sábado, 31 de março de 2012

Você já ouviu falar nos Protocolos dos Sábios de Sião? Fato ou farsa?

Já posso adiantar ser uma das maiores farsas antissemíticas da história. Os Protocolos dos Sábios de Sião são uma série de textos surgidos, originalmente em russo, forjados por volta de 1915 pela Okrana – a polícia secreta do czar Nicolau II – e que descrevia uma suposta conspiração dos judeus para “dominarem o mundo”. O texto foi traduzido para dezenas de idiomas e até hoje constitui uma teoria conspiratória – algumas pessoas chegam a acreditar ser verdade o texto, alegando que existe uma outra conspiração tentar refutá-lo.

De acordo com os historiadores, o propósito dos Protocolos era político: reforçar a posição do czar, alegando que seus oponentes faziam parte de uma terrível trama mundial para corromper com as tradições europeias: moral, família, economia, religião etc.


O texto é muito bem construído e tem o formato de uma ata, que teria sido redigida por uma pessoa num congresso realizado a portas fechadas numa assembleia em Basiléia, no ano de 1807, onde um grupo de sábios judeus e maçons teriam se reunido para estruturar um esquema de dominação mundial. Nesse evento, teriam sido formulados planos como os de usar uma nação europeia como exemplo para as demais que ousassem se interpor no caminho dessa dominação, controlar o ouro e as pedras preciosas, criar uma moeda amplamente aceita que estivesse sob seu controle, confundir os “não-escolhidos” com números econômicos e físicos e, principalmente, criar caos e pânico tamanhos que fossem capazes de fazer com que os países criassem uma organização supranacional capaz de interferir em países rebeldes.

Os Protocolos caíram como uma bomba na Europa, principalmente nas comunidades judaicas. Numerosas investigações repetidamente provaram tratar-se de um embuste. De acordo com os especialistas em literatura, muito dali foi plágio do autor Sergei Nilus (foto abaixo), que satirizava a política mundial com ficção. Segundo estas investigações, a base da história dos Protocolos, como circula desde então, foi criada por um novelista alemão antissemita, chamado Hermann Goedsche que usou o pseudônimo de John Retcliffe.


O mais impressionante é que nos Estados Unidos o texto foi publicado amplamente através de uma editora de livros cuja propriedade era de Henry Ford – o grande empresário de carros que era reconhecidamente antissemita. Mesmo após as denúncias de fraude, a editora continuou a imprimir o livro em grande escala. Na Alemanha nazista não foi diferente: Hitler usou os Protocolos como pretexto para justificar o extermínio de judeus.

No Brasil, Gustavo Barroso, advogado, professor, político, contista, folclorista, cronista, ensaísta e romancista brasileiro, diretor do Museu Histórico Nacional, presidente da Academia Brasileira de Letras por duas vezes e membro do movimento nacionalista Ação Integralista Brasileira, publicou pela Editora Civilização Brasileira a primeira tradução em português.


A foto acima mostra uma das várias edições que circularam nos Estados Unidos com enorme sucesso de público.

Encerrando o caso...
Em 1931, Anton Idovsky, um velho e desencantado monarquista, disse ter forjado os Protocolos simplesmente porque um judeu, gerente de um banco, lhe havia recusado um empréstimo. A história teria se encerrado aí, caso, dois anos mais tarde, em 1933, Adolf Hitler não tivesse subido ao poder, na Alemanha, uma vez que foi esta obra que os nazistas utilizaram, perante o meio intelectual alemão, para justificar o extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração. A utilização dos Protocolos dos Sábios de Sião pode ser vista em várias partes do “Minha luta”, o livro de instruções do nazismo.

Podemos dizer que os textos forjados são o complô mais antigo da história contemporânea da humanidade. A farsa se prolongou, ajudou que pessoas subissem ao poder, auxiliou na morte de milhões de pessoas em campos de concentração. O impressionante é vermos que até os dias de hoje alguns indivíduos insistem em afirmar a veracidade deste suposto documento.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Descobrindo as fronteiras do Sistema Solar: o programa Voyager

Uma das maiores dúvidas do ser humano é: estamos sozinhos no universo? Bem, é uma pergunta que talvez nunca teremos resposta, uma vez que temos dimensões mais do que gigantescas do espaço sideral. A estrela mais próxima de nós está a quatro anos-luz, ou seja, se acendermos um interruptor aqui na Terra, a lâmpada nessa estrela vai se acender somente daqui a quatro anos.

