quarta-feira, 6 de junho de 2012

Edgar Allan Poe: seria o autor um criminoso brutal?

O famoso autor de contos emocionantes e clássicos passa um lenço em torno do pescoço de uma linda jovem. Depois aperta cada vez mais. Naturalmente decorre tudo da sua imaginação: esse autor trabalha na sinopse de mais um conto que vai render enorme sucesso. Ou será que realmente aconteceu esse crime? É possível que um autor tão conhecido tenha cometido um crime tão brutal e escandaloso? Além disso, teria ficado impune e tido a audácia de escrever e publicar esse crime que cometera?


Essa é a conclusão espantosa de investigadores modernos sobre um crime cujo autor permaneceu oficialmente por ser descoberto desde que foi encontrado no Rio Hudson, em Nova Jersey, em julho de 1841, o corpo de uma linda jovem morena. Chamava-se Mary Rogers e tinha 21 anos. As mãos estavam atadas atrás das costas, foi estuprada e estrangulada com um pedaço de lenço.

Ela era empregada em uma tabacaria na Broadway, que já começava a ser um lugar de diversão, mas que no século 19 ainda era um reduto imundo de Nova York. Havia relatos de que ela era sempre cortejada por diretores, atores, cafetões.

Desaparecera uma vez em outubro de 1838, quando trabalhava na tabacaria e acabou ganhando a primeira página dos jornais. Duas semanas depois reapareceu alegando que estava cansada demais e que viajou para a casa de uns amigos, em um sítio próximo a Nova York.

O seu assassinato em um verão extremamente quente em 1841 rendeu novamente essa suspeita: viagem misteriosa. No entanto, com o aparecimento do corpo o patrão foi o primeiro suspeito, pois sempre era visto em sua companhia. Outros três homens foram investigados pelo crime, todos admiradores da moça. A polícia trabalhou com dureza, mas sem pista alguma acabou arquivando o caso.


Quase dois anos depois do homicídio, Mary ficou imortalizada em uma famosa história policial: “O mistério de Mary Roget”, publicado como folhetim barato em uma revista para a população pobre de Nova York. O autor, Edgar Allan Poe, descreveu com detalhes todo o caso – inclusive o assassinato – mas transferiu o caso para Paris e mudou sensivelmente o nome dos envolvidos.

Um final muito estranho...
O detetive parece revelar o nome do homicida quando a história termina sem um ponto final. Ao que tudo indica, o conto havia sofrido censura na revista onde era publicado. Ao que tudo indica, Poe conhecia a identidade do assassino.

De acordo com especialistas em Poe, é muito estranho que ele não tenha aparecido nos inquéritos policiais, uma vez que realmente conhecia Mary da época em que ela vendia charutos. Ele era conhecido por sempre andar de casaco preto e usar botas militares, enquanto passeava pelos becos sujos da Broadway. Dizem que ele tinha um temperamento forte e cruel, e andava sempre solitário. Foi expulso da academia militar por sempre andar bêbado, ser explosivo e criar muitas desavenças. Alguns biógrafos apontam, ainda, várias perversões sexuais e comportamento doentio em bordéis, além das aventuras sexuais com mulheres casadas.


Personalidade doentia e perigosa...
Em seus contos há várias referências a personagens que parecem descrevê-lo: egocêntricos, que se acham superiores, com estranhas fantasias sexuais e incestuosas e, às vezes, homicidas. A morte atraía Poe em seus contos, principalmente quando eram assassinadas moças atraentes.

Acredita-se que em 1838 Poe tenha entrado na tabacaria e conversado muito com Mary. A data coincide justamente com o período do primeiro desaparecimento. Será que ela e o autor teriam vivido duas semanas de devaneios sexuais? Uma vez mais – três dias antes de seu corpo ser descoberto no rio – ela foi vista passeando pelos bosques próximos às margens com um homem alto, moreno, com quase 30 anos, vestindo uma capa preta. Poe correspondia fielmente à descrição. Seria ele mesmo?

Alcoólatra e viciado em drogas, o escritor morreu em 1849, com 40 anos, suspirando: “Deus, por favor, ajude a minha pobre alma pecadora”. Morreu sem jamais ter sido interrogado sobre o crime que publicou e que tinha conhecimentos muito profundos. Atualmente, há quem acredite que o assassinato de Mary Rogers pode ser totalmente reconstruído peça por peça através dessa novela de Poe.