quarta-feira, 30 de maio de 2012

Algumas considerações sobre o que é falso e o que é verdade no vodu...

O vodu está presente na cultura de todo continente americano graças à tradição dos escravos. Tradicionalmente, é uma religião vinda de onde é o Benin, onde é praticada por mais de sete milhões de pessoas; também é praticada em algumas aldeias na Nigéria e no Gana. De acordo com os antropólogos, na América ela acabou sendo distorcida pelos preconceitos dos missionários cristãos e hoje em dia acabou sendo caracterizada por bruxarias e feitiçarias pela tela dos cinemas.


Na América, o vodu acabou se dissipando em várias seitas regionais: o haitiano, o dominicano, o da Louisiana, o candomblé jejê na Bahia, a santeria cubana etc. O fato é que o misticismo africano acabou adaptando outros elementos culturais e religiosos. Nos estados do sul dos Estados Unidos é muito popular, sendo conhecido como “voodoo”.

Algumas considerações sobre essa prática religiosa...
1º O termo “vodu” tem origem no idioma ewegen-ajafon, “vodun”, que significa “divindade” ou “espírito”. É uma prática religiosa bastante popular em algumas partes da África e, principalmente, no Caribe e nas proximidades de Nova Órleans.

2º Trata-se de uma religião monoteísta. Há um ser supremo, do sexo feminino, que criou tudo e que recepciona os espíritos dos antepassados em uma espécie de paraíso além-morte.

3º O vodu é muito mal-visto nos EUA por causa da herança pós-escravidão, extremamente cruel lá como foi no Brasil. Os terreiros de prática ficam escondidos nos subúrbios e, geralmente, os americanos o procuram quando desejam atingir um desejo muito grande e praticamente impossível.


4º O vodu haitiano é conhecido por “sèvis gine”, “serviço africano” e também é muito popular no país mais pobre do continente. No entanto, é um dos mais miscigenados: em suas práticas misturaram ritos cristãos, práticas de índios americanos etc. A partir dele nasceu o conhecido vodu jamaicano, que tem poucas diferenças.

5º Os antropólogos explicam que o vodu haitiano é o que mais aparece na cultura popular do cinema, com transes depois de bebidas alucinógenas (herança ameríndia), altares com imagens (herança católica europeia) e sacrifícios animais (herança africana).

6º Talvez o que mais conhecemos do vodu seja a prática de enfiar agulhas em um bonequinho representando alguém. Trata-se do ritual de invocação de Bon Dieux: um feiticeiro crava agulhas em um boneco para fazer com que alguma vítima, talvez a muitos quilômetros de distância, sofra dores horríveis, ataques cardíacos ou doenças incuráveis. Esse ritual entrou para a cultura pop desde que os sanguinários ditadores François e Jean-Claude Duvalier usavam tais rituais para amedrontar suas vítimas.

7º Uma outra história envolvendo o vodu se relaciona aos zumbis. Entretanto, antropólogos explicam que essa é uma característica secundária dessa religião, uma vez que é um folclore muito antigo do Haiti, não estando relacionada diretamente à prática do verdadeiro vodu. Os zumbis são criaturas lendárias do folclore rural haitiano.



sábado, 26 de maio de 2012

Jack Estripador: a confusa história do serial killer mais famoso da história!

Por cinco vezes o homem de aspecto insuspeito deslizou entre os becos do bairro de Whitechapel (foto abaixo), em Londes. Nessas vezes falou com mulheres da rua, e em cada uma dessas a mulher morreu esfaqueada – a marca sangrenta desse homem conhecido pela imprensa sensacionalista da época como “Jack the Ripper”, ou “Jack Estripador”. Dezenas de detetives criaram as mais diversas teorias sobre a identidade do assassino, que oficialmente nunca foi descoberta.


Whitechapel era uma úlcera londrina na época vitoriana: prostíbulos, casas de jogos, bares, marginais, assassinatos frequentes. Durante a noite a situação ficava cada vez mais perigosa, principalmente com a venda ilícita de sexo, drogas e jogos de azar enquanto famílias com vários filhos se acotovelavam em cortiços imundos. Foi nesse ambiente que em 1888 Jack atuou pela primeira vez.

