quinta-feira, 7 de maio de 2015

Fatos, farsas e histórias envolvendo a mediunidade...

Hoje o nosso blog vai trabalhar a questão relativa a um tema muito comum no espiritismo e na parapsicologia, que fascina e ao mesmo tempo assusta várias pessoas: a mediunidade, ou conhecida, ainda, como canalização. Será que este fenômeno psíquico é autêntico? Será que se trata muito apenas a uma sugestão do corpo humano? Qual é a história por trás desse fenômeno espiritual? Envolve somente a religião e os dons do corpo e do espírito? Vamos tentar responder a estas perguntas hoje.


1. Mediunidade, ou canalização, designa a alegada comunicação entre humanos (encarnados) e espíritos (desencarnados); ou a manifestação espiritual via corpo físico que não lhe pertence. Apesar de disseminada pela maioria das sociedades ao longo da história humana, foi a partir do século 19 que a mediunidade começou a ser um objeto de intensa investigação científica.

2. Embora não provada através da ciência, a mediunidade é corroborada por diversas doutrinas e correntes espiritualistas, sendo parte das raízes greco-romanas e judaico-cristãs da sociedade ocidental, bem como dos orientais hinduísmo e budismo tibetano. Assim, em perspectiva espiritualista um espírito que deseja comunicar-se entra em contato com a mente do médium ativo, e, por esse meio, pode se comunicar por várias formas, como oralmente (psicofonia), pela escrita (psicografia), ou ainda se fazendo visível ao médium (vidência).

3. Fenômenos de ordem física incluem levitações (poltergeist), batidas (tiptologia), escrita direta (pneumatografia), voz direta (pneumatofonia), voz eletrônica (electronic voice phenomena) etc. Também há a mediunidade de psicometria, que é muito usada como ajuda para a polícia, consiste em um médium ler impressões e recordações pelo contato com objetos comuns; e a mediunidade de cura, como acontece através do médium João de Deus. Outras formas de comunicação com os espíritos podem ser encontradas em “O livro dos médiuns”, de Allan Kardec.

4. Ressalta-se que embora recorrente em vertentes espiritualistas e grupos sociais, e bem evidente na doutrina espírita, a mediunidade não se encontra estabelecida à luz da ciência, visto a própria existência de espíritos não encontrar-se cientificamente estabelecida perante os rigores do contemporâneo método científico.

5. Enquanto no meio espírita utiliza-se a palavra “médium” para designar o indivíduo que serve de instrumento de comunicação entre os espíritos encarnados e espíritos desencarnados, outras doutrinas e correntes filosóficas utilizam termos como “clarividente”, “intuitivo”, “sensitivo”. No entanto, o significado desses termos pode ser considerado por alguns com o mesmo significado, porém cada um pode ser distinguido como uma faculdade mediúnica diferente.

6. Médium é aquele que serve de elo entre o mundo em que vivem os espíritos (plano espiritual, quarta vertical, quarta dimensão, mundo astral) e o mundo terreno, assim este se abre para que o espírito se utilize dele. Clarividente é aquele que tem capacidade de enxergar o plano espiritual através da “terceira visão”. Intuitivo é aquele que tem capacidade de sentir a cadeia dos acontecimentos e assim prevê-los, bem como o sensitivo que também se adequaria a esta faculdade.

7. Kardec definiu as diversas faculdades mediúnicas, de acordo com o que julgou oportuno. Por isso outras designações que nomeiam a faculdade em outras correntes não são interessantes para o espiritismo, a fim de não trazer ambiguidades para os termos.

8. Os parapsicólogos forenses, também conhecidos como investigadores psíquicos, são médiuns que trabalham em conjunto com a polícia na investigação de crimes de difícil solução (tais como: inexistência de testemunhas, escassez de provas, excesso de suspeitos). O papel desses paranormais consiste basicamente em captar sensações sobre o que aconteceu nos locais dos crimes e passar as informações para que os detetives tomem as devidas providências administrativas, incluindo a detenção de suspeitos para interrogatório.

9. Com o sucesso dos seriados em canais pagos que tratam do tema, as polícias de diversos estados americanos passaram a admitir em público o uso de paranormais em investigações onde a tecnologia mostra-se insuficiente. O “Discovery Channel” elaborou um documentário dividido em vários episódios para tratar desse tema, reportando as atividades de quinze investigadores psíquicos no apoio às polícias de diversos estados americanos. Entretanto, o documentário não apresenta casos onde tal ajuda não resultou em sucesso e vale frisar que a lei americana obriga a polícia a ouvir todos os que dizem saber algo sobre a investigação, incluindo aqueles que se intitulam médiuns ou sensitivos, que voluntariamente se apresentam para ajudar, não fazendo parte do procedimento policial a busca de cartomantes, médiuns, etc. para a solução de crimes.

10. Sally Headding, uma respeitada investigadora psíquica americana, formada em psicologia clínica, aponta que atualmente o principal problema da popularidade dos investigadores psíquicos nos Estados Unidos é o surgimento de uma série de falsos paranormais que se apresentam para ajudar a polícia em casos de grande repercussão. No entanto, segundo as palavras de Sally, os verdadeiros paranormais dificilmente procuram a polícia, ao contrário, são convidados por esta para colaborar nas investigações.


11. Curiosamente, no Brasil, o estado de Pernambuco, seguindo determinação da Constituição Estadual, prevê como obrigação daquele estado e dos seus municípios a prestação de “assistência à pessoa dotada dessa faculdade, [desde que] comprovado por profissionais especializados”. Essa comprovação é justamente um mecanismo para que se tenha certeza de não se tratar de um caso de charlatanismo. O processo de definição pelo estado do que é charlatanismo ou não, não está claro.

12. Textos psicografados por médiuns como Chico Xavier e Jorge José Santa Maria (da Sociedade Beneficente Espírita Amor e Luz, no município de Porto Alegre) já foram incorporados a processos criminais na forma de provas documentais.

13. A pesquisa sobre a mediunidade e sua relação mente-cérebro trouxe importantes contribuições científicas, sendo que muitos cientistas e intelectuais renomados empenharam-se em realizar tais estudos, entre eles: Allan Kardec, Alexander Moreira-Almeida, Alfred Russel Wallace, Alexandre Aksakof, Camille Flammarion, Carl Jung, Cesare Lombroso, Charles Richet, Gabriel Delanne, Frederic Myers, Hans Eysenck, Henri Bergson, Ian Stevenson, J. J. Thomson, J. B. Rhine, James H. Hyslop, Johann K. F. Zöllner, Lord Rayleigh, Marie Curie, Oliver Lodge, Pierre Curie, Pierre Janet, Théodore Flournoy, William Crookes, William James e William McDougall.

14. Entre a segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20 diversos médiuns foram levados por cientistas renomados a realizarem testes que tornaram supostamente plausível a existência de espíritos, por exemplo a médium estadunidense Leonora Piper e a médium britânica Gladys Osborne Leonard, que foram testadas por décadas. Os resultados obtidos com cada uma dessas duas médiuns foram bastante impressionantes para os cientistas que as testaram em profundidade, levando-os às considerarem paranormais autênticas.

15. O neurocientista Núbor Orlando Facure diz que a mediunidade é um fenômeno fisiológico, universal comum a todas as pessoas, e que pode se manifestar de diferentes maneiras. Nos estudos que realiza, busca compreender a relação entre os núcleos de base dos automatismos psicomotores e aqueles que geram o fenômeno da mediunidade. Em entrevista dada à revista “Universo Espírita”, Facure aponta que os neurônios em espelho podem ser os responsáveis pela sintonia que permite sentirmos no lugar do outro. No entanto, Facure também diz que isso são apenas conjecturas e que atualmente não existe comprovação científica de que o fenômeno se dê dessa forma.

16. Em pesquisa realizada por Frederico Leão e Francisco Lotufo, médicos psiquiatras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, constatou-se uma melhora dos aspectos clínicos e comportamentais de 650 pacientes portadores de deficiências mental e múltiplas ao submetê-los a um tratamento espiritual realizado através de reuniões mediúnicas. Como resultado do estudo, os autores sugerem a aplicação do modelo de prática das comunicações mediúnicas como terapias complementares.

17. Outra importante pesquisa foi realizada pelo psiquiatra e parapsicólogo Alexander Moreira-Almeida, que no dia 22 de fevereiro de 2005, defendeu a tese “Fenomenologia das experiências mediúnicas: perfil e psicopatologia de médiuns espíritas”, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, da Faculdade de Medicina da USP. A tese pretendeu traçar um perfil de saúde mental de 115 médiuns espíritas (escolhidos aleatoriamente), na qual foram testados e entrevistados com apurados instrumentos da psiquiatria. Na conclusão do trabalho, Almeida diz que “os médiuns estudados evidenciaram alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos menores e razoável adequação social. A mediunidade provavelmente se constitui numa vivência diferente do transtorno de identidade dissociativa. A maioria teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e estas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias, que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia”.

18. Desta forma, constatou-se que os médiuns estudados apresentaram boa saúde mental, apesar dos sintomas de visões ou interferências de pensamentos alheios, que não são sintomas de loucura, mas outro tipo de vivência, chamada pelos espíritas de mediunidade.

19. O psiquiatra da Universidade da Virginia Ian Stevenson, junto a outros cientistas, publicou pesquisa científica descrevendo um notório caso que classificaram como “possessão”, relatando que quando no transe, a paciente fornecia não apenas evidência de conhecimento, mas também complexo conjunto de comportamento e habilidades característicos de Shiva, uma mulher desconhecida da paciente e seus parentes que viveu a uma centena de quilômetros de distância e havia morrido recentemente. Através da “possessão”, foram apresentadas vinte e três pessoas conhecidas de Shiva, além de uma variedade de comportamentos compatíveis com a personalidade da falecida, tais como modo de vestir, esnobismo de casta, senso de humor e maior fluência literária.

20. O programa de pesquisa VERITAS, que é realizado no Laboratório de Pesquisas Avançadas da Consciência e Saúde – pertencente ao Departamento de Psicologia da Universidade do Arizona – foi criado principalmente para analisar a hipótese da sobrevivência da consciência após a morte do corpo humano. Tal programa é dirigido pelo Dr. Gary Schwartz e já resultou na publicação de vários artigos científicos e livros que segundo Schwartz e seus colegas de pesquisa, fornecem evidências de que a comunicação entre seres humanos e espíritos realmente existe.


