sábado, 21 de abril de 2012

As profecias de Nostradamus: fatos ou farsas?

Sempre que se remete a profecias políticas, de guerras e até mesmo ao fim do mundo a cultura ocidental costuma trilhar caminhos que levam até a figura de Nostradamus, médico medieval de origem judaica que percorreu a França e a Itália; ficou famoso em sua época pelos livretos com centúrias que faziam previsões obscuras. Há quem diga que seja um fato, outros tantos pensam ser pura farsa.


As tais centúrias são compiladas em dez conjuntos de versos, sendo que cada um possui cem quadras – rimas em quatro linhas. São, portanto, dez centúrias que totalizam 942 quadras. Foram escritas em francês medieval, o que dificulta a sua tradução, principalmente porque o autor fez jogos de palavras e anagramas. Além disso, medievalistas apontam muitas centúrias que chegaram até nós não foram realmente escritas por Nostradamus.

Os textos não seguem uma cronologia; a primeira parte foi publicada em maio de 1555 em livretos de bolso. A segunda parte, em 1557. A terceira e última parte só foi editada e impressa após a morte de Nostradamus e, por isso, tem origem e autoria duvidosas.


De acordo com os historiadores, no período que as centúrias foram publicadas era muito comum a venda de pequenos manuais astrológicos com previsões. É o mesmo período que, justamente na França, o jogo de tarô ficava popular e em um mundo sobrenatural do fim da Idade Média contaminado por demônios, cataclismas e previsões ruins.

Os críticos explicam que Nostradamus não fez nada a não ser brincar com a política da época transcrevendo “previsões” em um jogo mercadológico; uma vez que as pessoas gostavam de manuais de previsão, ele sabia o lucro era certo. Foi por isso que editou com muito sucesso dois volumes e seus conhecidos teriam editado um terceiro.


Na Biblioteca Nacional da França, em Paris, há os exemplares originais das primeiras tiragens dessas centúrias. Bem como há alguns livros editados entre 1600 e 1800 que usam descaradamente o nome de Nostradamus; alguns chegam a afirmar serem centúrias recém-descobertas, à época, o que não é verdade.

O que poucas pessoas que defendem a teoria profética do médico francês não dizem é que nesses manuais, além das centúrias visionárias, Nostradamus também publicava fatos astrológicos, informações variadas e previsões de eclipses. São revistinhas parecidas com aquelas que vemos nas bancas de jornais na virada de um ano para outro, com previsões para o seu signo.

Os céticos apontam que o maior problema é que essas previsões são interpretadas isoladamente e “corretamente” depois que os fatos já aconteceram, nunca antes; em 1999 houve um verdadeiro pandemônio porque seria a data, segundo o autor, que o mundo acabaria... no entanto, cá estamos todos nós.

Pesquisadores da Universidade de Sorbonne desenvolveram uma teoria em que as quadras de Nostradamus se baseavam em fatos históricos anteriores à sua obra e inspiravam as quadras “futuras”; ou seja, para ele a história é cíclica e tudo se repetiria um dia: a queda de uma grande potência, a insurgência de uma guerra etc. Já foram detectados mais de cem fatos que se passaram antes de Nostradamus, em uma arte chamada de “bibliomancia”: prever o futuro a partir de fatos passados.