sábado, 31 de março de 2012

Você já ouviu falar nos Protocolos dos Sábios de Sião? Fato ou farsa?

Já posso adiantar ser uma das maiores farsas antissemíticas da história. Os Protocolos dos Sábios de Sião são uma série de textos surgidos, originalmente em russo, forjados por volta de 1915 pela Okrana – a polícia secreta do czar Nicolau II – e que descrevia uma suposta conspiração dos judeus para “dominarem o mundo”. O texto foi traduzido para dezenas de idiomas e até hoje constitui uma teoria conspiratória – algumas pessoas chegam a acreditar ser verdade o texto, alegando que existe uma outra conspiração tentar refutá-lo.

De acordo com os historiadores, o propósito dos Protocolos era político: reforçar a posição do czar, alegando que seus oponentes faziam parte de uma terrível trama mundial para corromper com as tradições europeias: moral, família, economia, religião etc.


O texto é muito bem construído e tem o formato de uma ata, que teria sido redigida por uma pessoa num congresso realizado a portas fechadas numa assembleia em Basiléia, no ano de 1807, onde um grupo de sábios judeus e maçons teriam se reunido para estruturar um esquema de dominação mundial. Nesse evento, teriam sido formulados planos como os de usar uma nação europeia como exemplo para as demais que ousassem se interpor no caminho dessa dominação, controlar o ouro e as pedras preciosas, criar uma moeda amplamente aceita que estivesse sob seu controle, confundir os “não-escolhidos” com números econômicos e físicos e, principalmente, criar caos e pânico tamanhos que fossem capazes de fazer com que os países criassem uma organização supranacional capaz de interferir em países rebeldes.

Os Protocolos caíram como uma bomba na Europa, principalmente nas comunidades judaicas. Numerosas investigações repetidamente provaram tratar-se de um embuste. De acordo com os especialistas em literatura, muito dali foi plágio do autor Sergei Nilus (foto abaixo), que satirizava a política mundial com ficção. Segundo estas investigações, a base da história dos Protocolos, como circula desde então, foi criada por um novelista alemão antissemita, chamado Hermann Goedsche que usou o pseudônimo de John Retcliffe.


O mais impressionante é que nos Estados Unidos o texto foi publicado amplamente através de uma editora de livros cuja propriedade era de Henry Ford – o grande empresário de carros que era reconhecidamente antissemita. Mesmo após as denúncias de fraude, a editora continuou a imprimir o livro em grande escala. Na Alemanha nazista não foi diferente: Hitler usou os Protocolos como pretexto para justificar o extermínio de judeus.

No Brasil, Gustavo Barroso, advogado, professor, político, contista, folclorista, cronista, ensaísta e romancista brasileiro, diretor do Museu Histórico Nacional, presidente da Academia Brasileira de Letras por duas vezes e membro do movimento nacionalista Ação Integralista Brasileira, publicou pela Editora Civilização Brasileira a primeira tradução em português.


A foto acima mostra uma das várias edições que circularam nos Estados Unidos com enorme sucesso de público.

Encerrando o caso...
Em 1931, Anton Idovsky, um velho e desencantado monarquista, disse ter forjado os Protocolos simplesmente porque um judeu, gerente de um banco, lhe havia recusado um empréstimo. A história teria se encerrado aí, caso, dois anos mais tarde, em 1933, Adolf Hitler não tivesse subido ao poder, na Alemanha, uma vez que foi esta obra que os nazistas utilizaram, perante o meio intelectual alemão, para justificar o extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração. A utilização dos Protocolos dos Sábios de Sião pode ser vista em várias partes do “Minha luta”, o livro de instruções do nazismo.

Podemos dizer que os textos forjados são o complô mais antigo da história contemporânea da humanidade. A farsa se prolongou, ajudou que pessoas subissem ao poder, auxiliou na morte de milhões de pessoas em campos de concentração. O impressionante é vermos que até os dias de hoje alguns indivíduos insistem em afirmar a veracidade deste suposto documento.