21. Em uma pesquisa científica feita em 2008 nos Estados Unidos por cientistas da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal de Goiás, da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Thomas Jefferson, usando recursos da neurociência moderna foram medidas as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros saudáveis, enquanto psicografavam. Os cientistas constataram que durante os transes psicográficos, as áreas menos ativadas no cérebro dos médiuns foram as que são as mais ativadas enquanto qualquer pessoa escreve em estado normal de vigília (ou seja, as áreas relacionadas ao raciocínio, ao planejamento e à criatividade), sendo que os textos psicografados resultaram mais complexos que os produzidos em estado normal de vigília.

22. Como a pesquisa registra, nos textos psicografados os médiuns produziram mensagens espelhadas – escritas de trás para frente –, redigiram em línguas que não dominavam bem, descreveram corretamente ancestrais dos cientistas que os próprios cientistas diziam desconhecer, entre outras coisas. Para tais cientistas, os resultados da pesquisa são compatíveis com a hipótese que os médiuns defendem – a de que autoria dos textos psicografados não seria deles, mas sim dos espíritos comunicantes.

23. Em artigo publicado na revista científica “Neuroendocrinology Letters” em 2013, cientistas compararam conhecimento médico recente com doze obras psicografadas pelo médium Chico Xavier atribuídas ao espírito André Luiz e identificaram nelas diversas informações corretas altamente complexas sobre a fisiologia da glândula pineal e que só puderam ser confirmadas cientificamente cerca de 60 anos após a publicação das obras.

24. Apesar de todos os estudos citados, a posição científica atualmente estabelecida é a de que não há – em acordo com os rigores do método científico – fatos estabelecidos que suportem de forma inequívoca a existência de espíritos – e por tal da mediunidade espírita. Os termos ciência e científicos que figuram junto aos estudos dos espíritos são por tal empregados em sentido lato – onde pressupõe que as fronteiras que separam os conhecimentos científico e não científico não são precisamente delineadas – e não em senso estrito – que vigora atualmente no meio acadêmico-científico e que define-se por meio de fronteira muito bem estabelecida.

25. Além das polêmicas que envolvem a ciência, há polêmicas em torno da mediunidade baseadas nos argumentos apresentados por outras religiões cristãs, dizendo-se que a Bíblia condena a prática da necromancia (que difere da mediunidade) em Deuteronômio 18.

26. Esse argumento encontra contradição no próprio fato de que já foram psicografados muitos textos com ensinamentos de acordo com os de Jesus. Para a doutrina espírita, a Bíblia não condena a prática mediúnica, pois esta seria um fenômeno natural.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Considerações sobre a psicocinese/telecinese: fato ou farsa?!

Dentro da pauta de pesquisas e assuntos do espiritismo, do ocultismo e da parapsicologia, a psicocinese (que significa “movimento mental”) ou telecinese (significando “movimento à distância”) descreveria o suposto fenômeno ou capacidade de uma pessoa movimentar, manipular ou abalar um sistema físico sem interação física, apenas usando a mente. O termo “psicocinese” foi criado em 1914, pelo autor estadunidense Henry Holt, e popularizado pelo parapsicólogo estadunidense J.B. Rhine nos anos 30. Já o termo “telecinese” foi criado em 1890, pelo parapsicólogo russo Alexandre Aksakof.

A telecinese e psicocinese são consideradas por vários cientistas céticos como uma tremenda fraude. Já outros pesquisadores, especialmente aqueles ligados à parapsicologia, as consideram bastante autêntica.


Evidências da existência da telecinese/psicocinese...
Apesar dos relatos de sucesso em estudos sobre os supostos fenômenos, não há suporte do método científico às alegações de psicocinese e de telecinese. O consenso científico é que as suas ocorrências contrariariam inúmeras das leis naturais da física (termodinâmica), química (teoria atômica) e biologia (evolução). Além disso, há inúmeros relatos de fraudes científicas e outros enganos nos chamados estudos parapsicológicos.

Um dos mais famosos casos de psicocinese supostamente real foi a dona de casa russa Nina Kulagina, que durante algumas décadas foi estudada e testada por dezenas de cientistas (incluindo dois laureados com o Prêmio Nobel), sendo que muitos dos cientistas concluíram que ela realmente possuía psicocinese. Além dessa capacidade paranormal, ela supostamente também possuiria clarividência. Segundo estudos feitos com Kulagina pelo fisiologista Genady Sergeyev, a pulsação da russa chegava a 240 bpm durante a realização da psicocinese. Em 1990, ela morreu por infarto cardíaco fulminante, o que muitos acreditam ter sido causado pelas exigências físicas de suas capacidades paranormais.

Um outro caso é o da médium polonesa Stanislawa Tomczyk, que alegava que o espírito “Little Stasia” era capaz de realizar psicocinese através dela. É notória a fotografia em que ela aparece supostamente realizando telecinese em uma tesoura, ao lado do psicólogo Julian Ochorowicz.

Em 1991, o Nobel em Física Brian David Josephson e o físico Fotini Pallikara-Viras publicaram o artigo “Biological utilization of quantum nonlocality” na revista “Foundations of Physics”, propondo que as explicações para a psicocinese a telepatia podem ser encontradas na física quântica. Carl Sagan incluiu a psicocinese em uma longa lista de “produtos típicos da pseudociência e da superstição”, afirmando que “seria tolice” aceitar qualquer afirmação paranormal “sem evidências adequadas”. O Prêmio Nobel Richard Feynman defendeu uma posição similar à de Sagan.


Estudos realizados pelos soviéticos...
Durante o período da Guerra Fria (1945-1991), os soviéticos parecem ter sido os mais interessados em pesquisas relacionadas ao estudo da telecinese e da psicocinese. Nas décadas de 1950 até 1970, várias universidades espalhadas pelo território da União Soviética mantiveram programas militares secretos muito importantes que trabalhavam a parapsicologia, como a clarividência e a possível capacidade das pessoas em movimentar objetos à distância através do poder da mente. De acordo com os teóricos da conspiração, o objetivo maior era criar uma superelite de espiões que pudessem atuar na Alemanha, no Reino Unido e, principalmente, nos Estados Unidos a fim de lerem as mentes dos cidadãos. Esses estudos consumiram bilhões de dólares ao longo do tempo e não chegaram a lugar algum, mas depois da abertura política (“glasnost”) promovida por Mikhail Gorbatchev, muitos vídeos de experiências incríveis chegaram às mãos de especialistas de todo mundo.

sábado, 2 de maio de 2015

Fatos, farsas e demais curiosidades sobre o Apocalipse, o livro mais temido da Bíblia...

No post de hoje, vamos falar um pouco de um assunto teológico bastante controverso: o livro do Apocalipse, por vezes conhecido como o livro da Revelação e, ainda, Apocalipse de São João. Trata-se do último livro do cânon bíblico; controverso porque, de acordo com o Cristianismo, ele falaria sobre os sinais do fim dos tempos, quando Cristo estaria para retornar e, assim, iniciar o período de guerra crucial entre o bem e o mal, quando haverá o Juízo Final.


A palavra “apocalipse” tem origem no grego “apokálypsis”, significando “revelação”, “descoberta”. Assim, um apocalipse, nas teologias judaica e cristã, seria a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus. Por extensão, passou-se a designar de “apocalipse” aos relatos escritos dessas revelações. Devido ao fato de, na maioria das bíblias em língua portuguesa se usar o título “Apocalipse” e não “Revelação”, até o significado da palavra ficou obscuro, sendo às vezes usado como sinônimo de “fim do mundo”.

O título do livro pode sugerir “a grande revelação de Jesus Cristo”, sendo a ideia básica de que os eventos descritos no livro foram revelados a Jesus Cristo, e este mostrou a seus servos, há mais de dois mil anos ou mais de 20 séculos atrás, as coisas que aconteceriam, teoricamente, em breve. De acordo com os historiadores da religião, São João, o escritor do livro, não é seu autor, apenas o escriba, que escreveu o livro ditado pelo autor, Jesus. Por duas vezes, João relata que o conteúdo do livro foi revelado através de anjos.

Neste livro da Bíblia, conta-se que antes da batalha final, os exércitos se reúnem na planície abaixo de “Har Meggido” (a Colina de Meggido, um lugar no meio do deserto em Israel). Entretanto, a tradução foi mal feita e “Har Meggido” foi erroneamente traduzido para Armagedom, fazendo os exércitos se reunirem na planície antes do Armagedom, a batalha final.


Autoria e questões de interpretação do livro...
Exegetas católicos e protestantes atribuem a sua autoria a São João, o mesmo autor do Evangelho de São João, conforme o descrito no próprio livro do Apocalipse, em seu início: “Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: ‘O que vês, escreves-o num livro, e envias-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia’”.

Entretanto, existem correntes que acreditam que o João mencionado no versículo acima (referido como “João de Patmos”) é outro indivíduo, diferente do apóstolo João. De acordo com Clarence Larkin, o fato do estilo deste livro ser totalmente diferente das epístolas de São João é porque o autor do livro é Jesus Cristo, sendo João apenas seu escriba. Portanto, para alguns teólogos de renome, o Apocalipse seria mais um Evangelho, mas com revelações assustadoras e perturbadoras mostradas por Jesus Cristo, em reunião com seu ministério mais próximo.

Para os cristãos, o livro possui a previsão dos últimos acontecimentos antes, durante e depois do retorno de Cristo a este mundo. A interpretação, feita por protestantes e católicos, é dividida em três grupos: preterista (as revelações já ocorreram, e falam de eventos do tempo de Jesus como homem na terra), historicista (a ocorrência das revelações já começou desde os tempos de Jesus, e se dá com o passar da própria história seguindo para um futuro distante e incerto) e futurista (tais revelações deste livro só ocorrerão num futuro, mesmo sendo este muito distante, tenebroso, medonho e indeterminado).


A literatura apocalíptica tem uma importância considerável na história da tradição judaico-cristã-islâmica, ao veicular crenças como a ressurreição dos mortos, o dia do Juízo Final, o céu, o inferno e outras que são ali referidas de forma mais ou menos explícita. Mesmo assim, vale ressaltar que os judeus não têm o Novo Testamento em suas respectivas Bíblias, portanto eles não creem nas palavras de São João; apenas acreditam que haverá, sim, um dia em que um Messias virá (não sendo este Jesus) para, finalmente, confrontar todos os males colocando um fim à própria história.

Teologia amilenista...
Uma vez que o livro é escrito em linguagem simbólica, profética, dá margem a inúmeras interpretações pelos diversos segmentos cristãos. A teologia amilenista traz em seu bojo a interpretação não-literal, isto é, as imagens que aparecem no livro significam algo, e, por isso, entende que o Milênio não será formado de mil anos literais, mas um período de tempo indeterminado (3 anos e meio, um tempo, dois tempos e metade de um tempo, 42 meses e 1.260 dias são sinônimos e representam inexatidão de tempo). Neste tempo inexato, os povos serão chamados para servir Cristo e os que o seguirem serão marcados para a salvação.