Hoje vou falar sobre o programa de pesquisa espacial da Nasa inciado em 1977: Voyager, lançado em duas missões, com o objetivo inicial de estudar os planetas Júpiter e Saturno e suas respectivas luas; depois foi ampliado a Urano, Netuno e Plutão. Em 1991 o programa já havia atingido seus objetivos e foi designado a explorar o espaço fora do nosso Sistema Solar. Entre 2004 e 2007 as Voyager saíram da heliosfera e entraram numa área de fronteira entre nosso sistema e o espaço interestelar.


As sondas do programa viajam a uma velocidade média de 17 quilômetros por segundo. De acordo com a Nasa, daqui a 40 mil anos elas continuarão viajando pelo espaço e enviarão sinais para um planeta Terra já sem a presença de seres humanos. Há um site que é possível receber esses sinais, e você pode conhecê-lo clicando aqui. É simplesmente fascinante!

O mais interessante é que apesar de silenciosas e praticamente perdidas no universo, as Voyager também têm uma missão bonita: contar a história da humanidade. Caso um dia encontre uma civilização avançada como a nossa, as sondas contêm um disco (foto abaixo) com várias informações: a localização da Terra, mapas do nosso Sistema Solar, cerca de 120 fotos do nosso planeta, saudações em 55 idiomas, músicas de diversas culturas, uma explicação imagética de como é o ser humano e sons de carros, de trovões, cantos de pássaros etc.


Para manter contanto com as Voyager, existe o Deep Space Network (DSN), um complexo de antenas que mantém comunicação com as sondas. A comunicação é constante por 24 horas por dia, e tem centros de coleta de dados em três lugares, com uma equipe de profissionais dedicados, que hoje está reduzida a 15 pessoas. A quantidade de dados enviados até hoje pelas duas Voyager equivale a seis mil enciclopédias!

De acordo com a Nasa, as sondas Voyager já percorreram mais de 15 bilhões de quilômetros. Os sinais enviados por elas demoram cerca de 12 horas para chegarem até nós. Elas são os primeiros objetos construídos pelo Homem a percorrer uma distância tão longa Em 15 bilhões de quilômetros, está monitorando um espaço interestelar desconhecido pela humanidade. Estima-se que possa se libertar em breve da influência da gravidade do Sol, e em 2020 poderá perder a comunicação com a Terra.

sábado, 24 de março de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (2)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Só um susto cura soluços...
Desde sempre o folclore criou vários remédios para curar uma crise de soluços; os médicos dizem que muitas crendices acabam funcionando mais por estado psicológico. O mito mais comum é que um tremendo susto curaria uma crise dessas. O americano Jack O’Leary calculou que, entre 1948 e 1956, teve mais de 150 milhões de soluços e tentou mais de 60 mil remédios. Por fim, no desespero, rezou a São Judas Tadeu (o santo das causas impossíveis) e a crise cessou. Outra vítima foi o alemão Heinz Isecke, que por oito meses, em 1973, sofreu de soluços após uma cirurgia estomacal; como os soluços não paravam, os médicos operaram Isecke de novo e não houve mudança no quadro. A crise passou quando ele bebeu um chá misterioso enviado por um anônimo.

Quem sobrevive a uma pena de morte, a execução deve ser automaticamente cancelada...
Embora existam raros casos de pessoas que sobreviveram à pena de morte por falhas nos equipamentos, não existe em nenhuma lei no mundo dispositivo que fale sobre isso. O caso mais conhecido ocorreu em 1885, na Inglaterra, quando John Lee foi condenado à forca e por três vezes o alçapão sob seus pés não abriu. Descobriu-se que era o seu peso que fazia emperrar o dispositivo, com isso a pena foi revertida para prisão perpétua. Daí nasceu esse folclore. Em 1660, também na Inglaterra, Ann Greene foi enforcada, mas não morreu; a sociedade assustada deu-lhe clemência achando que fosse uma santa. O mesmo ocorreu em 1803 na Austrália, quando Joseph Samuel foi perdoado quando a corda que seria enforcado se rompeu e interpretou-se ser um anúncio do céu. Ao que tudo indica, casos de pessoas que foram perdoadas por sobreviverem à pena de morte foram bem comuns em todo Reino Unido e em suas colônias, sempre associando ao místico e ao santificado. O caso mais bizarro aconteceu em 1932, com Jack Bullen; eletrocutado, acordou e levantou-se do caixão no meio do cortejo para o cemitério, mas não teve sorte: foi pego enquanto corria e voltou para a cadeira elétrica, quando finalmente morreu.


