quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A incrível história do homem que, na ficção, previu o naufrágio do Titanic!

Um verdadeiro palácio grandioso fez-se ao mar na cidade inglesa de Southampton em 1898, na sua viagem inaugural. Era o maior e mais luxuoso transatlântico até então construído. Mas o navio, onde grande parte dos passageiros eram milionários de enormes posses, nunca chegou ao seu destino, a América; no meio da viagem, o seu casco foi destroçado por um iceberg e afundou, levando consigo um número gigantesco de vidas.

Parece ser realidade, não? É a história do Titanic? Não, de modo algum. O Titanic afundou em abril de 1912, e esse ano completa o primeiro centenário dessa tragédia que ganhou algumas versões para o cinema. Veja acima que o navio em questão afunda em 1898. Na realidade, esse transatlântico ao qual me refiro existia apenas no papel, fruto da imaginação do novelista Morgan Robertson (foto abaixo), que curiosamente chamou Titan ao seu navio na ficção no seu folhetim “Futility”.




Essa novela de 1898 poderia passar despercebida na literatura se não ocorresse uma tragédia alguns anos depois, curiosamente da mesma forma narrada pela história. Quatorze anos depois, um enorme transatlântico luxuoso partiria para a mesma viagem inaugural e não chegaria ao seu destino. Não é preciso nem descrever a história do Titanic, que tornou-se ainda mais popular depois do filme estrelado por Kate Winslet e Leonardo DiCaprio.

A história de Robertson não obteve nenhum sucesso à época do lançamento e só foi recordada em 1913, um ano após a tragédia real. O autor teve seus minutos de fama e, desde então, ficou conhecido pela vidência em uma história cuja realidade imitou a ficção.

O navio Titan da novela de Robertson apresentava, para além do nome, muitos outros aspectos que o tornaram um duplicado do verdadeiro Titanic. Ambos tinham sensivelmente o mesmo tamanho, alcançavam a mesma velocidade e possuíam a mesma capacidade, que lhes permitia transportar três mil pessoas. Ambos eram conhecidos como “insubmersíveis” e também afundaram no Atlântico Norte.


Mas as estranhas coincidências não se resumem a essas. Vão muito além. O famoso jornalista W. T. Stead publicou, em 1892, um conto que se revelou uma previsão inquietante do desastre do Titanic. Ele era espírita e foi um dos 1513 passageiros que morreram no naufrágio do transatlântico, em 10 de abril de 1912.

Nem a novela de horror de Robertson, nem as previsões estranhas de Stead serviram para impedir a tragédia com o navio. Mas a recordação desse caos serviu para salvar outro navio em circunstâncias semelhantes 23 anos depois. O jovem marinheiro William Reeves encontrava-se em vigia à proa em um navio de cargas que rumava do norte da Inglaterra para o Canadá em 1935; o mês era abril, conhecido pelos naufrágios e icebergs pelo caminho. Desde o Titanic, os navegantes tinham medo dessas águas nessa época.

O turno de Reeves deveria terminar à meia-noite, hora que o Titanic batera e também em águas calmas. Com esse pensamento, ele decidiu continuar mais um pouco em sua vigia solitária. Já estava cansado e não via mais nada, com muito sono. Temendo o pior, decidiu soar o alarme que foi atendido pelo comandante da embarcação; Reeves não havia visto nada, mas a algumas centenas de metros havia um iceberg na escuridão.


O dia raiou e foi possível ver que à frente havia centenas de icebergs menores e uma dezena de outros grandes, capazes de afundar o cargueiro. Na escuridão da noite eles não poderiam ser vistos com tanta clareza, ainda mais no horário – no final do turno cansativo de um rapaz. Mas o desespero e até despreparo de Reeves salvou o destino de várias pessoas.

A história de William Reeves se torna interessante quando divulgamos o nome do cargueiro: Titanian. A data do ocorrido: 10 de abril de 1935, a mesma que havia afundado o Titanic.