consultavam a plateia antes de darem o sinal de vida ou morte aos gladiadores.


Cinderela usava sapatinhos de cristal na noite do baile...
Na primeira versão francesa do popular conto de fadas, a Gata Borralheira usou “pantoufles en vair” – “sapatos de pele de arminho branco” (um animalzinho parecido com um rato, na foto abaixo). Cerca do século 15, porém, a palavra vair caíra em desuso, e o autor francês Charles Perrault, que reescreveu a história em 1697 e não conhecia o vocábulo, confundiu a palavra com verre, “vidro” ou “cristal”. Como a versão que nos chegou é a de Perrault, em todo o mundo conhecemos os graciosos sapatinhos de cristal. Originalmente, a história de Cinderela é folclórica e meio obscura; há pelo menos 300 versões diferentes na França e o sapatinho é feito de materiais diversos: pérolas, ouro, prata, até hóstias sagradas. Na China do século 9 também havia uma narrativa parecida.



O dinheiro é a raiz de todo o mal...
Frase muito dita nos púlpitos das igrejas cristãs. O que São Paulo na realidade afirmou foi: “O amor pelo dinheiro é a raiz de todos os males”, não querendo significar que o dinheiro em si constituísse um mal, ou então ninguém conseguiria sobreviver sem comprar as necessidades básicas.

Que comam bolos!
No mês de outubro de 1789 as mulheres pobres de Paris dirigiram-se ao Palácio de Versalhes, numa tentativa de forçar o rei Luís XVI a criar um governo mais justo. De acordo com a tradição, quando a rainha Maria Antonieta ouviu os gritos das mulheres e lhe disseram que elas tinham fome e não havia pão, teria dito: “Ué, que comam bolos”. Isso circulou por Paris como um sinal de desunamidade e estupidez da monarca; no entanto, não existe nenhuma prova histórica de que ela tenha dito isso. A primeira referência à frase apareceu em 1760, nas “Confissões” de Rousseau, quando Maria Antonieta era ainda uma jovenzinha. Rousseau conta a história de uma grande princesa que teria dito a mesma frase quando seus conselheiros disseram a ela que os camponeses passavam fome.

Elementar, meu caro Watson!
Essa frase nos leva diretamente ao famoso personagem criado por Arthur Conan Doyle, o Sherlock Holmes. No entanto, em parte alguma das obras o detetive pronuncia essa frase. Há algo parecido na história “O homem desonesto”, de 1894. Nessa história, Watson casou-se e não vive na casa do detetive. Quando visita seu assistente para lhe pedir ajuda num mistério, Holmes faz algumas deduções sobre o velho amigo; Watson pergunta como ele havia descoberto tantas coisas, ele responde: “Elementar, óbvio, Watson”.