Na antiga União Soviética vivem os homens mais velhos do mundo...
Segundo a ONU, há no mundo cerca de 45 mil pessoas com mais de cem anos e desde os anos 30 há o boato de que grande parte dessa população vive nos países que um dia formaram a União Soviética. Uma estatística liberada em 1981 dizia que na Geórgia, a cada cem mil pessoas, 51 tinha mais de cem anos; no Azerbaijão eram 84 por cem mil; e, pasme, 524 indivíduos soviéticos teriam passado dos 120 anos naquele censo maluco. Havia relatos de pessoas com 150 anos, e um homem em 1973 que teria morrido aos 168 anos de idade! Na realidade, o que houve é que os homens eram forçados a alterar o ano de nascimento para entrarem mais cedo ao exército do czar antes dos 18 anos. Com isso, meninos de 11 anos já eram registrados como tendo 19 anos, por exemplo. Em 1987, uma equipe média esteve na Geórgia e no Azerbaijão para examinar essas pessoas e descobriu-se que a maioria dos centenários tinha, no máximo, 85 anos.

Os homens têm menos uma costela do que as mulheres...
Na realidade, homens e mulheres têm exatamente o mesmo número de costelas: doze. Originou-se esse mito por causa da Bíblia, ao citar que Deus tirou uma costela de Adão para criar Eva. De acordo com os médicos, homens e mulheres são exatamente iguais em quantidades de ossos.


O cérebro feminino é menor que o masculino...
Considerando os corpos proporcionalmente ao seu tamanho, o peso dos cérebros em ambos os sexos é praticamente igual. As dimensões do cérebro variam apenas segundo o peso do corpo, a estatura, a idade e a etnia do indivíduo. Também não existem provas decisivas de que o tamanho do cérebro se relacione com a inteligência do seu possuidor.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Fantasmas: presença garantida em todas as culturas...

Antropólogos costumam dizer que a proibição ao incesto é a única instituição presente em todas as culturas pesquisadas no mundo. Eu poderia arriscar que há outra: os fantasmas. A crença popular desde os tempos primórdios acredita na presença de espíritos que espreitam os vivos em diversas manifestações. Assim, desde que o homem constituiu-se em grupo e, depois, em sociedade, nasceu a necromancia – a tentativa de entrar em contato com almas.

De acordo com os parapsicólogos, os fantasmas são entidades solitárias que se manifestam em diferentes locais: florestas, casas, navios, trens, cemitérios, estradas etc. Eles estariam ligados aos locais onde morreram ou locais que sentem ser de seu pertencimento, como uma casa.


Recentemente, eu postei um texto sobre o que são os poltergeist. Para lê-lo, clique aqui.

Também escrevi, recentemente, um post sobre algumas considerações acerca de locais ditos mal assombrados. Para lê-lo, clique aqui.

Um outro post fala um pouco sobre o que é a parapsicologia. Para lê-lo, clique aqui.

Um outro post que eu fiz explica sobre a EVP, o fenômeno da voz eletrônica. Para lê-lo, clique aqui.

Recentemente, também falei sobre o suposto balanço fantasma na Argentina. Confira clicando aqui.


Os antropólogos apontam que a crença no fantasmagórico sempre existiu e sempre vai existir, pois está ligado ao ramo do sobrenatural, o que inclui até o assunto dos discos voadores. Todas as religiões estão fundamentadas em situações no mínimo fantasmagóricas: aparições, arrebatamentos, milagres, ressurreições etc. O dia 02 de novembro, Dia de Finados, é justamente uma data para lembrar os mortos e estes não se sentirem sozinhos, a fim de evitar vinganças assombrosas em geral.

