sábado, 28 de abril de 2012

Mais um pouco sobre a história, os fatos e as farsas do tarô...

Recentemente, escrevi um post falando um pouco sobre a verdadeira história do jogo de baralho tarô, muito conhecido na Europa medieval e que ganhou o mundo com a colonização europeia. Você pode ser este post clicando aqui! No entanto, as pessoas me escreveram querendo um pouco mais e, portanto, aqui estamos com mais curiosidades, fatos e farsas. Voilà!

As cartas do tarô não surgiram entre os egípcios, como costumam forçar alguns místicos, mas na Itália e na França, entre os séculos 14 e 15; era jogado como forma de diversão entre os nobres e rapidamente se espalhou pela Europa Central, onde ganhou entre os ciganos e judeus praticantes da cabala a chamada “arte divinatória”. Na realidade, era uma brincadeira de crianças e jovens que passou a ser considerada bem séria.


A origem da palavra...
Ninguém sabe ao certo a origem da palavra “tarô”, mas os gramáticos acreditam que ela tenha vindo do árabe antigo “turuq”, que significa “encruzilhada”, “quatro caminhos”. Já para os gramáticos franceses, “tarot” vem do italiano medieval “tarocchi”, que significava em Veneza “deduzir”. Em Veneza medieval, “tarocchi” significava deduzir o valor de uma mercadoria no porto antes mesmo de ela ser avaliada por um especialista.

Um pouco de história e mais elucidações...
Foram os árabes que levaram os jogos de cartas até a Península Ibérica e a Itália, mas foi por volta de 1400 que as cartas do tarô teriam sido criadas. Mas a primeira evidência historiográfica do jogo é de 1442, na cidade de Milão, quando um documento fala que a poderosa família Sforza era viciada neste passatempo – lembrando que ele ainda não era conhecido como método de adivinhação.

Não há documentos que atestem o uso divinatório do tarô anteriores ao século 18, embora se saiba que o uso de cartas semelhantes para tal uso era evidente por volta de 1540. Em um livro publicado em 1735 há uma forma que ensina a tirar as cartas para ler a sorte; em 1750 há um outro falando sobre como os ciganos romenos conseguiam prever o futuro em um jogo de sorte e baralhos. Em 1765, as apostas envolvendo jogos de tarô eram tão grandes na Rússia e na Ucrânia que foram proibidos.


Os historiadores apontam, com isso, que o tarô não tem uma origem mística, mas sim de diversão e jogatina, com requintes de vícios e bebedeiras. Teriam sido os ciganos que deram a ele o ar sobrenatural que conhecemos hoje, uma vez que precisavam fazer dinheiro por onde passavam; uma época melhor que a Idade Média não havia, uma vez que o misticismo aflorava das diversas culturas da Europa.

O primeiro baralho de tarô, com os quatro naipes e os arcanos maiores, está guardado no Museu de Milão. Nele não há uma data escrita, mas suspeita-se ter sido pintado por volta de 1460. Nos arcanos maiores há figuras de deuses romanos, o que era moda na época por causa do classicismo em voga do Renascimento Cultural. De acordo com os historiadores, a prova de que o tarô nunca foi usado como método de adivinhação, mas sim como diversão é o fato de não haver nenhum documento da Igreja que implica o seu uso e sua metodologia.


O surgimento do tarô esotérico...
O tarô como ocultismo se espalhou rapidamente pela Europa Central através dos ciganos, mas foi na França após a Revolução Francesa que ele chegou aos moldes conforme o conhecemos hoje e chegou à América, tudo pelas mãos de um místico parisiense muito famoso conhecido como Alliette Etellia. Em cartas guardadas na Biblioteca Nacional da França esse ocultista dizia que a origem do tarô vinha de um misterioso jogo praticado pelos faraós do Egito. Em 1781, Antoine Court, um suíço, publicou um livro que falava sobre os modos de “jogar as cartas conforme se fazia em Marselha”; daí nasceu a modalidade hoje conhecida como “tarô de Marselha”. Assim nasceu uma historinha em cima da outra.

