quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Os caixões movediços que aterrorizaram uma ilha inteira...

No século 18, os Wallronds, uma família abastada de plantadores de cana-de-açúcar, construiu um túmulo escavado na rocha em Christchurch (foto abaixo), em Barbados, no Caribe, fechando-o com um bloco de mármore o que mais parecia fortaleza e não um lugar para seus mortos descansarem. O primeiro membro da família a estrear a morada foi Thomasina Goddard, em 1807. Um ano depois, por questões variadas, o mausoléu foi adquirido pela família Chase, também ricos plantadores da região, que nele queria enterrar duas filhas, mortas respectivamente em 1809 e 1812.


Quando o túmulo foi aberto novamente, em 1813, para receber o corpo do pai das jovens, as urnas de chumbo estavam no chão, sendo que não havia nenhum sinal de arrombamento. O mesmo ocorrera em 1816, quando fora aberto para o enterro de um primo: e mais uma vez os caixões estavam em posições diversas diferentes de como estiveram colocados pelos coveiros e familiares. Os caixões estavam bagunçados. O de Thomasina, por exemplo, era tão pesado que oito homens o carregaram no enterro. Mesmo assim ele estava encostado na parede, de pé.


Por ocasião do funeral seguinte, em 1817, toda a cidade já sabia dos mistérios da cripta envolvendo caixões movediços. Uma multidão apareceu no enterro de mais um membro da família Chase a fim de conferir se a lenda era, mesmo, uma realidade. O susto foi generalizado: quatro caixões estavam deslocados de maneira estranha.

Em 1819, o governo de Barbados decidiu selar o mármore que fecha a cripta, uma vez que a história dos caixões movediços já criava uma histeria coletiva. Falava-se em mortos-vivos, zumbis e pessoas enfeitiçadas pelo vodu – prática recorrente no Caribe. Recentemente, escrevi um post sobre a religião vodu (você pode lê-lo clicando aqui) e também sobre os zumbis (leia clicando aqui).


Dizem que ruídos eram ouvidos dentro do mausoléu, o que assustava a população mais ainda, que temia em Christchurch uma invasão de zumbis. O governo local decidiu abrir a cripta, que estava selada com cimento, e constatou que os caixões pesadíssimos estavam revirados mais uma vez.

O caso chegou até a Inglaterra, onde Arthur Conan Coyle, criador do renomado personagem Sherlock Holmes, escreveu em jornal duas possibilidades sobrenaturais: (1) os corpos estarem se revolvendo em protesto por conta dos caixões de chumbo, o que impede a putrefação natural; (2) manifestações estranhas porque um dos membros da família Chase, ali enterrado, havia cometido suicídio – que naquela época era visto como uma atitude totalmente antirreligiosa e imoral.

Por fim, em 1822, o governo de Barbados decidiu pôr fim à histeria coletiva e enterrou os corpos na terra, em sepulturas comuns, e esvaziou o misterioso mausoléu dos ricos plantadores de cana.


Hoje em dia acredita-se que o caso seja explicado facilmente por meio da lógica: habilidosos assaltantes de túmulos agiam durante a noite a fim de profanar os caixões; por serem membros de famílias muito ricas, os corpos poderiam ter joias e outros objetos de valor facilmente vendidos no mercado negro. Junto a isso, soma-se o medo dos colonizadores europeus frente às práticas religiosas locais do vodu com zumbis ressuscitados.