Características bem comuns...
Cerca de 80% dos relatos de avistamentos de fantasmas têm uma série de fatores comuns, que podem ser listadas assim: (1) materialidade enevoada, meio transparente, escapando do tato; (2) misteriosamente, a pessoa que vê a entidade sente frio – talvez um efeito do medo, o calafrio; (3) quando indivíduos reconhecidos, estão ligados à procura de vingança ou de purificação para “seguirem seu caminho”.

A atividade sobrenatural no interior de residências é associada principalmente a eventos violentos ou trágicos ocorridos nestas, como assassinato, morte acidental ou suicídio. Mas nem todos os locais assombrados foram cenário de uma morte violenta, ou mesmo de atos de violência.

No entanto, de acordo com a parapsicologia, mais de 90% dos casos de aparições de fantasmas não passam de erros de identidade, manifestações naturais ou publicidade barata. É que as pessoas ouvem barulhos de animais noturnos, vento etc. e creem em entidades bizarras. Também podem ser montagens feitas em fotografias, ou defeitos nas lentes das câmeras.


Os fantasmas na era contemporânea...
Mesmo havendo relatos em todas sociedades desde os mais tenros tempos, foi a partir do século 19 que os fantasmas passaram a povoar a cultura do homem. Contos fantasmagóricos passaram a ser populares em folhetins sensacionalistas na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos; junto a isso nasceu a doutrina do espiritismo, que tem como base a comunicação deliberada entre essas entidades e nós.

O auge das atividades fantasmagóricas foi entre 1840 e 1930, justamente na temporada desses contos fantasmagóricos. Céticos acreditam que as pessoas ficaram impregnadas dessas narrativas e viam situações onde não havia nada. Na mesma época, sessões espíritas fraudulentas com charlatões aconteciam nos quatro cantos da Europa e dos Estados Unidos; as pessoas pagavam algum dinheiro para presenciarem supostas manifestações (incorporações, fumaças misteriosas, copos quebrando, objetos se mexendo etc.).


A ciência argumenta que não existe nenhuma evidência da presença de espíritos e assombrações. Isso vai convergir com o que foi dito acima: mais de 90% das aparições têm explicações bem críveis e nada sobrenaturais. Já os relatos de fantasmas vistos pelos cantos dos olhos podem ser relacionados à sensibilidade da visão periférica humana. De acordo com oftalmologistas, a visão periférica pode ser facilmente enganada, especialmente tarde da noite, quando o cérebro está cansado e mais propenso a interpretar de maneira equivocada sons e visões.

Ou seja, à luz da razão pura, muito que temos sobre os fantasmas são erros de identidade e a popularização dos casos de avistamentos e sensações estranhas, graças à indústria da cultura que queria vender jornais sensacionalistas com histórias bizarras, ou ganância de dinheiro como o entretenimento barato de subúrbio com circos de horrores e sessões espíritas com truques de mágica.

sábado, 17 de março de 2012

E a Bíblia tinha, mesmo, razão?

Aparentemente, a gente vai viver eternamente um verdadeiro conflito entre o pensamento racional e o pensamento religioso. Tudo teve início lá na Grécia Antiga, quando os primeiros filósofos propuseram uma nova maneira de interpretar o mundo, em choque com os sacerdotes e as pitonisas. E não tem sido diferente nos últimos séculos, quando, principalmente, a ciência refinou-se e encontrou novos métodos de pesquisa.

O post de hoje traz duas interessantes dicas de leituras. A primeira é o livro “E a Bíblia tinha razão”, de Werner Keller. O autor se propõe a pesquisar fatos supostamente históricos e provar acontecimentos narrados na Bíblia cristã. Religiosos dizem ser uma verdadeira reportagem histórica e com fundamento. Quem ler poderá fazer o julgamento.


O livro acabou se tornando um verdadeiro fenômeno, principalmente nas correntes de pesquisas teológicas do protestantismo, uma vez que o autor estaria comprovando fatos que eram tidos até então como mito por alguns cientistas. Até hoje é um sucesso de vendas em todo o mundo.

