terça-feira, 17 de julho de 2012

Santo Sudário: a quem pertence a suposta imagem de Jesus?

Num relicário existente na Catedral de Turim encontra-se um pano, de 3m90 por 1m05, que apresenta vagamente gravada a imagem de um homem de frente e de costas. A cada 33 anos o pano é exibido perante milhares de peregrinos e turistas que o contemplam, acreditando serem os traços de Jesus. O Santo Sudário é uma das relíquias do cristianismo mais importantes para alguns católicos, mas muitos outros não acreditam na sua originalidade.


Acredita-se que tenha sido o pano que envolveu o corpo de Jesus após a crucificação e que a imagem ficou impressa no pano por um milagre incrível. Desde sempre esse pedaço de pano tem sido motivo de controvérsias científicas, tem passado por exames minuciosos; e quanto mais se estuda, mais intrigante fica a história.

Crê-se que o Santo Sudário tenha ficado escondido por mais de três séculos, quando, mais tarde, foi adquirida pelos monarcas bizantinos como relíquia, onde permaneceu até 1205. Foi levado pelos cruzados para a Catedral de Besançon, quando foi retirado durante um incêndio em 1349. Finalmente o Santo Sudário foi oferecido aos duques de Saboia em 1432, depois de ter ficado um pouco avariado após outro incêndio. Em 1578 foi guardado na Catedral de Turim, onde está até hoje.

Desde o final do século 19 ele é motivo de estudos. Em 1902, o doutor Yves Délange apresentou algumas conclusões à Academia de Ciência da França. Depois outros estudiosos franceses insistiram na pesquisa. Todos insistiram no óbvio: a imagem de um homem que sofreu uma brutal tortura; o nariz estava quebrado, rosto inchado, testa ferida, marcas de ferimentos profundos por todo o corpo. Uma situação degradante. Chegaram a dizer que os ombros estavam machucados por ter carregado algo pesado – associando à cruz – e os joelhos contundidos por quedas frequentes.


No início do século 20, os cientistas franceses disseram que a imagem do Santo Sudário mostraria ferimentos nas mãos. O corpo não fora lavado para o enterro, o que contraria a base judaica, ou seja, foi um enterro apressado tão logo a morte foi constatada.

Depois dessas análises, os cientistas franceses declararam que o pano havia, sim, coberto o corpo de Jesus, o que causou um alvoroço no mundo acadêmico e alegria dos fiéis de todo o planeta. Muitos cientistas creem ser ele uma falsificação muito bem feita, uma vez que relíquias religiosas existiam aos montes na Idade Média europeia. O maior problema da análise se dá por conta dos dois incêndios que o Santo Sudário passou, uma vez que os testes de carbono 14 o datam da era medieval.

Quem defende a santidade do sudário aponta que não havia recursos técnicos tão detalhistas e impressionantes no período que ele poderia ter sido criado, no início do século 13. Em 1931, outros cientistas fizeram novas análises e informaram que seria difícil fazer um estudo conclusivo por conta, justamente, do incêndio. Em 1959, cientistas alemães pediram para retirar um pequeno pedaço do pano para fazer exames mais modernos, mas o arcebispo de Turim negou.


A medicina explica que, se realmente é o pano de Jesus, seu coração ainda batia quando desceu da cruz e foi enterrado, pois explicaria as manchas de sangue que continuaram a escorrer. Assim, quando enterrado ele estaria em estado de coma profundo por causa dos ferimentos e pancadas que recebera.

Para fechar o caso, extremamente inconclusivo, é válido apontar que a Igreja Católica não reconhece oficialmente o Santo Sudário como o pano que envolveu Jesus. Ela é extremamente cautelosa nesses assuntos. No entanto, a cidade de Turim continua a receber anualmente milhares de pessoas que creem naquela imagem impressa em um pano muito antigo. O pano vai continuar sendo controverso.