quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A verdadeira história por detrás do Santo Graal...

Talvez o Santo Graal seja a maior lenda criada durante a Idade Média, e que se perpetua através dos séculos por conta de pessoas que creem cegamente na sua veracidade, relembrada com fervor a partir do autor Dan Brown. O Graal seria o cálice usado por Jesus durante a última ceia e, depois, por José de Arimateia para colher o sangue de Cristo na crucificação. Na realidade, o Santo Graal tem origem confusa e história controversa.


1º) São José
Não há nos evangelhos cristãos nenhuma referência a São José durante a morte de Jesus. Quando ele se casou com Maria já era um homem bem idoso, conforme diz a própria Bíblia. Quando Jesus ressuscita e aparece para sua família e seus apóstolos, não há nenhuma menção a José de Arimateia.

2º) Os celtas
A primeira vez que aparece uma menção do Graal é na lenda do Rei Artur. Ele parece ser um caldeirão mágico que dá vigor às pessoas. Acredita-se que essa origem pagã tenha sido o motivo da tentativa de cristianização da lenda, como a descrita acima.

3º) A cristianização de um rei
De acordo com alguns historiadores, Santo Graal vem do francês antigo “sangryal”, ou “sangue real”. Diziam que a dinastia dos reis Merovíngios tinha uma linhagem direta com Jesus Cristo a partir desse cálice usado por esses reis, passado de membro para membro desde aqueles tempos bem antigos. Ok, mas há um problema bem sério: como assim se, teoricamente, Jesus morreu sem deixar descendentes?

4º) Uma lenda pré-cristã
Atualmente já é fato que a lenda do Santo Graal já existia na região da atual Grã-Bretanha pelo menos 150 anos antes do nascimento de Cristo. A tal lenda referia-se a um cálice muito poderoso que dava vários poderes a quem bebesse o líquido que estivesse nele.


A lenda tornou-se popular na Europa no século XIII por meio dos romances de Chrétien de Troyes, particularmente através do livro “Le conte du Graal”, e que conta a busca de Perceval pelo cálice. Mais tarde, o poeta francês Robert de Boron publicou o que se tornou a versão mais popular da história e já tem todos os elementos da lenda como a conhecemos hoje.

Na literatura medieval, a procura do Graal representava a tentativa por parte do cavaleiro de alcançar a perfeição. Em torno dele criou-se um complexo conjunto de histórias relacionadas com o reinado de Artur na Inglaterra. Nas histórias misturam-se elementos cristãos e pagãos relacionados com a cultura celta; isso porque naquela época o cristianismo começava a se tornar popular na Bretanha, comprimindo a cultura celta.


Ao que tudo indica, a história de José com o Santo Graal era tão popular que vários vitrais de catedrais na França representam o padrasto de Jesus como um homem segurando um cálice cravejado de joias. Oficialmente a Igreja Católica acha que tudo não passa de literatura fantástica da Idade Média, um folclore europeu. Teólogos e medievalistas pensam o mesmo.

O fato é que o Santo Graal é um tipo de narrativa popularesca que passou da condição de folclore e adentrou recentemente para o campo das teorias de conspiração, que misturam maçonarias, cavaleiros templários, reis mortos e o auge do poder clerical durante a Idade Média. Dan Brown agradece a quem acredita nesta história, afinal ele continua a vender muitos livros!