A concepção do tarô como um código místico foi desenvolvida por Eliphas Lévi, que espalhou para o mundo. Foi nesse processo de virada dos séculos 18 para o 19, na França, que o baralho perdeu as características de diversão, apostas e jogatina para ter requintes de adivinhação, ocultismo e alquimia. Nessa época, a Europa vivia uma verdadeira onda de fascínio por assuntos sobrenaturais: contos fantasmagóricos, sessões espíritas, circos de bizarrices humanas etc.

Na América o tarô tornou-se cada vez mais popular a partir de 1911 com a onda imigratória. Desde então foram criadas várias versões com a tentativa de prever o futuro, mas o fato é que um simples jogo de apostas cruzou os séculos e cá chegou completamente distorcido. Imaginemos daqui a alguns séculos o que poderiam fazer com o nosso tradicional e proibido jogo do bicho, hein

quarta-feira, 25 de abril de 2012

“Eu sou Anastácia”: o mistério da sobrevivente dos Romanov...

Sempre houve uma bruma espessa na história fatídica do fim dos Romanov, a dinastia de czares que comandava a Rússia quando irrompeu a revolução soviética em 1917. Todos teriam sido fuzilados em uma floresta, nas Anastácia teria sobrevivido e tornou-se uma lenda europeia sobre o seu paradeiro. Durante várias décadas, centenas de pretendentes apareceram reclamando seu direito para arrematar a fortuna real.


No entanto, a história de uma adolescente salva inconsciente em um valão em Berlim no dia 27 de fevereiro de 1920 tinha um cunho enorme de veracidade que acabou sendo aceita como verdade pelos historiadores e aristocratas russos. Ela queria ser reconhecida grã-duquesa Anastácia Romanov, filha do czar Nicolau II, último monarca do Império Russo. Não era somente o reconhecimento em jogo. Dizia-se que antes de explodir a revolução a família real transferiu sua fortuna para bancos variados na Suécia, Suíça, França e Áustria.

Será que as crianças foram poupadas?
De acordo com os arquivos do governo soviético, em julho de 1918 o czar foi executado, mas a família teria sido poupada e enviada para um destino secreto e seus documentos trocados. No entanto, após o período de abertura econômica em 1991, foi revelado o local do enterro e descobriu-se que pelo menos três membros foram mortos: o czar, a czarina e a filha mais velha.


A tal jovem salva no valão de esgoto em Berlim trazia documentos com o nome de Ana Tchaikovski. Porém, quando recobrou a consciência disse ser Anastácia Romanov e contou à polícia como escapou da execução nos arredores de Moscou; falou que foi conduzida com a família a um lugar distante, levada a um quarto escuro e, feriada com os tiros, desmaiou. Ao se recuperar, foi abrigada por camponeses e conseguiu fugir.

Os homens, dois irmãos de sobrenome Tchaikovski, eram guardas bolcheviques que não queriam participar do assassinato, perceberam que ela ainda respirava e entregaram-na a esses camponeses. Com a venda de algumas joias, conseguiu fugir da Rússia e chegar a Bucareste, onde conseguiu a nova identidade.

Na Romênia, a jovem Ana casou-se com um desses soldados e teve com ele dois filhos. No entanto, anos depois, o marido foi reconhecido como soldado traidor e desertor, sendo assassinado brutalmente. A garota entregou os filhos à adoção e fugiu para Berlim com a ajuda de um cunhado, que também desapareceu misteriosamente. Cansada da vida que levava, decidiu se matar jogando-se num canal de esgotos em Berlim.


Nos dez anos seguintes a jovem apresentou perante autoridades e simpatizantes do czarismo o que seriam provas de ser Anastácia Romanov. Não foram encontrados qualquer registros dos tais irmãos Tchaikovski, ou de algum filho dela adotado na Romênia. No entanto, assustava o nível de conhecimento dela da rotina da vida íntima do czar de Moscou, o que fez com que ela ganhasse simpatizantes.

Denunciada como impostora!
A comunidade russa instalada em Berlim após a revolução estava dividida quanto à veracidade da história. O problema é que muitos dos que poderiam atestar se era verdade ou não já estavam mortos. Pierre Gilliard, francês, amigo íntimo dos Romanov, dizia que ela era uma impostora por três motivos: (1) ela não entendia bem o russo, não falando fluentemente; (2) a estatura do corpo era diferente; (3) fazia suas preces e benzia-se como católica e não como ortodoxa.

