sábado, 16 de junho de 2012

Você conhece a verdadeira história por detrás da lenda dos zumbis?

Hollywood sempre gostou de zumbis para seus filmes de terror e suspense. Cinemas trash sempre foram povoados por essas criaturas, conhecidas por serem mortos-vivos ou seres humanos irracionais. Tornaram-se populares para a geração atual através da série “Walking dead”. Mas esse folclore é muito mais antigo: remonta a crença haitiana do vodu. Recentemente, escrevi algumas curiosidades sobre a religião vodu, e você pode lê-las clicando aqui.


O maior problema é que Hollywood simplificou e estereotipou demais a religião vodu. Os zumbis são, dentro desse universo religioso, uma pessoa morta que pode ganhar vida através do poder de um feiticeiro; na África, zumbis também são cobras gigantescas que se alimentam de homens. De acordo com a religião vodu caribenha, quem alimenta um ser desses com sal garante que ele volte à tumba – o elenco da série deveria saber disso, né.

Onde começa a história...
Em 1937, enquanto pesquisava o folclore do Haiti, Zora Hurston encontrou o caso de uma mulher que apareceu em uma aldeia e uma família alegou que ela era Felicia Felix-Mentor, uma parente que havia morrido e sido enterrada em 1907 com idade de 29 anos. Hurston alegou que os rumores se deveram ao uso de uma poderosa droga psicoativa por parte das testemunhas do fato, mas ela foi incapaz de localizar os indivíduos para obter mais informações.

Várias décadas depois, Wade Davis, um etnobotânico, apresentou um caso farmacológico de zumbis em dois livros, “A serpente e o arco-íris” e “Passagem das trevas: a etnobiologia do zumbi do Haiti”. Davis viajou para o Haiti em 1982 e, como resultado de suas investigações, afirmou que uma pessoa viva pode ser transformado em um zumbi injetando duas substâncias específicas na sua corrente sanguínea. A primeira, chamada pelos nativos de “coup de poudre”, inclui a tetrodotoxina, uma poderosa neurotoxina e frequentemente fatal encontrada na carne do baiacu. A segunda consiste numa poção com drogas dissociativas tais como a datura. Acredita-se que estas substâncias associadas induzem um estado de morte no qual ficam inteiramente sujeitas às vontades do bokor. Davis também popularizou a história de Clairvius Narcisse, que alegou ter sucumbido a essa prática.


Davis sugeriu que a psicose induzida por drogas e pelo trauma psicológico de ter sido enterrado, reforçavam as crenças culturalmente aprendidas e levavam os indivíduos a reconstruir sua identidade como a de um zumbi, uma vez que, após a experiência a que eram submetidos, eles passavam a acreditar que estavam mortos e não teriam mais outro papel para desempenhar na sociedade haitiana. Segundo Davis, os mecanismos sociais de reforço desta crença serviam para confirmar para o indivíduo a sua condição de zumbi e tais indivíduos passavam a ser conhecidos por passear em cemitérios, exibindo atitudes e emoções deprimidas.

As comunidades que creem no vodu como religião e, por extensão, acreditam na existência dos zumbis, dizem que não existe nenhum tipo de engodo nesses casos. Ou seja, os feiticeiros negam o uso de chás alucinógenos na prática religiosa. Entretanto, testes científicos realizados na África do Sul comprovam as teorias científicas de que os zumbis nunca estiveram “mortos”, mas sim o uso de substâncias químicas retiradas de plantas.


Hollywood fez com que os zumbis ganhassem aparência de mortos vivos, por terem supostamente se levantado de uma tumba: roupas rasgadas, pele apodrecida, odor forte. No entanto, a religião vodu e o folclore caribenho nunca afirmaram que esses seres saíram de uma tumba. O feiticeiro clama pelo zumbi logo depois da morte dessa pessoa, dentro de um ritual.

O cinema dos anos 60 aos 80 sempre os mostrou como seres imbecis, cambaleantes, letárgicos, porém sanguinolentos. A partir do ano 2000 que a indústria cinematográfica passou a mostrá-los com agilidade e muita crueldade.


Para fechar, o mais interessante é a forma como o cinema concebeu em relação à eliminação desses seres, uma vez que já estão mortos e não há como matá-los novamente. Para ter mais ação, diz-se que é preciso cortar a comunicação neurológica do morto vivo, ou seja, dando-lhe um tiro na cabeça ou a decepando. Entretanto, o folclore vodu mostra ser muito mais simples: basta jogar sal no zumbi.