sábado, 23 de junho de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (7)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

O símbolo @ virou “arroba” por um erro de interpretação...
Antes da invenção da imprensa, o trabalho de escrever livros era todo feito a mão por monges pacientes. Para isso, eles criaram uma série de códigos para simplificar este trabalho penoso. Foi assim que, em espanhol medieval, Phrancisco era grafado “Phco” e virou Paco. Já para substituir “et”, “e”, eles criaram o “&”. Foi assim que, também, nasceu a @, que significa em latim “ad”, “vindo de”. Com o tempo, o comércio se expandiu e começaram a chegar a Portugal e Espanha caixas assim: “10 @ £3”, ou seja dez unidades ao preço de três libras cada uma. Foi assim que, em inglês, o símbolo @ ficou conhecido como é atualmente: “at”. Na Espanha não conhecia-se o uso real do @ e atribuíram a unidade de peso, e como lá a unidade era a arroba, assim ficou; desta forma, “10 @ £3” eles entendiam como dez arrobas ao preço de três libras cada uma. Em 1875 o símbolo @ entrou para as máquinas de escrever e em 1975, passou ao uso em correios eletrônicos: assim, BELTRANO@PROVEDOR, em inglês, significaria Beltrano NO Provedor. Em outros idiomas a invencionice é maior: em italiano é “chiocciola” (caracol), em sueco é “snabel” (tromba de elefante), em alemão é “klammeraffe” (rabo de macaco), em hebraico é “shtrudel” (nome de um doce típico judaico).

“Abre-te, Sésamo!”
Frase clássica dita por Ali-Babá para deslocar a enorme pedra que bloqueava a entrada de sua caverna com tesouros incríveis, foi perpetuada na série de contos folclores árabes “As mil e uma noites”. Sésamo vem do latim e é uma plantinha cuja semente comestível sai facilmente de uma cápsula, tão facilmente como Ali-Babá para tirar o enorme rochedo. Mas há mais história: na Idade Média acreditava-se que o sésamo tivesse poderes místicos assombrosos, principalmente aquele que nós mais conhecemos, o gergelim!


Chamar um rapaz de “almofadinha” era uma maneira jocosa de ofendê-lo...
Segundo consta, em 1919, rapazes ricos e elegantes – e também delicados – promoveram um estranho concurso na cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O tal concurso era beneficente e premiaria o jovem que bordasse e pintasse a mais bela almofada. Foi a partir deste evento social que “almofadinha” passou a designar o homem rico que se veste com muito apuro. O concurso foi tão exótico que virou comentário em toda imprensa brasileira na época, merecendo até comentários de Lima Barreto.

O arranca-rabo nasceu de uma proeza militar medieval...
Arranca-rabo é uma discussão muito feia, envolvendo várias pessoas. Expressão muito usada em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Nos tempos medievais, arrancar o rabo do cavalo do inimigo era uma façanha gigantesca e que poucos conseguiam. A prática era comum em Portugal e chegou ao Brasil com a colonização, e se tornou popular até entre os bandos cangaceiros no Ceará.

Ser expulso a toque de caixa tem a ver com música?
Sim, tem. O termo significa, para nós, sair a toda pressa. Nos tempos de invasão moura da Península Ibérica, o tambor era usado pelos muçulmanos para fazer anúncios importantes. Assim, as pessoas indesejáveis naquela época (baderneiros, bêbados, ladrões, ciganos, judeus) eram expulsas das vilas em cerimônias grandiosas, ao som de tambores de anunciação, “a toque de caixa”, como diziam os lusos.


“Baderna”, no sentido de bagunça, teve origem numa pobre moça italiana...
Em 1828, na Itália, nasceu Marietta Baderna (foto abaixo), filha de um médico e que tinha um sonho de ser bailarina, incentivado pela família. Aos 12 anos estreou nos palcos e logo fez sucesso por todo sul da Europa. Em 1849, a família veio embora para o Brasil e Marietta seguiu fazendo seus shows no Rio, quando arrebanhou uma legião de fãs entusiasmados com seu talento para dança. A imprensa carioca os chamava de “badernistas”, e com o tempo “baderna” virou sinônimo para bagunça e desordem. Pobre moça.


De onde vem o nome do jogo bingo?
O primeiro tipo de bingo que se tem notícia nasceu na Itália, por volta de 1530. Os cartões eram numerados de 1 a 90, mas o nome ainda não era este. Somente em 1929, Edwin Lowe, um vendedor de brinquedos de Nova York, parou de carro num parque de diversões de Atlanta quando viu um grupo de pessoas jogando com cartelas enumeradas e feijões. Quando alguém completava a cartela, gritava “Beano!”. “Beano” era a mistura de “bean”, “feijão”, com “quino”, “vencedor de cinco números”. Lowe gostou tanto da ideia que levou o jogo para o resto do país, mas como entendeu errado, “Beano!” virou “Bingo!”.