Vários nobres europeus recusaram a recebê-la alegando ser uma loucura a teoria divulgada por ela. Enquanto isso, alguns parentes da czarina acreditavam ser ela, sim, e sem dúvida.


Em 1933, os tribunais em Berlim, Estocolmo e Zurique fecharam o caso da morte dos Romanov e distribuíram a fortuna entre seis parentes próximos, deixando de fora Ana Tchaikovski. A reviravolta do caso se deu anos mais tarde, quando um exame de raio-x mostrou na jovem uma série de contusões na cabeça, que poderiam ser de espancamentos e coronhadas. Além disso ela tinha joanetes no mesmo lugar que Anastácia Romanov. A menina ainda tinha uma cicatriz no dedo médio da mão direita, de quando era menina e fecharam a porta sobre seu dedo, causando um machucado bem grave.

Com tantas evidências posteriores, em 1938 os advogados entraram na justiça pedindo revisão no processo de distribuição da herança. Naquela época não havia testes de DNA, o que dificultava qualquer investigação com possibilidades de certeza. No entanto, em 1939 explodiu a Segunda Guerra Mundial e, na Europa, todos os processos foram arquivados até que o tempo se acalmasse. Em 1968 o tribunal berlinense fechou o caso em desfavor de Ana.


Atualizações que mostram o embuste de Ana Tchaikovski
Em agosto de 2007, um arqueólogo russo anunciou a descoberta de dois esqueletos em um sítio perto de Ekaterimburgo. Os arqueólogos disseram que as ossadas eram de um garoto que estava mais ou menos entre 10 e 13 anos e de uma jovem mulher, entre 18 e 23 anos. Anastásia tinha 17 anos, sua irmã, Maria, tinha 19 anos e seu irmão, Alexei, estava a dois meses para completar 14 anos. As duas irmãs mais velhas de Anastásia, Olga e Tatiana, tinham 22 e 21 anos respectivamente. Junto com os restos dos dois corpos foram achados fragmentos de um recipiente contendo ácido sulfúrico, unhas, tiras de uma caixa de madeira e balas de vários calibres.


Testes preliminares indicaram uma alta probabilidade que os restos fossem do czarevich Alexei e de uma de suas irmãs. No dia 30 de abril de 2008, cientistas forenses anunciaram que os testes de DNA provaram que os achados se tratavam mesmo de Alexei, Maria e Anastácia.

Em 2000, Anastásia e sua família foram canonizados como portadores da paz pela Igreja Ortodoxa Russa. A família foi anteriormente canonizada em 1981 pela Igreja Ortodoxa Russa no estrangeiro como santos mártires. Os corpos do czar Nicolau II, da czarina Alexandra e de três filhas foram finalmente enterrados na Catedral de São Pedro e Paulo em São Petersburgo em 17 de julho de 1998, oitenta anos após seu assassinato.

sábado, 21 de abril de 2012

As profecias de Nostradamus: fatos ou farsas?

Sempre que se remete a profecias políticas, de guerras e até mesmo ao fim do mundo a cultura ocidental costuma trilhar caminhos que levam até a figura de Nostradamus, médico medieval de origem judaica que percorreu a França e a Itália; ficou famoso em sua época pelos livretos com centúrias que faziam previsões obscuras. Há quem diga que seja um fato, outros tantos pensam ser pura farsa.


As tais centúrias são compiladas em dez conjuntos de versos, sendo que cada um possui cem quadras – rimas em quatro linhas. São, portanto, dez centúrias que totalizam 942 quadras. Foram escritas em francês medieval, o que dificulta a sua tradução, principalmente porque o autor fez jogos de palavras e anagramas. Além disso, medievalistas apontam muitas centúrias que chegaram até nós não foram realmente escritas por Nostradamus.

Os textos não seguem uma cronologia; a primeira parte foi publicada em maio de 1555 em livretos de bolso. A segunda parte, em 1557. A terceira e última parte só foi editada e impressa após a morte de Nostradamus e, por isso, tem origem e autoria duvidosas.


De acordo com os historiadores, no período que as centúrias foram publicadas era muito comum a venda de pequenos manuais astrológicos com previsões. É o mesmo período que, justamente na França, o jogo de tarô ficava popular e em um mundo sobrenatural do fim da Idade Média contaminado por demônios, cataclismas e previsões ruins.