Assim, já estamos no Milênio e, a Grande Tribulação ainda está por vir, apesar de os salvos já viverem a tribulação dentro de um mundo corrupto e mau. A Grande Tribulação está sendo implantada à medida que a era da pregação do Evangelho (Milênio) termina. No final do Milênio aparecerá o Anticristo (que trará a Grande Tribulação) e será eliminado pela Palavra do Senhor, isto é, Jesus Cristo. O fim é descrito com o aprisionamento definitivo da besta, do falso profeta, de Satanás e de seus demônios no lago de fogo e enxofre. Segue-se a isso o Juízo Final e o destino eterno dos salvos – a Nova Jerusalém.


Teologia pré-milenista...
A teologia pré-milenista (significando que Jesus viria antes do Milênio), traz em seu bojo a interpretação literal das imagens/figuras e, por este modo, entende que os sete anos da Grande Tribulação, onde após o arrebatamento da igreja, a Terra passaria por três anos e meio de paz. Tal marca, diz o profeta, seria posta na testa ou na mão das pessoas e haveria três anos e meio de grande aflição. Após esse período, ocorreria o início do Milênio (onde a igreja reinaria com Cristo na Terra). Terminado o Milênio, dar-se-ia início ao Juízo final, onde o Messias reinaria definitivamente, lançando Satanás e seus anjos (demônios) no lago de fogo.

Neste livro o autor discorre sobre as consequências do acatamento ou não dos apelos do Novo Testamento (“voltem-se para Deus”; “arrependam-se de seus pecados”) dividindo então os santos (aqueles que se converteram a Deus, por meio da fé em Jesus Cristo) e os que se negaram a viver com Ele.

Voltando ao assunto...
O sinal ou marca da besta é alvo de diversas interpretações. Existem aqueles que dizem que o sinal será literalmente posto na mão direita ou na testa, e acusam o Verichip de ser esse sinal. Outros preferem uma visão mais simbólica e interpretam que o sinal da besta na mão direita ou na testa significaria respectivamente atitudes e pensamentos segundo as intenções da besta, e contrários a Deus. Um exemplo de tal interpretação tem os adventistas, que creem que se pode identificar o sinal da besta identificando qual o sinal contrário, isto é, o “sinal de Deus”, que eles creem ser a observância do sábado. Neste caso, para eles, a marca da besta seria a observância do domingo, reconhecido como dia do Senhor tanto por católicos como por protestantes.

Porém correntes atuais ponderam que o sinal da besta nada mais é que algo compreensível, que quem recebê-lo saberá exatamente o que está fazendo, pois a expressão “é número de Homem” remete a algo comum, notório para todos, pois até mesmo pessoas iletradas reconhecem números com facilidade, ao contrário da corrente que há alguns anos acusava o código de barras e agora o Verichip. Existe também a possibilidade de ser um número bem no centro da testa escrito “666”.

Visão espíritualista do Apocalipse...
Segundo a visão espírita-cristã acerca do Apocalipse, São João Evangelista, sob a orientação do Alto, deixa registrada para a posteridade uma carta em forma de revelação profética; uma revelação autêntica sobre o futuro próximo a aquela época, e os tempos do fim. As mensagens e revelações contêm linguagem figurativa, que sugere as realidades espirituais em torno e por trás da experiência histórica. Evidências encontradas no próprio texto, indicariam que o Apocalipse fora escrito durante período de extrema perseguição aos cristãos, provavelmente no período compreendido entre o reinado de Nero, em julho de 64 d.C., e a destruição de Jerusalém, em setembro de 70 d.C., como relata Santo Estêvão.

A mensagem central do Apocalipse é que já reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso. O objetivo da mensagem apocalíptica era fornecer estímulo pastoral aos cristãos perseguidos, confortando, desafiando e proclamando a esperança cristã garantida e certa, além de ratificar a certeza de que, em Cristo, eles compartilhavam o método soberano de Deus. Por meio da espiritualidade em todas suas manifestações, haveriam de alcançar a superação total das forças de oposição à nova ordem que se estabelecia, pois que essa constituía a vontade do Altíssimo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Você já ouviu falar no Mar do Diabo, ou no Triângulo do Dragão?! Conheça no post de hoje!

Hoje vamos falar sobre um ponto curioso no planeta; pouco conhecido do público no Ocidente, mas extremamente temido pelos povos do extremo Oriente desde tempos medievais. Trata-se do Mar do Diabo (o nome já pode assustar os mais crédulos, esperando a história que o post contém), mas também conhecido popularmente como “Triângulo do Dragão” e “Triângulo das Bermudas do Pacífico”.


O chamado Mar do Diabo (Triângulo do Dragão) é uma região do Oceano Pacífico ao redor da Ilha Miyake, cerca de cem quilômetros ao sul da Baía de Tóquio, no Japão. De acordo com os crédulos, um dos lados do triângulo pode estar na Ilha de Guam. Apesar de o nome ser usado popularmente no Japão, na China, na Rússia e nas duas Coreias, não aparece nas cartas náuticas de nenhuma parte do mundo (as histórias envolvendo esta parte do mundo não são muito conhecidas no Ocidente).

Junto com o mito envolvendo o Triângulo das Bermudas (tema já abordado por este blog há algum tempo), os orientais creem que no Mar do Diabo (Triângulo do Dragão) também ocorram eventos inexplicáveis, ufológicos, paranormais, parapsicológicos e de natureza duvidosa. Há muito sensacionalismo envolvendo esta parte do mundo, e japoneses, chineses e coreanos acreditam que, nesta parte do globo terrestre, aviões e barcos perdem o destino e simplesmente desaparecem.


De acordo com os geógrafos que já trabalharam no mito do Mar do Diabo (Triângulo do Dragão), ao contrário de muitas declarações, nem lá no Pacífico nem o Triângulo das Bermudas estão localizados na linha agônica, onde o norte magnético se iguala ao norte geográfico. A declinação magnética nesta área é de cerca de cinco graus. O que realmente existe é que, curiosamente, o Triângulo das Bermudas situa-se diretamente na mesma linha de latitude do Mar do Diabo (Triângulo do Dragão), 35 graus, levando muitos pesquisadores a acreditar que possa existir um “buraco de minhoca”, um tipo de túnel que poderia ligar o Triângulo das Bermudas com o Triângulo do Dragão, dando a entender que um dos dois triângulos serve como buraco negro e o outro como um buraco branco.



Entre os fenômenos reportados no local do Mar do Diabo (Triângulo do Dragão) estão: perdas de barcos, desaparecimentos de aviões (em número maior até que os casos relatados nas Bermudas), avistamentos de supostos navios-fantasmas, barcos piratas, objetos submarinos não-identificados (OSNI’s), discos voadores, perdas de memória, enjoos repentinos, perdas de intervalos de tempo etc. De acordo com os céticos, os casos relatados estão ligados aos excessos de superstição nas culturas do Japão, da China e das duas Coreias.

Opinião de Charles Berlitz...
O escritor de ficção norte-americano Charles Berlitz escreveu um livro chamado “O Triângulo do Dragão”, publicado originalmente em 1989. Segundo ele, o local aparece como uma zona perigosa nos mapas japoneses desde os tempos feudais. Também afirma que, nos anos de paz entre 1952 e 1954, o Japão perdeu cinco embarcações militares com um total de tripulação desaparecida que supera 700 pessoas. O governo japonês, a fim de saber o motivo da perda de barcos e pessoas, financiou uma embarcação de investigação tripulada com mais de cem cientistas para estudar o Mar do Diabo. Depois, a embarcação desapareceu com todos os cientistas, e o Japão declarou a área como zona perigosa.

No entanto, apesar de as histórias publicadas no livro, muitas delas são pura ficção que os franceses chamam de “intoxicação da informação”. Ou seja, factoides de informações envolvendo espaço e tempo sem anacronismo, fazendo tais ficções parecerem com verdade, levando à confusão das pessoas. Haja vista que em nenhum mapa japonês há esse alerta de que aquela zona seja perigosa.

Reputação...
Segundo a investigação de Larry Küsche, essas “embarcações militares” eram embarcações de pesca, e alguns deles se perderam fora do Mar do Diabo, tão longe como perto de Iwo Jima (cerca de mil quilômetros ao sul do Japão). Também assinala que, naquela época, a cada ano se perdiam centenas de barcos de pesca ao redor do Japão.

A embarcação japonesa de investigação que Berlitz mencionou, chamada “Kaiyo Maru 5”, com uma tripulação de 31 pessoas a bordo (não cem como dizem), foi destruída por uma erupção em 24 de setembro de 1952, em uma missão de investigação sobre a atividade de um vulcão submarino, o Myojinsho, a uns 300 quilômetros ao sul do Mar do Diabo. Alguns restos foram recuperados.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Epopeia de Gilgamesh: a gênese do mito bíblico de Noé?! Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar um pouco sobre um dos mais antigos, mais estudados, mais controversos e mais ricos mitos de toda a história da Humanidade. Trata-se da Epopeia mesopotâmica de Gilgamesh: controvertida porque se assemelha em toda sua narrativa à história de Noé, descrita na Bíblia judaico-cristã. No entanto, o heroísmo de Gilgamesh foi descrito pelos mesopotâmios setecentos anos antes que Noé aparecesse no primeiro livro bíblico, do Gênesis. Muitos fundamentalistas cristãos dizem que a história envolvendo Gilgamesh é uma cópia de Noé, datada pelos cientistas para que as pessoas desacreditassem na Bíblia, o “livro das verdades”.


A Epopeia de Gilgamesh é um antigo poema épico (contando aventuras) da região da Mesopotâmia (onde hoje se situam o Iraque e o Kuwait), sendo uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Crê-se que sua origem seja vinda de diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-rei Gilgamesh, que foram compilados e reunidos num só livro no século 7 a.C. pelo Rei Assusbanípal. Antes disso, esse mítico herói era lembrado nas rodas de contos orais pelos mais velhos, transmitidos para os mais jovens, desde pelo menos 1700 a.C.

Gilgamesh (imagem abaixo) tinha tanta importância para a cultura suméria que ganhou dois títulos: “Aquele que viu as profundezas” (por conta de uma narrativa em que ele vai até o inferno e voltara vivo) e “Aquele que se eleva sobre todos os reis da terra” (por causa da sua incrível inteligência e esperteza). De acordo com alguns arqueólogos, Gilgamesh provavelmente foi um monarca do fim do segundo período dinástico inicial da Suméria, por volta do século 26 a.C.


