sábado, 6 de outubro de 2012

Considerações importantes sobre o cristianismo e a maçonaria: será que houve ali um “casamento”?

Há muitos anos existe uma verdadeira onda de boatos e teorias da conspiração sobre a maçonaria. O mais célebre é o seu “segredo”. Vários escritores romancearam sobre conspirações armadas dentro de lojas maçônicas ao redor do mundo, o que é bem verdade: a Revolução Francesa, a independência de várias colônias americanas (Estados Unidos, Brasil, Argentina, Colômbia) são alguns exemplos verdadeiros. São sempre tramas políticas e esse status de ser um ambiente fechado deixou a Igreja com enormes suspeitas.

Recentemente, escrevi um post sobre algumas considerações da maçonaria. Para ler, clique aqui!

O maior problema é quando autores, como Dan Brown, decidem misturar situações e teorias diferentes, causando anacronismos e ecletismos desnecessários, como associar a maçonaria aos templários e outras ordens secretas. No entanto, isso tudo nasce pelo próprio medo da Igreja, que via movimentos populares derrubando monarquias nascidos de dentro de lojas maçônicas, por isso decidiu demonizá-la e a lenda perpetuou-se.


1º O primeiro documento católico que condena a maçonaria data de 1738, tratando-se da bula “In eminenti apostolatus specula”, que pode ser lido no site oficial do Vaticano, clicando aqui;

2º Há pelo menos 20 documentos clericais condenando a maçonaria e seus membros. O Papa Leão XIII foi um dos mais ferrenhos combatentes desse grupo;

3º Há boatos de que o Papa Paulo VI tenha sido associado a uma loja maçônica, mas não há provas que comprovem essa teoria. Entretanto, vários padres, bispos e cardeais frequentam clubes de serviços maçons em todo o mundo, apesar do combate religioso do catolicismo;

4º Historiadores apontam que o pavor religioso ante a maçonaria tem origem na Revolução Francesa, quando uma das propostas era romper com o Antigo Regime (rompendo com a aristocracia e o clero). Com um “inimigo” desconhecido por conta das reuniões nas lojas, o Vaticano propagou a ideia de a maçonaria ter propaganda anticristã;

5º No Brasil, todo o movimento de independência foi orquestrado por maçons (Dom Pedro I era um deles), e por isso a Igreja brasileira tomou partido de Lisboa enquanto Dom João VI era um religioso fervoroso;


6º Até 1983, a pena para católicos que se associassem à maçonaria era a excomunhão, mas desde os anos 40 a medida não era tomada em prática. No entanto, é sabido que a Igreja fez vista grossa inúmeras vezes porque muitos dos homens da elite e doadores de grandes quantidades de dízimo eram maçons;

7º No meio protestante também há os impedimentos quanto à maçonaria, principalmente entre os neopentecostais. Por ser um ramo religioso bastante fragmentado, cada denominação tem a sua interpretação: uns mais leves, outros com a expulsão da congregação;

8º O movimento de independência dos Estados Unidos foi todo embasado em homens da maçonaria, e por isso que também podemos afirmar que o protestantismo fez vista grossa a essa questão na América do Norte. Atualmente, vários pastores participam de reuniões em lojas maçônicas;

9º A Catedral de Helsinque (foto abaixo), na Finlândia, é o único monumento religioso que conta, oficialmente, com elementos maçons em sua estrutura.


O que podemos dizer é que, de modo geral, o cristianismo sempre condenou a maçonaria e seus praticantes por interesses próprios e não religiosos. O pavor do que se viu na Revolução Francesa e nos movimentos de independência serviu de base para uma total demonização. É interessante notar, com isso, que a excomunhão católica (ou a expulsão protestante) nunca fora praticada enquanto os atores maçons eram importantes burgueses que financiavam a prática religiosa.