Os críticos explicam que Nostradamus não fez nada a não ser brincar com a política da época transcrevendo “previsões” em um jogo mercadológico; uma vez que as pessoas gostavam de manuais de previsão, ele sabia o lucro era certo. Foi por isso que editou com muito sucesso dois volumes e seus conhecidos teriam editado um terceiro.


Na Biblioteca Nacional da França, em Paris, há os exemplares originais das primeiras tiragens dessas centúrias. Bem como há alguns livros editados entre 1600 e 1800 que usam descaradamente o nome de Nostradamus; alguns chegam a afirmar serem centúrias recém-descobertas, à época, o que não é verdade.

O que poucas pessoas que defendem a teoria profética do médico francês não dizem é que nesses manuais, além das centúrias visionárias, Nostradamus também publicava fatos astrológicos, informações variadas e previsões de eclipses. São revistinhas parecidas com aquelas que vemos nas bancas de jornais na virada de um ano para outro, com previsões para o seu signo.

Os céticos apontam que o maior problema é que essas previsões são interpretadas isoladamente e “corretamente” depois que os fatos já aconteceram, nunca antes; em 1999 houve um verdadeiro pandemônio porque seria a data, segundo o autor, que o mundo acabaria... no entanto, cá estamos todos nós.

Pesquisadores da Universidade de Sorbonne desenvolveram uma teoria em que as quadras de Nostradamus se baseavam em fatos históricos anteriores à sua obra e inspiravam as quadras “futuras”; ou seja, para ele a história é cíclica e tudo se repetiria um dia: a queda de uma grande potência, a insurgência de uma guerra etc. Já foram detectados mais de cem fatos que se passaram antes de Nostradamus, em uma arte chamada de “bibliomancia”: prever o futuro a partir de fatos passados.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O enigma do poço do tesouro, um mistério de muitos séculos...

Por mais de 250 anos, indivíduos têm organizado expedições cientificas e exploratórias a uma pequena ilha no Atlântico Norte em busca de um tesouro fabuloso, que não se sabe se realmente existe ou está no campo dos folclores locais. O tesouro de Oak Island estaria escondido num poço cuja engenharia seria incrível para a época, fazendo com que o mar mantenha distância dos curiosos.

Esse poço consiste em um buraco profundo que se comunica com uma série engenhosa de túneis laterais, através dos quais o mar inunda a área sempre que alguém pretende escavar as suas profundidades. Homens voltavam à terra ensopados de água do mar e cada vez mais confundidos. Os únicos achados até hoje foram: três elos de corrente de bronze, dois pedaços de um pergaminho feito com pele de carneiro e uma pedra com estranhas coisas escritas.


A história teve início no final do século 18, em um dia em que Daniel McInnes remou da pequena cidade de Chester até Oak Island para caçar. Quando estava em cima de uma árvore reparou em uma clareira um buraco profundo e alguns pedaços de navio. Voltou alguns dias depois com mais dois amigos, que começaram a cavar o buraco, encontrando estacas de carvalho para sustentação das paredes. Os moradores de Chester decidiram que era necessário cessar as buscas, uma vez que havia a lenda do fantasma pirata em Oak.

A busca foi retomada em 1805 pelo explorador Simeon Lynds, que era dono de uma companhia de caça a tesouros perdidos. Ele desceu até encontrar o primeiro obstáculo: a água do mar. Depois de descerem quase 30 metros de profundidade, os exploradores se depararam com algo bem sólido no fundo, acreditando ser o baú do famoso tesouro; quando aberto, era um selante de nível: mais 15 metros de água. Durante vários dias tiraram milhares de baldes d’água e o nível não desceu.

A solução encontrada foi cavar um poço ao lado, para descer até onde o nível de água teria acabado, fazendo uma curva para o poço original. Quando cavaram a parede para fazer a ligação, a água inundou tudo. A empresa de Lynds já se encontrava praticamente na falência sem obter nenhum sucesso.



Em 1849, os netos de Daniel McInnes tentaram firmar um novo consórcio para encontrarem o tesouro, que já era uma lenda conhecida por todo Canadá e Estados Unidos. O tal consórcio fez a exploração, mas o excesso de peso fez com que parte do poço desmoronasse, o que iniciou uma série de novos boatos: no fundo haveria uma enorme caverna com tesouros incríveis!