Toda epopeia gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro de todas as horas, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses como um equivalente de Gilgamesh, para que o distraísse e evitasse que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar os deuses; primeiro vão às Montanhas do Cedro, onde derrotam Humbaba, seu monstruoso guardião, e depois matam o Touro dos Céus, que a deusa Ishtar havia mandado para punir Gilgamesh por não ceder às suas investidas amorosas.

A parte final do épico é centrada na reação de transtorno de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca pela imortalidade. Gilgamesh intenta uma longa e perigosa jornada para descobrir o segredo da vida eterna e vem a consultar Utnapishtim, o herói imortal. Depois de ouvir Gilgamesh, o sábio proclama: “A vida que você procura nunca encontrará. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse”. Gilgamesh, no entanto, foi celebrado posteriormente pelas construções que realizou, e por ter trazido de volta o conhecimento perdido de diversos cultos para Uruk, após seu encontro com Utnapishtim. A história é conhecida por todo o mundo, em diversas traduções, e seu protagonista, Gilgamesh, se tornou um ícone da cultura popular.

Em algumas traduções da história, Gilgamesh pode ser confundido por outro herói sumério que o Judaísmo “tomou emprestado” para a Bíblia: Utnapishtim, o primeiro homem da terra, criado pela deusa Ishtar para viver com sua companheira, sem pecado, num jardim maravilhoso, até terem comido a fruta do pecado. Esse épico entrou para a Bíblia cristã como sendo a história da criação do mundo, e a vinda à terra de Adão e Eva.

A história que envolve “Noé”...
Gilgamesh (ou Utnapishtim, dependendo da consulta da fonte), na sua busca por sabedoria, fica a par de que os deuses estavam desgostosos com a humanidade, e concederam a vida a Gilgamesh e sua família, desde que construíssem uma enorme arca para abrigar as espécies de animais e plantas, pois a terra seria varrida por um aguaceiro sem precedentes.

Segundo o épico, o nosso herói sumério fez tudo o que foi ordenado. O aguaceiro veio, ele protegeu as plantas e os casais de animais. Depois de sete dias navegando sem destino por um mar sem fim, um deus avisou-lhe que era hora de procurar por terra firme e repovoar a terra. Assim, com sua inteligência, Gilgamesh soltou um corvo que não retornou (sinal que ele encontrara terra firme, encontrando carniça dos mortos da enchente devastadora para comer).


A semelhança com o conto bíblico é incrível. De acordo com os antropólogos, teólogos revisionistas e historiadores, os judeus ouviram muito dessa história enquanto estiveram convivendo com mesopotâmios no Cativeiro da Babilônia; desta forma, agregaram para si a história do dilúvio vencida por Gilgamesh (ou Utnapishtim). Muitos teólogos conservadores afirmam que as datas estão erradas, e não há comprovação que este mito tenha sido originado séculos antes do fato verdadeiro vivido por Noé; o objetivo deles é não diminuir os fatos bíblicos nem a grandiosidade de Deus, por isso a Epopeia de Gilgamesh ainda encontra muitos críticos vorazes.

Voltando ao mito...
Seu registro mais completo provém de uma tábua de argila escrita em língua acádia do século 8 a.C. pertencente ao Rei Assurbanípal, tendo sido no entanto encontradas tábuas com excertos que datam do século 20 a.C., sendo assim o mais antigo texto literário conhecido, e seria o equivalente mesopotâmico de Noé. A primeira tradução moderna foi realizada na década de 1860 pelo estudioso inglês George Smith.

Esse registro, herdado por tradição oral dos tempos pré-históricos, de acordo com algumas teorias, terá tido a sua origem no final da última era glacial. Outras teorias dizem que foi um tombamento do eixo planetário, causado ou pela gravidade de um meteoro que passou perto da terra durante a época ou pela inversão do polo magnético da terra que acontece de tempos em tempos.

Versões de fragmentos atuais desenterrados pela arqueologia atestam, entre outras histórias, a lenda de dois seres que se amaram, Isa e Ani, geraram uma filha, Be. Porém Ani esteve na floresta de Humbaba procurando por Isa, e dizem que por algum motivo nunca mais se viram. As inscrições em cuneiforme (principalmente o assírio) atestam que ele nunca desistiu de procurar Isa, e este casal é o fundador do amor mesopotâmico.

sábado, 25 de abril de 2015

Ator de pegadinha russa morre durante gravação na rua: fato ou farsa?!

Nos últimos anos há uma “corrente” na internet que divulga o que seria uma pegadinha mortal divulgada pela televisão russa, em 1995. Nessa pegadinha, o rapaz, ator da rede de televisão, se esconde numa caixa de correio e termina morto por vários tiros dados por um valentão que não gostou da brincadeira. Isso causou pavor e revolta de várias pessoas da internet. Veja a pegadinha no vídeo abaixo:




Assustador, não?! Mas na verdade, essa pegadinha é uma farsa muito bem elaborada por uma equipe de publicidade. Essa pegadinha está cortada. Tratava-se de uma campanha publicitária de uma operadora de seguros da Rússia. O ator valentão aparece em várias outras pegadinhas, sempre terminando da mesma forma: sacando o revólver e atirando em todo mundo.

A mensagem da campanha é simples: como a Rússia é um país extremamente violento, o objetivo era que as pessoas se protegessem de todos os tipos de má sorte, inclusive no caso de um valentão no meio da rua. Veja os outros vídeos da campanha de publicidade:







Interessante, não?!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Efeito lunar: teoria de fato, ou uma farsa com toque folclórico?!

O chamado “efeito lunar” é uma teoria pseudocientífica que se sobrepõe em sociologia, psicologia e fisiologia, sugerindo que há correlação entre as fases específicas do ciclo lunar na Terra e o comportamento divergente em seres humanos. Os créditos de uma correlação de fases lunares para o comportamento humano não se sustentam sob o escrutínio científico. Ao longo dos últimos 30 anos, ainda mais evidência surgiram para sublinhar que isto é uma pseudociência.


A ideia por trás do efeito lunar tem fascinado muitos estudiosos do comportamento e justificam muitas experiências e estudos. A maioria dos experimentos, no entanto, não encontrou nenhuma correlação entre as variáveis e, portanto, refutaram a hipótese.

Talvez os mais famosos mitos decorrentes desta teoria é a lenda do lobisomem; de acordo com a lenda, durante a lua cheia, o ser humano que tem raiva – doença – torna-se um ser horrível, metade homem, metade lobo/cachorro com comportamentos animalescos.


Acredita-se que, durante a lua cheia, aumentem o número de crimes violentos, o índice de homicídios, acidentes de trânsito, de suicídios e das internações nos hospícios, licantropia, vampirismo, lobisomens, alcoolismo, sonambulismo, epilepsia, entre outros. A lua cheia também é relacionada à fertilidade por isso atribuem-se que mais mulheres dão à luz na lua cheia. Uma teoria afirma que a lua tem uma relação percebida com a fertilidade é devido ao ciclo menstrual humano que corresponde em média 28 dias.

No meio rural, muitos agricultores consultam a Lua antes de plantar ou podar, pois acreditam que as colheitas são mais abundantes se as sementes forem plantadas nas fases certas da Lua; também consultam a Lua antes de podar plantas, colher frutos, fertilizar o solo, cortar madeira, realizar a pesca etc. Já nos salões de beleza e cabeleireiros muitos fazem o mesmo na hora de cortar o cabelo.

De acordo com os astrônomos mais renomados e que estudam a Lua, seu poder gravitacional é muito pequeno em relação ao poder gravitacional do Sol, por exemplo. Segundo eles, o máximo que pode ocorrer é o efeito lunar sobre as marés, causando maré alta e maré baixa.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Considerações importantes sobre o chamado “Efeito ideomotor”...

Efeito ideomotor” é o nome dado à influência da sugestão sobre movimentos corporais involuntários e inconscientes. O fenômeno foi originalmente descrito pelo naturalista britânico William Benjamin Carpenter em 1852, em um artigo sobre radiestesia. Porém, o químico francês Michel Chevreul havia se deparado com a mesma ideia já em 1808.


O experimento de Chevreul...
Em 1808, um químico chamado Gerboin, de Estrasburgo, escreveu um livro sobre a utilização de pêndulos para realizar análises químicas. O método consistia em manter um pequeno anel de metal seguro por um cordão delgado sobre uma placa inscrita com as letras do alfabeto. O anel supostamente se moveria em direção às letras da substância a ser examinada, da mesma forma em que hoje o tabuleiro ouija responde às perguntas de participantes das sessões.

Michel se espantou com os resultados dos testes com o novo método, a princípio surpreendentes, mas manteve-se cético. Inicialmente, ele utilizou o pêndulo sobre uma placa de mercúrio e observou que o pêndulo continuava funcionando. Em uma segunda etapa, percebeu que quando o mercúrio era coberto por uma placa de vidro, o anel de metal diminuía seu movimento até parar. Finalmente, repetiu a primeira experiência com os olhos vendados, pedindo a um assistente para colocar e retirar a placa de vidro sem que ele soubesse. O resultado foi que o anel não se movia, não importando se havia ou não a placa de vidro. Como conclusão para o experimento, Michel escreveu: “Enquanto eu acreditava que o movimento era possível, ele aconteceu; mas depois de descobrir suas causas eu não conseguia mais reproduzi-lo”. De acordo com ele, seus experimentos mostram como é fácil “ver ilusões como verdades, sempre que somos confrontados com fenômenos em que os sentidos humanos estão envolvidos em situações mal analisadas”.

O experimento de Michael Faraday...
O físico inglês Michael Faraday envolveu-se em um amplamente divulgado experimento envolvendo as mesas girantes em 1853. Neste fenômeno, pessoas se sentavam em torno de uma mesa redonda com as mãos sobre ela, e, depois de algum tempo, a mesa inclinava-se sobre uma de suas pernas, chegando a mover-se pela sala. Segundo os espíritas, os movimentos são causados por espíritos desencarnados.

Faraday convidou algumas pessoas que considerava sérias e que haviam participado com sucesso de sessões com a mesa girante. Ele preparou a mesa cobrindo-a com uma pilha de folhas, presas por um elástico. As folhas se moviam facilmente, de forma que ficava possível identificar a origem dos movimentos. Assim, Faraday queria isolar a origem do movimento: a mesa ou as mãos dos participantes.