Mary Ann Nicholls, de 42 anos, era uma prostituta já considerada velha demais pelos clientes bêbados. Tinha dificuldades para pagar por uma cama quente, um pedaço de pão e um prato de sopa. Até que em uma noite encontrou-se com um homem – a esperança de um encontro sexual e algumas moedas. Jack cortou-lhe a garganta, e o seu corpo foi descoberto por um carroceiro na manhã de 31 de agosto de 1888. Assim começou a tragédia inglesa mais lembrada na história da imprensa.



O criminoso esperou exatamente sete dias para atacar mais uma vez. A vítima foi, de novo, uma prostituta: Annie Chapman, de 47 anos; ela tinha tuberculose quando Jack atacou. O corpo foi encontrado nos fundos de um mercado, com um corte que ia da garganta até a vagina.

Os boatos povoaram toda Londres causando desespero e a imprensa sanguinolenta divulgou romances de folhetins criminosos falando sobre os crimes. A imprensa inventou que o homem levava suas pequenas facas em uma mala preta. Todas as pessoas que andavam com uma era parada por uma multidão desesperada. Voluntários organizaram patrulhas por toda Whitechapel e a polícia interrogou mais de 200 pessoas. O problema é que Jack Estripador não deixava vestígios. Na época, a polícia descobriu apenas que ele era canhoto e que tinha conhecimentos de medicina ou açougue.


Em 20 de setembro, Jack atacou duas mulheres em um espaço de poucas horas e, dessa vez, deixou uma pista para trás. Foram encontradas mortas Liz Stride e Kate Eddowers – a mais esquartejada. Um rastro se sangue ia até uma porta onde estava escrito “Os judeus não têm culpa de nada”. A polícia calculou que, então, o assassino era um judeu louco, talvez médico ou açougueiro.

Enquanto isso, a imprensa soltava teorias que atrapalhavam as investigações e deixavam a população em desespero: “Jack era um médico insano fugitivo de um manicômio”, “Jack era um judeu polonês”, “Jack era um agente secreto russo”, “Jack era um pastor anglicano revoltado com a depravação do bairro”. E isso tudo até que em 09 de novembro de 1888 ele atacou de novo!


A vítima foi Mary Kelly, de 25 anos, encontrada com os membros mutilados em seu quartinho. Dessa vez havia uma testemunha, que a viu ser abordada por um homem de baixa estatura, bigode loiro e chapéu de caçador. A Scotland Yard nunca chegou perto de Jack Estripador, tornando-se comum na mídia vários filmes sobre o caso misterioso. Em 1994 o caso foi para o Arquivo Público do Reino Unido, onde ficou disponível para a pesquisa de qualquer pessoa. Nas fotos abaixo, cartas enviadas pelo criminoso à polícia na época.



Teoria mais provável, segundo os especialistas...
A teoria mais provável foi pesquisada por Daniel Farson, que baseou suas pesquisas em cima das anotações de Melville Macnaghten, detetive da Scotland Yard que participou do caso e em 1903 se aposentou. De acordo com o levantamento, a polícia se concentrou no médico russo Mikhail Ostrong, um judeu barbeiro polonês conhecido popularmente como Kosmanski e um advogado com fama de tarado, chamado John Druitt. Atualmente, a polícia londrina considera Druitt o culpado.





Segundo pesquisas, os membros da família Druitt trocaram cartas entre si comentando o fato de John poder ser o assassino. Em Whitechapel havia uma clínica cirúrgica do doutor Lionel Druitt, estando a apenas dez minutos de caminhada do lugar mais distante de um dos crimes, e John (foto abaixo) sempre aparecia por lá. A mãe de John tinha problemas mentais, bem como outros parentes dele.


John Druitt nunca foi preso, mas havia sido interrogado uma vez. Escapou facilmente da justiça. Depois da última morte, ele desapareceu. Seu corpo apareceu flutuando algumas semanas depois no leito imundo do Rio Tâmisa, que corta Londres. O homem cometera suicídio por afogamento.

Este homem, conhecido como Jack Estripador, tornou-se o serial killer mais famoso da história e envolto a um mistério que durou muitas décadas. Seus atos insanos, cheios de mistério, serviram para modernizar a imprensa sensacionalista e popularesca, que misturava realidade e fantasia na procura por lucros.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O que são as runas, o método de adivinhação dos vikings...

Quem se interessa por assuntos relacionados ao ocultismo e ao misticismo já ouviu falar nas runas; no entanto, poucas pessoas conhecem as origens deste método de adivinhação que remonta muitos séculos, quando os vikings ganhavam os mares do norte da Europa e espalhavam o medo por várias vilas. Muito além de uma forma de conversar com espíritos e deuses, as runas também eram usadas para escrever sagas, aventuras e desventuras. Um sistema complexo de cultura, folclore, escrita e historiografia.


