sábado, 7 de janeiro de 2012

Em tempos de peste: a doença que mudou o curso da história...

Graças à ganância dos caçadores de peles houve a última grande epidemia de peste bubônica, que em sete meses ceifou a vida de 60 mil pessoas. Tudo aconteceu na Sibéria, em 1910, quando o preço da pele animal em todo mundo subiu mais de 400%, causando uma caçada sem precedentes à marmota no extremo leste da Rússia, na Mongólia e em parte da China.



Segundo o folclore mongol, não se deveria comer a carne de marmotas e castores doentes. Eram animais com alma de caçadores mortos em desgraças; se o bicho estivesse doente com feridas por todo corpo, era sinal de mais uma desgraça naquela miríade de reencarnações. Os mongóis se referiam à peste bubônica.

Em 1910, nos acampamentos siberianos longe de qualquer tipo de recurso, as pulgas das marmotas caçadas não encontravam mais o sangue do hospedeiro e iam encontrar sangue entre os caçadores, que viviam precariamente e amontoados. Rapidamente a peste negra se alastrou entre vilas e pequenas cidades na Manchúria.



Disseminada por aí...
A peste não é habitualmente uma doença humana, mas sim de roedores. Ataca ratos, marmotas, castores, capivaras etc. É transmitida por um micro-organismo mortal através da mordida da pulga. Há duas espécies de peste: a bubônica e pneumônica.

Quando a pessoa é mordida pela pulga, logo aparecem bubões onde o animal mordeu, seguindo de febre e inchaço, finalmente com bubões por todo corpo e coagulação do sangue nas extremidades do corpo (mãos e pés ficam pretos). Uma pessoa infectada pode passar a doença para outra pessoa; nesse caso, por espirro ou tosse, contrai-se a peste pneumônica (os bubões ferem os pulmões) que tem cerca de 90% de mortalidade.

O homem parece lutar na história contra a peste negra. Há registros do ano 3 mil antes de Cristo de uma epidemia na Babilônia. Já no ano 35 da nossa era, um rastro da peste atingiu o Egito, a Ásia Menor, Constantinopla, Grécia e parte da Itália; durante 52 anos, nessa época, ela matou milhões de pessoas em todo o mundo conhecido.

A grande epidemia de peste negra na Europa feudal matou cerca de dois terços da população europeia. Podemos dizer que é uma doença que mudou muito do curso da história através das enormes epidemias, todas causadas pela falta de higiene.


Morte terrível e cruel
Em 1350, cerca de um milhão de pessoas morreram vítimas da peste no norte da Itália. Todos estavam alarmados e a Igreja dizia que a doença era transmitida pelo ar pesado; com isso, as pessoas fechavam as casas em sua imundície, o que facilitava ainda mais a proliferação de ratos e de doentes. Com isso, em cerca de dez dias a pessoa era infectada e morria.

Com o auge da epidemia na Alemanha, o Rio Reno passou a ser usado como cemitério. Mais de 150 corpos eram lançados nele todos os dias, pois os cemitérios já não tinham espaço. Acredita-se que até o século 15 mais de 30 milhões pessoas morreram na Europa vítimas da peste bubônica. De acordo com cálculos de historiadores, houve pelo menos 47 surtos de peste em todo mundo entre 1500 e 1700; Londres teve o último surto em 1665.



O último grande surto europeu
A última vez que a Europa se viu alarmada com a peste negra foi em 1722, em Marselha, na França. Até aquela época nem mesmo os médicos tinham noção de onde a doença vinha, nem como era transmitida. As pessoas usavam cânfora no pescoço para evitar a inalação dos tais odores malditos que contaminavam os seres.

A situação só mudou no final do século 18, quando reformas urbanísticas modificaram o modo de vida dos europeus: casas mais arejadas, sistema de esgoto, água encanada, ruas calçadas, saneamento básico. Mesmo assim, até hoje a peste negra mata mais de 30 mil pessoas todos os anos em todo o mundo.

Durante muitos séculos a doença ficou no nível do místico e do paranormal. As pessoas atribuíam ao sobrenatural tantas mortes em tão pouco tempo. Hoje já temos conhecimento de quem é o nosso principal inimigo e medicamentos fortíssimos foram desenvolvidos.