Segundo Faraday, se a mesa fosse a origem dos movimentos e se movesse da direita para a esquerda, as folhas formariam uma escada subindo da esquerda para a direita, já que a folha em contato com a mesa seria a primeira a se mover. As outras folhas, devido ao atrito com as inferiores, também se moveriam, mas seriam retardadas pelo atrito com as mãos dos participantes do experimento.

Como o físico esperava, o que aconteceu foi o contrário: se a mesa se movia para a esquerda, as folhas formavam uma escada para a esquerda e vice-versa, supostamente denunciando que o movimento partia das mãos dos participantes.


O experimento de Ray Hyman...
O professor de psicologia Ray Hyman, da Universidade do Oregon, realizou em 1992 um experimento com a finalidade de demonstrar como funciona o efeito ideomotor. Primeiramente, explicou a um grupo de alunos o funcionamento das varinhas de radiestesia. Então, andou pela sala, fazendo com que as varinhas se encontrassem em um lugar arbitrário. Depois, pediu para os alunos repetirem a experiência, dizendo que naquele local provavelmente se encontrava uma tubulação de água: quase todos sentiram uma força incomum que fazia com que as varinhas se cruzassem naquele mesmo local. Então, repetiu exatamente a mesma experiência para outro grupo, mas fazendo as varinhas se cruzarem em outro ponto arbitrário. O resultado foi que as varinhas dos alunos se cruzaram também no ponto em que eles acreditavam que elas se cruzariam.

Voltando ao assunto do efeito ideomotor...
Céticos e cientistas utilizam as demonstrações do efeito ideomotor para explicar fenômenos como os tabuleiros ouija, as mesas girantes e vários fenômenos relacionados à radiestesia. O famoso debunker americano James Randi oferece um prêmio de um milhão de dólares a quem provar habilidades paranormais; no rol dos participantes, a grande maioria é de radiestesistas; os experimentos para provar as habilidades dos candidatos são baseados nas ideias dos cientistas que estudaram o efeito ideomotor. Porém, o efeito ideomotor se manifesta em ocasiões de rotina, como quando, durante uma partida de futebol, “chutamos a poltrona quando o atacante hesita diante do gol” ou quando “procuramos o pedal do freio a cada manobra arriscada do amigo que está no volante”.


Críticas...
Espiritualistas e até mesmo alguns cientistas não consideram o efeito ideomotor suficiente para explicar muitos fenômenos parapsicológicos. A Associação de Radiestesia do Canadá afirma que o efeito radiestésico é provocado pela intuição de quem segura as varinhas, que funcionariam como antenas, aumentando a percepção humana. Outras explicações envolvem anomalias magnéticas ou elétricas, em que a condutividade da pele é um fator predominante.

Alfred Russel Wallace, cofundador da teoria da evolução com Charles Darwin, acreditava que os experimentos de Faraday com as mesas girantes não eram suficientes para explicar o fenômeno. Ele participou de várias sessões das mesas girantes e observou que “há um poder obscuro revelado pelos corpos das pessoas, quando se coloca as mãos sobre uma mesa e nos conectamos através dela”. Wallace também disse ter presenciado situações em que as mesas levitaram durante algumas sessões.

George P. Hansen, em um artigo acadêmico para o “Journal of the Society for Psychical Research”, fez uma compilação de vários experimentos envolvendo a radiestesia. O resultado a que chegou foi inconclusivo, devido a muitas fraudes e experimentos mal conduzidos e mal documentados.

sábado, 18 de abril de 2015

Teorias conspiratórias envolvendo a morte do Papa João Paulo I: fato ou farsa?!

O Papa João Paulo I (foto abaixo) morreu em setembro de 1978, pouco tempo depois de completar um mês de sua eleição para o papado. A superbrevidade de seu pontificado e as contradições, erros e imprecisões na versão do Vaticano sobre esta suscitam até hoje especulações a respeito de que ele teria sido vítima de uma conspiração. Apesar da falta de provas e conclusões, há muita fantasia na hipótese de que o Papa tenha sido envenenado durante a noite.


A fundamentação da teoria de conspiração...
O Vaticano afirma que o Papa João Paulo I morreu de um ataque cardíaco em sua cama, e que a autópsia não foi realizada devido à oposição de alguns membros da família. Alguns aspectos desta declaração oficial, no entanto, foram mais tarde contrariados: não foi o irlandês John Magee (então bispo), que foi secretário pessoal dos papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, a primeira pessoa a encontrar o cadáver do Papa, mas sim uma das freiras que cuidavam de afazeres domésticos, como foi conhecido em 1988; a família do falecido papa, em 1991, revelou que não faleceu em sua cama, mas em seu escritório; e, além disso, teria sido feito uma autópsia, de acordo com outros relatórios. Estas inconsistências oficiais, juntamente com outros fatores de desenvolvimento econômico, têm dado origem a teorias conspiratórias que apontam para um envenenamento do pontífice.

Um dos inúmeros boatos surgidos após a morte de João Paulo I diz que seu pontificado entrara em choque com ideias e interesses da Opus Dei. Sua saída repentina do cenário daria espaço a setores da Igreja ligados à Cúria Romana mais empenhados em combater as tendências socialistas então emergentes no clero em vários países. Alguns especuladores reforçaram a tese com a eleição de João Paulo II, um pontífice conservador em relação a diversas questões, como contracepção e política. De fato, o ainda bispo Luciani desejara ao menos uma revisão das posições tradicionais da Igreja católica sobre estes temas, consultando-se com especialistas em reprodução humana e com filósofos e pensadores de distintas religiões – provocando o chamado ecumenismo.

Existem também algumas teses que defendem que os negócios pouco claros entre o Banco Ambrosiano e o Banco do Vaticano foram o motivo do seu assassinato perpetrado pela alta hierarquia da Igreja em cumplicidade com a máfia ligada ao Banco Ambrosiano e as irmandades secretas maçônicas, já que o objetivo deste Papa seria a denúncia de crimes econômicos e tencionando começar esse desafio pessoal dentro da Igreja.

Alguns teóricos da conspiração ligam a morte de João Paulo (em setembro de 1978) com a imagem do “bispo vestido de branco”, dito ter sido visto por Lúcia Santos e os seus primos Jacinta Marto e Francisco Marto, durante as visitas de Nossa Senhora de Fátima em 1917 . Em uma carta a um colega, João Paulo disse que ele estava profundamente comovido por ter encontrado com Lúcia e prometeu realizar a Consagração na Rússia.


O livro de David Yallop...
O jornalista britânico David Yallop publicou em 1984, após longa pesquisa, a obra “Em nome de Deus”, na qual oferece pistas sobre uma possível conspiração para matar João Paulo I. Ao dar-se crédito às fontes de Yallop (que incluem inúmeros clérigos e habitantes da cidade do Vaticano), João Paulo I esboçara, no início de seu breve pontificado, uma investigação sobre supostos esquemas de corrupção no Banco do Vaticano, que possuía muitas ações do Banco Ambrosiano.

O Banco do Vaticano perdeu cerca de um quarto de bilhão de dólares. Logo após eleger-se Papa, ele ficara a par de inúmeras irregularidades no Banco Ambrosiano, então comandado por Roberto Calvi, conhecido pela alcunha de “Banqueiro de Deus” por suas íntimas relações com o Vaticano. Esta corrupção foi real e é conhecida por ter envolvido o chefe do Banco do Vaticano, Paul Marcinkus, juntamente com Calvi. Calvi era um membro da “P2”, uma loja maçônica italiana ilegal. Ele foi encontrado enforcado numa ponte em Londres, depois de ter desaparecido antes da corrupção se tornar pública. Sua morte foi inicialmente dada como suicídio, e um segundo inquérito – ordenado por sua família –, em seguida, retornou a um “veredicto aberto”.


Entre os envolvidos no esquema estaria o então secretário de Estado do Vaticano e Camerlengo, Jean Villot, o mafioso siciliano Michele Sindona, o cardeal de Chicago John Cody e o bispo Paul Marcinkus, então presidente do Banco do Vaticano. As nebulosas movimentações financeiras destes não passaram despercebidas pelo “Papa Sorriso”. Também são citados supostos membros da loja maçônica “P2”, como Licio Gelli (deve-se ressaltar que pertencer a essa comunidade secreta sempre foi e ainda é considerado motivo de excomunhão pela Igreja católica).

A Cúria Romana como um todo teria rechaçado o perfil humilde e reformista de João Paulo I. Diversos episódios no livro corroborariam essa tendência: o “Papa Sorriso” sempre repudiou dogmas, ostentação, luxo e formalidades; para ficar num exemplo, ele detestava a sedia gestatória, a liteira papal (argumentando que, por mais que fosse o líder espiritual de quase mil milhões de católicos, não se sentia importante a ponto de ser carregado nos ombros de pessoas). Após muita insistência curial, ele passou a usá-la.

Yallop cita a digitalina (veneno extraído da planta com o mesmo nome) como a droga usada para pôr fim ao pontificado de João Paulo I. Essa toxina demora algumas horas para fazer efeito; Yallop defende que uma dose mínima de digitalina, acrescentada à comida ou à bebida do Papa, passaria despercebida e seria suficiente para levar ao óbito. E para o autor de “Em nome de Deus”, teria sido muito fácil, para alguém que conhecesse os acessos à cidade do Vaticano, penetrar nos aposentos papais e cometer um crime dessa natureza. Outras obras de investigação também lançam a teoria de envenenamento: o livro “El día de la cuenta”, do sacerdote espanhol Jesús López Sáez, pressume que o Papa foi envenenado com uma forte dose de um vasodilatador. Sem se deter na morte de João Paulo I, Yallop ainda insinuou que João Paulo II seria conivente com todas as irregularidades detectadas no pontificado de seu breve antecessor.


O livro de John Cornwell...
As teorias defendidas por Yallop foram parcialmente refutadas pelo escritor John Cornwell, também britânico, em seu livro “A thief in the night”. Em diversos tópicos, como o horário e a causa da morte do Papa, Cornwell contesta as afirmações e provas de Yallop e oferece sua versão, mantendo o debate aberto. Os que defendem as teses expostas em “Em Nome de Deus” afirmam que Cornwell seria ligado a personalidades influentes da Cúria Romana, embora apontem como ocorrências incomuns a estranheza da maneira como se deu o rápido embalsamamento do papa, as notícias contraditórias sobre quem encontrou o corpo e o fato de João Paulo I não ter sido devidamente atendido por médicos através de procedimentos para a prevenção de sua morte e a corrupção que envolvia Marcinkus.