Apesar desse boato, o novo consórcio descobriu o porquê de a água invadir o poço sempre que havia escavações em determinado nível: havia dois túneis ligados à praia, e conforme a maré subia inundava o poço para afugentar os curiosos. O segundo túnel aquático só foi descoberto em 1943, estando a 45 metros de profundidade.

Mais de 200 anos depois ainda persiste a história com várias perguntas: quem construiu o poço; com que forma de engenharia tão hábil foi feito; o que há dentro dele; haverá realmente um poço? Será essa história um fato ou uma tremenda farsa?


O historiador Rupert Furneaux tem a teoria mais plausível. Considerando o estado da corda e da madeira encontrados em 1795, o poço não deveria ter sido escavado antes de 1780, o que situa a engenharia na época da Guerra da Independência dos Estados Unidos. É muito provável que os ingleses tenham escondido moedas e armas na ilha, uma vez que eles tinham uma base em Halifax, no Canadá, muito próximo ao local. Furneaux argumenta que a engenharia usada na proteção do poço é tão grande que não parece ser uma engenharia simples de um pirata, mas sim algo extremamente trabalhoso, de um grupo grande de homens e engenheiros, o que na época só existia entre os colonizadores ingleses.

Há ainda quem faça objeção a essa teoria de Furneaux, dizendo que não há referência alguma ao exército inglês ter pedido uma quantia enorme de dinheiro e/ou armas, muito menos anotações sobre este poço e essa incrível obra de engenharia. Rupert Furneaux diz que, então, passado o perigo da guerra e com a derrota inglesa, as arcas teriam sido recuperadas e o poço misterioso de Oak Island está, na realidade, vazio!

sábado, 14 de abril de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (3)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Pão preto é mais nutritivo do que o pão comum...
Sob o ponto de vista nutritivo, não existe qualquer diferença entre o pão preto e o comum. A diferença está somente na farinha de trigo usada: uma é torrada, e a outra não. De acordo com os nutricionistas, ambos têm os mesmos nutrientes. No entanto, o pão preto melhora o funcionamento intestinal por conter, também, as fibras da casca do trigo. Nos últimos anos, em alguns países, o pão branco tornou-se mais nutritivo porque os beneficiadores do trigo passaram a adicionar vitaminas à mistura.


Comer sementes causa apendicite...
Pouquíssimos relatórios médicos apontam que havia a presença de sementes em apêndices removidos. Mas é muito comum a presença de dentes e obturações. De acordo com os cientistas, a acidez estomacal é muito forte e dissolve grande parte das sementinhas engolidas.

Comer peixe faz bem à memória e à inteligência...
Nenhum alimento em particular contribui de forma específica para o bom funcionamento do cérebro. Os nutricionistas dizem que a alimentação variada e colorida faz muito bem ao todo corpo humano em geral. A crença de que o peixe faz bem ao cérebro começou por volta de 1830. Quando soube que o cérebro continha fósforo, o físico alemão Friedrich Büchner declarou que “sem fósforo não há pensamento”; daí, o cientista francês Jean Dumas confirmou que o peixe é riquíssimo em fósforo e fez a associação de ideias. Na verdade, os nutrólogos apontam que se peixe faz bem ao cérebro seria necessário comer mais de três quilos do gênero diariamente para começar algum resultado.


É fácil distinguir cogumelos comestíveis e cogumelos venenosos...
Não existe um processo simples que faça essa distinção. É totalmente falsa, por exemplo, a ideia de que os cogumelos comestíveis são brancos ou apresentarem um anel na base do caule. A espécie Amanita virosa possui ambas características mas é bem venenoso. Tampouco o cogumelo azulado seja venenoso; a espécie Boletus edulis é azul e comestível. A cor do cogumelo mostra as propriedades do solo e do clima. O odor exalado também não mostra distinção: o Amanita phalloides tem um cheiro muito bom, mas pode matar uma criança. Também é mentira a crença de que cogumelos mortais possam ser consumidos depois de fervidos com vinagre. De acordo com especialistas, nunca cate cogumelos na floresta; compre-os já tratados no mercado. É mais seguro!


