quarta-feira, 7 de março de 2012

Um pouco sobre o que foi e o que estudou a alquimia...

Sempre que se mexe com misticismo e Idade Média fala-se em alquimia. Hoje vamos falar um pouco sobre ela, que foi uma arte interessante que acabou fundando uma ciência importantíssima para a humanidade a partir do século 19: a química, que se ramificou também na farmácia. A alquimia não se resumiu somente na Europa, mas em todas as sociedades quando, de modo rudimentar, os povos tentavam misturar elementos químicos na busca de uma outra coisa, como transformar metal comum em ouro.

A alquimia hoje é famosa por procuras consideradas vãs e impossíveis: transformar metais comuns em ouro, a procura do elixir da longevidade, a pedra filosofal, procura de um fogo eterno. Hoje imaginamos que sejam coisas imbecis, mas precisamos entender a mentalidade do ser humano naquela época, quando essa mentalidade era povoada por misticismos.

Ao longo dos séculos, durante a Idade Média, muitos alquimistas foram perseguidos pela Inquisição porque ainda havia um status de bruxaria pela prática de misturar elementos químicos surgindo novos componentes. As pessoas viam com tremenda desconfiança essa prática. As acusações de heresia eram frequentes, o que prejudicaram os estudos; de acordo com especialistas, as práticas protocientíficas ficaram escondidas e os escritos deixados cheios de pegadinhas para despistar ignorantes.



Um pouco de história...
De acordo com estudiosos, “alquimia” vem do árabe “al-khene”, nome dado ao processo de fundição do mercúrio. Sua história é dividida em três: (1) a oriental, desenvolvida por chineses, indianos e coreanos, que culminou na invenção da pólvora, por exemplo; (2) a ocidental, desenvolvida por árabes e europeus durante a Idade Média; (3) a independente, feita pelos povos como incas, egípcios etc.

A alquimia se desenvolveu com grande fervor em duas partes da Europa: na Península Ibérica com a conquista árabe e na Alemanha e França, a partir da cabala dos judeus. Talvez tenha sido por isso que a prática foi tão perseguida pela Igreja, uma vez que estava nas mãos de pessoas fora do domínio cristão e, geralmente, as pessoas tendem a repudiar (ou ter medo) aquilo que não conhecem.



Contribuição à ciência moderna...
A alquimia medieval acabou fundando, com os estudos sobre os metais, as bases da química moderna e da farmácia. Diversas novas substâncias foram descobertas pelos alquimistas, como o arsênico. Eles também deixaram como legado alguns procedimentos que usamos até hoje, como o famoso banho-maria, devido à alquimista Maria, a Judia; a ela atribui-se também a descoberta do ácido clorídrico. Ironia do destino, o desejo dos alquimistas de transmutar os metais tornou-se realidade nos nossos dias com a fissão e fusão nuclear, mas ainda não conseguimos transformar qualquer metal ordinário em ouro.

Outro fato notável foi a colaboração na criação de ligas metálicas e também no processo farmacêutico, quando substâncias eram misturadas para um fim e descobriam novas propriedades até então desconhecidas.

No entanto, até hoje ainda há pessoas que dizem praticar a alquimia através de sites da internet e fóruns. São indivíduos crédulos nos processos que dizem procurar a longevidade ou a pedra filosofal, e que fazem uma verdadeira salada teórica com ordens místicas e até com os cavaleiros templários, que nada têm a ver com essa parte da história.