A visão de Abbé Georges de Nantes...
O teólogo tradicionalista Abbé Georges de Nantes passou grande parte de sua vida construindo um caso de assassinato contra o Vaticano, coletando depoimentos de pessoas que conheceram o Papa, antes e após a sua eleição. Seus escritos entram em detalhes sobre os bancos e sobre a suposta descoberta de João Paulo I de alguns sacerdotes maçons no Vaticano, juntamente com uma série de suas propostas de reformas e devoção a Fátima.


Suposta previsão de Nostradamus...
Em sua obra “Centúrias”, o profeta francês do século 16 Nostradamus teria previsto a morte de um Papa em circunstâncias muito semelhantes às de um suposto assassinato de João Paulo I (profecia relatada na Centúria 10, Quadra 12), embora não estejam específicas outras circunstâncias, como nome e época: “O Papa eleito será traído por seus eleitores, / Esta pessoa prudente será reduzida ao silêncio. / Eles o matarão porque ele era muito bondoso, / Atacados pelo medo, eles conduzirão sua morte à noite”.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Explicando os fatos e as farsas envolvendo os supostos ectoplasmas...

O termo “ectoplasma” – de origem do grego “ektós”, “por fora”; e “plasmá”, “substância que sai” – foi introduzido na parapsicologia por Charles Richet a fim de designar uma espécie de substância esbranquiçada, muito curiosa, que pode exteriorizar-se para fora do corpo de determinados médiuns, mais frequentemente pela boca, mas que pode sair por qualquer parte do corpo. É também supostamente sensível a determinados impulsos, se exterioriza visível a partir do corpo de determinados indivíduos com características especiais (sensitivos, por exemplo), permitindo a materialização de formas de corpos humanos distintos daquele de onde saiu ou de formas de membros tais como mãos, rostos e bustos. Apesar de existirem muitos registros de atividade ectoplásmica, incluindo vasto material fotográfico, sua existência, até o momento, não foi comprovada pelo método científico.


O ectoplasma é alegadamente uma substância fluídica, de aparência diáfana, sutil, que flui do corpo de um médium apto a produzir fenômenos físicos, principalmente a materialização. O pesquisador Ernesto Bozzano relata em seu livro, “Pensamento e vontade”, que a substância ectoplásmica já era bem conhecida pelos alquimistas do século 17, como Paracelso, que a denominou “mysterium magnum”, e Thomas Vaughan, que a definiu por “matéria prima”. Também o polímata Emanuel Swedenborg, grande espiritualista do século 18, realizou experimentos com a substância sem empregar o termo “ectoplasma”, registrou sobre “uma espécie de vapor que lhe saía de todos os poros, um vapor d’água assaz visível, que descia até roçar no tapete”.

O criador do termo, Richet, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1913, por ter descoberto a anafilaxia, uma espécie de reação alérgica, dedicou-se a trabalhos espíritas com o intuito de descrever experiências sobre os fenômenos de materialização produzidos por Eva Carrière e alguns outros médiuns famosos do início do século 20.

O psiquiatra italiano Enrico Imoda produziu o livro “Fotografias de fantasmas”, com prefácio de Richet. Nesse livro, Imoda mostra uma teoria elaborada a partir das experiências de ideoplastia, onde propôs três formas para o ectoplasma: a invisível, a fluídica-visível e a concreta. Posteriormente, o psiquiatra francês Gustave Geley, primeiro diretor do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris, alegou nas sessões de materializações que o ectoplasma, ainda na forma invisível, girava em torno das pessoas antes da produção dos fenômenos.


O professor Geley afirmava que, nestas sessões, que realizou na Europa e nos Estados Unidos junto a outros cientistas, espíritos, ou “operadores” como Geley os chamavam, agiam sobre o cérebro do médium para provocar a emanação do ectoplasma, que ia se acumulando até que fosse empregado por esses mesmos espíritos para produzir diversos tipos de fenômenos mediúnicos de efeito físico, tais como a materialização e o poltergeist. Infelizmente esses trabalhos realizados no fim do século 19 e início do século 20 ocorreram sem o uso concreto do método científico e até hoje a existência do ectoplasma não foi provada por meio de tal método.

O ectoplasma é descrito como um fenômeno natural mediúnico que produz uma substância etérea (semimaterial) com a propriedade ou possibilidade de adensar-se até ficar ao alcance dos cinco sentidos humanos, tornando-se visível, tangível e, ainda, sob o influxo da vontade dos espíritos, moldável, assumindo a forma e algumas características de objetos ou seres orgânicos, inclusive corpos humanos completos. As pesquisas científicas em relação ao ectoplasma foram feitas em proporção relativamente grande até a década de 1920.


O ectoplasma seria uma substância fria e úmida. Às vezes de consistência um pouco viscosa e no geral inodora. Aqui estão listados alguns relatos de sua composição hipotética: (1) o pesquisador James Black teria pesquisado a química do ectoplasma chegando até mesmo a postular a fórmula molecular: C120H1184N218S5O249; (2) Albert von Schrenck-Notzing teria citado que o ectoplasma se constitui por restos de tecido epitelial e gorduras; (3) Dombrowsky alegou ter encontrado, além disso, matéria derivada de albumina e células orgânicas sem amiláceos e açúcares; (4) Júlia Alexandre Bisson e Liebdyinski teriam verificado ao microscópio também leucócitos, minerais e células semelhantes as de bactérias; (5) o médico psiquiatra Luciano Munari, no entanto, suspeita que o ectoplasma propriamente dito teria sido contaminado pelas substâncias citadas, uma vez que deixam o corpo do médium. Exames bioquímicos teriam confirmado a presença de proteínas, aminoácidos, lipídios, minerais e água em abundância.

terça-feira, 14 de abril de 2015

E se os árabes tivessem invadido toda a Europa? História alternativa...

Do século 7 d.C. até o século 15 d.C., a Península Ibérica viveu a chamada “Invasão dos mouros” – nos livros de história dos países muçulmanos, esse episódio da história é conhecido como “Conquista europeia” –, quando a expansão da fé islâmica chegou ao seu ápice em um enorme império que ia desde a Pérsia até a fronteira com a França. Desta forma, por mais de 800 anos, Portugal e Espanha foram controlados por califas islamitas que pregavam a tolerância religiosa, trazendo uma atividade cultural e científica muito forte e a convivência em relativa paz entre cristãos, judeus e muçulmanos.

Essa influência muçulmana na cultura ibérica fez com que o idioma árabe se tornasse o segundo mais influente nas línguas espanhola e portuguesa. Palavras como: xadrez, sorvete, xilindró, azulejo, elefante, azul, álcool, alquimia etc. fossem agregadas ao nosso costume vocabulário. Herança destes 800 anos de convivência.


A incrível história da batalha de Poitiers...
Com a marcha praticamente invencível dos muçulmanos e seus califas sobre a Península Ibérica nos séculos 7 e 8 depois de Cristo, ficou iminente que eles queriam mais – muito mais! E, assim, partiram para a tentativa de conquista da França, em 732. Entretanto, os exércitos francófonos empreenderam grandes estratégias para “segurar” o inimigo oriental através da sangrenta e histórica batalha de Poitiers.

De acordo com os historiadores medievalistas, foi esse conflito, vencido pelos cristãos, que evitou uma expansão descomunal dos muçulmanos por toda Europa, deixando um legado ainda maior e mais impressionante em outras culturas e outros idiomas no centro do continente europeu. A partir deste conflito, os califas ibéricos deixaram de tentar uma expansão maior sobre a França e a Itália.


E se os muçulmanos tivessem tomado Poitiers?
Muitas pessoas acreditam, erroneamente, que a cultura islâmica no período medieval tivesse sido atrasada. Pelo contrário: a Europa cristã estava atrasadíssima frente aos estudiosos árabes, que no século 13 já usavam óculos de graus, conheciam os clássicos filósofos gregos, não eram carolas religiosos e ignorantes, acreditavam na esfericidade do planeta Terra, já tinham conhecimento dos números hindu-arábicos como os conhecemos atualmente e tinham a noção do zero na matemática, além da álgebra, da geometria e da trigonometria.

Desta forma, já podemos adiantar que, de acordo com os historiadores, a Europa não poderia ficar pior do que já estava naquele período medieval, pois o cristão medievo estava afundado num mundo extremamente religioso, obscuro, analfabetizado, rural etc. desde que o mundo romano ocidental caiu aos pedaços, ruindo no século 5 d.C. Enquanto isso, no mundo dos califas, era imprescindível saber ler e escrever, as pessoas eram incentivadas a estudar e o comércio florescia junto com a urbanização.


De acordo com os historiadores, se os muçulmanos ibéricos tivessem vencido a batalha travada em Poitiers, na França, eles não encontrariam nenhuma dificuldade em avançar pela Europa Central, uma vez que não havia, ali, nenhum reino forte o suficiente com um exército nacional já formado, a não ser o próprio exército franco que barrou o avanço no território francês. No entanto, como estamos falando de história alternativa, um novo campo de estudos, muitas suposições ficam no ar como condicionais – o “e se tivesse sido diferente”.

Os medievalistas mais “animados” dizem que, muito provavelmente, o Cristianismo seria uma religião pequena e distante porque a expansão do Islamismo com sua “jihad” era esmagadora frente à contraofensiva católica. Além disso, muito provavelmente, o alfabeto latino seria letra morta nos dias atuais: os alfabetos grego e árabe poderiam ser os mais usados (imagine você aprendendo alemão dentro de uma cultura muçulmana, seguindo o Islamismo como religião familiar). A história alternativa é tão complexa que faz com que pensemos ainda mais longe: se os califas tivessem implantado os califados europeus, como seriam as colonizações do continente americano?!


A incerteza nos faz terminar este post com uma série enorme de perguntas – todas elas iniciadas com “E se...”. Mas sabemos que, com certeza, a presença islamita na Península Ibérica foi muito importante até mesmo para as Grandes Navegações, pois a ciência dos árabes ajudou, e muito, portugueses e espanhóis a se lançarem ao mar e chegarem até os confins da América, da África, da Ásia e da Oceania, desbravando territórios, mas, infelizmente, a um preço extremamente caro: com matanças de populações nativas, conversões forçadas e exploração da mão de obra local e africana.

sábado, 11 de abril de 2015

A história do boato envolvendo o “Tourist guy”: fato ou farsa?!

Logo depois do pior atentado terrorista da história, contra os Estados Unidos, ocorrido em 11 de setembro de 2001, que ocasionou na derrubada das torres do World Trade Center, em Nova York, surgiram vários boatos e teorias da conspiração envolvendo até mesmo o nome do governo norte-americano como suposto comandante desta barbárie contra a sociedade civil. Recentemente, aqui no blog, falamos sobre as teorias conspiratórias envolvendo este atentado terrorista em outro post – que vale a pena ser conferido.