Originalmente, as runas são um conjunto de alfabetos relacionados à cultura germânica. Eram usadas na escrita de diversos idiomas antigos – alemão, sueco, inglês arcaico etc. – usados pelos povos vikings, germânicos e bretões. Cada povo e cada cultura tinha a sua runa, não sendo, portanto, um sistema único e uniforme. Era uma forma antiga de escrever esses idiomas que se perpetuou de três formas, a seguir:

1º Através das inúmeras pedras espalhadas pela Escandinávia, principalmente na Suécia, onde os vikings escreveram seus limites territoriais, sepulcros, locais religiosos etc.

2º Através das antigas sagas que contam, em linguagem arcaica, as conquistas empreendidas pelos mares do Norte, como a conquista da Islândia, a chegada à Groenlândia e a primeira colonização da América, em Vinland. Recentemente escrevi sobre as conquistas vikings no nosso continente. Você pode ler clicando aqui.

3º Através dos métodos de adivinhação das runas, que hoje são muito populares graças à moda wicca, que mistura elementos celtas com ocultismo nórdico. No entanto, cada cultura tinha a sua forma de adivinhar o futuro com esse alfabeto.



As runas mais populares são a escandinava – conhecida como “Futhark”, derivado das primeiras letras desse alfabeto: F, U, Th, A, R, K – e a versão bretã, conhecida como “Futhorc”. As inscrições mais antigas até hoje encontradas vêm do ano 150 d.C. e acabou entre os séculos 7 e 11 da nossa era, quando a Germânia e a Escandinávia foram cristianizadas e seus métodos foram proibidos, considerados pagãos.

As peças consistem em ossos polidos, ou mármore e granito, onde cada pecinha tem gravada uma letra deste alfabeto. A pessoa retira três letras, onde o místico faz a combinação e cada letra tem um valor específico e que mostraria a realidade futura daquela pessoa. Os vikings acreditavam que assim os deuses poderiam se comunicar mais facilmente com os mortais.

A adivinhação rúnica ficou preservada secretamente nos ambientes rurais sueco e finlandês por muitos séculos, quando voltaram à voga na Europa e nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século 20. O retorno ao paganismo de diversos grupos fez com que a metodologia ficasse em evidência a partir dos anos 1960.


A origem mitológica...
Contam as lendas vikings que os deuses moravam em Asgard, um lugar localizado no topo de Yggdrasil, a árvore que sustenta os nove mundos. Nesta árvore, o deus Odin conheceu a sua maior provação e descobriu o mistério da sabedoria: as runas. Alguns versos do Edda Maior, um livro de poemas compostos entre os séculos 9 e 13, cantam esta aventura de Odin em algumas de suas estrofes:

Sei que fiquei pendurado naquela árvore fustigada pelo vento,
Lá balancei por nove longas noites,
Ferido por minha própria lâmina, sacrificado a Odin,
Eu em oferenda a mim mesmo:
Amarrado à árvore
De raízes desconhecidas.
Ninguém me deu pão,
Ninguém me deu de beber.
Meus olhos se voltaram para as mais entranháveis profundezas,
Até que vi as runas.
Com um grito ensurdecedor peguei-as,
E, então, tão fraco estava que caí.
Ganhei bem-estar
E sabedoria também.
Uma palavra, e depois a seguinte,
conduziram-me à terceira,
De um feito para outro feito

Esta é a criação mítica das runas, na qual o sacrifício de Odin (que logo depois foi ressuscitado por magia) trouxe para a humanidade essa escrita alfabética antiga, cujas letras possuíam nomes significativos e sons também significativos, e que eram utilizadas na poesia, nas inscrições e nas adivinhações, mas que nunca chegaram a ser uma língua falada.



Atualmente, cada pessoa interessada nessa cultura faz o jogo de runas de acordo com aquilo que conhece. Poucos adivinhos conhecem o folclore viking e as origens deste método, tão popular por tantos séculos entre os grandes conquistadores medievais dos mares.

sábado, 19 de maio de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (5)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Cisnes cantam antes de morrer...
A crença de que os cisnes, habitualmente desprovidos de voz, cantam maravilhosamente antes de morrer faz parte do antigo folclore de poetas e filósofos. Os antigos gregos consideravam os cisnes animais de Apolo. Segundo Sócrates, os cisnes cantam não por tristeza ou aflição, mas porque são inspirados por Apolo. Shakespeare refere-se ao “canto do cisne” nas suas peças e nos seus poemas, e a imagem é também usada por Lord Byron em “Don Juan”. O cisne Cygnus olor – cisne mudo – emite um som vagamente musical. A espécie mais vulgar limita-se a emitir um violento sibilo quando irritada ou se algum perigo ameaça sua cria.