O livro citado foi um verdadeiro abalo científico: uma glória para religiosos e teólogos, uma destruição para historiadores e arqueólogos. Werner Keller foi massacrado por ter, supostamente, forjado provas e ter misturado fatos históricos com muita anacronia (associando fatos que ocorram em tempos e em espaços bem diferentes e distantes). A partir disso, dois arqueólogos lançaram a refutação.

Numa obra iconoclástica e muito provocadora, os arqueólogos Israel Finkelstein e Neil Silberman refizeram os passos de Keller mostrando que muitos acontecimentos supostamente bíblicos não teriam acontecido. Dois fatos relatados e pesquisados pelos arqueólogos: o grande êxodo jamais teria acontecido e não houve escravidão judaica no Egito – esta porque não há nenhum relato egípcio da presença de escravos hebreus em seu território.

É reconhecido que os egípcios tiveram uma historiografia bastante meticulosa e metódica. Tiveram a preocupação de relatar em seus anais até mesmo suas derrotas para inimigos, as rixas entre sacerdotes, as invasões devastadoras e as maiores humilhações. Entretanto, em nenhuma anotação deste povo há as referências que a Bíblia aponta.


O livro “A Bíblia não tinha razão” é uma compilação dos conhecimentos arqueológicos mais recentes, com traduções de textos egípcios, hebraicos, sumérios e mesopotâmicos. Vale a pena conhecer um livro e depois o outro a fim de tirar suas próprias conclusões. Neste volume, os autores acusam o anterior de não ter tido o cientificismo de separar fato e farsa, ilusão e lenda, e tentar forjar provas.

Ambos são livros bastante desafiadores e polêmicos para os dois lados desta moeda. Vale ressaltar que essas duas formas de ver o mundo coexistem há séculos, e são somente formas de ver o mundo como há outras: a religião, a razão, o senso comum etc.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Você já ouviu falar no Priorado de Sião?

Existiram ao longo da história várias sociedades secretas; algumas delas permanecem vivas e ainda cultuam a nossa cultura: esse é o caso da maçonaria, da Ordem Rosa-Cruz e do Priorado de Sião, esta fundada em 1956 por Pierre Plantard. Muito se tem de folclore e mito em torno do Priorado, como dizer que teria sido fundado em 1099 para proteger o Santo Graal, até mesmo sendo descendentes diretos de Jesus Cristo.


Recentemente publiquei um post falando sobre a farsa que é a história do Santo Graal, se resumindo a uma confusão folclórica da Europa que envolve paganismo e cristianismo. Você pode ler o texto clicando aqui.

Recentemente também publiquei um texto com algumas considerações sobre a maçonaria, talvez a mais importante ordem secreta da nossa história. Leia clicando aqui.

O Priorado de Sião se tornou assunto de controvérsia histórica e religiosa durante as décadas de 1960 e 1980. Durante o período de 1980 foi alegado pelo próprio Plantard que o Priorado não passava de uma conspiração com o objetivo de restaurar a monarquia francesa.

Algumas considerações sobre o Priorado de Sião...
I Consideração: A escolha do nome nada tem de místico, mas sim faz referência a um bairro da cidade de Annemasse (onde a ordem foi fundada nos anos 50). Mont Sion é onde os fundadores se reuniam.

II Consideração: Os fundadores se diziam no primeiro regulamento, de 1956, como defensores da Igreja Católica, numa tentativa de ligarem-se aos Templários da Idade Média. Você pode ser algumas considerações sobre os Templários em um post antigo deste blog clicando aqui.

III Consideração: No final do ano 2000, com a morte do fundador, Plantard, o governo francês declarou o Priorado de Sião totalmente extinto e sem atividades. É notório que nenhum cidadão francês possui direitos sobre o seu nome e estatuto, nem mesmo os descendentes do seu fundador.


Tentativas de mistificações e da criação de uma mitologia...
Pierre Plantard (foto abaixo) queria forçar as pessoas a acreditarem que sua sociedade “secreta” tinha raízes históricas bastante profundas, o que não é verdade. Nicolas Flamel (alquimista), Leonardo Da Vinci, Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo, entre outros, seriam membros do Priorado de acordo com o fundador. Historiadores apontam que não há relação alguma entre essas pessoas e uma sociedade católica do século 20.