O mais interessante é surgiu uma foto (imagem abaixo) do momento iminente do atentado terrorista em Nova York contra a primeira das Torres Gêmeas. Essa imagem se espalhou pelo mundo e chegou a aparecer em telejornais de vários países como a iminência de uma grande tragédia, de uma pessoa supostamente sem nome – mais um dos mais de três mil “anônimos” que perderam suas vidas neste atentado terrorista.


O rapaz da imagem passou a ser conhecido como “Tourist guy”, ou “Tourist of death”, e comprovou-se ser uma lenda urbana surgida na internet logo após os ataques de 11 de setembro. Investigadores de boatos na internet identificaram que a foto havia sido tirada em 1999, e o rapaz da foto, que não quis se expor, se chamava Waldo e estava vivo, estando a centenas quilômetros de distância de Nova York no dia dos atentados.

O “Tourist guy” é um turista que supostamente teria sido fotografado no alto de uma das torres do World Trade Center alguns segundos antes do ataque terrorista. A fotografia, produto de uma montagem simples em programas de edição de imagem, circulou primeiramente através de e-mails e depois foi reproduzida em diversos sites.

Um dos pontos principais que ajudou a desvendar a farsa está na própria roupa de Waldo. Ele está todo encasacado, numa foto tirada durante o inverno. Entretanto, o dia 11 de setembro de 2001 fazia calor em Nova York já nas primeiras horas da manhã e a estação do ano era o verão.

A foto do “turista da morte” circulou tanto que acabou se tornando um dos primeiros memes da internet: sua imagem passou a aparecer em montagens de outros eventos catastróficos da história, como batalhas da Segunda Guerra Mundial, a iminência da explosão das bombas atômicas no Japão, a queda do Muro de Berlim etc.

A história do “Tourist guy” serviu para que muitas pessoas abrissem os olhos e entendessem que a internet pode trazer informação de primeira linha, em primeira mão, mas nem sempre algumas informações são totalmente fidedignas e confiáveis.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fatos, farsas e curiosidades sobre duendes, gnomos, elfos e goblins...

No post de hoje vamos falar sobre as criaturas míticas europeias mais comentadas nos círculos de RPG e contos de fadas. Vamos abordar as curiosidades, origens, fatos e farsas sobre os duendes, os gnomos, os elfos e os goblins. São criaturas que parecem ser as mesmas coisas, mas, na verdade, cada um tem sua particularidade e sua história mítica por trás de muitos folclores.

Quase tudo sobre os duendes...
Duendes são personagens da mitologia europeia, nomeadamente na península ibérica (presentes em folclores espanhóis, franceses, bascos e portugueses), semelhantes a fadas e goblins. Embora suas características variem um pouco, são análogos aos brownies escoceses, aos nisses dinamarqueses e noruegueses e aos irlandeses cluricauns e leprechauns. A palavra é usualmente considerada equivalente à palavra inglesa “Sprite”, ou à palavra japonesa “Youkai”, e é usada indiscriminadamente como um termo guarda-chuva para abrigar todas as criaturas semelhantes como goblins, elfos, gnomos etc.


Alguns mitos dizem que duendes tomam conta de um pote de ouro no final do arco-íris; caso capturado, o duende poderia comprar sua liberdade com esse ouro. Outras lendas dizem que para enganar os homens, ele fabrica uma substância parecida com ouro, que desaparece algum tempo depois. Neste caso são chamados leprechauns na Irlanda. Na cultura atual, geralmente os duendes são representados por seres verdes, dos quais o símbolo é o trevo, relacionado à boa sorte. Geralmente as histórias infantis trazem tais relatos. Contudo, é temerário ter uma visualização estritamente romântica e lúdica de seres que são considerados como seres inferiores.

Em Portugal e na Espanha geralmente são descritos como tendo entre 15 e 30 centímetros de altura, tendo como característica notável a cabeça em formato cônico (muitas vezes independentemente de possuir chapéu), personalidade extremamente volátil e atributos encantados como a capacidade de atravessar paredes, mudar de forma e cor, e alta velocidade. São criaturas que não guardam qualquer receio com o ambiente urbano e, curiosamente, há muitos relatos de aparições em construções inacabadas. Gostam de espreitar pelos cantos, observando os habitantes da casa e pregando-lhes peças, como o sumiço de objetos, abertura de portas, produção de ruídos, dentre outras perturbações – nem sempre sendo amigos, capazes até de matar animais de estimação.


Apesar de muitos acreditarem que são seres amigáveis, há relatos de diversas aparições ameaçadoras, inclusive com o emprego de violência. Nestas ocasiões os relatos são quase que unânimes em descrever que tais seres surgem de repente, em situações normais do cotidiano (enquanto crianças brincam em construções, pessoas observam árvores no quintal, embaixo de camas, dentro de guarda-roupas etc.) portando pequenas facas, dando gargalhadas em tom de sarcasmo e deboche para com a testemunha, acuando-a e sumindo de repente. Estranho o fato de não ser possível identificar uma motivação para tais atitudes – por isso talvez que se diga que a personalidade destes seres é volátil. Estranho também que muitas narrativas descrevem este ser como possuindo o pequeno rosto como que dilacerado, arranhado. Outros acreditam que os duendes que ficam localizados em um jardim ou floresta compõem talentos para a ajuda da natureza, se autodividindo, enquanto os que não têm uma habitação tendem a sair a fazer travessuras com os humanos.

Um pouco sobre os elfos...
Elfo é uma criatura mística das mitologias nórdica e céltica, que aparece com frequência na literatura medieval europeia. São descritos como seres belos e luminosos, ou ainda seres semi-divinos, mágicos, semelhantes à imagem literária das fadas ou das ninfas. De fato, a palavra “Sol” na língua nórdica era “Alfrothul”, ou seja: o “Raio Élfico”; dizia-se que por isso seus raios seriam fatais a elfos escuros e anões.

Eram divindades menores da natureza e da fertilidade. Os elfos são geralmente mostrados como jovens de grande beleza vivendo entre as florestas, sob a terra, em fontes e outros lugares naturais. Foram retratados como seres sensíveis, de longa vida ou imortalidade, com poderes mágicos, grande ligação com a natureza e geralmente considerados como ótimos arqueiros,sua precisão com arco e flecha era impressionante.


As mais antigas descrições de elfos vêm da mitologia nórdica. Eram chamados “Álfar”, de singular “Álfr”. Outros seres com nome etimologicamente relacionados a “Álfar” sugerem que a crença em elfos não se restringe aos escandinavos, abrangendo todas as tribos germânicas. Essas criaturas aparecem em muitos lugares. Curiosamente, Shakespeare as imaginava como seres pequeninos, porém a mitologia original os descrevem como sábios, poucos centímetros menores do que a média humana (entre 1m70m), eram belos e supostamente imortais.

Literalmente, os elfos são gênios que, na mitologia escandinava, simboliza o ar, a terra, o fogo e água. No poema “Völundarkviða”, o herói ferreiro Völundr foi chamado “governante dos elfos”. Na saga de Thidrek, uma rainha humana descobre que o amante que a engravidou é um elfo e não um homem e depois dá à luz o herói Högni.

Na saga de Hrolf Kraki, um rei chamado Helgi estupra e engravida uma elfa vestida de seda que era a mulher mais bela que jamais vira. A elfa dá a luz à meio-elfa Skuld, muito capaz em feitiçaria e quase invencível em batalha. Quando seus guerreiros caíam, ela os fazia erguerem-se de novo para continuar a luta. A única forma de derrotá-la era capturá-la antes que pudesse convocar seus exércitos, que incluíam guerreiros elfos. Skuld casou-se com Hjörvard, que matou Hrólfr Kraki. Também o Heimskringla e na saga de Thorstein, o filho do viking, relatos de uma linhagem de reis locais que governaram Álfheim, correspondente à atual província sueca de Bohuslän, cujos naturais desde então teriam sangue élfico e tinham a reputação de serem mais belos que a maioria dos humanos. O primeiro rei se chamou Alf (elfo) e o último, Gandalf (Elfo do Bastão, inspiração para o Gandalf tolkieniano).


Os elfos são também descritos como semideuses associados à fertilidade e ao culto dos ancestrais, como os daimones gregos. Como espíritos, os elfos podem atravessar portas e paredes como se fossem fantasmas.

O mitógrafo e historiador islandês Snorri Sturluson referiu-se aos anões como “elfos da escuridão”, ou “elfos negros”, e referiu-se aos outros elfos como “elfos da luz”, o que frequentemente foi associado com a conexão dos elfos com Freyr, o deus nórdico do Sol. Na poesia e nas sagas nórdicas, os elfos são ligados aos Æsir pela frase muito comum “Æsir e os elfos”, que presumivelmente significa “todos os deuses”. Alguns eruditos comparam os elfos aos Vanir (deuses da fertilidade). Mas no “Alvíssmál” (“Os ditos do conhecedor de tudo”), os elfos são considerados diferentes tanto dos Vanir quanto dos Æsir, como mostra uma série de nomes comparativos na qual são dadas as versões dos Æsir, dos Vanir e dos elfos para diferentes palavras, refletindo as preferências de cada categoria.

É possível que haja uma distinção de estatuto entre os grandes deuses da fertilidade (os Vanir) e pequenos deuses (os elfos). “Grímnismál” relata que Frey (um dos Vanir) era o senhor de Álfheimr. O “Lokasenna” diz que um grande grupo de Æsir e elfos reuniu-se na corte de Ægir para um banquete. Menciona vários poderes menores, servos dos deuses como Byggvir e Beyla, pertencentes a Freyr, o senhor dos elfos, que eram provavelmente elfos, pois não são contados entre os deuses. Dois outros servos mencionados são Fimafeng (morto por Loki) e Eldir.

Um poema composto por volta de 1020, o “Austrfaravísur” (“Versos da jornada para o leste”), Sigvat Thordarson diz que, por ser cristão, recusou-se a entrar em um lar pagão, na Suécia, porque um álfablót (“sacrifício aos elfos”) estava em curso. Provavelmente, tal sacrifício envolvia uma oferenda de alimentos. Da época do ano (próxima do equinócio de outono) e da associação dos elfos com fertilidade e ancestrais, pode-se supor que isso estava relacionado com o culto dos ancestrais e da força vital da família.


