quarta-feira, 11 de abril de 2012

Literatura de ficção ou mundo real? O homem da máscara de ferro...

Durante o 60º aniversário do reinado de Luís XIV morreu na Bastilha um homem misterioso. Tinha vivido 34 anos encarcerado, com o rosto sempre oculto por uma suposta máscara de ferro (outras versões falam em máscara de veludo). Numa carta escrita por uma nobre francesa a um parente inglês ela fala em “velho prisioneiro”:

Durante muitos anos viveu na Bastilha um homem oculto por uma estranha máscara, que com esta morreu. Dois mosqueteiros mantinham-se sempre ao seu lado para o matarem, caso ele retirasse a tal proteção facial. Sem dúvida, houve justificativa para tal procedimento, pois, do outro lado, este prisioneiro sempre foi muito bem tratado; esteve muito bem acomodado e sempre eram realizadas as suas vontades. Jamais alguém conseguiu descobrir quem ele era”, descreve a tal carta.

O fervor na história começou com a publicação de Alexandre Dumas através do folhetim melodramático “O homem da máscara de ferro”, alegando que o prisioneiro seria o próprio Luís XIV ou o seu irmão gêmeo. No entanto, os fatos mostrando situações mais estranhas ainda.


Desde que foi preso em 1669, o prisioneiro foi submetido a muitas medidas protetivas. Encaminhado para Turim, o governante recebeu ordens escritas, atualmente guardadas no acervo público da cidade: “O prisioneiro não pode conversar com ninguém, a não ser para falar das suas necessidades diárias de alimentação e higiene”. Os registros apontam que sempre que o homem era transferido de presídio, a carruagem era toda tapada para evitar olhares curiosos e, no verão, ele quase morria de calor porque a jornada era longa a durava muitos dias.

De acordo com os historiadores, a máscara foi usada como precaução e não castigo. Mas desconhecemos até hoje o seu uso, uma vez que ninguém foi dado como desaparecido publicamente neste meio tempo de quase 40 anos. Ao que tudo indica, ele era uma figura que poderia causar embaraço público a alguém importante e, com isso, surgiram os boatos de ele ser o rei francês ou um possível gêmeo da majestade.

Durante 14 dos seus 22 anos de casamento, Luís XIII e Ana da Áustria não tiveram filhos. Era do interesse do cardeal Richelieu, na altura o verdadeiro governante da França, que o rei tivesse um herdeiro que também pudesse ser controlado pela sua facção. Ao fim de longos anos, durante os quais o rei e a rainha tinham vivido separados, Richelieu conseguiu encenar uma reconciliação pública e formal. E, para completa surpresa de todos, a rainha deu à luz um menino em 1638.


Historiadores apontam que o cardeal persuadiu a rainha a passar algumas noites com um nobre a fim de que engravidasse em nome do monarca. Naquela época havia em Paris vários filhos bastardos dos irmãos de Luís, e, com isso, não era difícil conseguir algum rapaz com sangue de Bourbon nas vielas imundas de Paris. Aparentemente, essa foi a solução encontrada pelo cardeal e sua corja.

O folclore nos conta o caso...
Dizem que o menino nasceu a cara do verdadeiro pai, muito diferente de Luís XIV; com isso, Richelieu mandou o genitor para o Canadá esperando a poeira baixar. Com o tempo, ele decidiu voltar acreditando que o assunto já tivesse sido esquecido e que ganharia uma boa pensão do “filho” que agora era o “Rei-Sol”. No entanto, o homem era parecido demais com o filho, o que causaria enorme embaraço à coroa francesa.

A solução supostamente encontrada foi mantê-lo sob a tutela do monarca, mas sob terríveis ameaças. Ele teria tudo o que quisesse, mas ficaria constantemente com o rosto coberto e sob a ameaça iminente de morte, caso tirasse a máscara.

A história virou uma mistura de verdades e mentiras, principalmente após o romance de Dumas, que foi um verdadeiro sucesso em todo mundo, chegando a ser tema de filme há alguns anos. E o mais estranho é que toda corte e Paris inteira conheciam o fato de um homem misterioso estar sob tutela real na Bastilha, que mais tarde seria palco do primeiro passo da Revolução Francesa.

Confira aqui, neste link, o trailer do filme de 1998, sucesso estrelado por Leonardo DiCaprio.

O fim deste homem foi mais misterioso ainda. Quando morreu, às vésperas da Queda da Bastilha, foi enterrado secretamente sob um nome falso: Eustache Dauger, sob a profissão de camareiro do rei. Com a rebeldia da Revolução Francesa seu corpo sumiu no meio de tantos outros mortos, o que tornou impossível descobrir se ele é realmente pai do “Rei-Sol”.