O queijo é o alimento preferido dos ratos...
Experiências laboratoriais feitas nos anos 80 revelam que o queijo não é a melhor isca para a captura de um rato. Segundo esses estudos, os ratos tendem a procurar mais doces com gosto de limão. Na verdade, doces atraem melhor os ratos do que queijo ou pão. Outras experiências também revelam serem falsas as preferências alimentares dos animais – cachorros por carne e gatos por peixe. A alimentação e suas preferências nascem dos hábitos da casa.

Camelos e dromedários armazenam água nas corcovas...
As corcovas desses animais contêm gordura nutritiva que, não dispondo o animal de outro alimento, lhe assegura a subsistência durante uma semana ou dez dias.

O porco-espinho pode disparar os seus espinhos...
Como mecanismos de defesa, os espinhos do porco-espinho são altamente eficientes. À parte o seu efeito obviamente dissuasivo, são frequentemente impregnados de imundícies e bactérias, que podem causar sérias infecções. Além disso, torna-se difícil à vitima remover os espinhos com farpas. Mas o porco-espinho não é dotado de um mecanismo muscular que lhes permita disparar seus espinhos.


Nero tocava violino enquanto Roma ardia em chamas...
Uma das lendas mais divulgadas sobre Roma e seu louco imperador Nero diz que ele mesmo colocou fogo na cidade quando viu seus projetos ruírem. No entanto, não existe nenhum documento que culpe o imperador; mais louca ainda é a historinha de que ele tocava violino alegremente enquanto a “cidade eterna” ardia em chamas. O violino só foi inventado no século 16. Mas em outras versões, Nero tocava lira ou cítara. De acordo com o historiador romano Tácito, Nero estava a uns 80 quilômetros de distância de Roma quando teve início o fogaréu; ainda segundo ele, o imperador mandou tropas para controlar o incêndio.

Eva deu a Adão uma maçã no Paraíso...
Embora a maçã tenha tornado um símbolo da perda da graça, a história da tentação, contada no Gênesis, não faz qualquer referência à maçã; menciona simplesmente “o fruto da árvore que se encontra no centro do jardim”. Generalizou-se a crença de que o fruto era uma maçã através da mitologia grega, na qual este fruto pertencia às deusas do amor e do sexo, simbolizando o desejo. Quando, no século 2 d.C., Aquinlo de Pontus traduziu do hebraico os Cânticos Salomônicos, alterou os versos “Criei-te debaixo da macieira; ali a minha mãe te gerou” para “Criei-te debaixo da macieira; ali to foste corrompido”. Esse erro de tradução perpetuou-se durante toda a Antiguidade Clássica, chegou à Idade Média e está aí até hoje.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A lenda de Jack dos saltos de mola, o “homem com olhos de demônio”...

Surgiu no meio da noite, dando saltos enormes, o homem que manteve uma nação dominada pelo terror durante mais de 50 anos. A princípio, não passava de um boato; não despertaram grande interesse as primeiras notícias, divulgadas por pessoas que transitavam por Barnes Common, em Londres, que afirmavam ter visto um vulto aterrorizante que cruzava o seu caminho em grandes saltos. Mas os relatos persistiram, até que foram confirmados de forma pavorosa em fevereiro de 1838.

Jane Alsop era uma jovem atraente. Vivia com as duas irmãs e o pai em uma rua em um bairro pobre de Londres. Ouviu falar no Jack saltos de mola, mas acreditava ser sensata demais para acreditar em demônios rondando a terra. Uma noite, porém, bateram na sua porta e ela foi ver quem era. O homem oculto pelas sombras da noite disse: “Sou da polícia. Pelo amor de Deus, traga-me uma luz, pois apanhamos o demônio dos saltos de mola nessa rua”. A jovem ficou nervosa com a tal confirmação, e foi correndo pegar uma vela.

