sábado, 3 de março de 2012

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (1)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Quando se cai de uma grande altura, morre-se antes de atingir o solo...
Em vez de morrer queimado em seu avião em chamas, atingido por um projétil durante o bombardeio de uma cidade alemã em 1944, o sargento Nicholas Alkermade saltou de uma altura de cinco mil metros sem o para-quedas, calculando que sua morte seria rápida e menos sofrida. O resultado? Caiu ileso e consciente. Calcula-se que os últimos metros da queda, a uma velocidade de 190 km/h, foram amortecidos por ramadas de pinheiros, uma vegetação densa e, finalmente, uma fofa camada de neve. Essa experiência (que não foi única na história) mostra que a pessoa não morre enquanto cai. Sempre se pensou que e indivíduo morresse por asfixia por causa da velocidade da queda livre, ou de colapso cardíaco devido ao pânico. Em 1960, nos EUA, aconteceu o mesmo fato ao capitão Joseph Kittinger, que chegou também ao solo são, salvo e consciente.


Gripes e resfriados vêm com o frio...
O resfriado é a doença mais comum da história e está presente em todos os lugares; talvez seja por isso que tenha tantos mitos envoltos. O mais comum é de que a gripe/resfriado seja causada pelo frio; de fato, é uma doença mais comum no inverno, mas se esse mito tivesse fundamento os esquimós estariam constantemente doentes e febris, o que não ocorre. Durante a II Guerra Mundial os prisioneiros de campos de concentração passavam frio e fome quase totalmente nus e não pegavam resfriado até entrarem em contato com alguém doente. Nos anos 80, no Reino Unido, pesquisadores realizaram uma experiência: voluntários tomavam banho quente e depois ficavam nus em um corredor que passava correntes de ar frias ou gélidas; em seguida, andavam debaixo da chuva e calçavam sapatos molhados. Quando isolados, nenhum voluntário pegou gripe. A explicação é que durante os dias frios as pessoas se agrupam em ambientes fechados, o que facilita com que o vírus passe de pessoa para pessoa.


O cabelo e as unhas continuam a crescer depois da morte...
O corpo de Elizabeth Siddal, mulher do pintor e poeta Dante Rossetti, morta em 1862, foi exumado em 1869 em um cemitério londrino. Charles Howell, testemunha ocular, descreveu a impressionante visão do corpo intacto, com uma enorme cabeleira e unhas perfeitas. Foi assim que nasceu esse mito. De acordo os biólogos, os cabelos e unhas não crescem depois da morte – uma vez que necessitam de atividade celular constante para isso; a pele é que se contrai enquanto resseca, o que faz com que pareça este crescimento, enquanto na verdade é o corpo que diminui.

Prego enferrujado pode vir a causar o tétano...
O tétano é uma doença grave causada pelas toxinas produzidas pela bactéria Clostridium tetanum. O mero arranhão de um metal enferrujado não pode causar a doença, pois a ferrugem não é “venenosa”, apenas ferro oxidado por causa da ação do oxigênio do ar sobre ele. Por outro lado, o arranhão causado por qualquer metal sujo por qualquer material pode ser perigoso, uma vez que as bactérias adoram ambientes com materiais orgânicos para se reproduzirem.

Não é bom combinar antibióticos com bebidas alcoólicas...
Esse é um mito existente até hoje, sendo amplamente reproduzido por médicos de todo o mundo. Tudo surgiu no início do século 20, quando foram comercializados os primeiros medicamentos contra sífilis – que naquela época dizimava muitos jovens em plena atividade sexual com prostitutas, sendo a “Aids da época”. Os médicos receitavam os remédios e diziam que não se podia beber álcool, ou a morte viria na certa! Essa foi a saída para evitar que os rapazes fossem se divertir em bares e bordéis, onde iriam beber, ficariam mais alegrinhos e, com certeza, iriam fazer sexo com prostitutas, se recontaminando com sífilis. A ideia deu certo e se perpetuou até hoje. De acordo com os farmacêuticos, o álcool deve ser evitado simplesmente porque sua ação pode potencializar a ação de alguns componentes químicos em algumas fórmulas. Mas só isso, nada mais.