A saga de Kormák, por sua vez, relata como um sacrifício aos elfos podia curar um ferimento de guerra. Considerando a tradição inglesa, a palavra “elf” do inglês moderno vem do inglês antigo “ælf”. Originalmente, referia-se aos elfos da mitologia nórdica, mas também as ninfas dos mitos gregos e romanos foram traduzidas pelos monges anglo-saxões como “ælf” e suas variantes.

A maioria dos elfos mencionada em baladas medievais inglesas é do sexo masculino e frequentemente de caráter sinistro, inclinados ao estupro e assassinato, como o Elf-Knight que rapta a rainha Isabel. A única elfa mencionada com frequência é a rainha dos elfos, ou da Elfland. Já nos contos populares do início da Idade Moderna, os elfos são descritos como entidades pequenas, esquivas e travessas, que aborrecem os humanos ou interferem em seus assuntos. Às vezes, são consideradas invisíveis. Nessa tradição, os elfos se tornaram sinônimos das “fadas” originadas da antiga mitologia céltica.

Quase tudo sobre os gnomos...
Um gnomo, muitas vezes confundido com um duende, é uma criatura mitológica, incluída entre os seres elementais da terra. São costumeiramente representados como pequenos humanoides que vivem sob a terra, em minas ou em ocos de troncos de árvores, onde guardam seus tesouros. O mais antigo texto que se conhece mencionando este ser é o “Liber de nymphis, sylphis, pygmaeis et salamandris et de caeteris spiritibus”, escrito pelo alquimista Paracelso no século 16. Na sua classificação dos espíritos elementais, Paracelso divide-os em quatro tipos: as salamandras (do fogo), as ondinas (da água), os silfos (do ar) e os gnomos (da terra).


O nome, segundo alguns autores, pode vir do latim medieval “gnomos”, originado do grego clássico “gnosis” (“conhecer”). Outra teoria é de que o nome venha do grego “genomas” (“terrestre”). Em 1583, a palavra “gnome” passou a figurar nos dicionários franceses, com o significado de “pequenos gênios deformados que habitam a Terra”.

Um pouco sobre os goblins...
Goblins são criaturas geralmente verdes que se assemelham a duendes. Fazem parte do folclore nórdico, nas lendas eles vivem fazendo brincadeiras de mau gosto. O termo “goblin” origina-se do francês antigo “gobelin”, evoluído do latim medieval “gobelinus”, que parece estar relacionado a “cobalus”, do grego “kóbalos”: “enganador” ou “desonesto”. Os goblins são normalmente associados ao mal. Diz-se que são feios e assustadores, fazem feitiçarias, estragam a comida, travam guerras contra os gnomos. Os jogos de RPG normalmente incluem goblins em sua galeria de seres.


Em algumas mitologias os goblins possuem grande força. Normalmente por serem seres de pouca inteligência e hábitos selvagens, moram em cavernas ou pequenas cabanas construídas com paus e peles de animais. Sua grande capacidade de sobrevivência os faz seres presentes em quase qualquer ambiente, sendo possível serem encontrados em montanhas, pântanos, desertos, pedreiras, florestas ou cidades. Vivem em bando, com uma comunidade precária semelhante a uma sociedade de homens primitivos. Dentre seus armamentos se encontra a clava, o machado de pedra, a zarabatana, além de pequenas lanças e pedras.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Considerações, curiosidades, fatos e farsas sobre o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia dos Namorados e o Dia das Crianças...

Quando falamos de datas especiais no calendário ocidental, logo nos lembramos dos bons tempos de infância, quando tudo era mais simples. Hoje em dia, já adultos, observamos algumas vezes como essas datas são comerciais e movimentam milhões e mais milhões em quantidades vultuosas de dinheiro investido em presentes para aqueles que amamos. Hoje vamos falar um pouco sobre as particularidades, curiosidades, fatos e farsas sobre importantes datas: o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia dos Namorados e o Dia das Crianças.


A origem do Dia das Mães...
A mais antiga comemoração dos Dias das Mães é mitológica. Na Grécia Antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a mãe dos deuses. Tratava-se de uma festividade derivada do costume de adorar a mãe, na antiga Grécia. A adoração formal da mãe, com cerimônias para Cibele ou Rhea, a grande mãe dos deuses, era realizada nos idos de março em toda a Ásia Menor.

Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada pela ativista Ann Maria Reeves Jarvis, que fundou em 1858 os Mothers’ Days Works Clubs, com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Jarvis organizou em 1865 o Mother’s Friendship Days (Dias de Amizade para as Mães) para melhorar as condições dos feridos na Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos no período. Em 1870, a escritora Julia Ward Howe publicou o manifesto Mother’s Day Proclamation, pedindo paz e desarmamento depois da Guerra de Secessão.


Reconhecida como idealizadora do Dia das Mães na sua forma atual é a filha de Ann Maria Reeves Jarvis, a metodista Anna Jarvis, que em 12 de maio de 1907, dois anos após a morte de sua mãe, criou um memorial à sua mãe e iniciou uma campanha para que o Dia das Mães fosse um feriado reconhecido. Ela obteve sucesso ao torná-lo reconhecido nos Estados Unidos em 08 de maio de 1914, quando a resolução Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother’s Day foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos, instalando o segundo domingo do mês de maio como Dia das Mães. No âmbito desta resolução o presidente dos Estados Unidos Thomas Woodrow Wilson proclamou no dia seguinte que no Dia das Mães os edifícios públicos devem ser decorados com bandeiras. Assim, o Dia das Mães foi celebrado pela primeira vez em 09 de maio de 1914. Com a crescente difusão e comercialização do Dia das Mães Anna Jarvis afastou-se do movimento, lamentou a criação e lutou para a abolição do feriado.

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio. A iniciativa fazia parte da estratégia das feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja católica. Em Portugal, o Dia das Mães é celebrado no primeiro domingo de maio, mês de Maria (mãe de Jesus), embora durante muitos anos tivesse sido comemorado no dia 08 de Dezembro, dia da Nossa Senhora da Conceição.

No Brasil e nos Estados Unidos o Dia das Mães é a segunda melhor data do comércio, depois do Natal.

Curiosamente, não é em todo o planeta que o Dia das Mães é comemorado no segundo domingo do mês de maio. Por exemplo, no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, também é o Dia das Mães na Albânia, Rússia, Sérvia, Bulgária e Romênia; em 10 de maio, também uma data fixa, a celebração acontece no Paraguai, México, Guatemala, Índia e Cingapura. Também há, ainda, as datas móveis: o primeiro domingo de maio celebra-se a data na Lituânia, Hungria, Espanha, Portugal, Angola e Moçambique; a maior parte do mundo celebra o Dia das Mães como no Brasil e nos Estados Unidos, no segundo domingo do mês de maio. Na Argentina, curiosamente, a celebração acontece no terceiro domingo do mês de outubro, para coincidir com a florada da primavera.


A origem do Dia dos Pais no mundo...
Evoca-se como origem dessa data à Babilônia, onde, há mais de 4 mil anos, um jovem chamado Elmesu teria moldado em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai. Daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais nos Estados Unidos.

Segundo a tradição, nos Estados Unidos e em mais 32 países, a data é comemorada no terceiro domingo do mês de junho. No Brasil, comemora-se no segundo domingo de agosto. Em Portugal e na Espanha, o Dia dos Pais é comemorado a 19 de março, seguindo a tradição da Igreja católica, que neste dia celebra São José, marido de Maria (a mãe de Jesus Cristo). No Brasil, é comemorado no segundo domingo de agosto. No país a implantação da data é atribuída ao jornalista Roberto Marinho, para incentivar as vendas do comércio e, por conseguinte, o faturamento de seu jornal. A data escolhida foi o dia de São Joaquim, sendo festejada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953.


As origens do Dia dos Namorados...
O Dia de São Valentim cai num dia festivo de dois mártires cristãos diferentes, de nome Valentim. Mas os costumes relacionados com este dia provavelmente vêm de uma antiga festa romana chamada Lupercalia, que se realizava todo dia 14 de fevereiro. A festa homenageava Juno, a deusa romana das mulheres e do casamento, e Pã, o deus da natureza.

A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado. O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes. Continuou celebrando casamentos, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu namorado” ou “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja católica, a data de sua morte – 14 de fevereiro – também marca a véspera de Lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.


Outra versão diz que no século 17, ingleses e franceses passaram a celebrar São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine’s Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do amado. Na sua forma moderna, a tradição surgiu em 1840, nos Estados Unidos, depois que Esther Howland vendeu cinco mil dólares em cartões do Dia dos Namorados, uma quantia elevada na época. Desde aí, a tradição de enviar cartões continuou crescendo, e no século 20 se espalhou por todo o mundo.

Atualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século 19, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.

No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho por ser véspera de 13 de junho, dia de Santo Antônio, santo português com tradição de casamenteiro no Brasil. A data provavelmente surgiu no comércio paulista, quando o comerciante João Dória trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes. A ideia se expandiu pelo Brasil, amparada pela correlação com o Dia de São Valentim – que nos países do hemisfério norte ocorre em 14 de fevereiro e é utilizada para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados. Ou seja, somente no Brasil o Dia dos Namorados acontece em 12 de junho; no resto de todo planeta a data ocorre em 14 de fevereiro.

O surgimento do Dia das Crianças...
No ano de 1924, o deputado federal Galdino do Valle Filho teve a ideia de criar o Dia das Crianças. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4.867, de 05 de novembro de 1924. Mas somente em 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a Semana do bebê robusto e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o Dia das Crianças é comemorado com muitos presentes. Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto. A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos e doces no Brasil.

Nos Estados Unidos, o Dia das Crianças é festejado no 1° domingo de junho, a data pode variar de estado para estado em nível nacional. Dia das Crianças e Juventude foi aprovado em 1994, quando o legislativo do Havaí se tornou o primeiro estado do país a aprovar uma lei para reconhecer o 1° domingo de outubro como Dia das Crianças. Nos Estados Unidos o presidente Bill Clinton proclamou o Dia das Crianças em 11 de outubro de 1998, em resposta a uma carta escrita por um menino de seis anos perguntando se ele iria aprovar o Dia das Crianças.


Ao redor do mundo o Dia das Crianças é comemorado em datas totalmente diferentes, não havendo um padrão. Assim, por exemplo, há países que comemoram a data em conjunto com o Natal, em 25 de dezembro. Também há certa regra em alguns países, pois, curiosamente, muitos comemoram o dia em 1º de junho. O mais interessante é o Japão, que tem datas separadas para comemorar do Dia dos Meninos e o Dia das Meninas. Apesar das datas diferentes, trata-se de uma comemoração muito animada, quando as crianças são brindadas com presentes, festas, bolos e muitos doces.