Porém, quando a entregou ao homem que se encontrava à porta, ele agarrou-a pelo pescoço e colocou a sua cabeça sob o braço. Depois, rasgou-lhe o vestido e arranhou o corpo. O homem continuou perseguindo enquanto ela tentava fugir: agarrou-lhe pelos cabelos, arranhou o pescoço. Toda a rua ouviu o escândalo, e quando as pessoas se aglomeraram para ajudar Jane Alsop, o homem sumiu na escuridão em grandes saltos.


Mais tarde, a jovem descreveu aos magistrados como era o homem que a atacara. Está tudo registrado no Arquivo Público de Londres: “Usava uma espécie de elmo, uma roupa branca bem justa. Cara medonha e olhos que pareciam puro fogo, garras enormes. Um bafo terrível e às vezes cuspia centelhas de fogo”. Essa mesma descrição seria repetida centenas de vezes em vários casos de pessoas agredidas pelo Jack dos saltos de mola.

Lucy Scales tinha 18 anos quando saiu, à noite, da casa do irmão e ia para a sua na companhia de um irmão menor, quando um homem alto e escondido sob as sombras a derrubou e cegou-a com um baforido de chamas azuis. Entre 1850 e 1860 esses ocorridos foram frequentes em toda Inglaterra, especialmente nos arredores de Londres.


Até pelo menos 1877 as autoridades inglesas tentaram capturá-lo de todas as maneiras com armadilhas extremamente inventivas. A saída sempre era a mesma: Jack dos saltos de mola saía rindo, saltando sobre os telhados nas noites escuras – sempre em gargalhadas. Os olhos infernais de Jack foram vistos pela última vez em 1904, perto de Liverpool.

Atualmente, ignora-se a identidade deste demônio folclórico inglês. Acredita-se que tenha sido o excêntrico marquês de Waterford. Era um individuo muito turbulento na sociedade vitoriana; acabou ganhando o maldoso apelido de “o marquês louco”. Jack virou um personagem do folclore inglês.

sábado, 12 de maio de 2012

O gosto popular por contos fantasmagóricos e filmes sobrenaturais tem explicação?

Desde que a imprensa entrou no modelo de produção industrial até o advento do cinema, tudo no século 19, reparamos a quantidade absurda de contos de terror, fantasmagóricos, e filmes que tiram o sono de qualquer um. O fato é que o ser humano sempre teve verdadeiro fascínio por assuntos sobrenaturais. Mas será que existe uma explicação para isso? Sim, há...


No século 19, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, tornaram-se enorme sucesso as chamadas “novelas draculianas”. Os tons sombrios, misteriosos e fantasmagóricos faziam sucesso na juventude, principalmente nas mãos de Edgar Allan Poe. Lendas acerca de casas mal-assombradas têm uma longa história na literatura, tendo autores da época de Roma Antiga como Plauto, Plínio o Novo e Luciano de Samósata escrito histórias sobre casas assombradas.

Recentemente, publiquei um post sobre esclarecimentos referentes a locais supostamente mal-assombrados. Para ler, clique aqui!

Também recentemente escrevi um post sobre a presença constante de fantasmas na nossa cultura. Leia aqui!

Em 1764 já se registra o primeiro livro de terror: “O castelo de Otranto”, de Horace Walpole. No século 19 a literatura fantasmagórica é bem vasta principalmente pelas mãos do mestre Edgar Allan Poe. No cinema não é diferente: depois de 1915, ainda na gênese da sétima arte já havia registros de pequenos filmes para assustar, como “O fantasma da casa”, de 1917.


O século 19, muito antes de ser a “Belle Epoque”, é, também, uma fase que o ser humano das sociedades industriais teve gosto particular por aquilo que desconhecia: (1) nasce a doutrina espírita, quando as sessões de comunicação com fantasmas se populariza na França; (2) os circos de horrores fazem caravanas imensas e ganham fabulosas quantias de dinheiro nos EUA apresentando pessoas com anomalias horríveis; (3) os acidentes de trabalho em indústrias não muito seguras eram tão comuns que você teria um vizinho ou parente amputado; (4) doenças como sífilis, tuberculose e tifo eram extremamente comuns em centros como Paris, Londres e Nova York.

Todos esses ingredientes serviram para povoar a mente das pessoas que viviam aquela época, muitas vezes sofrida. Assim, nasceram os contos que narravam fantasmas em castelos, sessões espíritas amaldiçoadas, vampiros misteriosos, aleijados buscando vingança e muito sangue! Grande parte dos contos tinha tons de vida real: os autores buscavam na imprensa sensacionalista ingredientes para sua ficção.