Alimentos enlatados tornam-se venenosos depois de abertos...
Qualquer que seja o tipo de recipiente que contenha os alimentos, estes podem ficar contaminados com germes e causar envenenamento se não encontrarem condições de perfeita esterilização. Mas os alimentos contidos em latas abertas não são mais suscetíveis de que os frescos ou guardados em outros potinhos. O que existe é que antigamente as latas eram feitas de ferro e oxidavam com mais rapidez (causando ferrugem), e entra na mesma história do tétano no prego de ferrugem. O mero arranhão de um metal enferrujado não pode causar tétano, pois a ferrugem não é “venenosa”, apenas ferro oxidado por causa da ação do oxigênio do ar sobre ele. Por outro lado, o arranhão causado por qualquer metal sujo por qualquer material pode ser perigoso, uma vez que as bactérias adoram ambientes com materiais orgânicos para se reproduzirem.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Literatura de ficção ou mundo real? O homem da máscara de ferro...

Durante o 60º aniversário do reinado de Luís XIV morreu na Bastilha um homem misterioso. Tinha vivido 34 anos encarcerado, com o rosto sempre oculto por uma suposta máscara de ferro (outras versões falam em máscara de veludo). Numa carta escrita por uma nobre francesa a um parente inglês ela fala em “velho prisioneiro”:

Durante muitos anos viveu na Bastilha um homem oculto por uma estranha máscara, que com esta morreu. Dois mosqueteiros mantinham-se sempre ao seu lado para o matarem, caso ele retirasse a tal proteção facial. Sem dúvida, houve justificativa para tal procedimento, pois, do outro lado, este prisioneiro sempre foi muito bem tratado; esteve muito bem acomodado e sempre eram realizadas as suas vontades. Jamais alguém conseguiu descobrir quem ele era”, descreve a tal carta.

O fervor na história começou com a publicação de Alexandre Dumas através do folhetim melodramático “O homem da máscara de ferro”, alegando que o prisioneiro seria o próprio Luís XIV ou o seu irmão gêmeo. No entanto, os fatos mostrando situações mais estranhas ainda.


Desde que foi preso em 1669, o prisioneiro foi submetido a muitas medidas protetivas. Encaminhado para Turim, o governante recebeu ordens escritas, atualmente guardadas no acervo público da cidade: “O prisioneiro não pode conversar com ninguém, a não ser para falar das suas necessidades diárias de alimentação e higiene”. Os registros apontam que sempre que o homem era transferido de presídio, a carruagem era toda tapada para evitar olhares curiosos e, no verão, ele quase morria de calor porque a jornada era longa a durava muitos dias.

De acordo com os historiadores, a máscara foi usada como precaução e não castigo. Mas desconhecemos até hoje o seu uso, uma vez que ninguém foi dado como desaparecido publicamente neste meio tempo de quase 40 anos. Ao que tudo indica, ele era uma figura que poderia causar embaraço público a alguém importante e, com isso, surgiram os boatos de ele ser o rei francês ou um possível gêmeo da majestade.

Durante 14 dos seus 22 anos de casamento, Luís XIII e Ana da Áustria não tiveram filhos. Era do interesse do cardeal Richelieu, na altura o verdadeiro governante da França, que o rei tivesse um herdeiro que também pudesse ser controlado pela sua facção. Ao fim de longos anos, durante os quais o rei e a rainha tinham vivido separados, Richelieu conseguiu encenar uma reconciliação pública e formal. E, para completa surpresa de todos, a rainha deu à luz um menino em 1638.


Historiadores apontam que o cardeal persuadiu a rainha a passar algumas noites com um nobre a fim de que engravidasse em nome do monarca. Naquela época havia em Paris vários filhos bastardos dos irmãos de Luís, e, com isso, não era difícil conseguir algum rapaz com sangue de Bourbon nas vielas imundas de Paris. Aparentemente, essa foi a solução encontrada pelo cardeal e sua corja.

O folclore nos conta o caso...
Dizem que o menino nasceu a cara do verdadeiro pai, muito diferente de Luís XIV; com isso, Richelieu mandou o genitor para o Canadá esperando a poeira baixar. Com o tempo, ele decidiu voltar acreditando que o assunto já tivesse sido esquecido e que ganharia uma boa pensão do “filho” que agora era o “Rei-Sol”. No entanto, o homem era parecido demais com o filho, o que causaria enorme embaraço à coroa francesa.