Uma das maiores polêmicas apareceu em 1964, quando membros do Priorado tentaram forjar documentos conhecidos como “Dossiês secretos” para legitimar Plantard como descendente direto dos merovíngios e, portanto, um suposto herdeiro do trono francês. Hoje essas anotações estão guardadas na Biblioteca Nacional de Paris.


Ao longo de toda a sua vida, Plantard e seus amigos do Priorado tentaram forjar documentos para confirmar teorias medievais folclóricas da França: o Santo Graal, o destino dos herdeiros de Carlos Magno, a suposta chegada de Santa Maria à França após a morte de Jesus etc. Atitudes como essas acabaram irritando as sociedades de pesquisas teológicas e historiográficas francesas, uma vez que desviavam o foco e atrapalhavam as pesquisas realmente sérias.

O início do fim de uma série de fraudes...
Em 1989, Pierre Plantard, desgastado pela progressiva divulgação na França da natureza fraudulenta da sua criação, decidiu negar a teoria de que o Priorado de Sião dataria de 1099 e teria sido fundado por Godofredo de Bulhão, mudando a data de fundação para 1681. Por fim, ele confessou perante a Justiça, em 1993, ter criado esta sociedade com o objetivo de legitimá-lo para o trono de França, alegando ser herdeiro de Carlos Magno.

Depois disso, muitos diretores e autores resolveram fazer fortunas enormes lançando livros e documentários deixando dúvida sobre a realidade do Priorado de Sião, alguns alegando que o fundador teria sido forçado pelo governo francês a negar sua teoria, numa mistura incrível de teorias da conspiração. Um dos que fez fortuna foi Dan Brown em sua série de livros que misturam todos os tipos de teorias históricas, num ecletismo absurdo.


No final das contas, o Priorado de Sião é uma sociedade pouco secreta que está morta depois que seu único comandante morreu. Repleta de farsas e de tentativas vergonhosas de mudar o rumo da história em prol de uma única pessoa, caiu no esquecimento para a maioria, mas mais permanece como uma ordem viva na cabeça das pessoas que adoram acreditar em teorias da conspiração.

sábado, 10 de março de 2012

Um outro mundo dentro do nosso mundo? A civilização do interior da Terra!

Se a teoria de John Symmes tivesse correspondido àquilo que ele desejava, os primeiros homens a chegarem ao Polo Norte teriam penetrado no interior da Terra através de uma abertura e descoberto, sob a crosta terrestre, uma vasta e nova região, rica em minerais e habitada por uma estranha raça de homens.

Essas teorias são bem loucas. Recentemente, postei sobre a sociedade que até hoje crê na teoria da Terra plana como um disco. Para ler, clique aqui!

Symmes possuía convicções tão firmes e convenceu um número tão elevado de pessoas que as propostas que apresentou para uma expedição ao mundo no interior da Terra chegaram ao Congresso dos Estados Unidos. No entanto, os céticos legisladores ignoraram completamente o assunto.


John Cleves Symmes, nascido em Nova Jersey em 1780, teve uma brilhante carreira militar e rapidamente conseguiu altas patentes; apaixonou-se por astronomia e quanto mais estudava, mais acreditava que o planeta fosse oco como um ovo. Vale ressaltar que essa teoria não era totalmente nova, e já havia sido defendida por homens notáveis, como o astrônomo britânico Edmond Halley (o mesmo que descobriu o famoso cometa que leva o seu nome), o matemático alemão Leonhard Euler e o cientista escocês John Leslie. Todos eles sugeriram a hipótese da existência de planetas independentes dentro do nosso.


Symmes acreditava que a Terra fosse um planeta oco, cujas aberturas estariam nas extremidades dos polos. Tornava-se, então, quase impossível comprovar a tal teoria porque, naquela época, os polos geográficos ainda eram regiões praticamente inexploradas. Symmes explicava que essa teoria era verdadeira por conta da migração das aves para o norte, periodicamente. Ele acreditava que as aves eram atraídas por fontes de calor das profundezas da Terra, através desses tais portões para o outro mundo. De acordo com o americano, as auroras boreais eram os reflexos, no céu, das cidades do interior do planeta. Veja o vídeo abaixo e se encante com as belezas das auroras polares.



