sábado, 28 de janeiro de 2012

À procura de Troia!

Heinrich Schliemann tinha apenas oito anos quando o pai lhe ofereceu um presente de Natal que modificou a sua vida e abriu um importante capítulo na história da arqueologia. O presente foi um livro ilustrado contando como teria ocorrido a Guerra de Troia. A partir desse momento, Schliemann cresceu com o objetivo de encontrar as ruínas da antiga cidade e comprovar para o mundo que essa história não era somente mitologia.


Depois de décadas de estudos bem pesados, Schliemann chegou em 1871 à Grécia à procura do que Homero havia descrito como “as ventosas planícies de Troia”. O folclore grego dizia que a tal cidade ficaria onde hoje está Hisarlick; na época, a arqueologia não era tão precisa como atualmente e as ferramentas de trabalho e pesquisa eram bastante rudimentares.

No local indicado pelo folclore, Schliemann e sua equipe começaram a escavar e todos se depararam com ruínas de uma cidade por debaixo de quatro metros de terra. Eram ruas, vielas, casas, um templo e algumas partes de uma muralha.



Em 14 de junho de 1873, sob o sol escaldante do verão mediterrâneo, Schliemann já contabilizava 8.700 objetos retirados daquelas escavações: pulseiras, braceletes, joias variadas, utensílios de cozinha etc. Além de outros 16 mil objetos destruídos, necessitando identificação. Dizem as testemunhas que, neste dia, emocionado, o arqueólogo disse: “Finalmente encontramos o local da Guerra de Troia”.

No entanto, Schliemann trabalhava num erro descoberto algumas décadas mais tarde. Aquela não era Troia, mas sim as ruínas de uma outra cidade antiga. Testes de carbono 14 mostraram que os artigos datavam de 2.300 antes de Cristo, ou seja, mais de 1.500 anos antes de quando a guerra teria acontecido. Abaixo, a foto das ruínas de Hisarlick.



Antes de morrer, Schliemann reconheceu o erro tristemente. Mas seu esforço não foi em vão: além de ter descoberto essa imensa cidade perdida, acendeu mais uma vez a vontade dos pesquisadores de encontrarem o local da Guerra de Troia, caso ela não tenha sido meramente um enredo mitológico que chegou até nós.