No Brasil, esse tipo de literatura não influenciou a produção cultural, tanto que não estamos acostumados a ver filmes, séries e novelas com fantasmas e cataclismos, ao contrário da cultura norte-americana, que desde 1840 convive com contos draculianos, filmes sobre o fim do mundo etc.

Foi com esse tom de sociedade trágica graças ao advento da indústria que começamos a ser influenciados culturalmente por vampiros, fantasmas, demônios e pessoas com defeitos físicos gravíssimos. Naquela época era comum a exploração da desgraça alheia em nome do lucro, o que hoje a imprensa faz, mas esconde esse interesse.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A arte africana da adivinhação: fatos sobre o jogo de búzios...

O jogo de búzios é uma das artes de adivinhação do folclore africano. É bem popular não somente no Brasil, mas em lugares onde houve uma tradição escravocrata: sul dos Estados Unidos, ilhas do Caribe etc. Cada lugar tem o seu método de jogo, o que mostra que não existe um método comum aos profissionais. O mais comum consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adotam ao cair sobre ela.


Os búzios nada mais são do que conchas de praia de vários tamanhos, sendo usados como objetos de adorno nas religiões de origem africana. Os búzios servem para enfeitar roupas e colares, ou como método de adivinhação; têm uma abertura natural e uma parte ovalada. A maioria dos adornos e jogos de búzios é feita com as conchinhas cortadas, onde são tiradas as partes ovaladas dos mesmos.

Não se sabe como ou quando surgiu esse método de adivinhação, uma vez que é muito antigo. Tudo o que se sabe é que essas conchas eram usadas como moeda em algumas aldeias africanas. Misteriosamente, em algumas ilhas da Turquia há um jogo de adivinhação parecido, também usando búzios do mar.


O grande problema relacionado a esse método de adivinhação refere-se às mulheres que o praticam. É que na cultura africana ioruba, somente aos homens eram revelados os poderes espirituais de comunicação com os orixás. Portanto, originalmente, as mulheres não podiam praticar essas cerimônias, enquanto que no continente americano são muito mais comuns.

sábado, 5 de maio de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (4)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Há espécie de peixes-voadores que voam...
Há cerca de cem espécies de peixes denominados “voadores”. No entanto, nenhum deles voa realmente. Esses peixes com barbatanas grandes as têm simplesmente para acelerar o mergulho em águas rápidas, nadando contra a correnteza. Passaram a ser conhecidos como voadores porque pulam fora da água para pegar pequenos insetos como alimentação.


Traças comem roupas...
Existem seis espécies de traças responsáveis por devorarem peças de roupas. Mas, no entanto, elas não o fazem por todo. Não são as traças que comem tecido, mas sim suas larvas, que se alimentam de lã e de algodão. Depois que essas larvas crescem e viram traças realmente, passam a comer papel; aí, sim, comem livros, cadernos, documentos etc.


Os polvos são criaturas extremamente perigosas!
A ideia de que os polvos matam os mergulhadores com seus tentáculos é puro fruto da invencionice da ficção científica. De acordo com os biólogos marinhos, basta um apertão na cabeça do polvo para que ele amanse caso esteja furioso (mas ele nunca esmagará ninguém com seus tentáculos ventosos). Ainda segundo especialistas, os polvos são capazes de somente matar pequenos moluscos e peixes.

Trovões podem azedar o leite...
Essa é uma história muito comum no interior do país. O trovão é uma vibração sonora do ar após uma descarga elétrica e de modo algum pode azedar o leite ou qualquer outro alimento. O que pode azedar o leite durante as trovoadas é a formação de bactérias que transformaram em ácido lático o açúcar do leite. Essas bactérias desenvolvem-se melhor em tempo quente e úmido, quando o leite não é conservado adequadamente; ou seja, o clima do verão favorece o processo por causa do calor e da umidade.

Cobras hipnotizam sua presa e também pode ser hipnotizadas por música...
Nenhum biólogo ou veterinário aceita a teoria de que cobras possam hipnotizar a sua presa. Já as cobras são encantadas na Índia por dois motivos principais: (1) elas quase não ouvem, senão ruídos de baixa freqüência e, com isso, o som da música as atrai de alguma forma por ser semelhante ao barulho de presas; ou (2) a ponta da flauta está suja com urina de rato, prato principal do animal, e ela fica tentando aplicar o bote na flauta.