Imbuído dessa ideia, o astrônomo amador escreveu para todas as instituições científicas existentes na época nos seguintes termos: “Declaro que a Terra é oca, habitável em seu interior, aberta em seus dois polos. Dou a minha vida em defesa desta verdade e estou disposto a explorar o interior da Terra, se o mundo me apoiar neste empreendimento”.

Como viu que nem americanos, nem britânicos iam patrociná-lo, Symmes seguiu para a Rússia onde se integrou a uma equipe que iria explorar o Polo Norte. Lá não conseguiu embarcar e voltou à América. Morreu em 1829, convencido de que o planeta era oco.

O mais impressionante é que essa teoria sobreviveu muitos anos com força total mesmo há poucas décadas. Para quem não sabe, Adolf Hitler era extremamente místico e, junto com altos chefes do comando nazista, acreditava na possibilidade de a Terra ser oca e haver uma civilização bastante evoluída em seu interior.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Um pouco sobre o que foi e o que estudou a alquimia...

Sempre que se mexe com misticismo e Idade Média fala-se em alquimia. Hoje vamos falar um pouco sobre ela, que foi uma arte interessante que acabou fundando uma ciência importantíssima para a humanidade a partir do século 19: a química, que se ramificou também na farmácia. A alquimia não se resumiu somente na Europa, mas em todas as sociedades quando, de modo rudimentar, os povos tentavam misturar elementos químicos na busca de uma outra coisa, como transformar metal comum em ouro.

A alquimia hoje é famosa por procuras consideradas vãs e impossíveis: transformar metais comuns em ouro, a procura do elixir da longevidade, a pedra filosofal, procura de um fogo eterno. Hoje imaginamos que sejam coisas imbecis, mas precisamos entender a mentalidade do ser humano naquela época, quando essa mentalidade era povoada por misticismos.

Ao longo dos séculos, durante a Idade Média, muitos alquimistas foram perseguidos pela Inquisição porque ainda havia um status de bruxaria pela prática de misturar elementos químicos surgindo novos componentes. As pessoas viam com tremenda desconfiança essa prática. As acusações de heresia eram frequentes, o que prejudicaram os estudos; de acordo com especialistas, as práticas protocientíficas ficaram escondidas e os escritos deixados cheios de pegadinhas para despistar ignorantes.



Um pouco de história...
De acordo com estudiosos, “alquimia” vem do árabe “al-khene”, nome dado ao processo de fundição do mercúrio. Sua história é dividida em três: (1) a oriental, desenvolvida por chineses, indianos e coreanos, que culminou na invenção da pólvora, por exemplo; (2) a ocidental, desenvolvida por árabes e europeus durante a Idade Média; (3) a independente, feita pelos povos como incas, egípcios etc.

A alquimia se desenvolveu com grande fervor em duas partes da Europa: na Península Ibérica com a conquista árabe e na Alemanha e França, a partir da cabala dos judeus. Talvez tenha sido por isso que a prática foi tão perseguida pela Igreja, uma vez que estava nas mãos de pessoas fora do domínio cristão e, geralmente, as pessoas tendem a repudiar (ou ter medo) aquilo que não conhecem.



Contribuição à ciência moderna...
A alquimia medieval acabou fundando, com os estudos sobre os metais, as bases da química moderna e da farmácia. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas, como o arsênico. Eles também deixaram como legado alguns procedimentos que usamos até hoje, como o famoso banho-maria, devido à alquimista Maria, a Judia; a ela atribui-se também a descoberta do ácido clorídrico. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e fusão nuclear, mas ainda não conseguimos transformar qualquer metal ordinário em ouro.

Outro fato notável foi a colaboração na criação de ligas metálicas e também no processo farmacêutico, quando substâncias eram misturadas para um fim e descobriam novas propriedades até então desconhecidas.