A solução supostamente encontrada foi mantê-lo sob a tutela do monarca, mas sob terríveis ameaças. Ele teria tudo o que quisesse, mas ficaria constantemente com o rosto coberto e sob a ameaça iminente de morte, caso tirasse a máscara.

A história virou uma mistura de verdades e mentiras, principalmente após o romance de Dumas, que foi um verdadeiro sucesso em todo mundo, chegando a ser tema de filme há alguns anos. E o mais estranho é que toda corte e Paris inteira conheciam o fato de um homem misterioso estar sob tutela real na Bastilha, que mais tarde seria palco do primeiro passo da Revolução Francesa.

Confira aqui, neste link, o trailer do filme de 1998, sucesso estrelado por Leonardo DiCaprio.

O fim deste homem foi mais misterioso ainda. Quando morreu, às vésperas da Queda da Bastilha, foi enterrado secretamente sob um nome falso: Eustache Dauger, sob a profissão de camareiro do rei. Com a rebeldia da Revolução Francesa seu corpo sumiu no meio de tantos outros mortos, o que tornou impossível descobrir se ele é realmente pai do “Rei-Sol”.

sábado, 7 de abril de 2012

Cientistas teriam gravado “o som do inferno”. Fato ou farsa?

O caso teria acontecido bem no interior da Sibéria, em 1989, em um lugar indeterminado e sem nome. Uma equipe de geólogos teriam encontrado o inferno e o caso ganhou o mundo sensacionalista. Antes de tudo repare como tudo fica no condicional: teria encontrado, teria acontecido, em um lugar sem nome, onde não se sabe onde é. Mas antes de debater, convido a ouvir a tal gravação...





Como ocorre em histórias bizarras, o local do ocorrido é sempre distante e indeterminado, o que impede as pessoas de confirmarem os relatos. De acordo com a notícia, a equipe procurava petróleo com uma broca que atingiu cerca de 10 quilômetros de profundidade. A Sibéria é bem rica em gás natural e petróleo. O responsável pelo trabalho, identificado como Dr. Azacovy teria ficado surpreso quando introduziram um microfone no buraco.

1ª análise...
Não há relatos na Rússia de nenhum geólogo renomado chamado Dr. Azacovy, conforme alerta o jornal inglês. A temperatura a 10 mil metros na Terra é muito alta, chegando a mais de mil graus Celsius. Um microfone não derreteria? Caso o microfone não derretesse, imaginem quantos quilômetros de cabos seriam necessários para levar o equipamento a uma profundidade tão grande!

Ao analisar as fitas gravadas com os estranhos sons, os cientistas ouviram gritos bizarros. Vozes pedindo perdão, misericórdia e água. Pronto, os cientistas teriam descoberto que o inferno realmente existe, que ele é quente, e agora havia uma porta para a entrada do reino das trevas!

Os parapsicólogos ficaram céticos quanto à notícia, uma vez que as almas seriam entidades desmaterializadas, incorpóreas. Então, por que estariam pedindo água? Água é um mineral material palpável. Muito estranho o boato.

2ª análise...
O inferno é uma questão cultural. Cada povo e etnia o concebem de uma forma. O cristianismo o concebe como a morada do diabo debaixo da terra, eternizado como terra de fogo depois da obra clássica de Dante Alighieri, “O inferno de Dante”. Para os vikings, por exemplo, o paraíso era um lugar quente e o inferno era um lugar frio e escuro. O inferno penoso, com almas sedentas de misericórdia, é uma criação greco-romana: Hades morava embaixo da terra, onde as almas penitentes clamavam misericórdia a ele.


O assunto ganhou admiradores no meio evangélico neopentecostal nos Estados Unidos nos anos 1990. Muitos líderes religiosos dessa corrente fizeram paralelismos com versículos bíblicos que faziam referência ao inferno nesse modelo dantesco. Chegaram a organizar excursões até o tal buraco a fim de libertarem almas com orações e cultos frequentes.