Os ratos abandonam o navio prestes a afundar...
Não é verdade essa antiga história de que os ratos têm um estranho instinto que acusa o momento que um navio pode afundar. A explicação é mais lógica do que paranormal: os ratos, geralmente, viviam nos porões das embarcações, onde a água começa a encher primeiro, com maior rapidez. Para não morrerem afogados, eles subiam ao convés e deixavam de viver escondidos.

O avestruz enterra a cabeça na areia quando está com medo...
Os biólogos explicam que isso é um mito perpetuado pelos desenhos animados. Em uma fazenda de criação de avestruzes na África do Sul estudantes de biologia estudaram o comportamento desses animais por mais de dez anos e pouquíssimas vezes foram observados com a cabeça afundada na terra. Alguns momentos do dia os animais abaixam a cabeça para descansar os músculos do pescoço (muito comprido e rígido) ou então catar pequenos alimentos debaixo da terra. Se o avestruz enfiasse a cabeça na terra, realmente, poderia morrer de asfixia.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um pouco sobre a Ordem Rosacruz...

A Ordem Rosacruz passou a ser conhecida a partir do século 17, através de seus manifestos de cunho esotérico; alguns acreditam que os fundamentos dela sejam bem mais antigos, do início do Renascimento Italiano – no século 14; já outros historiadores creem que a Rosacruz tenha se formado a partir do pensamento de reforma protestante na Alemanha. Há boatos demais e conclusões de menos.


Histórias e lendas...
Segundo uma lenda da Europa, a Rosacruz foi fundada pelo alemão Christian Rosenkreuz, no início da década de 1400. Ele teria viajado o mundo conhecendo algumas artes ocultas e a alquimia. A partir dessa data, a ordem foi fundada, cresceu e se espalhou pelo mundo. Porém, Christian Rosenkreuz é apenas um nome simbólico, que guarda alguns folclores. Seu nome tem paralelo com Cristo; Rosen com Rosa; e Kreuz, Cruz. Já uma outra lenda aponta que a Rosacruz teria sido fundada há muitos séculos em Alexandria, por volta do ano 46 d.C. quando alguns sábios foram convertidos aos cristianismo e teriam ensinado aos missionários seus saberes ocultos. A existência real de Christian Rosenkreuz divide certos grupos de rosacrucianos. Alguns a aceitam, outros o veem como um pseudônimo usado por personagens realmente históricos, como Francis Bacon, por exemplo.

A primeira informação conhecida publicamente, acerca da Ordem Rosacruz encontra-se nos três documentos denominados “Manifestos Rosacruz”, o primeiro dos quais foi publicado em Kassel, na Alemanha, em 1614. Os outros dois documentos foram: “Confissões da fraternidade Rosacruz”, de 1615, publicado também em Kassel, e “Núpcias alquímicas de Christian Rozenkreuz”, de 1616, publicado em Estrasburgo.

A publicação destes textos provocou imensa excitação por toda a Europa, provocando inúmeras reedições e a circulação de diversos panfletos relacionados com os textos, embora os divulgadores de tais panfletos pouco ou nada soubessem sobre as reais intenções dos autores originais. Os textos mostravam a necessidade de reforma da sociedade humana, a nível religioso e sócio-cultural, e sobre a forma de atingir esse objetivo através de uma sociedade secreta que promoveria essa mudança no mundo.


Tradições, influências...
Os primeiros seguidores foram, geralmente, médicos, alquimistas, naturalistas, boticários, adivinhos, filósofos e homens das artes acusados muitas vezes de charlatanismo e heresia. Tradicionalmente, os rosacruzes se dizem herdeiros de tradições antigas que remontam à alquimia medieval. Alguns historiadores apontam que, junto da maçonaria, a Rosacruz tenta forçar um historicismo que não existe: querer ser mais antiga do que é, fingir tradições que não carrega; mas isso não vem de agora, mas sim do século 17.

É também interessante notar que muito da Ordem Rosacruz não tem nada de ocultismo, mas de política religiosa a partir da Reforma na Alemanha. A grande maioria dos personagens relacionados se originou do meio luterano alemão. É de se notar que o próprio Lutero foi um dos primeiros a utilizar uma “rosa-cruz” como símbolo de sua teologia. Alguns estudiosos dizem que a ordem foi, tão-somente, usada para alavancar as acusações contra o catolicismo.