No entanto, até hoje ainda há pessoas que dizem praticar a alquimia através de sites da internet e fóruns. São indivíduos crédulos nos processos que dizem procurar a longevidade ou a pedra filosofal, e que fazem uma verdadeira salada teórica com ordens místicas e até com os cavaleiros templários, que nada têm a ver com essa parte da história.

sábado, 3 de março de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (1)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Quando se cai de uma grande altura, morre-se antes de atingir o solo...
Em vez de morrer queimado em seu avião em chamas, atingido por um projétil durante o bombardeio de uma cidade alemã em 1944, o sargento Nicholas Alkermade saltou de uma altura de cinco mil metros sem o para-quedas, calculando que sua morte seria rápida e menos sofrida. O resultado? Caiu ileso e consciente. Calcula-se que os últimos metros da queda, a uma velocidade de 190 km/h, foram amortecidos por ramadas de pinheiros, uma vegetação densa e, finalmente, uma fofa camada de neve. Essa experiência (que não foi única na história) mostra que a pessoa não morre enquanto cai. Sempre se pensou que e indivíduo morresse por asfixia por causa da velocidade da queda livre, ou de colapso cardíaco devido ao pânico. Em 1960, nos EUA, aconteceu o mesmo fato ao capitão Joseph Kittinger, que chegou também ao solo são, salvo e consciente.


Gripes e resfriados vêm com o frio...
O resfriado é a doença mais comum da história e está presente em todos os lugares; talvez seja por isso que tenha tantos mitos envoltos. O mais comum é de que a gripe/resfriado seja causada pelo frio; de fato, é uma doença mais comum no inverno, mas se esse mito tivesse fundamento os esquimós estariam constantemente doentes e febris, o que não ocorre. Durante a II Guerra Mundial os prisioneiros de campos de concentração passavam frio e fome quase totalmente nus e não pegavam resfriado até entrarem em contato com alguém doente. Nos anos 80, no Reino Unido, pesquisadores realizaram uma experiência: voluntários tomavam banho quente e depois ficavam nus em um corredor que passava correntes de ar frias ou gélidas; em seguida, andavam debaixo da chuva e calçavam sapatos molhados. Quando isolados, nenhum voluntário pegou gripe. A explicação é que durante os dias frios as pessoas se agrupam em ambientes fechados, o que facilita com que o vírus passe de pessoa para pessoa.


O cabelo e as unhas continuam a crescer depois da morte...
O corpo de Elizabeth Siddal, mulher do pintor e poeta Dante Rossetti, morta em 1862, foi exumado em 1869 em um cemitério londrino. Charles Howell, testemunha ocular, descreveu a impressionante visão do corpo intacto, com uma enorme cabeleira e unhas perfeitas. Foi assim que nasceu esse mito. De acordo os biólogos, os cabelos e unhas não crescem depois da morte – uma vez que necessitam de atividade celular constante para isso; a pele é que se contrai enquanto resseca, o que faz com que pareça este crescimento, enquanto na verdade é o corpo que diminui.

Prego enferrujado pode vir a causar o tétano...
O tétano é uma doença grave causada pelas toxinas produzidas pela bactéria Clostridium tetanum. O mero arranhão de um metal enferrujado não pode causar a doença, pois a ferrugem não é “venenosa”, apenas ferro oxidado por causa da ação do oxigênio do ar sobre ele. Por outro lado, o arranhão causado por qualquer metal sujo por qualquer material pode ser perigoso, uma vez que as bactérias adoram ambientes com materiais orgânicos para se reproduzirem.

Não é bom combinar antibióticos com bebidas alcoólicas...
Esse é um mito existente até hoje, sendo amplamente reproduzido por médicos de todo o mundo. Tudo surgiu no início do século 20, quando foram comercializados os primeiros medicamentos contra sífilis – que naquela época dizimava muitos jovens em plena atividade sexual com prostitutas, sendo a “Aids da época”. Os médicos receitavam os remédios e diziam que não se podia beber álcool, ou a morte viria na certa! Essa foi a saída para evitar que os rapazes fossem se divertir em bares e bordéis, onde iriam beber, ficariam mais alegrinhos e, com certeza, iriam fazer sexo com prostitutas, se recontaminando com sífilis. A ideia deu certo e se perpetuou até hoje. De acordo com os farmacêuticos, o álcool deve ser evitado simplesmente porque sua ação pode potencializar a ação de alguns componentes químicos em algumas fórmulas. Mas só isso, nada mais.