3ª análise...
Como os tais cientistas russos identificaram as vozes pedindo misericórdia e água? O inferno é russo, então. As pessoas que morrem e não merecem o perdão cristão são de várias culturas, portanto de idiomas diferenciados. Ou seja, mais uma vez concluímos que a gravação é uma farsa.


Como essa historinha surgiu, afinal?
Em 1984, foi publicado na revista “Scientific American” um artigo falando de um poço com 12 quilômetros de profundidade cavado pelos russos na Península de Kola. O texto menciona que aos 10 quilômetros de profundidade, registrou-se a temperatura de 180°C, quando o esperado era 100°C. O tal poço teve a construção iniciada em 1970 e foi interrompida em 1994 ao atingir 12.262 metros. Quase dois quilômetros menos que os 14 relatados e a temperatura era de 180 graus, bem menos que os 2.000 graus mencionados na reportagem.

Em 1989, o Trinity Broadcasting Network, dos Estados Unidos, publicou matéria intitulada “Scientists discover the hell” (Cientistas descobrem o inferno). Dizia que cientistas russos cavaram um poço, que o tal buraco ficava na Península de Kola e que, no fundo do buraco, eles haviam encontrado as portas do inferno. Um professor norueguês que, na ocasião, visitava os Estados Unidos viu a reportagem. Ao retornar ao seu país, ele escreveu uma carta sobre o tema e a enviou para uma revista religiosa da Finlândia que a publicou na sua seção de cartas.


Ou seja, tudo não passa de um folclore local confundido por uma série de fatores em outros países, com o excesso de religiosidade. Não se sabe é como foi feita essa gravação, mas atualmente tudo não passa de uma tremenda farsa realimentada pela internet.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Os gigantes da Ilha de Páscoa...

Em toda a sua vida o almirante holandês Jakob Roggerveen nunca vira nada semelhante – uma ilha que não aparecia nos mapas, no Pacífico Sul, habitada por estátuas enormes com dez metros de altura. Eles pareciam estar de pé em um muro de fortaleza, resguardando a ilha. Aproximando-se do local, o navegante teve alívio ao perceber que os gigantes realmente eram estátuas.



No dia seguinte, Roggerveen desembarcou e percebeu que a ilha tinha outras estátuas de homens com rostos largos e orelhas compridas. Como era domingo de Páscoa de 1722, o explorador deu-lhe o nome Ilha de Páscoa, adicionou ao mapa e seguiu viagem. Passaram-se quase 50 anos para os europeus voltarem lá, e mais cem anos para darem início à colonização.

Anos mais tarde começou a pesquisa e vieram as primeiras descobertas: as estátuas gigantescas haviam sido talhadas em rocha vulcânica, procedente da cratera adormecida do vulcão Rano Raraku. Mais de 300 foram esculpidas nas paredes do vulcão, descidas ao longo do declive e, então, colocadas de pé olhando o mar e o horizonte. Nesse local ainda foram encontradas algumas ferramentas e outras estátuas inacabadas.


De acordo com os especialistas, as estátuas têm peso variado entre cinco e 60 toneladas. É aí que nasce uma verdadeira salada de teorias que mistura história, ufologia, criptozoologia etc. Alguns pesquisadores tentam forçar a barra para que haja um mistério envolto na Ilha de Páscoa: quem construiu a fortaleza, como as estátuas foram transportadas, por que motivo olham o horizonte?

Acaba sendo tudo muito simples, como a ciência pede em sua metodologia; foram encontrados cinzéis e demais ferramentas rudimentares. A rocha vulcânica é bastante maleável. O transporte era facilitado por causa do declive saindo da montanha em direção à praia. Os estudiosos dizem que nada há de sobrenatural ali.

Quando o debate esquenta, os defensores da teoria ufológica apontam que algumas estátuas de 20 toneladas estão a 20 quilômetros de distância da base do vulcão, e se perguntam como o povo transportou aquilo. Bem, antropólogos dizem que os habitantes do pacífico já conheciam há séculos a ajuda de troncos de árvores e cordas de cipós no transporte de grandes pedras.



Segundo estudos, os homens retratados nas estátuas são os chefes tribais, que alongavam suas orelhas. As estátuas apontariam a classe social e a importância naquela sociedade e os sacerdotes vigiariam as entradas da ilha olhando o mar.